Veículos elétricos importados terão uma carga fiscal mais elevada a partir de 2027
O Ministério das Finanças da Tailândia está a preparar um imposto especial de consumo de cerca de 30% ou mais para veículos elétricos totalmente importados, visando as empresas que vendem automóveis acabados sem investir na produção tailandesa. A data de início proposta é 1 de janeiro de 2027. Para um veículo avaliado em 1 milhão de baht, a subida de 10% para 30% acrescentaria cerca de 200 000 baht em imposto especial de consumo, segundo o exemplo apresentado pelo ministério.
Índice
- Veículos elétricos importados terão uma carga fiscal mais elevada a partir de 2027
- Quanto poderão pagar os compradores?
- Três escalões fiscais premiariam a produção na Tailândia
- O que seria considerado «Made in Thailand»?
- Os incentivos anteriores abriram o mercado
- As datas que definem a transição
- Um mercado em crescimento, ainda com forte presença das importações
- As emissões seriam consideradas a par do investimento local
- Proteger as fábricas e manter os automóveis acessíveis
- Pontos principais
A proposta surge na sequência de uma resolução de 10 de setembro de 2026 do Comité Nacional de Política para os Veículos Elétricos, conhecido como EV Board. O Conselho de Ministros tomou posteriormente conhecimento da orientação do comité e incumbiu o Departamento do Imposto Especial de Consumo de preparar alterações detalhadas para aprovação governamental. As taxas finais, os critérios de elegibilidade e o tratamento das encomendas existentes ainda carecem dessa aprovação.
O ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro, Ekniti Nitithanprapas, apontou para uma taxa na ordem dos 30%, enquanto uma fonte do ministério referiu que a taxa máxima seria de, pelo menos, 30%. Uma proposta do setor privado analisada anteriormente previa um intervalo de 31% a 39%. Ekniti afirmou que as conversações com a indústria automóvel determinariam o valor final.
O principal objetivo é transformar o crescente interesse da Tailândia pelos automóveis elétricos em mais investimento fabril, componentes produzidos localmente e emprego. Os veículos elegíveis fabricados na Tailândia ficariam fora do aumento proposto, que visa os veículos elétricos totalmente importados.
A pressão surge numa altura em que os veículos elétricos representam uma parcela cada vez maior do mercado. Os dados da Federação das Indústrias Tailandesas indicam que os veículos elétricos a bateria representaram 30,88% das vendas internas de veículos entre janeiro e julho de 2026, enquanto 63% dos veículos elétricos a bateria foram importados. As autoridades querem que uma maior parte desta procura seja satisfeita por fábricas instaladas na Tailândia.
Quanto poderão pagar os compradores?
Os veículos elétricos de passageiros que não estejam abrangidos por regimes preferenciais estão atualmente sujeitos a uma taxa de imposto especial de consumo de cerca de 10%. Os veículos que cumpram determinadas condições podem beneficiar de uma taxa reduzida de 2%. O aumento previsto visa a categoria de importação com taxa mais elevada, não substituindo por uma taxa de 30% a taxa atualmente aplicável a todos os veículos elétricos.
O imposto especial de consumo incide sobre determinados bens. Os direitos aduaneiros são uma cobrança distinta, associada à entrada de mercadorias através de uma fronteira. Ambos podem afetar os preços dos veículos, a par de outros impostos, dos custos de distribuição e das decisões de preços do fabricante.
O exemplo do ministério considera um veículo avaliado em 1 milhão de baht. Com uma taxa de 10%, o imposto especial de consumo seria de cerca de 100 000 baht; a 30%, seria de cerca de 300 000 baht. Trata-se de um aumento de 20 pontos percentuais e do triplo do valor do imposto anterior. O preço final ao público dependerá das regras de cálculo definitivas e da parte do custo adicional que a empresa repercutir nos compradores.
Também foi discutida uma isenção que permitiria aos veículos encomendados antes da alteração manter a taxa anterior. Os compradores terão de aguardar pelas regras aprovadas para saber que datas de encomenda e documentos serão aceites. A assinatura do contrato de compra, a data de importação e a entrega do veículo podem ocorrer em momentos diferentes, pelo que as regras de transição são financeiramente importantes.
