Estudo governamental avaliará o custo do regresso da F1
A Malásia está a preparar uma proposta para apresentar ao Conselho de Ministros em novembro sobre o regresso da Fórmula 1 a Sepang, ponderando um compromisso anual estimado em pelo menos 300 milhões de RM face aos 950 milhões de RM em atividade económica atribuídos ao Grande Prémio do Bahrein, transferido para este mês.
Índice
- Estudo governamental avaliará o custo do regresso da F1
- Como uma transferência de emergência reabriu o debate
- Corridas anuais ou uma prova de poucos em poucos anos?
- Quanto teria a Malásia de pagar
- Porque é preciso analisar melhor o valor de 950 milhões de RM
- As grandes multidões reforçam o argumento, mas os transportes precisam de melhorias
- Plano a cinco anos e proteção de outras modalidades
- Equipas e empresas de iluminação veem uma oportunidade
- A concorrência pelo calendário é mais um obstáculo
- Pontos principais
Azhan Shafriman Hanif, diretor executivo do Circuito Internacional de Sepang, afirmou que o circuito estava a recolher informações junto do governo, de organismos públicos e do setor para um estudo de viabilidade. À margem de uma atualização prevista para 26 de outubro, estimou em 50-50 as hipóteses de regresso, cabendo a decisão final ao governo.
A avaliação surge na sequência do Grande Prémio do Bahrein Gulf Air, realizado em Sepang de 2 a 4 de outubro de 2026, depois de o conflito na Ásia Ocidental ter impedido a realização da corrida no Bahrein no início da temporada. A última vez que a Malásia acolheu uma prova de Fórmula 1 foi em 2017.
O ministro da Juventude e do Desporto, Dr. Mohammed Taufiq Johari, afirmou que o governo está a analisar tanto a realização de corridas todos os anos como um modelo em que a Malásia poderia acolhê-las de poucos em poucos anos, em cooperação com outro país. A avaliação deverá estar concluída até ao final de novembro e ser apresentada ao Conselho de Ministros.
Os custos, os benefícios e a capacidade dos transportes são aspetos centrais da decisão. O evento de outubro atraiu grandes multidões e renovou o entusiasmo, mas também gerou queixas sobre as filas para os transportes de ligação e a gestão das multidões. A estrutura financeira também favoreceu a Malásia: o Bahrein pagou a taxa de acolhimento e arrecadou as receitas da bilheteira, enquanto a Malásia ficou responsável pelos preparativos locais.
Um regresso duradouro exigiria que a Malásia definisse quem paga, com que frequência Sepang acolhe provas e quanto investimento novo o evento traz ao país.
Como uma transferência de emergência reabriu o debate
Sepang acolheu o Grande Prémio da Malásia entre 1999 e 2017, quando o aumento dos custos e das taxas de licenciamento contribuiu para o fim da prova. Nove anos depois, o circuito regressou à Fórmula 1 através de um acordo que envolveu a Fórmula 1, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) e os governos da Malásia e do Bahrein.
A corrida de outubro manteve a identidade de Grande Prémio do Bahrein. A cooperação entre o rei da Malásia, o sultão Ibrahim, o rei do Bahrein, Hamad bin Isa Al-Khalifa, e os dois governos ajudou a preservar o evento depois de a data original, em abril, não se poder concretizar.
Os principais desenvolvimentos decorreram ao longo de várias semanas:
- 2 a 4 de outubro de 2026: Sepang acolheu o Grande Prémio do Bahrein Gulf Air, transferido para o circuito.
- 4 de outubro: O primeiro-ministro Anwar Ibrahim abordou o regresso permanente da Malásia com Stefano Domenicali, diretor executivo da Fórmula 1.
- 15 de outubro: Mohammed Taufiq expôs no Parlamento a avaliação governamental dos custos, dos retornos económicos e dos possíveis modelos de acolhimento.
- 26 de outubro: A atualização de Azhan descreveu as consultas do circuito e os planos para apresentar uma proposta ao Conselho de Ministros em novembro.
- Até ao final de novembro: A avaliação do governo deverá estar pronta para apreciação pelo Conselho de Ministros.
Azhan afirmou também que Sepang não tinha recebido contactos de outros países afetados pelo conflito na Ásia Ocidental à procura de um circuito alternativo. O circuito continua disponível para conversações, tendo em conta o tempo necessário para os preparativos.
Corridas anuais ou uma prova de poucos em poucos anos?
Mohammed Taufiq disse na Dewan Rakyat que as conversações iniciais tinham envolvido o primeiro-ministro, o diretor executivo da Fórmula 1 e a sua direção. Respondia a uma pergunta complementar de Syahredzan Johan, deputado por Bangi, durante o período de perguntas aos ministros.
