Nova liderança e um marco antecipado na construção
A Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (HKUST) recrutou o experiente especialista em doenças do sangue, professor Anskar Leung Yu-hung, da Universidade de Hong Kong (HKU), enquanto se prepara para admitir os primeiros 50 estudantes na terceira faculdade de medicina de Hong Kong, no ano académico de 2028/29.
Índice
- Nova liderança e um marco antecipado na construção
- Por que motivo Leung decidiu mudar-se
- O recrutamento coloca a cooperação sob escrutínio
- Quem mais vai integrar a faculdade?
- O que significa a meta de 100 professores
- Um curso que combina ciência e cuidados clínicos
- O que incluirá o novo complexo
- Formação hospitalar e caminho até à abertura
- Pontos principais
Numa sessão informativa a 28 de outubro de 2026, a HKUST afirmou que a estrutura de oito pisos do seu Complexo de Educação Médica e Investigação, em Clear Water Bay, tinha chegado à sua altura máxima na semana anterior, antes do previsto. Espera-se que o edifício, com cerca de 6 000 metros quadrados, fique concluído em meados de 2028, proporcionando a principal base de ensino e investigação da faculdade na fase inicial.
Leung será vice-reitor sénior de medicina e diretor interino de medicina clínica. A sua mudança chamou a atenção para a forma como a nova faculdade irá recrutar médicos e docentes experientes sem enfraquecer as duas faculdades de medicina já existentes em Hong Kong, na HKU e na Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK).
A presidente da HKUST, professora Nancy Ip, afirmou que a universidade não iria tentar recrutar ativamente profissionais de outras instituições e que pretendia cooperar com ambas. A faculdade de medicina da HKU disse respeitar a escolha pessoal de Leung, mas instou a HKUST a recrutar mais talento no estrangeiro para reduzir a concorrência prejudicial.
Para além desta nomeação, a HKUST está a trabalhar em três objetivos interligados: concluir as instalações, obter aprovação para o currículo de medicina e reunir docentes suficientes para que os estudantes iniciem a formação clínica em 2030. A faculdade pretende ter pelo menos 100 professores até esse ano.
Por que motivo Leung decidiu mudar-se
Leung traz consigo quase três décadas de experiência na HKU, onde chegou a professor catedrático de hematologia e foi vice-reitor responsável pelos recursos humanos. Licenciou-se em medicina na CUHK antes de ingressar na HKU, na década de 1990, como professor clínico assistente.
A sua investigação inclui a leucemia mieloide aguda, um cancro que afeta o sangue e a medula óssea. Em maio, apresentou o trabalho da sua equipa da HKU sobre um tratamento combinado destinado a reduzir a probabilidade de a doença regressar. A sua experiência abrange os cuidados a doentes, a investigação laboratorial e a formação de futuros médicos.
Leung afirmou que tinha conversado com a HKU sobre a sua saída e que se demitira cerca de quatro meses antes. Descreveu as conversas como tendo decorrido num ambiente de entendimento mútuo e disse querer contribuir com a sua experiência clínica, de investigação e de ensino para a nova instituição.
Ao falar como novo vice-reitor sénior de medicina da HKUST, Leung explicou o que o atrai na criação de uma faculdade de medicina:
Partilho a missão fundadora da faculdade e espero contribuir com os conhecimentos clínicos, de investigação e de ensino que acumulei.
Leung manifestou também gratidão pelas oportunidades que recebeu na HKU. Para a HKUST, a sua nomeação representa a entrada de um clínico sénior com experiência em ensino médico e gestão de pessoal académico, duas necessidades imediatas de uma instituição que está a formar a sua equipa docente.
O recrutamento coloca a cooperação sob escrutínio
Ip afirmou que a HKUST tinha recebido manifestações de interesse de candidatos de Hong Kong e do estrangeiro mesmo antes do início do processo de seleção. Descreveu o recrutamento como um processo global, conduzido de forma aberta e rigorosa, e disse que já tinham sido identificados candidatos adequados para vários cargos importantes.
A equipa da HKUST visitou o Reino Unido em julho para procurar potenciais recrutados. O reitor fundador de medicina, professor King Li, afirmou que os candidatos locais e estrangeiros seriam avaliados de forma justa, com base nas suas qualificações e adequação.
Ao explicar a posição da universidade sobre o recrutamento de profissionais das faculdades existentes, Ip afirmou:
Não é nosso hábito aliciar profissionais de outras instituições. Enquanto nova faculdade de medicina, uma das nossas aspirações é trabalhar com as outras duas faculdades de medicina: essa é a melhor forma de fazer avançar o ensino médico local e o desenvolvimento dos cuidados de saúde.
