Líderes estudantis contactaram Yunus dois dias antes da fuga de Hasina, diz antigo assessor

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Student Leaders Contacted Yunus Two Days Before Hasina Fled, Former Aide Says

Uma abordagem secreta antes da mudança de poder no Bangladesh

Os líderes estudantis abordaram Muhammad Yunus para que liderasse um governo interino dois dias antes de Sheikh Hasina fugir do Bangladesh, a 5 de agosto de 2024, segundo Shafiqul Alam, antigo secretário de imprensa de Yunus. O seu relato situa o primeiro contacto por volta de 3 de agosto, quando Hasina ainda era primeira-ministra e prosseguiam as manifestações contra o seu governo.

Índice
  1. Uma abordagem secreta antes da mudança de poder no Bangladesh
  2. Quem fez o primeiro contacto?
  3. Por que razão Alam diz que as conversações foram secretas
  4. Dos protestos contra as quotas a um governo interino
  5. As provas em vídeo descritas por Alam
  6. O que mudou com a administração interina
  7. A condenação de Hasina e a contestação da transição
  8. Uma disputa que continua após a saída de Yunus do poder
  9. Pontos principais

Numa publicação no Facebook datada de 28 de outubro, Alam identificou Qadaruddin Shishir, então editor da equipa de verificação de factos da AFP em Daca, como intermediário. Disse que Shishir contactou o laureado com o Prémio Nobel da Paz em nome dos estudantes e organizou as conversações iniciais em segredo.

O momento acrescenta um pormenor concreto à transição que pôs fim aos 15 anos de Hasina no poder: os líderes estudantis discutiam um possível sucessor antes de ela deixar o país. Propuseram publicamente Yunus a 6 de agosto, e este tomou posse como conselheiro-chefe a 8 de agosto, depois de regressar de Paris.

A descrição de Alam diz respeito a preparativos privados durante os últimos dias de uma revolta muito mais ampla. Os protestos começaram em julho, devido às quotas de acesso a empregos públicos, e transformaram-se depois num movimento que contestava o governo de Hasina, à medida que uma repressão mortal intensificava a indignação pública.

Quem fez o primeiro contacto?

Alam, que trabalhou com Shishir na delegação da AFP antes de se tornar secretário de imprensa de Yunus, descreveu o jornalista como alguém em quem os estudantes confiavam para transmitir a sua proposta. Disse que a abordagem dizia respeito a uma administração interina para o período posterior a Hasina.

Alam descreveu nestes termos o papel de Shishir:

Foi Shishir quem primeiro contactou o laureado com o Prémio Nobel da Paz de 2006 em nome dos líderes estudantis e facilitou as conversações iniciais entre as duas partes.

Alam disse que apenas um pequeno círculo sabia das conversações. O seu relato atribui a Shishir um papel na abertura de um canal de comunicação entre os estudantes e Yunus, e não apenas na transmissão de uma exigência pública após a saída de Hasina.

Não foram especificadas as identidades dos estudantes envolvidos na primeira abordagem, o método de comunicação nem a resposta inicial de Yunus. Não foi possível estabelecer uma confirmação independente por parte de Shishir, Yunus ou dos estudantes participantes.

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Por que razão Alam diz que as conversações foram secretas

Segundo Alam, o governo de Hasina ainda estava no poder quando a abordagem ocorreu. Disse que os envolvidos receavam ser descobertos pelos serviços de segurança e a possibilidade de detenção secreta.

Alam descreveu a organização do trabalho na delegação de Daca:

Na altura, Shishir era editor da equipa de verificação de factos da AFP em Daca. Sentado a apenas um metro da minha secretária na delegação da AFP em Daca, conduziu esta operação de alto risco em absoluto segredo. Apenas um grupo restrito de pessoas de confiança sabia o que estava a acontecer.

