Os taxistas representam mais de metade dos participantes
O regime fiscal especial do Cazaquistão para trabalhadores independentes abrangia 519 683 taxistas em 1 de outubro de 2026, o equivalente a 53% dos seus 981 200 participantes. Outras 292 509 pessoas prestavam serviços de entrega, fazendo com que estas duas atividades representassem, em conjunto, cerca de 83% de todos os que recorriam ao regime.
Índice
- Os taxistas representam mais de metade dos participantes
- A maioria dos participantes trabalha através de plataformas digitais
- Destino das contribuições sociais
- O que aconteceu aos empresários que cancelaram o registo?
- Aumentaram os encerramentos e diminuíram os novos registos
- O comércio a retalho e as principais cidades registaram mais saídas
- Empresas também transitaram entre regimes fiscais
- Menos declarações simplificadas, mais rendimentos declarados
- As receitas fiscais aumentaram enquanto o Governo aguarda um ano completo
- Principais pontos
O vice-primeiro-ministro e ministro da Economia Nacional, Serik Zhumangarin, apresentou estes números numa resposta a uma pergunta parlamentar sobre os efeitos do novo Código Fiscal nas pequenas empresas e nos empresários em nome individual. A resposta registou também 16,1 mil milhões de tenges em contribuições sociais relativas a pessoas que trabalhavam através de plataformas digitais.
Os números mostram a forte influência do transporte de passageiros e das entregas na adesão ao regime. Ajudam também a explicar uma mudança mais ampla no registo de empresas do Cazaquistão: algumas pessoas que cancelaram o registo como empresários em nome individual continuaram a trabalhar ao abrigo do novo regime.
Durante os primeiros nove meses de 2026, 356 200 empresários em nome individual cancelaram o registo. Destes, cerca de 73 900 transitaram para o regime destinado a trabalhadores independentes. Zhumangarin identificou também 30 100 empresários que cessaram atividade depois de passarem para o regime fiscal geral devido a novos requisitos ou por não conseguirem continuar nas novas condições.
A maioria dos participantes trabalha através de plataformas digitais
As plataformas digitais representavam 866 900 participantes, ou cerca de 88% dos utilizadores do regime. Outras 114 200 pessoas, aproximadamente 12%, trabalhavam por conta própria. Na prática, quase nove em cada 10 participantes trabalhavam através de uma plataforma, em vez de forma independente.
Os taxistas representavam cerca de 53% dos participantes e os estafetas cerca de 30%. Em conjunto, os números exatos correspondem a 812 192 pessoas. Cerca de 17% dos participantes exerciam outras atividades.
Zhumangarin descreveu 807 300 pessoas como novos participantes no regime. Este número corresponde a aproximadamente 82% do total de 981 200. A resposta não especificou a situação profissional ou fiscal anterior destas pessoas, pelo que não é possível determinar em que medida transitaram de outros regimes.
Destino das contribuições sociais
Zhumangarin informou que tinham sido transferidos 16,1 mil milhões de tenges em contribuições sociais relativos às 866 900 pessoas que trabalhavam através de plataformas digitais. O montante foi repartido entre contribuições para pensões, contribuições sociais e seguro de saúde obrigatório.
A repartição indicada foi a seguinte:
- 4,4 mil milhões de tenges em contribuições obrigatórias para pensões.
- 3,8 mil milhões de tenges em contribuições obrigatórias patronais para pensões.
- 3,9 mil milhões de tenges em contribuições sociais.
- 4,1 mil milhões de tenges em contribuições para o seguro social de saúde obrigatório.
As contribuições para pensões destinam-se a financiar a reforma. As contribuições sociais apoiam o sistema de seguro social, enquanto as contribuições para o seguro de saúde financiam o sistema de seguro médico obrigatório. Para os taxistas e estafetas, estes pagamentos ligam os rendimentos obtidos através de plataformas aos mecanismos formais de proteção social.
Os quatro montantes divulgados totalizam 16,2 mil milhões de tenges, face ao total anunciado de 16,1 mil milhões. A resposta não explicou esta diferença.
Os valores das contribuições são relevantes em conjunto com o número de participantes, pois mostram que há dinheiro a entrar no sistema de proteção social. A resposta não especificou o historial de pagamentos individuais nem os benefícios recebidos por trabalhadores específicos.
O que aconteceu aos empresários que cancelaram o registo?