Três escalões fiscais premiariam a produção na Tailândia
A estrutura proposta colocaria as empresas em diferentes escalões fiscais, em função do investimento na produção e da utilização de componentes tailandeses. A existência de uma fábrica não garantiria, por si só, a taxa mais baixa: também seriam relevantes o volume e o valor da produção na Tailândia.
A estrutura geral teria três escalões:
- A taxa mais baixa aplicar-se-ia aos fabricantes com fábricas na Tailândia que utilizem uma proporção significativa de componentes nacionais ou produzam localmente componentes importantes para veículos elétricos. As orientações preliminares apontam para um intervalo aproximado de 1% a 6%, consoante o veículo e as condições de elegibilidade.
- Um escalão intermédio abrangeria empresas com algum investimento interno, mas mais dependentes de veículos ou componentes importados. Foram discutidas taxas superiores a 10% para alguns regimes.
- A taxa mais elevada, de aproximadamente 30% ou mais, aplicar-se-ia às empresas que importam veículos elétricos acabados para venda sem terem uma base de produção na Tailândia.
O diretor-geral do Departamento do Imposto Especial de Consumo, Pornchai Thiravej, indicou que o escalão mais elevado seria prioritário. As autoridades estavam a trabalhar para apresentar os pormenores ao Conselho de Ministros durante setembro de 2026.
Os fabricantes com fábricas na Tailândia também poderiam receber autorização para importar determinados modelos para testes de mercado, sujeitos a quotas. O cálculo das quotas propostas teria em conta o investimento interno do ano anterior, incluindo o valor dos componentes tailandeses utilizados e o emprego. Isto permitiria às empresas introduzir modelos antes de os produzirem localmente, associando ao mesmo tempo os privilégios de importação à atividade económica na Tailândia.
O que seria considerado «Made in Thailand»?
O Ministério das Finanças também pretende alterar a forma como o conteúdo nacional é medido ao abrigo da norma «Made in Thailand». A abordagem proposta atribuiria maior peso aos componentes tecnológicos de elevado valor produzidos localmente, em vez de depender tanto dos lucros, dos salários e das despesas com eletricidade no cálculo.
O conteúdo nacional corresponde à parcela do valor de um veículo atribuída à produção dentro do país. Um veículo montado na Tailândia pode continuar a incluir muitas peças importadas. Assim, a alteração dos custos contabilizados poderia mudar a posição fiscal de um fabricante, mesmo que a fábrica de montagem se mantivesse no mesmo local.
Os incentivos existentes do Conselho de Investimento já exigem a certificação «Made in Thailand» para benefícios adicionais associados ao conteúdo nacional. Os mínimos indicados são de 40% para veículos elétricos a bateria e de 45% para híbridos plug-in. Nas conversações anteriores à reunião de 10 de setembro, as autoridades ponderavam aumentar a proporção nacional de 40% para cerca de 50% ou tornar o próprio método de cálculo mais exigente.
O quadro governamental anterior mostra o grau de detalhe que estes cálculos podem atingir. Permitia contabilizar o valor das células de bateria importadas utilizadas na produção ou montagem elegível em zonas francas como custos de produção nacional, até ao limite de 15% do preço do veículo. A nova orientação daria mais valor à produção de componentes importantes na Tailândia.
Os fornecedores de peças e os trabalhadores são fundamentais para esta mudança. Uma recompensa maior pela produção nacional de componentes eletrónicos e de outros componentes de elevado valor daria aos fabricantes um incentivo financeiro para comprarem mais a fornecedores tailandeses e expandirem a produção para além da montagem final.
Os incentivos anteriores abriram o mercado
O governo tailandês começou a promover os veículos elétricos tornando-os mais baratos de importar e comprar, ao mesmo tempo que incentivava os fabricantes a instalarem operações locais. Uma explicação oficial da política fiscal do governo, publicada pelo gabinete de Mukdahan do Departamento de Relações Públicas, descreve medidas aprovadas pelo Conselho de Ministros com base em decisões do EV Board de 2021 e 2022.
O documento regista uma redução do imposto especial de consumo dos veículos elétricos a bateria, de 8% para 2%, para incentivar tanto a utilização como a produção. Descreve também reduções propostas nos direitos aduaneiros aplicáveis aos automóveis elétricos a bateria totalmente importados: a taxa geral passaria de 80% para 40% nos veículos com preço de venda a retalho recomendado até 2 milhões de baht e para 60% nos veículos com preço superior a 2 milhões e até 7 milhões de baht. Ao abrigo dos acordos de comércio livre aplicava-se um regime distinto.