O Ministério da Juventude e do Desporto está a liderar um comité de avaliação da F1 que envolve todos os ministérios e o secretário-chefe do Governo, Tan Sri Shamsul Azri Abu Bakar. O trabalho abrange os custos de acolhimento, o retorno do investimento e a capacidade das infraestruturas, com o objetivo de distribuir os benefícios para além do circuito e do ministério do Desporto.
A realização de corridas de poucos em poucos anos poderia reduzir a frequência com que a Malásia paga para acolher uma prova. O economista Yeah Kim Leng sugeriu também que eventos ocasionais poderiam ajudar a manter o interesse do público. Não foram anunciados qualquer país parceiro, calendário ou acordo comercial.
Após a conversa com Domenicali, a 4 de outubro, Anwar afirmou que um regresso permanente demoraria tempo, pois a Fórmula 1 tem de ter em conta um calendário preenchido e os acordos existentes com os países anfitriões.
Quanto teria a Malásia de pagar
Azhan estimou que garantir um lugar permanente no calendário da Fórmula 1 custaria pelo menos 300 milhões de RM por ano, incluindo os direitos de acolhimento e os preparativos locais. Só os direitos de acolhimento foram estimados entre 70 e 80 milhões de dólares. Trata-se das taxas comerciais pagas para obter autorização para organizar uma corrida do campeonato.
O Bahrein suportou essa taxa no evento de outubro e recebeu as receitas da bilheteira. A Malásia teve a oportunidade de atrair visitantes sem assumir o mesmo modelo comercial que um futuro Grande Prémio da Malásia poderia exigir.
O custo dos preparativos da Malásia foi indicado como sendo de 10 a 16 milhões de RM, enquanto outra estimativa aponta para 10 a 16 milhões de dólares, ou cerca de 40,8 a 65,3 milhões de RM. Uma contabilidade final confirmada permitiria esclarecer esta diferença substancial.
Hafiz Hanafiah, docente de gestão do turismo na Universiti Teknologi Mara, estimou que a manutenção de Sepang ao nível exigido pela Fórmula 1 poderia custar até 10 milhões de RM por ano. Isso implica despesas nos períodos entre corridas, mesmo que a Malásia opte por acolhê-las apenas ocasionalmente.
Razlan Razali, antigo diretor executivo do circuito, pôs em causa a viabilidade de um regresso permanente. A dimensão do compromisso explica por que razão o governo está a analisar um período mais longo, em vez de avaliar a proposta apenas com base num fim de semana movimentado.
Porque é preciso analisar melhor o valor de 950 milhões de RM
Inicialmente, Mohammed Taufiq descreveu os 950 milhões de RM como o retorno económico previsto da corrida de outubro. Mais tarde, anunciou que o evento gerou atividade económica nesse montante, equivalente a cerca de 232 milhões de dólares, e atraiu 261 000 espectadores ao longo de três dias, incluindo mais de 50 000 visitantes estrangeiros.
A avaliação do Conselho de Ministros terá de analisar como foram calculadas essas despesas e quanto beneficiou a Malásia depois de pagos os custos de acolhimento. A atividade económica abrange despesas que circulam pelas empresas, incluindo hotéis, restaurantes e operadores de transportes. As receitas do Estado são geradas por outras vias, como os impostos.
Yeah Kim Leng, economista da Sunway University, afirmou que a avaliação deveria identificar as despesas dos visitantes estrangeiros que viajaram especificamente para assistir à corrida. Referiu também os gastos dos malaios que poderiam, em alternativa, ter usado o dinheiro noutras férias ou atividades de lazer no país.
Hafiz Hanafiah, docente de turismo na UiTM, explicou essa diferença com uma imagem doméstica:
Imagine a economia da Malásia como uma banheira.
Depois, descreveu como as despesas internas podem passar de um destino para outro:
Se um malaio abdicar de uma viagem a Langkawi para comprar um bilhete para a F1, está apenas a transferir a água de uma ponta da banheira para a outra. Pode parecer que há mais movimento, mas o nível da água não sobe.
Hafiz estimou que um evento teria de gerar pelo menos 300 milhões de RM em receitas adicionais provenientes de turistas estrangeiros para justificar a taxa de acolhimento. A estimativa estabelece um valor de referência concreto para o governo analisar, a par do montante mais abrangente de 950 milhões de RM.
As grandes multidões reforçam o argumento, mas os transportes precisam de melhorias
Segundo dados citados por Mohammed Taufiq, foram vendidos cerca de 100 000 bilhetes para o evento de outubro, contra aproximadamente 30 000 em 2017. São mais cerca de 70 000 bilhetes e mais do triplo do total anterior.
O ministro referiu também 261 000 espectadores ao longo dos três dias. As vendas de bilhetes e a assistência ao longo de um fim de semana de corrida são indicadores diferentes: quem tem acesso a vários dias pode assistir mais do que uma vez. O recorde anterior de assistência ao Grande Prémio da Malásia em Sepang foi de 126 690 pessoas, em 2008.
