Mais importações de milho para aliviar a pressão sobre os preços da carne
O Presidente Ferdinand Marcos Jr. mais do que duplicou a quota de importação de milho das Filipinas ao abrigo do regime de Acesso Mínimo (MAV), fixando-a em 500 000 toneladas métricas. O objetivo é conter os custos dos alimentos para animais e evitar aumentos dos preços da carne de porco e das aves, numa altura em que o país enfrenta uma escassez prevista de milho amarelo.
Índice
- Mais importações de milho para aliviar a pressão sobre os preços da carne
- O que muda com o aumento da quota
- Porque é que a escassez de milho afeta os preços da carne de porco e do frango
- A quota adicional cobre um quinto do défice
- Agricultores alertam para o risco de perderem 12 mil milhões de pesos
- As famílias vão beneficiar das poupanças?
- Como a decisão chegou à ordem executiva
- Quem pode receber a quota adicional?
- Pontos principais
A Ordem Executiva n.º 129, assinada a 26 de outubro de 2026 pelo secretário executivo Ralph Recto, em nome de Marcos, acrescenta 280 000 toneladas métricas à quota. Este volume adicional cobriria cerca de 20% do défice previsto de 1,422 milhões de toneladas métricas de milho amarelo entre março e dezembro de 2026.
A medida coloca dois grupos de produtores agrícolas perante uma difícil decisão sobre os preços. Os produtores de gado e de aves precisam de milho a preços acessíveis para alimentar os animais. Os produtores de milho precisam de compradores que paguem o suficiente pelas colheitas para cobrir os custos e garantir os seus rendimentos.
A Federação dos Agricultores Livres estima que os produtores poderão perder até 12 mil milhões de pesos por ano se as importações mais baratas fizerem baixar em 1,70 pesos por quilograma os preços pagos pela produção local. Raul Montemayor, responsável nacional da federação, estima também que os preços de venda ao público do frango baixariam menos de 1%, mesmo que os consumidores beneficiassem de todas as poupanças resultantes das taxas de importação mais baixas.
O Governo apresenta o aumento como uma resposta temporária a uma falha na oferta. O seu efeito prático dependerá de quem recebe a quota de importação adicional, de quando chegam os carregamentos e de as poupanças chegarem ou não aos produtores pecuários e aos consumidores.
O que muda com o aumento da quota
O Acesso Mínimo, habitualmente designado por MAV, é uma quota que permite importar uma quantidade especificada de um produto agrícola pagando uma taxa de importação mais baixa. Uma pauta aduaneira é um imposto cobrado sobre os bens importados.
O milho importado ao abrigo da quota está sujeito a uma pauta de 5%, enquanto as importações que excedem a quota estão sujeitas a 15%. O aumento do MAV permite, assim, que uma quantidade maior de milho beneficie da taxa mais baixa. As importações que ultrapassem a quota continuam sujeitas à taxa mais elevada.
A ordem indica que a quota anterior era de 220 000 toneladas métricas, enquanto a proposta anterior do Ministério da Agricultura apontava para 216 940 toneladas métricas. Ambas fixam a quota aumentada em 500 000 toneladas métricas.
Com base nos valores da ordem, o aumento é de aproximadamente 127%. A nova quota é cerca de 2,27 vezes superior à anterior, sendo o volume adicional disponibilizado através do Mecanismo MAV Plus.
A diferença entre as taxas é de 10 pontos percentuais. Isso reduz o imposto cobrado sobre os carregamentos elegíveis, mas o custo final do milho importado inclui também o preço de compra, o transporte marítimo e outras despesas. A taxa mais baixa proporciona aos importadores uma poupança potencial cujo valor depende desses custos.
Porque é que a escassez de milho afeta os preços da carne de porco e do frango
O milho amarelo é uma importante fonte de energia nas rações utilizadas na criação de suínos e aves. Quando o milho escasseia ou fica mais caro, os fabricantes de rações enfrentam custos mais elevados, que podem repercutir-se ao longo da cadeia de abastecimento, chegando às explorações e, por fim, aos pontos de venda de carne.
