Smartphones Asus esgotam-se nas lojas de Taiwan
Os smartphones Asus esgotaram nos principais canais de venda a retalho de Taiwan, segundo os retalhistas contactados a 27 de outubro, enquanto as existências do U24 pro da HTC caíram para as dezenas. A redução da oferta aproxima duas marcas taiwanesas de telemóveis bem conhecidas do desaparecimento das prateleiras das lojas tradicionais, à medida que as suas empresas se viram para outros produtos.
Índice
- Smartphones Asus esgotam-se nas lojas de Taiwan
- O que esgotou exactamente?
- Asus suspende novos modelos, mas mantém a assistência
- As datas que explicam a retirada
- O que os compradores deixam de encontrar nas prateleiras
- Uma divisão de telemóveis sob pressão
- O último modelo da HTC aproxima-se do fim
- HTC vira-se para um companheiro pessoal de IA
- Principais pontos
Os retalhistas disseram que os últimos telemóveis Asus tinham sido vendidos e que as lojas da cadeia não voltariam a fazer encomendas. Os modelos ROG Phone já tinham esgotado durante o primeiro semestre do ano referido no relato do sector retalhista. Seguiram-se os últimos dispositivos Zenfone, levando os potenciais compradores a procurar unidades remanescentes em lojas mais pequenas ou a considerar telemóveis usados.
A Asus apresentou uma explicação mais limitada para os seus planos de produtos do que um anúncio de saída definitiva. Na resposta dada no início de 2026, a empresa afirmou não ter planos para lançar novos smartphones nesse ano, mas acrescentou que a unidade de negócio de telemóveis continuaria em actividade e a prestar serviços de reparação e garantia.
Entretanto, a HTC afirmou numa conferência de imprensa em setembro que os smartphones passariam a ter um papel secundário e que não tinha planos imediatos para outro modelo. As prioridades de investigação estão a orientar-se para óculos inteligentes e outros dispositivos portáteis, tendo sido também anunciado um produto autónomo de IA pessoal chamado VIVEE.
Para os clientes, a mudança imediata é concreta: está cada vez mais difícil comprar um telemóvel novo da Asus ou da HTC através de um retalhista taiwanês habitual. Os actuais proprietários de dispositivos Asus, porém, continuam a contar com o compromisso declarado pela empresa de prestar assistência em reparações e ao abrigo da garantia.
O que esgotou exactamente?
A retirada da Asus das prateleiras aconteceu por fases. A gama de telemóveis para jogos ROG Phone desapareceu primeiro. Os modelos Zenfone continuaram disponíveis durante mais tempo, tendo o Zenfone 11 Ultra e o Zenfone 12 Ultra sido identificados entre os últimos dispositivos a serem vendidos.
Por volta de meados de outubro, as quantidades restantes já eram muito reduzidas. Uma verificação do retalho indicou especificamente que do Zenfone 11 Ultra restavam apenas unidades na casa das unidades. Quando os retalhistas foram novamente contactados a 27 de outubro, disseram que as existências restantes de Zenfone tinham esgotado.
As lojas das cadeias retalhistas disseram também que deixariam de repor as existências de telemóveis Asus. Para quem procura um telemóvel novo, isso elimina a opção habitual de esperar pela próxima entrega nessas lojas. As pequenas lojas independentes poderão ainda ter unidades isoladas, mas os clientes terão de procurar existências dispersas, em vez de encontrarem uma gama de produtos regularmente reabastecida.
As declarações dos retalhistas dizem respeito aos respectivos canais de venda em Taiwan. Na prática, as principais lojas locais ficaram sem stock, embora possam existir algumas unidades noutros locais e continuem disponíveis dispositivos usados.
Asus suspende novos modelos, mas mantém a assistência
A Asus abordou as especulações sobre o seu negócio de telemóveis no início de 2026, depois de terem circulado afirmações de que a empresa estava a abandonar o mercado. Na sua resposta, assumiu dois compromissos: não estavam previstos lançamentos de novos smartphones em 2026 e a unidade de negócio de telemóveis continuaria em funcionamento, prestando serviços pós-venda, incluindo reparações e cobertura da garantia.
A suspensão dos lançamentos afecta os produtos futuros. Os serviços de garantia e reparação dizem respeito aos dispositivos que as pessoas já possuem. Assim, os clientes poderão ter menos opções de compra, mas continuarão a poder pedir assistência para um telemóvel que já tenham, ao abrigo dos serviços disponibilizados pela empresa.
