Supremo Tribunal exige que os bancos compensem vítimas quando falhas nas verificações permitem fraudes digitais

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Supreme Court Seeks Bank Compensation When Failed Checks Enable Digital Fraud

Bancos poderão ter de indemnizar vítimas quando as salvaguardas falham

O Supremo Tribunal da Índia pediu aos bancos e a outras instituições financeiras que indemnizem as vítimas de fraude digital quando uma investigação conclua que a falta das verificações necessárias por parte dessas instituições permitiu a ocorrência do crime. A indemnização deverá ser, pelo menos, igual ao montante perdido, afirmou o tribunal, incluindo em burlas nas quais os criminosos aterrorizam as pessoas, levando-as a acreditar que estão sob «detenção digital».

Índice
  1. Bancos poderão ter de indemnizar vítimas quando as salvaguardas falham
  2. O que daria origem à indemnização?
  3. Travar uma transferência invulgar antes de esta ser concluída
  4. Porque é que o medo mantém as burlas em curso
  5. Menos casos comunicados, mas perdas avultadas
  6. Casos mostram por onde circula o dinheiro
  7. Funcionários bancários e regulador sob escrutínio
  8. As datas que determinam os próximos passos
  9. Pontos principais

Um coletivo composto pelo presidente do Supremo Tribunal da Índia, Surya Kant, e pelos juízes Joymalya Bagchi e V Mohana afirmou que iria analisar as propostas de Orientações de Alteração KYC para 2026 do Banco da Reserva da Índia antes de emitir novas orientações. Espera-se que as regras propostas sejam publicadas até 30 de novembro e entrem em vigor até 31 de dezembro de 2026.

A intervenção do tribunal coloca no centro do debate duas responsabilidades concretas: travar transferências suspeitas antes de o dinheiro sair de uma conta e fazer com que as instituições financeiras paguem quando verificações inadequadas causam prejuízos. Para os clientes, a exigência de indemnização proposta ligaria o reembolso a uma investigação sobre a forma como o banco tratou a transação.

O processo diz respeito ao caso In Re: Victims of Digital Arrest Related to Forged Documents, número SMW (Crl.) 3/2025. Trata-se de um processo iniciado motu proprio, ou seja, o Supremo Tribunal tomou a iniciativa de o instaurar.

O que daria origem à indemnização?

O coletivo afirmou que o quadro regulamentar do Banco da Reserva da Índia deverá exigir que as instituições financeiras indemnizem as vítimas de detenção digital e de outras fraudes informáticas quando não tenham exercido a devida diligência. Em termos correntes, devida diligência significa realizar as verificações razoavelmente necessárias para identificar um cliente, compreender a atividade da conta e reagir a sinais de alerta.

O valor mínimo proposto é o montante perdido pela vítima. Assim, a pessoa que perdeu dinheiro teria de ver analisado se falhas da instituição financeira permitiram a fraude. O tribunal ainda não definiu o processo detalhado para decidir esses pedidos, incluindo a forma de apresentação pelos clientes e o prazo para o pagamento da indemnização.

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O juiz Bagchi observou que o tribunal poderia impor responsabilidade objetiva às instituições financeiras. Esta abordagem jurídica atribui responsabilidade a uma instituição quando se verificam determinadas condições. O quadro de indemnização descrito pelo coletivo centra-se nos casos em que se conclua ter havido falhas nas verificações exigidas.

O presidente do Supremo Tribunal, Kant, também levantou a possibilidade de processos-crime durante a audiência. O procurador-geral R Venkataramani opôs-se à imposição de responsabilidade aos bancos através de orientações judiciais, argumentando que essa questão deverá ser tratada pelo Banco da Reserva da Índia através de regulamentação. O coletivo irá analisar o quadro regulamentar proposto antes de decidir os próximos passos.

Travar uma transferência invulgar antes de esta ser concluída

O Supremo Tribunal questionou por que motivo os bancos não poderiam suspender temporariamente transações que se desviem do histórico bancário habitual de um cliente. Os bancos já dispõem de registos que mostram a utilização normal de uma conta, o que lhes permite avaliar uma transferência súbita ou invulgar por comparação.

O presidente do Supremo Tribunal, Kant, pôs em causa a utilidade de agir apenas depois de os fundos terem sido movimentados. Ao explicar por que defendia medidas preventivas, afirmou:

A denúncia só chegará depois do crime. E a prevenção? Quando surge uma transação, porque não a suspender?

As salvaguardas discutidas incluem a suspensão temporária de transferências invulgares, a notificação automática da esquadra competente e a realização de uma verificação presencial para determinar se o pagamento é legítimo. O presidente do Supremo Tribunal defendeu também que as transações invulgares permaneçam suspensas até a sua autenticidade ser confirmada por escrito.