A Ordem Executiva n.º 129 alerta que uma oferta interna insuficiente de milho poderá aumentar os custos das rações, elevar os custos de produção de carne de porco e de aves e exercer mais pressão sobre os preços dos alimentos. O objetivo imediato do Governo é evitar esses aumentos, disponibilizando mais milho ao abrigo da pauta mais baixa.
O Ministério da Agricultura apontou o El Niño e as tensões no Médio Oriente como riscos para a oferta. A ordem também assinalou a subida dos custos dos fertilizantes, dos combustíveis, do transporte e de outros fatores de produção agrícola, bem como os riscos meteorológicos que poderão limitar a produção interna.
Para um produtor de aves, o custo relevante é o preço da ração entregue na exploração, e não apenas a pauta aduaneira. Para uma família que compra frango, o preço reflete também outros custos de produção, a quantidade de carne disponível e a procura. Assim, as alterações no porto passam por várias empresas antes de chegarem ao consumidor.
A quota adicional cobre um quinto do défice
As 280 000 toneladas métricas adicionais correspondem a aproximadamente 19,7% do défice previsto de 1,422 milhões de toneladas métricas de milho amarelo. Subtraindo esse volume adicional, ficam por cobrir cerca de 1,142 milhões de toneladas métricas do défice previsto, através de outras fontes de abastecimento ou de ajustamentos do mercado.
Esta comparação mostra a dimensão limitada da intervenção. O Governo está a alargar o acesso ao milho com uma pauta mais baixa para complementar a oferta interna, mas a escassez prevista é muito superior à quota adicional.
Os dados da Autoridade de Estatísticas das Filipinas citados no debate indicam que a produção nacional de milho foi de 8,14 milhões de toneladas métricas em 2025, abaixo dos 8,32 milhões de toneladas métricas registados em 2024. Foi uma diminuição de 180 000 toneladas métricas, ou cerca de 2,2%.
Estes valores anuais dizem respeito à produção total de milho, ao passo que a previsão de escassez se refere ao milho amarelo entre março e dezembro de 2026. São indicadores diferentes: um regista a colheita do ano anterior e o outro estima um défice de oferta de um tipo específico de milho durante um período determinado.
Agricultores alertam para o risco de perderem 12 mil milhões de pesos
A Federação dos Agricultores Livres afirma que as importações de milho mais barato poderão afetar os preços muito para além dos próprios carregamentos importados. Os compradores locais poderão usar o preço de importação mais baixo como base para negociar o que pagam aos produtores filipinos.
Raul Montemayor, responsável nacional da federação, descreveu a possível perda anual de rendimento caso os preços à saída da exploração, ou seja, os preços recebidos pelos agricultores quando vendem a colheita, baixem 1,70 pesos por quilograma.
«Embora os benefícios para os consumidores fossem mínimos, os produtores de milho sofreriam perdas anuais de até 12 mil milhões de pesos se os preços à saída da exploração baixassem 1,70 pesos por quilo», afirmou Montemayor.
A estimativa da federação depende dessa descida dos preços. A sua preocupação é que o milho importado ao abrigo da pauta mais baixa possa custar menos 1,70 pesos por quilograma, levando os comerciantes a reduzir num montante semelhante os preços que pagam pelo milho local.
A Samahang Industriya ng Agrikultura, ou SINAG, também se opôs à proposta, questionando se a redução das pautas de importação traria poupanças significativas para os consumidores. Grupos de agricultores alertaram que a chegada de importações durante as colheitas locais poderia pô-las a concorrer diretamente com o milho nacional e reduzir os rendimentos dos produtores.
O momento da chegada é importante porque os agricultores vendem uma colheita física que tem de ser armazenada ou transportada até aos compradores. Uma oferta maior que chegue durante a época das colheitas pode reforçar o poder negocial dos compradores, tornando os calendários dos carregamentos tão importantes para os agricultores como o volume de importação anunciado.
As famílias vão beneficiar das poupanças?
Montemayor considera que o provável benefício no preço de venda do frango é reduzido quando comparado com a potencial perda para os produtores de milho. A sua estimativa pressupõe que a totalidade da poupança nas taxas de importação se repercute ao longo da cadeia de produção até chegar aos consumidores.
Montemayor expôs essa hipótese ao descrever a possível variação dos preços do frango.