O mesmo quadro previa a possibilidade de isentar de direitos componentes como baterias, motores de tração, sistemas de gestão de baterias e eletrónica de potência. O então ministro das Finanças, Arkhom Termpittayapaisith, apresentou as medidas como parte de um esforço para transformar a Tailândia num centro de produção de veículos elétricos e respetivas peças para a ASEAN.
Os programas EV 3.0 e EV 3.5 deram continuidade a essa estratégia, associando as importações iniciais à produção nacional posterior. Ao abrigo do EV 3.5, os fabricantes participantes têm de produzir dois veículos na Tailândia por cada veículo importado ao abrigo do programa em 2026; em 2027, o número sobe para três. O requisito aumenta, assim, para uma vez e meia entre esses anos.
A mais recente proposta fiscal acrescentaria outro incentivo a essas obrigações de produção. As empresas que abastecem o mercado sobretudo através da importação de veículos acabados enfrentariam uma carga fiscal muito superior, enquanto os fabricantes que criassem uma cadeia de fornecimento tailandesa mais abrangente beneficiariam de um tratamento mais favorável.
As datas que definem a transição
O aumento proposto para as importações na Tailândia coincide com um calendário anterior de alterações que afeta os veículos com motor de combustão, os híbridos e outras categorias de veículos. A explicação oficial do governo estabeleceu alterações faseadas ao imposto especial de consumo em 2026, 2028 e 2030, associadas às emissões e às características dos veículos.
Os principais marcos da política são:
- 2021 e 2022: As decisões do EV Board serviram de base às medidas do Conselho de Ministros de apoio à importação, compra e produção de veículos elétricos.
- 2026: O EV 3.5 exige dois veículos produzidos localmente por cada veículo importado elegível.
- 10 de setembro de 2026: O EV Board adotou a orientação para reestruturar a tributação dos veículos através do imposto especial de consumo. O Conselho de Ministros incumbiu posteriormente o Departamento do Imposto Especial de Consumo de elaborar os pormenores.
- Setembro de 2026: As autoridades financeiras previam concluir e apresentar ao Conselho de Ministros as taxas propostas.
- 1 de janeiro de 2027: Prevê-se que entre em vigor a taxa mais elevada proposta para os veículos elétricos totalmente importados. Em 2027, o requisito de produção do EV 3.5 também sobe para três veículos nacionais por cada importação elegível.
- 2028 e 2030: Estão previstas novas fases do calendário anterior do imposto especial de consumo sobre veículos.
Os fabricantes terão de planear ambas as mudanças: o tratamento fiscal dos veículos que vendem e os compromissos de produção associados aos incentivos que já receberam.
Um mercado em crescimento, ainda com forte presença das importações
Os dados do Conselho de Investimento indicam que foram registadas 126 950 unidades de veículos elétricos a bateria entre janeiro e julho de 2026, mais 88% do que no mesmo período do ano anterior. Os veículos elétricos a bateria, os híbridos convencionais e os híbridos plug-in representaram, em conjunto, 55% dos registos de veículos nesses sete meses.
Os dados de vendas da Federação das Indústrias Tailandesas e os números de registos medem fases diferentes do mercado. As vendas contabilizam os veículos vendidos, enquanto os registos contabilizam os veículos inscritos no sistema de registo. Ambos mostram por que motivo as autoridades estão a reavaliar os incentivos, à medida que os veículos elétricos e híbridos conquistam uma parcela maior da procura.
Os valores do investimento também são expressivos. Em 31 de agosto de 2026, os dados do Conselho de Investimento indicavam 189 projetos relacionados com veículos elétricos, com um investimento promovido de 151 372 milhões de baht, ou cerca de 151,4 mil milhões de baht. O investimento promovido abrange projetos apoiados pelo sistema de promoção do investimento, cujas despesas e produção se desenvolvem ao longo do tempo.
Ekniti afirmou que nove fabricantes de veículos elétricos tinham estabelecido operações na Tailândia, vários dos quais já exportavam veículos produzidos localmente. Os programas de incentivos anteriores atraíram oito grandes fabricantes chineses de automóveis para instalarem fábricas destinadas às vendas internas e à exportação. Estes números referem-se a grupos diferentes: os investidores chineses atraídos pelos programas e o conjunto mais amplo de fabricantes de veículos elétricos que operam no país.
