Uma recuperação com milhões de necessidades de aprendizagem por responder
A Tailândia obteve 432 pontos em ciências, 407 em matemática e 392 em leitura no PISA 2025, melhorando nas três disciplinas face a 2022. Ainda assim, cerca de 59% dos estudantes tailandeses participantes ficaram abaixo do nível básico de proficiência em matemática e leitura, enquanto 36,9% ficaram abaixo desse nível nas três disciplinas.
Índice
- Uma recuperação com milhões de necessidades de aprendizagem por responder
- O que foi avaliado
- As competências básicas continuam a ser o maior desafio
- Porque importa a tendência de longo prazo
- Os estudantes mais pobres progrediram mais depressa, mas a desigualdade persistiu
- Os estudantes desfavorecidos mostram o potencial do apoio
- A IA já faz parte dos trabalhos escolares
- Persistência perante a escassez nas salas de aula
- A ambição ambiental precisa de bases científicas mais sólidas
- Pontos-chave
Os resultados revelam tanto uma recuperação como uma tarefa difícil para a política educativa. A pontuação em ciências subiu 23 pontos, enquanto matemática e leitura ganharam 13 pontos cada. Entre os estudantes de agregados familiares desfavorecidos, 17% chegaram ao quarto superior dos resultados em ciências na Tailândia, superando a média da OCDE, de 12%.
A nota da OCDE sobre a Tailândia regista, no entanto, uma recuperação incompleta: os resultados em ciências e leitura continuaram abaixo dos níveis de 2015, e os resultados em ciências mantiveram-se abaixo dos de 2018. A Tailândia também obteve pontuações inferiores às médias da OCDE em todas as disciplinas nucleares e na nova avaliação de resolução computacional de problemas.
Uma análise apresentada pelo Fundo para a Educação Equitativa da Tailândia e pela OCDE coloca a desigualdade no centro da resposta política. Os estudantes mais pobres registaram ganhos recentes superiores aos dos mais favorecidos, mas a diferença entre os seus resultados pouco mudou ao longo da década entre 2015 e 2025.
Para as famílias, a questão prática é saber se a melhoria das médias nacionais se traduzirá em competências mais sólidas de leitura, matemática e ciências em todas as salas de aula. Os resultados revelam uma determinação considerável por parte dos estudantes, utilização generalizada de inteligência artificial e forte interesse pelo ambiente. Mostram também escassez de materiais de aprendizagem e pouca confiança na possibilidade de o esforço alterar a inteligência ou a posição social.
O que foi avaliado
O PISA, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes da OCDE, avalia a forma como os estudantes de 15 anos aplicam o que aprenderam a problemas práticos. Em vez de testar apenas se os estudantes se lembram de uma aula, pede-lhes que interpretem informação, utilizem provas e resolvam situações desconhecidas.
Participaram mais de 760 000 estudantes de 91 países e economias, representando cerca de 33 milhões de estudantes. Na Tailândia, participaram 8547 estudantes de 273 escolas. Representavam aproximadamente 542 700 estudantes, cerca de 69% da população do país com 15 anos. Os resultados descrevem, por isso, uma população estudantil numerosa, embora deixem de fora uma parte substancial dos jovens dessa faixa etária.
As ciências foram a disciplina principal da avaliação de 2025. A Tailândia ficou em 53.º lugar entre os 91 participantes nesta área. A análise do Fundo para a Educação Equitativa descreveu uma subida de 11 posições, mas as posições divulgadas, 58.º lugar em 2022 e 53.º em 2025, correspondem a uma subida de cinco lugares. A OCDE não publica uma classificação única que combine todas as disciplinas do PISA.
A sequência de resultados ajuda a perceber por que razão os ganhos mais recentes devem ser analisados numa perspetiva mais longa:
- 2015: Ano de referência para avaliar as alterações na proficiência básica e a diferença nos resultados de ciências entre estudantes favorecidos e desfavorecidos.
- 2018: O desempenho da Tailândia em ciências ainda superava o nível de 2025.