Alam afirmou também que Shishir e os colegas poderiam ter sido levados para uma instalação Aynaghar se as conversações tivessem sido descobertas. Aynaghar, que significa «casa dos espelhos», é um nome associado a centros de detenção secretos no Bangladesh e a acusações de desaparecimento forçado e tortura. Um desaparecimento forçado ocorre quando alguém é detido e as autoridades ocultam o seu paradeiro ou negam que esteja sob custódia.

A descrição de Alam desse perigo é a sua avaliação dos riscos na altura. As suas acusações de homicídios e raptos fazem parte de uma disputa mais ampla sobre a atuação dos serviços de segurança de Hasina nos últimos meses do seu governo.

Dos protestos contra as quotas a um governo interino

A transição política no Bangladesh desenrolou-se rapidamente no início de agosto, após semanas de manifestações e violência. As quotas de acesso a empregos públicos, que reservam uma parte dos cargos públicos a grupos específicos, foram o motivo inicial da indignação dos estudantes. O confronto alargou-se depois, transformando-se numa exigência de que Hasina deixasse o poder.

A sequência descrita por Alam e os acontecimentos públicos posteriores é a seguinte:

  • Julho de 2024: Os protestos estudantis contra as quotas de acesso a empregos públicos alargaram-se e tornaram-se um movimento contra o governo de Hasina.
  • Por volta de 3 de agosto de 2024: Segundo Alam, os líderes estudantis contactaram Yunus pela primeira vez através de Shishir.
  • 5 de agosto de 2024: Hasina fugiu do Bangladesh, pondo fim aos seus 15 anos no poder.
  • 6 de agosto de 2024: Os líderes estudantis propuseram publicamente Yunus para chefiar uma administração interina.
  • 8 de agosto de 2024: Yunus tomou posse como conselheiro-chefe depois de regressar de Paris.
  • Fevereiro de 2026: A administração interina transferiu o poder na sequência das eleições que levaram Tarique Rahman ao cargo de primeiro-ministro.

Segundo esta cronologia, o alegado primeiro contacto ocorreu cerca de cinco dias antes de Yunus tomar posse. A proposta pública surgiu um dia depois da saída de Hasina. Estes intervalos ajudam a explicar por que motivo o relato de Alam voltou a chamar a atenção para a forma como a liderança estudantil se preparou para uma possível transferência de poder enquanto as manifestações ainda decorriam.

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As provas em vídeo descritas por Alam

Shishir também estava a recolher provas em vídeo de homicídios alegadamente cometidos pelo governo durante a repressão, disse Alam. Na sua publicação, essa atividade surge a par do alegado papel do jornalista no contacto com Yunus.

As provas em vídeo podem ajudar os investigadores a reconstituir um incidente, mostrando o local, as pessoas presentes e a ordem dos acontecimentos. Determinar quando e onde uma gravação foi feita e verificar se foi editada são passos fundamentais na sua avaliação.

Alam não apresentou uma lista das gravações nem explicou onde foram posteriormente entregues. A alegada recolha continua, assim, a ser um elemento específico do seu relato, sem que sejam indicados o conteúdo dos vídeos ou a utilização que lhes foi dada.

A dimensão da violência tornou-se mais tarde central nos processos criminais. Uma investigação das Nações Unidas estimou que até 1.400 pessoas foram mortas durante as semanas de protestos, a maioria por disparos das forças de segurança. Essa estimativa diz respeito à revolta em geral, não às gravações específicas que, segundo Alam, Shishir recolheu.

O que mudou com a administração interina

Yunus tornou-se conselheiro-chefe, e não primeiro-ministro eleito. A administração interina tinha como missão restabelecer a estabilidade, implementar reformas e preparar eleições após o colapso do governo de Hasina.

Esteve no poder durante cerca de um ano e meio, de agosto de 2024 a fevereiro de 2026. A administração restringiu as atividades da Liga Awami e procurou o regresso de Hasina da Índia, onde se tinha refugiado.

