Nova lei da educação chega à fase de análise pelo Conselho de Ministros
A proposta de Lei Nacional da Educação da Tailândia daria às escolas públicas maior controlo sobre o pessoal, as despesas, o ensino e a gestão quotidiana, criando também uma comissão nacional para coordenar a educação entre pelo menos 40 organismos e 10 ministérios. O ministro da Educação, Prasert Jantararuangtong, afirmou que a versão final do projeto chegara à Secretaria do Conselho de Ministros, estando prevista a primeira leitura parlamentar para o início de dezembro de 2026.
Índice
- Nova lei da educação chega à fase de análise pelo Conselho de Ministros
- O que as escolas poderiam decidir
- Uma comissão nacional coordenaria um sistema fragmentado
- O compromisso com a autonomia sob escrutínio
- Os professores passariam menos tempo em tarefas administrativas
- Um Banco de Créditos ligaria a aprendizagem ao trabalho
- Manter as crianças na escola exige enfrentar os custos e a segurança
- A liderança escolar liga a lei à experiência quotidiana
- Calendário e indicadores de progresso
- Pontos principais
Ao discursar no Matichon Forum 2026, no hotel Pullman King Power, em Banguecoque, a 28 de outubro, Prasert apresentou o projeto como uma substituição do quadro legal da educação criado em 1999. A sua principal promessa era prática: menos instruções do ministério, menos burocracia para os professores e mais decisões tomadas perto dos alunos.
As pressões vêm de várias frentes. Prasert referiu 416 000 nascimentos em 2025, o número mais baixo em 75 anos, bem como mais de 600 000 crianças e jovens fora do sistema de ensino. Afirmou que, até 2029, a Tailândia precisará de mais de um milhão de trabalhadores qualificados para o Corredor Económico Oriental e para os setores prioritários.
O projeto combina autonomia local com uma coordenação nacional mais forte. As escolas teriam margem para responder às suas comunidades, enquanto uma comissão presidida pelo primeiro-ministro ou por um vice-primeiro-ministro designado definiria uma política comum. O professor Pavich Thongroj, especialista em reforma da educação, defende que os pormenores sobre o exercício desses poderes determinarão quanta autonomia chegará efetivamente às salas de aula.
O que as escolas poderiam decidir
A proposta identifica quatro áreas de autonomia escolar: assuntos académicos, finanças, pessoal e administração geral. As escolas com capacidade suficiente poderiam desenvolver os seus próprios currículos ou trabalhar com outras escolas, autoridades locais, comunidades e empresas, respeitando as normas nacionais de educação.
Prasert propôs também subsídios globais flexíveis. Estes permitem que uma escola decida como utilizar uma verba dentro de regras acordadas, em vez de vincular cada despesa a uma finalidade estritamente definida. As verbas seriam atribuídas de acordo com as necessidades dos alunos e as condições locais, com requisitos de transparência e gestão responsável.
Na prática, a mudança permitiria às escolas alinhar melhor as despesas e o ensino. Um currículo desenvolvido com uma comunidade local exigiria pessoal, materiais e tempo adequados. A atribuição de poderes às escolas nas quatro áreas pretende permitir que essas decisões se apoiem mutuamente.
A reforma do financiamento procura também corrigir as diferenças entre escolas. Peerawit Khantisuk, conselheiro de Prasert, descreveu planos para atribuir subsídios por aluno mais elevados às escolas pequenas e às escolas que servem famílias com baixos rendimentos. Em abril, Prasert propusera um financiamento mínimo garantido para escolas pequenas em zonas remotas, onde o número reduzido de alunos pode deixar as instituições sem verbas suficientes para cobrir necessidades operacionais básicas.
Uma comissão nacional coordenaria um sistema fragmentado
Prawit Erawan, secretário permanente do Ministério da Educação, identificou três grandes problemas no fórum: planeamento fragmentado das necessidades de pessoas e competências, despesas ineficientes e falta de clareza sobre quem é responsável quando a educação não corresponde às necessidades dos alunos. Afirmou que a responsabilidade pelas crianças que abandonam a escola é demasiadas vezes passada entre escolas, pais e sociedade.
A proposta de Comissão Nacional de Política Educativa reuniria ministérios, organismos de educação e especialistas externos num processo de decisão comum. Os ministros da Educação e do Ensino Superior seriam vice-presidentes. Entre as áreas de especialização estariam a deficiência, o desenvolvimento infantil, a tecnologia, a aprendizagem ao longo da vida e as finanças públicas, além de conhecimentos do setor empresarial e das comunidades locais.