- 2022: As pontuações serviram de ponto de partida para os aumentos mais recentes: 23 pontos em ciências e 13 pontos tanto em matemática como em leitura.
- 2025: As três disciplinas nucleares melhoraram, embora os resultados em ciências e leitura continuassem abaixo dos níveis de 2015.
- 2029: A próxima avaliação identificada na análise incidirá sobre a leitura, incluindo a literacia mediática e em IA.
As competências básicas continuam a ser o maior desafio
Apenas 41% dos estudantes tailandeses atingiram pelo menos o Nível 2 em matemática, contra 65% nos países da OCDE. Em leitura, a proporção na Tailândia foi igualmente de 41%, face a uma média de 69% na OCDE. As diferenças foram, assim, de 24 pontos percentuais em matemática e 28 em leitura.
O Nível 2 é o patamar de proficiência de base do PISA. Em ciências, os estudantes neste nível conseguem reconhecer explicações para fenómenos conhecidos e utilizar dados para avaliar uma conclusão simples. Atingi-lo dá-lhes uma base para enfrentar aprendizagens mais exigentes e tomar decisões no quotidiano.
Os resultados foram melhores em ciências: 59% atingiram o nível de base, contra 74% nos países da OCDE. No entanto, apenas 1% chegou aos níveis mais elevados em ciências, face a 7% na OCDE. Em matemática, 1% teve um desempenho de topo, contra 8%. Quase nenhum estudante tailandês atingiu os níveis mais elevados em leitura, contra 6% na OCDE.
Apenas 0,1% alcançou um nível elevado de proficiência nas três disciplinas, contra uma média de 2,6% na OCDE. A Tailândia enfrenta, por conseguinte, duas tarefas interligadas: ajudar muito mais estudantes a adquirir competências básicas e dar oportunidades de progressão aos que estão preparados para trabalhos mais avançados.
Porque importa a tendência de longo prazo
A melhoria mais recente da Tailândia surgiu depois de perdas consideráveis nos anos anteriores. Face a 2015, a proporção de estudantes abaixo do Nível 2 aumentou seis pontos percentuais em matemática e nove em leitura. Em ciências, a tendência foi inversa: a proporção abaixo do nível de base diminuiu seis pontos.
Esta diferença é importante para o planeamento. Ao longo da década, as ciências reduziram a proporção de estudantes abaixo do nível básico, embora a pontuação média continue inferior à de 2015. Em leitura e matemática, a proporção de estudantes com dificuldades nas tarefas básicas é agora maior do que nessa altura.
A pontuação de 432 pontos da Tailândia em ciências também permite contextualizar os resultados na região. O Vietname obteve mais 13 pontos e o Brunei mais sete, enquanto a Malásia teve menos 13 pontos. As pontuações correspondentes foram, assim, 445, 439 e 419.
Singapura continuou muito à frente dos outros países da ASEAN participantes e ficou em segundo lugar a nível mundial, atrás de B-S-J-Z (China). Três membros da ASEAN não participaram, pelo que a comparação regional abrange apenas parte do Sudeste Asiático.
Os estudantes mais pobres progrediram mais depressa, mas a desigualdade persistiu
Entre 2022 e 2025, os estudantes desfavorecidos melhoraram as pontuações em ciências em 29,36 pontos, face a um aumento de 18,53 pontos entre os mais favorecidos. A diferença diminuiu cerca de 11 pontos durante o período da avaliação mais recente.
A década conta uma história mais lenta. Entre 2015 e 2025, a diferença diminuiu apenas cerca de dois pontos, uma alteração sem significado estatístico. Em termos simples, a diferença medida foi demasiado pequena para se poder concluir com confiança que houve uma mudança duradoura, para além da incerteza inerente à estimativa dos resultados a partir de uma amostra.
A OCDE registou uma diferença de 55 pontos em ciências entre os estudantes do quarto mais favorecido e os do quarto mais desfavorecido. Essa diferença foi inferior à média da OCDE, de 85 pontos. O estatuto socioeconómico explicou 7% da variação no desempenho dos estudantes tailandeses em ciências, contra 12% nos países da OCDE.