Algumas empresas que importam veículos da China e da Europa já iniciaram conversações com o governo sobre a produção na Tailândia. A GlobalData prevê um forte crescimento da produção tailandesa de veículos elétricos, com os maiores aumentos esperados em 2027 e 2029. O imposto proposto reforçaria o incentivo financeiro para participar nessa expansão.
As emissões seriam consideradas a par do investimento local
A reforma mais ampla passaria a basear cada vez mais as taxas do imposto especial de consumo sobre os veículos nas emissões de dióxido de carbono e no valor criado na Tailândia, em vez de privilegiar uma tecnologia de propulsão específica. Os veículos elétricos a bateria, os veículos com motores que aumentam a autonomia elétrica e os híbridos seriam todos abrangidos pela política mais ampla.
Um veículo elétrico a bateria funciona com eletricidade armazenada na bateria. Um veículo elétrico de autonomia alargada também tem um motor que gera eletricidade e aumenta a autonomia. Um híbrido combina um motor de combustão com energia elétrica, enquanto um híbrido plug-in pode recarregar a bateria através de uma fonte externa de eletricidade.
O quadro oficial anterior já associava o tratamento fiscal às emissões e a requisitos técnicos. Para os híbridos plug-in, considerava uma autonomia elétrica de pelo menos 80 quilómetros por carregamento e a capacidade do depósito de combustível. Incluía também requisitos relativos a sistemas de segurança de assistência ao condutor.
A nova proposta acrescenta um critério mais exigente de produção nacional a essa orientação ambiental. A posição fiscal de um fabricante dependeria cada vez mais tanto das emissões do veículo como do investimento, da produção de peças e do emprego que trouxesse para a Tailândia.
Proteger as fábricas e manter os automóveis acessíveis
Ekniti afirmou que os compromissos da Tailândia no âmbito dos acordos de comércio livre limitam a capacidade do país para alterar diretamente as tarifas aduaneiras, deixando o imposto especial de consumo como principal mecanismo do governo para apoiar os fabricantes instalados no país.
O governo pretende preservar a extensa rede de fornecimento automóvel desenvolvida ao longo de décadas de investimento japonês, acomodando ao mesmo tempo as novas fábricas chinesas de veículos elétricos. Uma fonte do Ministério das Finanças descreveu a reforma como a continuação da estratégia industrial, e não como uma medida concebida especificamente para favorecer os fabricantes japoneses de automóveis.
Surapong Paisitpatanapong, porta-voz da Federação das Indústrias Tailandesas, também chamou a atenção para a importância contínua da produção de veículos com motor de combustão e de camionetas, defendendo apoio aos híbridos e às camionetas compatíveis com biodiesel B20. O debate político abrange, por isso, não só os automóveis elétricos a bateria, mas também as fábricas e os fornecedores ligados a várias tecnologias automóveis.
Compradores e fabricantes enfrentam pressões diferentes. Impostos mais elevados poderão tornar alguns modelos importados menos acessíveis, enquanto as fábricas locais terão um incentivo maior para expandir a produção e adquirir mais peças a fornecedores nacionais. O desafio do governo é transformar um mercado de veículos elétricos em rápido crescimento em produção sustentada, exportações e empregos qualificados, sem perder a procura dos consumidores que ajudou a atrair o investimento.
Pontos principais
- A Tailândia está a preparar uma taxa de imposto especial de consumo de cerca de 30% ou mais para veículos elétricos totalmente importados, com início proposto para 1 de janeiro de 2027.
- As taxas finais e os critérios de elegibilidade dependem da aprovação do Conselho de Ministros.
- Uma estrutura de três escalões premiaria o investimento na produção tailandesa e uma maior utilização de componentes nacionais.
- Uma subida de 10% para 30% acrescenta cerca de 200 000 baht em imposto especial de consumo, tomando como referência o valor ilustrativo de 1 milhão de baht indicado pelo ministério.
- As obrigações de produção do EV 3.5 sobem de dois veículos nacionais por cada importação elegível em 2026 para três em 2027.
- A Tailândia registou 126 950 veículos elétricos a bateria entre janeiro e julho de 2026, mais 88% do que um ano antes.
- A reforma mais ampla aproximaria as taxas fiscais das emissões, da produção nacional e da utilização de componentes tailandeses de elevado valor.