A Asus não esclareceu se a suspensão se tornaria numa saída definitiva nem se lançaria outro telemóvel num ano posterior. Os planos anunciados deixam, por isso, em aberto o futuro a longo prazo das gamas Zenfone e ROG Phone.
As gerações mais recentes identificadas no historial recente de produtos da empresa são o ROG Phone 9, apresentado no final de 2024, e o Zenfone 12 Ultra, lançado em 2025. Os relatos sobre a decisão da empresa não identificam quaisquer modelos novos posteriores.
As datas que explicam a retirada
O negócio de telemóveis da Asus remonta a mais de duas décadas, enquanto os desenvolvimentos mais recentes incluem lançamentos de produtos, declarações da empresa e verificações de stock em várias datas. Esta sequência ajuda a explicar como a suspensão de novos produtos se traduziu numa escassez de dispositivos nas lojas.
- Novembro de 2000: a Asus iniciou a investigação e o desenvolvimento de tecnologia móvel 3G.
- Primeiro trimestre de 2003: a Asus apresentou o seu primeiro telemóvel.
- CES 2014: a Asus revelou os ZenFone 4, ZenFone 5 e ZenFone 6, com ecrãs de 4, 5 e 6 polegadas.
- 2018: a Asus apresentou o seu primeiro ROG Phone para jogos.
- Final de 2024: foi anunciado o ROG Phone 9.
- 2025: foi apresentado o Zenfone 12 Ultra.
- Início de 2026: a Asus afirmou não ter planos para lançar novos smartphones durante 2026 e que continuaria a prestar serviços de reparação e garantia.
- Setembro: a HTC afirmou que os telemóveis passariam a ter um papel secundário, sem planos imediatos para um novo modelo.
- Meados de outubro e 27 de outubro: as verificações do retalho revelaram primeiro que as últimas unidades Asus estavam quase esgotadas e, depois, que tinham esgotado.
Os relatos de setembro e de 27 de outubro não especificam o ano civil, pelo que não é possível atribuir-lhes um ano confirmado em conjunto com a declaração datada de 2026 da Asus. O relato que indicava que a Jiesheng Communications tinha apenas algumas dezenas de unidades do HTC U24 pro foi publicado a 14 de outubro de 2026 e previa que o modelo chegasse ao fim do ciclo de vida do produto por volta do final de 2026, sem indicar uma data exacta para o esgotamento.
O que os compradores deixam de encontrar nas prateleiras
A Asus construiu a sua gama de telemóveis em torno de várias ideias distintas. O PadFone combinava um telemóvel com o formato de um tablet. O Zenfone 6 tinha um mecanismo de câmara rotativo, enquanto o Zenfone 10 apostava num formato mais compacto.
O ROG Phone seguiu outra abordagem, centrada nos jogos, com um design distinto e sistema de arrefecimento. O arrefecimento é importante durante jogos exigentes, porque o processador do telemóvel gera calor enquanto funciona. A gestão desse calor ajuda o dispositivo a suportar uma utilização prolongada.
Outros modelos, incluindo o Zenfone 5z e o ZenFone Max Pro, chamaram a atenção pelas funcionalidades que ofereciam em relação ao preço. No conjunto, a Asus oferecia opções em função do tamanho, do design da câmara, dos jogos e da relação qualidade-preço, embora nunca tenha sido uma marca líder de telemóveis em termos de posição no mercado.
O fim das existências regulares elimina, por isso, opções concretas, além de uma marca. Quem procura especificamente um Zenfone compacto ou um telemóvel ROG para jogos terá menos oportunidades de comprar um novo nas cadeias de retalho estabelecidas de Taiwan.
Uma divisão de telemóveis sob pressão
As dificuldades da Asus nos smartphones surgiram numa altura em que outras áreas da empresa apresentavam melhores resultados. As receitas da marca atingiram um recorde trimestral no terceiro trimestre de 2025, apoiadas pela procura de servidores de IA e pela actividade estável nos sectores dos jogos e dos computadores pessoais. O dispositivo portátil para jogos ROG Xbox Ally também teve uma forte recepção no mercado.
Em contrapartida, a divisão de telemóveis continuava a registar prejuízos. Uma empresa pode alcançar receitas recorde enquanto uma das suas divisões de produtos perde dinheiro, porque as receitas medem as vendas, ao passo que o resultado financeiro de uma divisão também tem em conta os custos. Assim, uma forte procura de servidores ou computadores pode coexistir com um negócio de smartphones mais fraco.