Para um cliente ameaçado por telefone ou videochamada, uma pausa poderia dar a alguém fora da conversa a oportunidade de verificar o que se está a passar. A verificação presencial levaria a investigação para além do ecrã através do qual o burlão está a controlar a vítima.

O coletivo afirmou que é necessária uma responsabilização efetiva, uma vez que avisos gerais não bastariam para garantir o cumprimento das regras. A abordagem proposta obrigaria os bancos a agir perante sinais de alerta e preveria consequências financeiras quando a sua inação permitisse uma fraude.

Porque é que o medo mantém as burlas em curso

O advogado sénior N S Nappinai, que presta assistência ao tribunal na qualidade de amicus curiae, citou um caso recente em que uma mulher perdeu 2,5 crore de rupias. Um amicus curiae é um advogado nomeado para ajudar o tribunal a analisar as questões em causa.

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Nappinai afirmou que o medo de ser detidas leva as vítimas a seguir as instruções dos criminosos. A sua intervenção abordou a razão pela qual as burlas continuam apesar dos avisos públicos e das intervenções judiciais anteriores: quem acredita que a polícia está a vigiar ou a ameaçar pode obedecer a exigências que, em circunstâncias normais, pareceriam suspeitas.

Nas burlas de detenção digital, os criminosos fingem exercer autoridade oficial através de chamadas, mensagens ou documentos falsificados. Podem acusar alguém de estar envolvido num crime grave e exigir dinheiro sob o pretexto de verificar fundos ou resolver uma investigação. Entre os casos relacionados com o processo, foram mencionados telefonemas de pessoas que afirmavam representar unidades policiais e ordenavam transferências supostamente destinadas a verificação.

O presidente do Supremo Tribunal, Kant, questionou por que motivo pessoas instruídas continuavam a acreditar nessas alegações e observou que as supostas ordens judiciais podiam ser verificadas no sítio oficial do tribunal em causa. O relato de Nappinai colocou no centro da experiência da vítima a pressão criada pelas ameaças.

As verificações bancárias propostas procuram intervir no momento em que essa pressão se transforma numa perda financeira. As campanhas de sensibilização chegam às pessoas antes de uma burla; a suspensão de uma transação interviria enquanto alguém tenta transferir dinheiro.

Menos casos comunicados, mas perdas avultadas

O procurador-geral Venkataramani disse ao tribunal que os casos comunicados de detenção digital tinham diminuído cerca de 50% face ao ano anterior. O presidente do Supremo Tribunal, Kant, referiu uma estimativa de perdas líquidas de quase 800 crore de rupias para a economia indiana devido a estas fraudes durante o ano.

Um relatório de situação do Centro Indiano de Coordenação do Cibercrime, conhecido como I4C, e do Ministério da Administração Interna registou mais de 21 900 queixas de detenção digital, envolvendo mais de 647 crore de rupias, entre 1 de janeiro e 31 de agosto de 2026. O valor de 647 crore refere-se a esse período específico, enquanto o presidente do Supremo Tribunal mencionou, durante a audiência, a estimativa mais ampla de quase 800 crore ao longo do ano.

Os valores tornam-se mais fáceis de compreender em rupias: 647 crore equivalem a 6,47 mil milhões de rupias, e 800 crore a 8 mil milhões. Apesar da redução dos casos comunicados referida pelo procurador-geral, as perdas citadas em tribunal mostram quanto dinheiro continuam a arriscar perder as vítimas e as famílias.

Venkataramani afirmou que o I4C funciona 24 horas por dia e que os bancos estão hoje mais eficazes a assinalar transações suspeitas do que há seis meses. Disse ainda que se tinha reunido com o Banco da Reserva da Índia para insistir na elaboração de regras e que a responsabilidade dos funcionários bancários estava a ser abordada.

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Casos mostram por onde circula o dinheiro

A polícia de Deli deteve dois homens suspeitos de gerir uma conta-mula ligada a uma burla de 2,10 crore de rupias que teve como alvo um residente de Janakpuri. Uma conta-mula é uma conta utilizada para receber ou movimentar dinheiro para criminosos, colocando muitas vezes outro titular de conta entre a vítima e quem dirige a fraude.

A conta em Deli recebeu 98 592 rupias relacionadas com o caso em 12 de outubro. Os agentes apreenderam telemóveis, cartões de débito e cheques aos suspeitos. O montante recebido nessa conta era apenas uma parte da perda total alegada, ilustrando por que motivo os investigadores poderão ter de seguir várias transferências e destinatários.