A comissão definiria políticas e normas, estabeleceria regras para a distribuição do orçamento e coordenaria a aplicação das medidas entre ministérios. Poderia também autorizar um ambiente de experimentação regulatória: um contexto controlado em que as escolas testariam novas abordagens, com isenções de regras existentes específicas, antes de uma aplicação mais alargada.
As assembleias locais de educação dariam às comunidades uma forma de participar nas decisões educativas. Prawit defende que as famílias, as autoridades locais e os empregadores partilham a responsabilidade pela aprendizagem, em vez de deixar toda a tarefa a cargo das escolas e dos professores.
Prasert associou a coordenação nacional à continuidade política. Afirmou que, em 27 anos, a Tailândia teve 22 ministros da Educação, com mandatos médios de cerca de um ano e dois meses. Um quadro legal estável, argumentou, permitiria dar continuidade aos planos para a educação quando os governos mudassem.
O compromisso com a autonomia sob escrutínio
Pavich, que preside a um centro que reúne especialistas em reforma da educação tailandesa no âmbito do Conselho Nacional de Investigação da Tailândia, analisou a versão submetida a consulta em julho e agosto de 2026. As suas preocupações centram-se em quem controlaria a aplicação da lei depois da sua aprovação.
O artigo 15.º dessa versão de consulta colocaria a secretaria da comissão nacional dentro do Ministério da Educação, como departamento, com o secretário-geral a responder diretamente perante o ministro da Educação. Pavich defende que um organismo responsável por coordenar e supervisionar vários prestadores de serviços educativos precisa de maior independência face a um dos maiores prestadores.
O artigo 58.º prevê autonomia escolar em quatro áreas, mas sujeita-a às regras e condições definidas pela comissão nacional. Pavich quer que a lei estabeleça um conjunto mínimo de poderes atribuídos diretamente às escolas, para que a sua autonomia tenha uma base legal sólida.
Propõe um prazo de 180 dias para a publicação dos regulamentos de aplicação e um plano de transferência de poderes no prazo de três anos. Estas são as suas recomendações. O texto analisado no seu estudo era a versão submetida a consulta; a redação final enviada ao Conselho de Ministros e ao Parlamento determinará as disposições definitivas.
Pavich recomenda ainda a preparação de uma Lei do Ensino Básico autónoma, em paralelo com o quadro nacional, e que as normas profissionais dos professores se mantenham separadas da gestão de pessoal. A sua análise recua ao artigo 39.º da lei de 1999: o regulamento ministerial sobre descentralização só foi aprovado em 2007, oito anos depois, um intervalo que ilustra a importância dos prazos de aplicação.
Os professores passariam menos tempo em tarefas administrativas
O projeto alteraria a forma como as escolas são avaliadas, permitindo métodos diferentes, adaptados às circunstâncias e à fase de desenvolvimento de cada uma, em vez de depender de um único organismo de avaliação. A avaliação centrar-se-ia nos resultados da aprendizagem e na melhoria das escolas, com o objetivo explícito de evitar trabalho desnecessário para os professores.
O programa mais amplo de Prasert inclui a utilização de inteligência artificial para reduzir a burocracia e as tarefas de aquisição de bens e serviços. Propôs também projetos-piloto de cozinhas centrais com as autoridades locais para assegurar as refeições escolares e libertar os professores de tarefas como a compra de ingredientes.
Peerawit descreveu planos para ligar os sistemas do ministério aos dados disponíveis através da aplicação ThaiID, incluindo assiduidade e notas. Registos mais bem articulados poderiam ajudar as escolas a identificar crianças em risco de abandonar o ensino e reduzir a introdução repetida de dados. Afirmou que algumas escolas já estavam a testar abordagens que utilizam grandes conjuntos de dados.
O professor Sompong Jitradub, educador e antigo docente da Faculdade de Educação da Universidade Chulalongkorn, defendeu alterações aos incentivos que moldam a carreira dos professores.
«As classificações académicas dos professores e as progressões salariais devem depender do desenvolvimento dos alunos, e não da burocracia administrativa», afirmou.
A função docente proposta passaria também a centrar-se na orientação da aprendizagem: ajudar os alunos a fazer perguntas, praticar competências e resolver problemas. Prawit colocou os professores no centro da reforma, juntamente com escolas que liguem a aprendizagem nas salas de aula à aprendizagem em linha.
Um Banco de Créditos ligaria a aprendizagem ao trabalho
O Banco de Créditos proposto permitiria às pessoas acumular e transferir créditos de aprendizagem reconhecidos entre escolas, programas de formação, estudos informais e experiência profissional. O objetivo é fazer com que a aprendizagem adquirida por diferentes vias conte para a continuação dos estudos ou para a obtenção de qualificações, segundo regras comuns.