A faculdade de medicina da HKU instou a HKUST a privilegiar o recrutamento no estrangeiro, para que as três faculdades possam desenvolver as suas próprias valências. A HKU afirmou que também recrutou académicos de universidades de referência da América do Norte e criou um programa de parcerias estratégicas com instituições internacionais, que proporciona aos académicos oportunidades de investigação, estudos avançados e formação profissional no estrangeiro.
Está também a ser explorada a cooperação prática. Espera-se que a CUHK partilhe uma disciplina de anatomia, enquanto os acordos com a HKU continuam em discussão. A anatomia, que estuda a estrutura do corpo, é uma componente fundamental da formação médica, pelo que o acordo de partilha proposto constitui um exemplo concreto de como as faculdades poderão trabalhar em conjunto.
Quem mais vai integrar a faculdade?
O corpo docente em formação da HKUST inclui o professor clínico Roger Ho Chun-man, anteriormente na Universidade Nacional de Singapura, bem como os professores Elaine Holmes e Jeremy K. Nicholson. Estas nomeações trazem experiência de instituições clínicas e de investigação fora de Hong Kong.
Holmes foi anteriormente professora no Imperial College de Londres e na Universidade Murdoch, na Austrália. Disse ter ingressado na HKUST no início de julho. O seu trabalho abrange a medicina de sistemas, a investigação dos microrganismos que vivem no corpo, a inteligência artificial e a saúde de precisão. A medicina de sistemas analisa a forma como diferentes processos biológicos interagem, em vez de os estudar isoladamente.
Nicholson foi anteriormente vice-reitor para as ciências da saúde da Universidade Murdoch e diretor executivo do Centro Nacional Australiano do Fenoma. A sua nomeação acrescenta experiência no estudo da relação entre os processos biológicos, a saúde e a doença.
Em abril, Ip afirmou que sete professores clínicos já tinham iniciado funções e que cerca de 30 pessoas dos Estados Unidos, da Europa, da Austrália e de Singapura tinham assinado cartas de intenção para integrar a instituição. Estes números correspondem a diferentes fases do recrutamento: algumas pessoas já tinham começado a trabalhar, enquanto outras tinham manifestado formalmente essa intenção.
Li não revelou o número exato de recrutamentos em curso na sessão informativa de outubro, uma vez que o processo continuava. A HKUST apresentou um plano de pessoal para cargos académicos e administrativos entre 2026 e 2030, dando prioridade a docentes clínicos em departamentos essenciais.
O que significa a meta de 100 professores
Li afirmou que a HKUST pretende ter pelo menos 100 professores em 2030, ano em que está previsto que os primeiros estudantes iniciem estágios clínicos. O objetivo é garantir que as disciplinas e especialidades médicas disponham de liderança académica e pessoal docente adequados.
Descreveu a proporção prevista entre docentes e estudantes como superior a um para um; noutra versão das suas declarações, a meta foi indicada como sendo de um para um. Ambas as descrições apontam para um plano de pessoal intensivo numa faculdade que começa com uma turma reduzida.
Os 100 professores previstos seriam o dobro dos 50 estudantes da primeira turma. A entrada de mais estudantes após essa primeira turma significa que a meta de recrutamento diz respeito a uma faculdade em crescimento, e não apenas à turma inaugural.
A HKUST está também a atrair especialistas para a faculdade de medicina através de nomeações conjuntas nas suas escolas atuais. Li afirmou que se espera um equilíbrio relativamente semelhante entre professores locais e estrangeiros, sendo as nomeações determinadas pela qualidade dos candidatos e não pelo seu local de origem.
Um curso que combina ciência e cuidados clínicos
A HKUST planeia oferecer um curso de quatro anos de licenciatura em medicina e cirurgia destinado a licenciados. O ingresso de licenciados significa que os estudantes começam a estudar medicina depois de concluírem um curso universitário anterior.
A conceção curricular, a estrutura académica e os principais programas das disciplinas estão em grande medida definidos, enquanto o desenvolvimento detalhado dos cursos prossegue. O quadro proposto combina formação clínica e ética médica com medicina de precisão, inteligência artificial e ciência de dados, aproveitando as valências já existentes na HKUST.
A medicina de precisão utiliza informações sobre a biologia e outras características de uma pessoa para orientar os cuidados de saúde. A ciência de dados ajuda os investigadores a identificar padrões em grandes conjuntos de informação. A par destas áreas, a ética médica aborda decisões relacionadas com os direitos, as responsabilidades e os cuidados prestados aos doentes.
O Conselho Médico de Hong Kong está a analisar o currículo proposto. Uma equipa de avaliação visitou a HKUST durante dois dias no início de outubro, e a universidade aguardava o resultado na altura da sessão informativa. Não foi indicada uma data para a decisão.
