A poluição atmosférica no Paquistão reduz a esperança de vida em 3,9 anos, enquanto o Governo anuncia fundo de 10 milhões de dólares para o ar limpo

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Pakistan Air Pollution Cuts Lives by 3.9 Years as Government Announces $10 Million Clean Air Fund

Uma crise nacional de saúde e uma nova promessa de financiamento

A poluição atmosférica reduz a esperança média de vida no Paquistão em cerca de 3,9 anos, contribui para aproximadamente 128 000 mortes prematuras por ano e tem custos equivalentes a 6,5% da economia, segundo uma avaliação da Pakistan Air Quality Initiative (PAQI). Em Lahore, a exposição prolongada aos níveis atuais de poluição pode encurtar a vida até sete anos.

Índice
  1. Uma crise nacional de saúde e uma nova promessa de financiamento
  2. O que avalia o estudo nacional
  3. Porque é que Lahore enfrenta uma exposição tão grave
  4. Um mês de alertas relativos a vários poluentes
  5. Os transportes lideram em Lahore; a indústria, em Carachi
  6. Controlo do pó e fiscalização industrial
  7. O que prevê o anúncio de 10 milhões de dólares
  8. O custo económico chega às famílias
  9. Pontos principais

As conclusões quantificam a nível nacional uma crise que voltou a tornar-se visível a 28 de outubro de 2026. Às 10h00, Lahore ocupava o primeiro lugar na classificação em tempo real das principais cidades da IQAir, com um Índice de Qualidade do Ar (AQI) de 296, na categoria de muito prejudicial à saúde. Carachi ocupava o quinto lugar, com 173, classificado como prejudicial à saúde.

Nesse mesmo dia, o ministro das Alterações Climáticas, Musadik Masood Malik, anunciou uma dotação de 10 milhões de dólares para criar um Fundo para o Ar Limpo, durante a Conferência Nacional do Paquistão sobre o Ar Limpo, em Islamabad. Disse que o Governo tinha afetado recursos próprios e descreveu o acesso a um ambiente limpo e saudável como um direito fundamental.

A resposta imediata inclui inspeções industriais, medidas contra a queima de resíduos agrícolas e equipamento adicional para controlar o pó. As conclusões da PAQI apontam para uma tarefa mais abrangente: reduzir as emissões dos transportes, das fábricas e dos fornos de tijolo, com prioridades diferentes consoante a cidade.

O que avalia o estudo nacional

A avaliação da PAQI, intitulada Revelar a poluição atmosférica no Paquistão: relatório nacional sobre riscos para a saúde, fontes e soluções, combina um inventário nacional de emissões com avaliações da qualidade do ar em Lahore, Carachi, Islamabad-Rawalpindi e Peshawar. Um inventário de emissões estima a quantidade de poluição libertada por diferentes atividades, ajudando as autoridades a identificar onde as reduções poderiam ter maior impacto.

O estudo reúne medições feitas junto ao solo, observações por satélite e dados locais sobre o consumo de combustíveis, os parques automóveis, a atividade industrial e as emissões dos vários setores económicos. Analisa partículas finas, monóxido de carbono, óxidos de azoto e dióxido de enxofre.

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As partículas finas, conhecidas como PM2.5, são partículas com um diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrómetros. São suficientemente pequenas para penetrar profundamente nos pulmões, e algumas podem entrar na corrente sanguínea. A exposição repetida aumenta o risco de doenças graves do coração e dos pulmões.

A perda estimada de 3,9 anos descreve o efeito da poluição numa população. Os efeitos individuais variam consoante a exposição, a idade e o estado de saúde. A estimativa de cerca de 128 000 mortes prematuras exprime outra dimensão do mesmo impacto na saúde: pessoas que morrem mais cedo devido a doenças para as quais o ar poluído contribui.

Porque é que Lahore enfrenta uma exposição tão grave

A concentração média anual de PM2.5 em Lahore ultrapassa os 110 microgramas por metro cúbico, segundo a estimativa. A Organização Mundial da Saúde recomenda um nível anual de cinco microgramas por metro cúbico, o que coloca a estimativa para Lahore em mais de 22 vezes esse valor de referência.

A perda potencial de sete anos de esperança de vida associada à exposição prolongada em Lahore é cerca de 1,8 vezes superior à estimativa nacional de 3,9 anos. Esta comparação mostra como o impacto a longo prazo na saúde pode ser muito mais grave numa cidade fortemente poluída.