A polícia de combate ao cibercrime de Hyderabad deteve dois homens suspeitos de burlarem um trabalhador reformado, de 63 anos, e a filha deste em 29,17 lakh de rupias. Os investigadores alegaram que o dinheiro foi movimentado através de contas-mula, máquinas de depósito de numerário e conversões em criptomoedas. Um terceiro suspeito continuava em fuga.

Em Kozhikode, uma mulher de 57 anos terá perdido 1,35 crore de rupias depois de pessoas que se faziam passar por agentes da Secção Criminal de Mumbai a ameaçarem com processos-crime. Instruíram-na a transferir dinheiro, supostamente para o Banco da Reserva da Índia, para verificação. A polícia registou um caso relativo a chamadas pelo WhatsApp recebidas entre 22 de setembro e 15 de outubro.

A polícia do distrito de Dakshina Kannada, no estado de Karnataka, afirmou que um agricultor de 62 anos foi coagido a transferir 1,31 crore de rupias. Pessoas que alegavam representar a Polícia de Mumbai e a Brigada Antiterrorista acusaram-no de enviar dinheiro a um suspeito do atentado terrorista de Pahalgam. Alegadamente, manteve-se sob detenção digital entre 2 de setembro e 6 de outubro.

Funcionários bancários e regulador sob escrutínio

O presidente do Supremo Tribunal, Kant, manifestou preocupação com o alegado envolvimento de funcionários bancários em fraudes e questionou a consulta do Banco da Reserva da Índia aos bancos durante a elaboração de medidas de proteção. As suas observações chamaram a atenção tanto para os controlos das transações como para a conduta dos trabalhadores das instituições financeiras.

O procurador-geral Venkataramani afirmou que foram tomadas medidas sempre que se comprovou o envolvimento de funcionários. Rejeitou também a sugestão de que todos os trabalhadores bancários estivessem conluiados com burlões e disse que o Banco da Reserva da Índia estava a acelerar os trabalhos.

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As alterações propostas pelo Banco da Reserva da Índia às regras KYC estão agora no centro do processo. KYC significa «conheça o seu cliente» e designa as verificações utilizadas pelas instituições financeiras para confirmar a identidade dos clientes. O tribunal pretende que o quadro proposto inclua obrigações de prevenção e indemnização quando falhas nessas verificações permitam uma fraude informática.

O coletivo ordenou ao Banco da Reserva da Índia que apresentasse, na próxima audiência, uma lista de todas as instituições financeiras autorizadas. Indicou que poderia emitir orientações aplicáveis a essas instituições sem que cada banco tivesse de ser uma parte distinta no processo. Isso permitiria ao tribunal abranger o setor através de requisitos comuns.

As datas que determinam os próximos passos

O processo reúne registos de queixas, alegações do Governo e um calendário para as regras propostas pelo Banco da Reserva da Índia. As datas principais são:

  • De 1 de janeiro a 31 de agosto de 2026: o I4C e o Ministério da Administração Interna registaram mais de 21 900 queixas de detenção digital, envolvendo mais de 647 crore de rupias.
  • 28 de outubro: a nota do procurador-geral, em nome do Governo da União, apresentou as orientações propostas para apreciação do tribunal.
  • 30 de novembro de 2026: espera-se que sejam publicadas as Orientações de Alteração KYC propostas pelo Banco da Reserva da Índia.
  • 31 de dezembro de 2026: espera-se que as orientações propostas entrem em vigor.

O Banco da Reserva da Índia deverá também apresentar a lista de instituições financeiras autorizadas na próxima audiência. O coletivo afirmou estar inclinado a emitir as orientações propostas tanto pelo amicus curiae como pelo Governo da União, mas que analisaria primeiro as alterações do Banco da Reserva da Índia.

Para as vítimas e os bancos, a próxima etapa centra-se, por isso, nas obrigações concretas previstas nesse quadro: quando deverá ser suspensa uma transação suspeita, como serão notificadas as autoridades policiais, de que forma será feita a verificação e como será paga a indemnização quando se conclua que houve falhas nas verificações.

Pontos principais

  • O Supremo Tribunal quer que as instituições financeiras indemnizem as vítimas em, pelo menos, o valor perdido quando falhas na devida diligência permitam uma fraude digital.
  • O coletivo defendeu a suspensão temporária de transferências invulgares, alertas automáticos à polícia e verificações presenciais.
  • O I4C e o Ministério da Administração Interna registaram mais de 21 900 queixas, envolvendo mais de 647 crore de rupias, entre janeiro e agosto de 2026.
  • Espera-se que as alterações KYC propostas pelo Banco da Reserva da Índia sejam publicadas até 30 de novembro e entrem em vigor até 31 de dezembro de 2026.
  • O tribunal irá analisar as regras propostas antes de emitir novas orientações e pediu uma lista das instituições financeiras autorizadas.
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