Os estudantes terão também de atingir um nível de cantonês definido antes de se formarem. Li afirmou que a seleção seria feita com base no mérito, sem distinções adicionais em função da origem geográfica, para além dos requisitos aplicáveis. O nível exato de cantonês exigido e a forma de avaliação ainda não foram anunciados.
Para os futuros estudantes, o requisito linguístico está diretamente ligado à prática clínica: um médico precisa de compreender os doentes e de lhes explicar os cuidados numa língua que consigam usar. Esta competência será exigida juntamente com os conteúdos científicos e clínicos do curso.
O que incluirá o novo complexo
As principais obras estruturais do Complexo de Educação Médica e Investigação estão concluídas. Chegar à altura máxima significa que o edifício atingiu o nível estrutural mais elevado; a construção dos espaços interiores e a instalação dos equipamentos e sistemas do edifício ainda se seguem.
A empresa de arquitetura SOM confirmou este marco antecipado no seu anúncio do projeto. A SOM concebeu o edifício em conjunto com a Wong Tung & Partners Limited, reunindo espaços de ensino, investigação e utilização académica partilhada num único complexo.
Os pisos do edifício têm entre cinco e seis metros de altura. As instalações previstas incluem laboratórios de ensino, espaços de investigação, instalações para treino de competências clínicas e centros de simulação, onde os estudantes poderão praticar procedimentos médicos em ambiente controlado antes de trabalharem com doentes. Está prevista a instalação de zonas de aterragem para drones no terraço.
Scott Duncan, sócio de design da SOM, descreveu o contributo que o projeto pretende dar a Hong Kong:
«O novo complexo representa um passo transformador para a comunidade local e para a cidade em geral»,
A HKUST afirmou que a estrutura atingiu a altura máxima menos de seis meses depois do início das obras e antes do previsto. O planeamento detalhado centra-se agora nos espaços de ensino, nas instalações de investigação e nos centros de simulação necessários para transformar a estrutura concluída numa base operacional de formação médica.
Formação hospitalar e caminho até à abertura
O Hospital Kai Tak está previsto como hospital de ensino provisório da faculdade. A HKUST e a Autoridade Hospitalar estão a finalizar os acordos relativos ao ensino clínico e ao apoio à investigação, enquanto o complexo de Clear Water Bay servirá como principal instalação de ensino e investigação até à conclusão de um campus permanente.
Está previsto que os estudantes iniciem estágios clínicos em 2030, dois anos depois da primeira admissão planeada. O acesso a hospitais e o recrutamento de docentes clínicos têm, por isso, de avançar em paralelo com a construção das salas de aula e a aprovação do currículo.
O calendário da HKUST reúne várias frentes de preparação:
- Novembro de 2025: O Governo aprovou a proposta da HKUST para criar a terceira faculdade de medicina de Hong Kong.
- Abril de 2026: Começaram as obras do Complexo de Educação Médica e Investigação.
- Início de outubro de 2026: Uma equipa de avaliação do Conselho Médico realizou uma visita de dois dias à HKUST.
- Outubro de 2026: A estrutura do complexo atingiu a altura máxima antes da sessão informativa de progresso da universidade, a 28 de outubro.
- Meados de 2028: Prevê-se que o complexo de ensino e investigação esteja concluído.
- Ano académico de 2028/29: A HKUST pretende admitir os primeiros 50 estudantes de medicina.
- 2030: Está previsto que os primeiros estudantes iniciem estágios clínicos, e a meta é ter pelo menos 100 professores até esse ano.
Ip afirmou que os preparativos tinham avançado de forma constante desde a aprovação do Governo e que a universidade continuava confiante quanto ao calendário de abertura. As próximas etapas incluem concluir o edifício, desenvolver os cursos em pormenor, prosseguir o recrutamento e obter o resultado necessário da avaliação curricular.
Pontos principais
- Anskar Leung, antigo vice-reitor da HKU, juntou-se à HKUST como vice-reitor sénior de medicina e diretor interino de medicina clínica.
- A HKUST pretende admitir 50 estudantes no ano académico de 2028/29 para um curso de medicina de quatro anos destinado a licenciados.
- O complexo de ensino e investigação, com oito pisos e cerca de 6 000 metros quadrados, atingiu a altura máxima antes do previsto.
- A faculdade pretende ter pelo menos 100 professores até 2030, ano em que está previsto que os primeiros estudantes iniciem estágios clínicos.
- O Conselho Médico está a avaliar o currículo, e os estudantes terão de cumprir um requisito de cantonês antes de se formarem.
- A HKUST afirma que pretende cooperar com a HKU e a CUHK, enquanto a HKU instou a universidade a reforçar o recrutamento no estrangeiro para reduzir a concorrência pelo talento já existente.