Por exemplo, um trabalhador que regressasse aos estudos poderia pedir o reconhecimento de competências relevantes adquiridas no trabalho. A comissão nacional definiria os critérios para avaliar e transferir os créditos de aprendizagem. O sistema abrangeria pessoas de várias idades, em vez de tratar a educação como algo que só se conclui na infância e no início da idade adulta.
Prasert afirmou que mais de metade dos trabalhadores tailandeses exerce profissões fora das áreas que estudou e que quase três quartos não têm competências digitais ao nível exigido. Referiu também as projeções mundiais de criação de 170 milhões de empregos e desaparecimento de 92 milhões até 2030, num contexto em que quase 40% das competências atualmente necessárias nos empregos irão mudar.
As metas para a força de trabalho foram apresentadas com prazos diferentes. Em abril, Prasert traçou o objetivo de formar mais de um milhão de pessoas altamente qualificadas no prazo de cinco anos; no fórum de outubro, referiu a necessidade de mais de um milhão de trabalhadores qualificados até 2029. Para responder a essa necessidade será preciso formar adultos, além de preparar os alunos atuais.
O plano do Governo para 2028 a 2030 prevê avançar com um currículo baseado em competências, ou seja, naquilo que os alunos conseguem efetivamente fazer com os conhecimentos adquiridos. As competências digitais, a inteligência artificial e o pensamento crítico receberiam atenção especial, estando previsto um sistema abrangente de aprendizagem ao longo da vida a partir de 2030. Prawit identificou também o investimento na primeira infância e as mudanças no pessoal e nos orçamentos como prioridades da Educação 2030.
Manter as crianças na escola exige enfrentar os custos e a segurança
Os mais de 600 000 crianças e jovens fora do sistema de ensino, segundo os números de Prasert, fazem da permanência dos alunos na escola um teste central à reforma. As medidas que anunciou em abril abordavam despesas imediatas das famílias, incluindo uniformes, propinas, livros e material escolar.
A 10 de abril, o ministro da Educação explicou o princípio subjacente a essas medidas.
As regras ou os custos ocultos não podem ser a razão para as crianças abandonarem o sistema de ensino.
As escolas foram instruídas a flexibilizar as regras relativas aos uniformes, para que as crianças pudessem continuar a usar a roupa existente depois de passarem de ano ou de mudarem de escola. Outras medidas incluíam regras mais simples para os uniformes dos escuteiros e guias, pedidos para reduzir propinas desnecessárias e opções de pagamento diferido ou em prestações. O ministério procurou também garantir a venda de livros e material escolar a preços controlados.
A segurança dos alunos é outra componente do programa. Prawit afirmou que uma análise realizada em conjunto com a OCDE colocou o ciberassédio entre alunos tailandeses entre os 10 países mais afetados do mundo; Peerawit disse que a Tailândia se aproximava desse grupo. Ambos identificaram o bullying e o sofrimento emocional como problemas que afetam a assiduidade e a aprendizagem.
O ministério está a trabalhar com a Faculdade de Psicologia da Universidade Chulalongkorn para promover o apoio entre alunos. Peerawit afirmou que as redes de tutoria existentes poderiam ser alargadas ao bem-estar emocional, formando alunos para reconhecer sinais de sofrimento e procurar ajuda. Referiu também a criação de um centro dedicado à proteção dos direitos, na sequência da proposta apresentada por Prasert em abril.
A liderança escolar liga a lei à experiência quotidiana
A análise da reforma da educação da Asia Foundation, publicada a 25 de janeiro de 2023, ajuda a explicar por que motivo a transferência de poderes exige mais do que uma alteração à lei. O estudo descreve os diretores escolares como a ligação entre a política nacional e a experiência das crianças nas salas de aula.
O estudo da Fundação, The Challenges in Delivering Quality Education in Thailand: Rules, Resources, and Leadership, identificou a carga administrativa, a incerteza jurídica, a escassez de recursos e a falta de clareza na liderança como obstáculos à melhoria. Estas conclusões correspondem de perto às áreas que a nova proposta procura alterar: a tomada de decisões, o dinheiro, o tempo dos professores e a atribuição de responsabilidades.
Um concurso nacional de redação organizado pela Fundação e pelos seus parceiros recebeu 3 300 trabalhos de alunos que descreveram o diretor ideal. Os alunos queriam líderes presentes na escola, atentos às suas necessidades, que apoiassem os professores, criassem oportunidades de aprendizagem e interviessem contra o bullying e o tratamento injusto.