A análise do Fundo para a Educação Equitativa interpreta a redução recente da diferença sobretudo como uma recuperação da perturbação associada à COVID-19. A OCDE também não encontrou alterações estatisticamente significativas, entre 2022 e 2025, na diferença entre os 10% com pontuações mais elevadas e os 10% com pontuações mais baixas em nenhuma das três disciplinas nucleares. A vantagem socioeconómica do agregado familiar e a posição na distribuição das pontuações medem aspetos diferentes, mas ambas as comparações ajudam a perceber a quem está a chegar a melhoria.
Os estudantes desfavorecidos mostram o potencial do apoio
Cerca de 17% dos estudantes tailandeses desfavorecidos chegaram ao quarto superior dos resultados em ciências no seu próprio país, contra 15% em 2022 e acima da média da OCDE, de 12%. O PISA descreve estes estudantes como academicamente resilientes, por alcançarem bons resultados apesar das dificuldades económicas.
A comparação baseia-se no desempenho dentro de cada país. No caso da Tailândia, identifica estudantes cujos resultados em ciências se destacam a nível nacional, apesar de os seus agregados familiares disporem de menos recursos. A proporção aumentou dois pontos percentuais face a 2022 e superou em cinco pontos a média da OCDE.
Mais de 85% dos estudantes de agregados familiares pobres queriam alcançar um nível de escolaridade e de emprego superior ao dos pais. Entre os estudantes academicamente resilientes, essa proporção ultrapassava os 90%, segundo a análise do Fundo para a Educação Equitativa.
No entanto, apenas 38% dos estudantes tailandeses acreditavam que podiam mudar a sua posição social. Ambição e confiança nas oportunidades são coisas diferentes: um estudante pode desejar um emprego melhor e, ao mesmo tempo, duvidar de que o caminho para o conseguir esteja ao seu alcance. Ajudar os estudantes desfavorecidos a concluir os estudos e a conseguir empregos melhores pode transformar as capacidades que já demonstram em maior segurança para os seus agregados familiares e ajudar a reduzir a pobreza ao longo das gerações.
A IA já faz parte dos trabalhos escolares
Os estudantes tailandeses obtiveram 476 pontos na resolução computacional de problemas, contra uma média de 500 na OCDE, e ficaram em 40.º lugar entre 91 países e economias. A avaliação analisou a forma como os estudantes utilizam ferramentas digitais para modelar problemas, realizar experiências, analisar dados e criar ou corrigir produtos digitais. Corrigir erros consiste em identificá-los e resolvê-los.
A utilização de IA era generalizada. A análise do Fundo para a Educação Equitativa estimou em 95,5% a proporção de estudantes que a utilizavam em trabalhos escolares. A nota da OCDE sobre o país concluiu que apenas cerca de 4% nunca ou quase nunca utilizavam chatbots de IA nas tarefas escolares analisadas.
A frequência variava consoante a atividade. Cerca de 51% utilizavam chatbots pelo menos uma vez por semana para ajudar a aprender, contra 46% na OCDE. Na Tailândia, 41% utilizavam-nos para pesquisa preliminar, 42% para resumir textos e 41% para redigir trabalhos. Na OCDE, as proporções correspondentes eram de 31%, 30% e 29%.
Os estudantes tailandeses também disseram utilizar dispositivos digitais na escola para aprender durante 2,2 horas por dia, contra 1,7 horas na OCDE, e durante 1,5 horas para lazer, contra 1,1 horas. As escolas enfrentam, assim, uma tarefa pedagógica concreta: associar a utilização frequente da tecnologia à leitura, ao raciocínio e à verificação da informação. A ênfase do PISA 2029 na leitura e na literacia mediática e em IA torna estas competências uma prioridade imediata para os currículos.
Persistência perante a escassez nas salas de aula
Oitenta e um por cento dos estudantes tailandeses disseram esforçar-se mais quando o trabalho se tornava difícil, contra 60% nos países da OCDE. Também obtiveram resultados acima da média da OCDE na procura de ajuda e na definição de objetivos. Nove em cada dez disseram que o professor de ciências se interessava pela aprendizagem de todos os estudantes.