O tempo de inverno agrava a situação. Durante uma inversão térmica, o ar mais quente fica acima do ar mais frio junto ao solo, limitando a circulação ascendente que normalmente ajudaria a dispersar a poluição. As emissões acumulam-se então no ar que as pessoas respiram.

O AQI de 296 registado em Lahore a 28 de outubro refletia as condições num determinado momento. O valor anual de PM2.5 mede a exposição ao longo de um período muito mais extenso. O AQI converte as medições da poluição numa escala que comunica o risco imediato para a saúde, enquanto a concentração anual ajuda a descrever a exposição persistente.

Um mês de alertas relativos a vários poluentes

Os alertas de poluição emitidos em Lahore em outubro incluíram poluição por partículas e ozono. O ozono junto ao solo forma-se quando outros poluentes reagem à luz solar e pode irritar os pulmões. Uma análise divulgada a 1 de outubro pelo Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus, da União Europeia, descreveu os níveis de ozono em Lahore como extremamente maus.

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A sequência de alertas e anúncios de medidas mostra como a crise evoluiu ao longo do mês:

  • 1 de outubro de 2026: A análise do Copernicus identificou níveis extremamente maus de ozono em Lahore.
  • 2 de outubro: Lahore ocupou o primeiro lugar na classificação em tempo real das principais cidades da IQAir, com um AQI de 167, classificado como prejudicial à saúde.
  • 28 de outubro, às 10h00: Lahore registou um AQI de 296 e Carachi de 173, ocupando, respetivamente, o primeiro e o quinto lugar na classificação em tempo real.
  • 28 de outubro: Malik anunciou a iniciativa de financiamento para o ar limpo na conferência nacional em Islamabad.
  • 29 de outubro: Segundo o anúncio do ministro, esperava-se que fosse aprovada a administração do fundo proposto.

As crianças, as pessoas mais velhas e quem sofre de asma ou de outras doenças cardíacas e pulmonares enfrentam riscos particulares durante episódios graves de poluição. Os residentes foram aconselhados a evitar esforços prolongados ao ar livre quando os níveis de poluição fossem elevados, sobretudo as pessoas com problemas respiratórios.

Os transportes lideram em Lahore; a indústria, em Carachi

Os transportes representam 35% das emissões primárias de PM2.5 em Lahore, seguidos pela indústria, com 28%, e pelos fornos de tijolo, com 17%, segundo a PAQI. Em conjunto, estas três categorias representam 80% das emissões primárias de PM2.5 da cidade.

PM2.5 primárias são partículas finas libertadas diretamente para o ar. Outras partículas finas formam-se mais tarde, através de reações químicas que envolvem gases. O inventário ajuda, por isso, a identificar as principais fontes diretas, enquanto a avaliação mais abrangente analisa vários poluentes.

Carachi apresenta um perfil diferente: a indústria representa 49% das emissões consideradas na avaliação. As fábricas e outras atividades industriais são, por isso, centrais na resposta da cidade, enquanto os dados de Lahore atribuem aos transportes a maior parcela de partículas finas emitidas diretamente.

A conclusão prática é que cada cidade precisa de medidas adaptadas às suas emissões. O inventário de Lahore direciona a atenção para a poluição causada pelos veículos, além das fábricas e dos fornos. A parcela industrial de Carachi oferece às autoridades um ponto de partida diferente para as inspeções, a escolha de combustíveis e o controlo das emissões.

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Controlo do pó e fiscalização industrial

As autoridades do Punjab estavam a adquirir e a instalar mais 30 canhões de nevoeiro montados em camiões elétricos, segundo Sajid Bashir, porta-voz da Agência de Proteção Ambiental. Os canhões antissmog estavam a ser instalados primeiro nos locais com níveis de poluição mais elevados, em particular níveis elevados de PM10.

As PM10 incluem partículas com um diâmetro até 10 micrómetros e podem incluir pó proveniente de estradas e obras. Os canhões de nevoeiro pulverizam água para controlar o pó em suspensão e limitar a sua dispersão a partir das estradas e das zonas próximas. O inventário de emissões também identifica fontes que exigem medidas dirigidas aos veículos, às fábricas e aos fornos.