A subida dos preços dos componentes de memória e armazenamento aumentou a pressão sobre a produção de telemóveis. Estes componentes armazenam o software e os dados de que um aparelho precisa para funcionar. O aumento dos custos de aquisição pode reduzir o dinheiro que resta ao fabricante por cada dispositivo, a menos que aumente os preços ou reduza outras despesas.
A incerteza em torno das tarifas e das taxas de câmbio também foi apontada como uma possível fonte de pressão sobre o planeamento da Asus para os telemóveis. Não foram divulgados dados financeiros pormenorizados que mostrassem o peso de cada factor na decisão de suspender os lançamentos.
O último modelo da HTC aproxima-se do fim
A presença restante da HTC no retalho concentra-se no U24 pro. A Jiesheng Communications afirmou que as existências disponíveis tinham caído para as dezenas e que as perspectivas de reposição eram reduzidas, colocando o telemóvel perto do fim do seu período de vendas. No relato publicado a 14 de outubro de 2026, previa-se que o modelo chegasse ao fim do ciclo de vida do produto por volta do final de 2026.
A declaração da HTC em setembro colocou os smartphones atrás de outras prioridades de desenvolvimento. A empresa afirmou não ter planos a curto prazo para um novo telemóvel e que direccionaria a investigação para óculos inteligentes e produtos portáteis associados à realidade alargada, habitualmente designada pela sigla XR.
XR é um termo abrangente para tecnologias que combinam experiências digitais com o ambiente envolvente de uma pessoa ou colocam o utilizador num ambiente virtual. Os óculos inteligentes são uma das formas possíveis de dispositivos portáteis neste domínio. A orientação anunciada pela HTC transfere a atenção do ecrã segurado na mão para dispositivos usados pelo utilizador.
Asus e HTC enfrentam, assim, condições semelhantes nas lojas de Taiwan, mas as declarações das empresas descrevem decisões distintas. A Asus especificou um ano sem novos telemóveis, mantendo a sua actividade de assistência. A HTC descreveu os smartphones como um negócio secundário e apresentou outras prioridades de investigação.
HTC vira-se para um companheiro pessoal de IA
A HTC revelou também o VIVEE no dia 27, apresentando um dispositivo pessoal de IA com aproximadamente o tamanho de um ovo. O produto foi concebido para conversar com os utilizadores, jogar e desenvolver gradualmente uma personalidade própria através da interacção quotidiana.
O VIVEE aponta para um tipo de relação com o consumidor diferente do ciclo habitual de substituir um smartphone por outro. A sua proposta assenta na interacção repetida com um companheiro portátil de IA, em vez do conjunto abrangente de funções de chamadas, câmara e aplicações associado a um telemóvel.
As pré-encomendas já estavam abertas nos Estados Unidos, enquanto o lançamento em Taiwan era esperado antes do final do ano referido no anúncio. Não foi indicada uma data exacta nem um preço para o lançamento em Taiwan.
Por enquanto, compradores e actuais proprietários enfrentam dois desenvolvimentos distintos: as gamas de telemóveis conhecidas estão a tornar-se escassas, enquanto as empresas direcionam a sua atenção para outros produtos tecnológicos. Os proprietários de dispositivos Asus têm uma garantia explícita de assistência em reparações e ao abrigo da garantia; quem procura os telemóveis Asus ou HTC restantes enfrenta uma disponibilidade cada vez menor no retalho.
Principais pontos
- Os principais retalhistas de Taiwan afirmaram que, na verificação de 27 de outubro, os telemóveis Asus tinham esgotado e não seriam repostos.
- A Asus afirmou que não planeava lançar novos smartphones em 2026, mas que continuaria a prestar serviços de reparação e garantia.
- A Asus não esclareceu se a suspensão dos lançamentos é definitiva.
- A HTC afirmou que os smartphones passariam a ter um papel secundário, sem planos imediatos para um novo modelo.
- A Jiesheng Communications indicou que as existências restantes do HTC U24 pro se contavam pelas dezenas; previa-se que o modelo chegasse ao fim do ciclo de vida do produto por volta do final de 2026.
- A HTC está a orientar a investigação para óculos inteligentes e tecnologia portátil e revelou o dispositivo pessoal de IA VIVEE.