Manasnan Kandon, aluno da escola Sarakampittiyakom cujo texto foi incluído no relato da Fundação, descreveu a importância de ser ouvido.
O meu diretor ideal é alguém acessível e de mente aberta, com quem os alunos possam falar.
A Fundação trabalhou com a MCOT HD Television, o Ministério da Educação, a Administração Metropolitana de Banguecoque e a Fundação Ananda Mahidol na campanha Good Schools Are Everywhere, que destacou exemplos de liderança escolar. No caso da lei proposta, o desafio concreto consiste em dar aos diretores a autoridade, os recursos e o tempo necessários para se concentrarem na aprendizagem, mantendo a responsabilidade perante as comunidades.
Calendário e indicadores de progresso
A atual iniciativa surge na sequência de várias tentativas de substituir a lei de 1999. Pavich recuou a um projeto anterior, analisado pelo Conselho de Estado com o número de processo 660/2564, que caducou com o fim da legislatura, seguindo-se outra versão que caducou após a dissolução do Parlamento. Prasert afirmou que os trabalhos de redação se prolongaram por quase uma década.
A sequência mais recente combina o trabalho legislativo com um programa educativo de mais longo prazo:
- 27 de maio de 2026: Altos responsáveis do Ministério da Educação concordaram em avançar com a elaboração de uma nova Lei Nacional da Educação.
- Julho e agosto de 2026: As consultas recolheram opiniões de professores, alunos, pais, administradores e do público. Um anúncio de 3 de agosto descreveu uma consulta em linha com a duração de um mês.
- 28 de outubro de 2026: Prasert afirmou que a versão final do projeto estava na Secretaria do Conselho de Ministros. Disse que cerca de 90% dos participantes na consulta o apoiavam.
- Início de dezembro de 2026: O ministério apontou esta data para a primeira leitura parlamentar, após a análise do Conselho de Ministros e do Conselho de Estado.
- 2028 a 2030: O Governo planeia avançar com o currículo baseado em competências, seguindo-se um sistema abrangente de aprendizagem ao longo da vida a partir de 2030.
Prasert referiu melhorias no que descreveu como a avaliação PISA 2025: mais 23 pontos em ciências e mais 13 pontos em matemática e leitura. O PISA avalia a forma como os alunos de 15 anos aplicam os conhecimentos nessas áreas. Ainda assim, afirmou que quase seis em cada dez crianças tailandesas continuavam abaixo do nível básico definido pela OCDE em matemática e leitura.
Peerawit descreveu uma diferença acentuada entre escolas especializadas, com médias próximas dos 600 pontos no PISA, e escolas profissionais, com resultados pouco acima dos 300. Estes números representam uma diferença de cerca de 300 pontos e chamam a atenção para a distribuição dos recursos e das oportunidades.
Prasert referiu também que a Tailândia subira do 58.º para o 52.º lugar num ranking da educação do IMD, um avanço de seis posições, embora no seu discurso tenha descrito a melhoria como sendo de três lugares. Sompong exortou o Governo a analisar se os melhores resultados nas avaliações refletiam mudanças duradouras no ensino e defendeu uma aprendizagem mais prática através das áreas das ciências, tecnologia, engenharia e matemática.
Os planos internacionais da Tailândia incluem os preparativos para a adesão à OCDE. Prawit afirmou que o trabalho de análise técnica para o Comité de Política Educativa da OCDE estava concluído e pronto para ser apresentado. Prasert anunciou também planos para acolher em Banguecoque a Reunião Mundial sobre Educação da UNESCO, de 31 de março a 2 de abril de 2027, e disse que queria promover uma agenda da ASEAN para eliminar o abandono escolar em 2028.
Pontos principais
- A proposta de Lei Nacional da Educação daria às escolas maior autoridade sobre o ensino, as finanças, o pessoal e a administração.
- Uma comissão nacional presidida pelo primeiro-ministro ou por um vice-primeiro-ministro designado coordenaria a educação entre ministérios.
- Os subsídios flexíveis, as avaliações mais simples e a redução da burocracia destinam-se a canalizar mais recursos e tempo dos professores para os alunos.
- Um Banco de Créditos reconheceria a aprendizagem adquirida na educação, na formação e através da experiência profissional.
- Pavich Thongroj recomenda que sejam garantidos poderes mínimos às escolas e definidos prazos para a transferência de autoridade.
- O projeto estava em análise na Secretaria do Conselho de Ministros, estando prevista uma primeira leitura parlamentar para o início de dezembro de 2026.