«Partindo do princípio de que a poupança nas taxas de importação seria integralmente repercutida nos consumidores, os preços de venda do frango baixariam menos de 1%», afirmou.
Os fabricantes de rações e os transformadores poderão, em vez disso, reter parte das poupanças para reduzir os seus próprios custos, alertou. A distribuição do benefício é, por isso, uma questão central: milho mais barato na importação e frango mais barato no retalho são etapas distintas da mesma cadeia.
O objetivo declarado do Governo inclui também evitar aumentos dos preços. Se outras despesas subirem enquanto os custos das rações diminuem, as famílias poderão encontrar preços da carne mais estáveis, em vez de uma redução evidente. O resultado dependerá dos preços de importação, dos custos de transporte, da rapidez das entregas e das condições dos mercados pecuário e avícola.
Como a decisão chegou à ordem executiva
Marcos apresentou ao Congresso a proposta de aumento a 29 de setembro. Ao abrigo da Lei da República n.º 8178, a Lei da Tarificação Agrícola, uma proposta de alteração do MAV considera-se aprovada se o Congresso não tomar nenhuma medida substantiva no prazo de 15 dias após a sua receção.
O Congresso não se pronunciou sobre a recomendação dentro do prazo estabelecido. A proposta foi debatida numa sessão de informação da Câmara dos Representantes a 6 de outubro, antes de a ordem executiva ser assinada mais tarde nesse mês.
- 29 de setembro de 2026: Marcos apresentou ao Congresso a proposta de aumento da quota de importação de milho.
- 6 de outubro de 2026: A proposta foi debatida numa sessão de informação da Câmara dos Representantes.
- 26 de outubro de 2026: Recto assinou a Ordem Executiva n.º 129 em nome de Marcos.
- Após a publicação: A ordem entra em vigor depois de ser publicada no Diário Oficial ou num jornal de circulação geral.
- No prazo de 30 dias após a entrada em vigor: O Comité de Gestão do MAV deve emitir orientações sobre a atribuição e distribuição da quota.
Não foram indicadas a data de publicação nem uma data-limite específica para a emissão dessas orientações. É a publicação que determina a entrada em vigor da ordem e inicia o prazo de 30 dias para a sua aplicação pelo comité.
Quem pode receber a quota adicional?
A ordem identifica os fabricantes de rações e as fábricas de rações entre os beneficiários elegíveis. Também são elegíveis os agricultores, as cooperativas e as associações que produzam rações para os seus próprios efetivos pecuários e explorações avícolas.
O Comité de Gestão do MAV deve elaborar regras destinadas a garantir uma atribuição e distribuição equitativas e transparentes. Essas regras determinarão como os utilizadores elegíveis poderão aceder ao volume adicional.
Para os operadores pecuários, o acesso poderá permitir-lhes obter milho sujeito à pauta mais baixa, em vez de dependerem inteiramente de abastecimentos sujeitos à taxa mais elevada. Para os produtores de milho, as principais preocupações são a quantidade que chegará, o momento em que entrará no mercado e a forma como os compradores locais ajustarão os preços.
O principal desafio da política é aliviar a pressão sobre os preços das rações e da carne, limitando ao mesmo tempo os prejuízos para os produtores nacionais. A ordem cria a quota adicional; as regras de distribuição e a circulação posterior do milho no mercado determinarão quem beneficia da medida.
Pontos principais
- A Ordem Executiva n.º 129 aumenta de 220 000 para 500 000 toneladas métricas a quota de importação de milho ao abrigo do MAV.
- As 280 000 toneladas métricas adicionais cobrem cerca de 20% do défice previsto de milho amarelo entre março e dezembro de 2026.
- O milho importado dentro da quota está sujeito a uma pauta de 5%, face aos 15% aplicáveis às importações que a excedem.
- A Federação dos Agricultores Livres estima que os produtores poderão perder até 12 mil milhões de pesos por ano se os preços à saída da exploração baixarem 1,70 pesos por quilograma.
- A federação estima que os preços de venda ao público do frango baixariam menos de 1% se toda a poupança nas taxas chegasse aos consumidores.
- O Comité de Gestão do MAV deve emitir orientações de aplicação no prazo de 30 dias após a entrada em vigor da ordem.