No entanto, apenas 36% acreditavam que a inteligência podia desenvolver-se através do trabalho, do esforço e do feedback, contra 69% na OCDE. Esta crença é frequentemente designada por mentalidade de crescimento. O contraste sugere que muitos estudantes dizem esforçar-se, mas continuam sem ter a certeza de que as suas capacidades possam melhorar.
Quase quatro em cada dez estudantes frequentavam escolas cujos diretores afirmaram que a falta de materiais de aprendizagem prejudicava o ensino. A Tailândia também ficou abaixo da média da OCDE no sentimento de pertença dos estudantes à escola. O incentivo dos professores coexiste, portanto, com falta de recursos e com um sentimento limitado de ligação dos estudantes às suas escolas.
As prioridades políticas identificadas na análise do Fundo para a Educação Equitativa procuram responder a estas duas condições: distribuir os orçamentos de acordo com as necessidades, continuar a desenvolver as competências dos professores, reforçar o apoio das famílias e das comunidades e proporcionar ambientes de aprendizagem seguros. Para os estudantes, estas prioridades significam acesso a materiais adequados, ajuda quando encontram dificuldades e salas de aula onde seja possível fazer perguntas. Não foi apresentado um calendário de financiamento detalhado.
A ambição ambiental precisa de bases científicas mais sólidas
As ciências ambientais são um exemplo particularmente claro da diferença entre interesse e conhecimento. Na Tailândia, 56% atingiram o nível de proficiência de base nesta área, contra 74% nos países da OCDE, uma diferença de 18 pontos percentuais.
Apesar disso, os estudantes manifestaram uma forte confiança na ação ambiental. Cerca de 84% acreditavam poder contribuir positivamente para o ambiente, 90% acreditavam que a ação coletiva podia resolver problemas ambientais e 81% disseram saber como colaborar com outras pessoas para ajudar. As médias correspondentes da OCDE foram 81%, 82% e 68%.
O emprego futuro fazia parte desse interesse: 84% queriam contribuir para a proteção ambiental através do seu trabalho, contra 62% na OCDE. Os estudantes também relataram envolvimento no quotidiano. Cerca de 77% conversavam com amigos e familiares sobre os impactos ambientais, contra 56% na OCDE, enquanto 80% tinham em conta a sustentabilidade dos produtos quando faziam compras, face a 54%.
Estes interesses dão aos professores temas concretos para desenvolver o raciocínio científico. Avaliar uma afirmação sobre o ambiente, interpretar medições ou comparar produtos exige a mesma capacidade de compreender provas que o PISA avalia. Associar estes interesses a um ensino mais sólido da leitura e das ciências permitiria ligar a motivação dos estudantes às competências básicas de que muitos ainda precisam.
Pontos-chave
- As pontuações da Tailândia subiram para 432 em ciências, 407 em matemática e 392 em leitura, mas continuaram abaixo das médias da OCDE.
- Cerca de 59% ficaram abaixo do nível de proficiência de base em matemática e leitura; 36,9% ficaram abaixo desse nível nas três disciplinas nucleares.
- Os estudantes mais pobres progrediram mais depressa após 2022, enquanto a diferença em ciências entre os estudantes favorecidos e desfavorecidos pouco mudou ao longo da década.
- Dezassete por cento dos estudantes desfavorecidos chegaram ao quarto superior dos resultados em ciências na Tailândia, acima da média da OCDE, de 12%.
- A utilização de IA era generalizada, enquanto a pontuação média na resolução computacional de problemas foi de 476 pontos, face aos 500 da OCDE.
- A falta de recursos, a pouca confiança na possibilidade de mudar de posição social e as lacunas nas competências básicas continuam a ser prioridades, a par do apoio aos professores e da determinação dos estudantes.
- O PISA 2029 dará destaque à leitura e à literacia mediática e em IA.