Entre janeiro e setembro de 2026, o Cazaquistão registou 356 200 cancelamentos de registos de empresários em nome individual. A resposta de Zhumangarin dividiu estes empresários em grupos que ajudam a explicar o que está por detrás do número global.
Cerca de 73 900 transitaram para o regime especial destinado a trabalhadores independentes. Outros 151 800 não tinham declarado rendimentos em 2025. Estes dois grupos totalizavam 225 700 pessoas, ou aproximadamente 63,4% de todos os cancelamentos de registo.
A resposta identificou ainda 102 400 empresários com rendimentos anuais até 10 milhões de tenges e cerca de 28 000 cujos rendimentos ultrapassavam esse montante. Estes números indicam a escala dos rendimentos dos outros grupos mencionados na resposta.
Para quem transita para o novo regime, a mudança administrativa significa sair do registo de empresários em nome individual e continuar a obter rendimentos com outro enquadramento fiscal. Para quem não declarou rendimentos em 2025, o cancelamento poderá, em vez disso, eliminar o registo de uma empresa inativa.
Aumentaram os encerramentos e diminuíram os novos registos
Nos primeiros nove meses de 2026, foram cancelados 356 200 registos de empresários em nome individual, mais 59,3% do que os 223 600 registados no mesmo período de 2025. Em 2024, o número comparável foi de 277 000.
Os novos registos de empresas seguiram a tendência oposta. A resposta registou 242 300 novas entidades empresariais em 2026, face a 346 100 no ano anterior, uma descida de cerca de 30%.
O saldo foi de mais 113 900 cancelamentos do que novos registos. Em 2025, os novos registos tinham superado os encerramentos em 122 500. Os números mostram, portanto, tanto um aumento das saídas do registo como uma redução das novas entradas.
Zhumangarin identificou 30 100 empresários cuja cessação de atividade esteve relacionada com os novos requisitos fiscais ou com a impossibilidade de operar nas novas condições. Este grupo representou cerca de 8,5% dos 356 200 cancelamentos de registo, fornecendo um número concreto de encerramentos que, segundo a resposta, estão associados às alterações fiscais.
Os períodos abrangidos pelos números são:
- Janeiro a setembro de 2024: 277 000 empresários em nome individual cessaram atividade.
- Janeiro a setembro de 2025: 223 600 cessaram atividade, enquanto os novos registos chegaram aos 346 100.
- Janeiro a junho de 2026: os dados das declarações simplificadas registaram menos contribuintes declarantes, a par de um aumento dos rendimentos declarados e do emprego.
- Janeiro a setembro de 2026: foram cancelados 356 200 registos de empresários em nome individual.
- 1 de outubro de 2026: o regime destinado a trabalhadores independentes abrangia 981 200 pessoas.
O comércio a retalho e as principais cidades registaram mais saídas
O comércio a retalho representou 128 400 encerramentos de empresas, o maior total por setor indicado na resposta. O número aumentou face aos 74 500 do ano anterior, uma subida de 72,4%. Só o comércio a retalho representou cerca de 36% dos 356 200 cancelamentos de registo.
Os outros serviços registaram 59 800 encerramentos, face a 37 700 anteriormente. No setor dos transportes, o número subiu de 19 600 para 34 500, enquanto as atividades imobiliárias aumentaram de 10 200 para 23 000.
A construção registou 11 200 encerramentos, contra 7 000. Os estabelecimentos de restauração registaram 8 500, face a 4 800 no ano anterior. Os aumentos abrangeram várias atividades, indo além do transporte de passageiros e das entregas, que dominam o novo regime.
Almaty registou o maior total regional, com 62 500 empresários em nome individual a cessarem atividade, mais do dobro dos cerca de 30 000 registados no ano anterior. Astana ficou em segundo lugar, com 41 900, face a 31 400.
A região do Turquestão registou 33 000 encerramentos, a região de Almaty 26 900 e Shymkent 24 700. A cidade de Almaty e Astana somaram 104 400 encerramentos, ou cerca de 29% do total nacional.
Empresas também transitaram entre regimes fiscais
Em 1 de outubro de 2026, o número de pequenas empresas que utilizavam o regime fiscal geral tinha aumentado de 114 100 para 384 200. O número de pessoas coletivas nesse regime subiu de 415 800 para 519 600.
O regime fiscal geral corresponde ao conjunto normal de regras fiscais, em vez de um regime especial disponível para contribuintes que cumpram determinados requisitos. A transição entre regimes altera a forma como uma empresa declara e paga os seus impostos, mesmo que a atividade subjacente continue.