Bashir identificou a construção como outra fonte de poluição em Lahore e noutras zonas do Punjab. Ao descrever o efeito das obras em curso, o porta-voz da Agência de Proteção Ambiental afirmou:

«As obras de desenvolvimento em Lahore e noutras cidades da província também estavam a contribuir para a poluição»,

O Punjab Climate Watch estava a monitorizar as indústrias de Lahore em três turnos, com equipas a inspecionar infrações, a instaurar processos e a aplicar multas. Bashir disse ainda que as autoridades tinham instalado dispositivos para registar os níveis de poluição e estavam a tomar medidas para impedir a queima de resíduos agrícolas.

Os ventos de leste transportavam ar poluído das regiões fronteiriças da Índia para Lahore e para o centro do Punjab, afirmou Bashir. O seu relato coloca a poluição transportada pelo vento a par das emissões locais identificadas pela PAQI, mostrando por que motivo tanto as condições meteorológicas como as medidas contra as fontes internas são importantes para a exposição diária.

O que prevê o anúncio de 10 milhões de dólares

Malik descreveu uma dotação governamental de 10 milhões de dólares para um Fundo para o Ar Limpo. Nas suas declarações na conferência, apresentou também a iniciativa como um fundo planeado para empresas emergentes dedicadas ao ar limpo, cuja administração se esperava que fosse aprovada no dia seguinte. O anúncio combinou um compromisso de financiamento com disposições de governação ainda sujeitas a aprovação.

O ministro disse que o dinheiro viria dos recursos limitados do Governo paquistanês, depois de tentativas de obter apoio de parceiros de desenvolvimento. Descreveu a iniciativa como uma obrigação para com as gerações futuras, e não como uma subvenção ou um empréstimo.

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Não foram indicados prazos para a apresentação de candidaturas, critérios de elegibilidade nem uma data para a disponibilização do dinheiro. Esses pormenores determinarão que empresas ou projetos poderão receber apoio e quando poderá começar a ser aplicado em medidas concretas.

Malik agradeceu ao Banco Mundial, ao Banco Asiático de Desenvolvimento, à UNICEF e à agência alemã de desenvolvimento GIZ pelos seus contributos para iniciativas climáticas. Disse que o Governo prosseguiria com medidas para garantir ar limpo com ou sem apoio externo e apelou a soluções de engenharia, políticas eficazes e compromissos financeiros.

O custo económico chega às famílias

O impacto da poluição no Paquistão é estimado no equivalente a 6,5% do produto interno bruto, tanto na avaliação da PAQI como nas declarações de Malik na conferência. O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos numa economia. Em termos simples, o impacto estimado equivale a 6,5 em cada 100 unidades da produção económica anual.

Malik associou esse custo à doença, à hospitalização e à pressão financeira sobre as famílias. Para estas, o ar poluído pode significar despesas com tratamentos e tempo afastado do trabalho enquanto alguém está doente ou presta cuidados a um familiar.

As pessoas com menos recursos suportam um fardo maior, afirmou o ministro, porque têm menos meios para se proteger. Observou também que as comunidades agrícolas cujas práticas contribuem para a poluição sofrem igualmente os seus efeitos. As medidas contra as emissões da agricultura têm, por isso, de ter em conta os meios de subsistência, além da qualidade do ar.

Em conjunto, as conclusões tornam claras as prioridades: reduzir as emissões identificadas em cada cidade, fazer cumprir as regras aplicáveis às atividades poluentes e transformar o anúncio de financiamento em projetos com critérios claros e prazos de execução. O controlo do pó responde a um problema imediato; as emissões dos transportes, da indústria e dos fornos exigem medidas sustentadas na origem.

Pontos principais

  • A PAQI estima que a poluição atmosférica reduz a esperança média de vida no Paquistão em 3,9 anos e contribui para cerca de 128 000 mortes prematuras por ano.
  • A concentração média anual estimada de PM2.5 em Lahore ultrapassa os 110 microgramas por metro cúbico, mais de 22 vezes o valor de referência da OMS.
  • Os transportes, a indústria e os fornos de tijolo representam, em conjunto, 80% das emissões primárias de PM2.5 em Lahore.
  • A indústria representa 49% das emissões consideradas na avaliação de Carachi.
  • O Governo anunciou uma iniciativa de 10 milhões de dólares para o ar limpo, cuja administração se esperava que fosse aprovada a 29 de outubro de 2026.
  • A resposta do Punjab inclui inspeções industriais, medidas contra a queima de resíduos agrícolas e mais 30 canhões de nevoeiro montados em camiões elétricos.
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