A Liga Awami foi impedida de participar nas eleições parlamentares de fevereiro de 2026, que levaram ao poder o Partido Nacionalista do Bangladesh, sob a liderança de Tarique Rahman. Para os seus apoiantes, a exclusão teve uma consequência imediata: não puderam votar num candidato da Liga Awami nessas eleições.

As medidas contra o partido foram descritas de diferentes formas, entre a proibição das suas atividades e a sua dissolução. As restrições às suas atividades políticas e a exclusão das eleições são as medidas concretas que afetaram a sua participação. Estas restrições continuaram a ser uma das principais queixas de Hasina nos seus apelos posteriores a um processo político inclusivo.

A condenação de Hasina e a contestação da transição

O Tribunal Internacional de Crimes do Bangladesh condenou Hasina à morte a 17 de novembro de 2025, por crimes contra a humanidade relacionados com a repressão da revolta de 2024. Foi julgada à revelia, ou seja, o processo decorreu sem que estivesse fisicamente presente em tribunal.

Os juízes condenaram-na por incitamento, por ordenar homicídios e por não impedir atrocidades. O antigo ministro do Interior Asaduzzaman Khan também foi condenado à morte, enquanto o antigo chefe da polícia Chowdhury Abdullah Al Mamun recebeu uma pena de cinco anos de prisão depois de colaborar como testemunha do Estado.

Hasina rejeita a condenação e acusou a administração de Yunus de instaurar processos com motivações políticas, reprimir os opositores e permitir que os responsáveis pela violência escapassem à justiça. Acusou também a administração de apoiar elementos extremistas. Estas acusações representam a sua posição na disputa política.

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O Bangladesh pediu a extradição de Hasina à Índia. A extradição é o processo formal pelo qual um país pede a outro que lhe entregue uma pessoa para ser julgada ou cumprir uma pena. A resposta da Índia ao pedido é uma decisão distinta da sentença do tribunal do Bangladesh.

Uma disputa que continua após a saída de Yunus do poder

Hasina renovou mais tarde a promessa de regressar ao Bangladesh e apelou aos Estados Unidos para que apoiassem eleições inclusivas e tribunais independentes. Indicou dezembro de 2026 como o período em que pretendia regressar, embora o seu filho, Sajeeb Wazed Joy, tenha dito que não havia uma data definida.

A promessa de regresso reúne as consequências políticas e jurídicas da revolta que continuam por resolver: uma sentença de morte, um pedido de extradição e as restrições ao partido que liderou. O governo de Rahman herdou estas questões depois de a administração interina transferir o poder.

A oposição a Yunus também se manifestou durante uma visita aos Estados Unidos, quando manifestantes o confrontaram no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova Iorque. Um vídeo que circulou mostrou pessoas a gritarem acusações enquanto a sua escolta o afastava. Os manifestantes foram identificados como apoiantes da Liga Awami.

O relato de Alam acrescenta agora um episódio anterior a esta disputa ainda em curso. A afirmação central é precisa: os líderes estudantis procuraram estabelecer contacto com Yunus quando Hasina ainda estava no poder. Para esclarecer melhor essas conversações privadas, seriam necessários testemunhos dos participantes, incluindo sobre o que foi pedido a Yunus, o que aceitou e quando.

Pontos principais

  • Shafiqul Alam, antigo secretário de imprensa de Yunus, afirma que os líderes estudantis contactaram Yunus por volta de 3 de agosto de 2024, dois dias antes de Hasina fugir.
  • Alam identificou o jornalista Qadaruddin Shishir como intermediário e disse que as conversações foram secretas.
  • Os estudantes propuseram publicamente Yunus a 6 de agosto; este tomou posse a 8 de agosto.
  • Alam alegou também que Shishir recolheu provas em vídeo de homicídios durante a repressão.
  • Hasina foi condenada à morte à revelia em novembro de 2025 e contesta a condenação.
  • A administração interina transferiu o poder em fevereiro de 2026, enquanto a Liga Awami continuava excluída dessas eleições.
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