O número de contribuintes registados para pagar imposto sobre o valor acrescentado, ou IVA, aumentou 28%, de 134 400 para 172 000. O IVA é um imposto aplicado à venda de bens e serviços. Em geral, as empresas registadas contabilizam o imposto cobrado nas vendas e o imposto dedutível pago nas compras.
Mais de 1,17 milhões de entidades empresariais utilizavam o regime especial baseado numa declaração simplificada. A estas juntavam-se as 981 200 pessoas abrangidas pelo regime destinado a trabalhadores independentes. Estes números mostram por que razão a reforma deve ser analisada em várias categorias fiscais: os empresários podem sair de uma categoria e entrar noutra.
Menos declarações simplificadas, mais rendimentos declarados
No primeiro semestre de 2026, o número de contribuintes que entregaram declarações ao abrigo do regime simplificado caiu 28,2%, de 1,512 milhões para 1,086 milhões. Ainda assim, os rendimentos declarados em conjunto aumentaram 18,9%, de 7,89 biliões para 9,38 biliões de tenges.
Zhumangarin informou também que o número de trabalhadores contratados registados nessas declarações aumentou 14,2%, para 508 600. A massa salarial subiu 7,3%, para cerca de 448 mil milhões de tenges.
Os dados sobre rendimentos e emprego acrescentam outra dimensão à descida do número de registos e declarações. Um grupo mais pequeno de contribuintes entregou declarações simplificadas, mas declarou, no total, mais rendimentos e mais trabalhadores.
Os rendimentos declarados correspondem aos montantes comunicados pelos contribuintes nas suas declarações. Não são o mesmo que o lucro, que é o valor restante depois de deduzidos os custos relevantes. Assim, a subida de 7,89 para 9,38 biliões de tenges diz respeito aos rendimentos declarados, e não ao montante que as empresas conservaram depois das despesas.
As receitas fiscais aumentaram enquanto o Governo aguarda um ano completo
Até 1 de outubro de 2026, o orçamento consolidado do Cazaquistão tinha recebido 22,69 biliões de tenges. Este valor representa mais 3,55 biliões de tenges, ou 18,5%, do que no ano anterior.
As receitas fiscais provenientes das pequenas e médias empresas aumentaram 17,5%, ou 1,13 biliões de tenges. Dentro desta categoria, as receitas provenientes das pequenas empresas subiram 27,1%, o equivalente a 750,7 mil milhões de tenges.
Zhumangarin afirmou que a reforma deve ser avaliada tendo em conta os rendimentos das empresas, o emprego e os pagamentos de impostos, além dos números relativos aos registos. Na sua resposta, indicou que a avaliação final será feita após o fim do período fiscal de 2026, sem anunciar uma data de publicação.
O ministro afirmou também que serão tomadas decisões caso sejam identificados efeitos negativos duradouros diretamente relacionados com disposições do novo Código Fiscal ou com a forma como foram aplicadas. Não foram anunciadas alterações específicas nem um calendário.
Para os taxistas e estafetas, a mudança imediata já é visível na dimensão da adesão e nas contribuições pagas através das plataformas. No setor mais amplo das pequenas empresas, os números apontam para várias tendências em simultâneo: transição entre categorias fiscais, mais cancelamentos de registos, menos novos registos e aumento dos rendimentos declarados e das receitas fiscais, segundo os indicadores citados pelo ministro.
Principais pontos
- Em 1 de outubro de 2026, o regime fiscal especial abrangia 981 200 pessoas, incluindo 519 683 taxistas e 292 509 estafetas.
- Cerca de 88% dos participantes trabalhavam através de plataformas digitais; para este grupo, foram declarados 16,1 mil milhões de tenges em contribuições sociais.
- Dos 356 200 empresários em nome individual que cancelaram o registo nos primeiros nove meses de 2026, cerca de 73 900 transitaram para o novo regime.
- Zhumangarin associou 30 100 cessações de atividade aos novos requisitos fiscais ou à impossibilidade de continuar nas novas condições.
- Foram registadas 242 300 novas empresas, deixando um saldo de mais 113 900 cancelamentos de registo do que novos registos.
- O Governo tenciona avaliar a reforma após o fim do período fiscal de 2026, considerando os rendimentos, o emprego e as receitas fiscais, além dos números relativos aos registos.