Os adeptos queixaram-se das longas esperas pelos autocarros de ligação e da deficiente gestão das multidões. Alguns percorreram vários quilómetros a pé, ao longo de estradas principais e autoestradas, para sair do recinto. Sepang reconheceu as queixas e afirmou estar a trabalhar com os parceiros de transportes e as autoridades para melhorar o trânsito, os transportes de ligação e a gestão das multidões.
Azhan afirmou que o congestionamento do trânsito e os transportes públicos receberiam especial atenção no estudo de viabilidade. Para os espectadores, essas decisões determinam como chegam ao circuito e regressam a casa. Para os organizadores, influenciam a facilidade com que uma grande multidão se desloca pelo recinto ao longo de vários dias.
A comparação com 2017 fornece à Malásia provas de que a procura voltou a crescer. A avaliação financeira terá agora de determinar se seria possível manter níveis semelhantes de venda de bilhetes e de despesas dos visitantes caso as corridas regressassem regularmente.
Plano a cinco anos e proteção de outras modalidades
Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, afirmou que a Malásia precisaria de um plano de negócios com uma duração mínima de cinco anos, incluindo disposições comerciais, promocionais e logísticas. A 4 de outubro, disponibilizou o apoio do organismo regulador para essa preparação.
«Elaborem um plano de negócios com a duração mínima de cinco anos e terão o nosso apoio», afirmou.
Com base na estimativa do circuito de pelo menos 300 milhões de RM por ano, cinco edições anuais implicariam um custo mínimo de 1,5 mil milhões de RM, antes de eventuais aumentos. Este cálculo mostra a dimensão do planeamento necessário para um regresso permanente.
Mohammed Taufiq afirmou que o financiamento da Fórmula 1 não deve reduzir as verbas destinadas ao desenvolvimento dos atletas e a outras modalidades. Em 2025, o ministério atribuiu 5,6 milhões de RM a 29 programas de desportos motorizados, que abrangeram 159 atividades e competições de veículos de duas ou quatro rodas.
O trabalho de desenvolvimento de talentos locais prosseguiu através do motocrosse, do karting, do drift, dos ralis e das corridas de minimotos, no âmbito do Rakan Muda. Sepang também apoia oportunidades através do Campeonato de Carros de Turismo da Malásia e das 1000 km de Sepang.
Yeah afirmou que o governo deveria ponderar outras utilizações para o dinheiro, incluindo escolas e hospitais. Hafiz propôs envolver patrocinadores privados e prolongar para 10 dias os eventos relacionados com a Fórmula 1, em diferentes regiões da Malásia, de modo a incentivar estadias mais longas e maiores despesas dos visitantes.
Equipas e empresas de iluminação veem uma oportunidade
Bradley Lord, subchefe de equipa da Mercedes, afirmou que a equipa acolheria de bom grado um regresso permanente a Sepang. Recordou as milhares de pessoas reunidas junto às Torres Gémeas Petronas antes da corrida de outubro e disse que a Malásia parecia ser uma prova em casa.
«Para nós, a Malásia é quase como uma corrida em casa. Adoraríamos voltar», afirmou.
Uma possível corrida noturna também despertou interesse comercial. As Tempelman, diretor executivo da Signify, afirmou que a tecnologia de iluminação poderia apoiar a realização de um evento desse tipo, cabendo aos organizadores e às autoridades tomar a primeira decisão.
Roberto Grilli, diretor-geral da DZ Engineering, manifestou interesse em propor uma solução com tecnologia da Signify. As empresas colaboram na iluminação de desportos motorizados desde a primeira corrida noturna de Fórmula 1 em Singapura, em 2008.
No circuito Marina Bay, em Singapura, os projetores LED Philips ArenaVision, instalados em 2023, reduziram em 30% o consumo de energia da iluminação face ao sistema anterior. Uma proposta de iluminação para Sepang teria de incluir custos e um projeto próprios no plano de negócios mais abrangente.
A concorrência pelo calendário é mais um obstáculo
A Malásia está a avançar com a sua proposta a par do interesse noticiado da Tailândia, do Vietname e da Coreia do Sul. Prevê-se que a Ásia acolha nove corridas de Fórmula 1 em 2027, contra oito na Europa, após o regresso do Grande Prémio da Turquia.
O alerta de Anwar sobre os contratos existentes mostra que a disponibilidade de datas no calendário é um fator prático nas negociações. A aprovação do governo permitiria à Malásia procurar um acordo, mas a Fórmula 1 teria ainda de integrar uma eventual corrida malaia nos seus compromissos comerciais e no calendário.
A avaliação de novembro é o próximo passo concreto. Será pedido ao Conselho de Ministros que pondere os custos para o erário público, as despesas previstas dos visitantes estrangeiros, a capacidade dos transportes e uma possível parceria com outro país. As conclusões determinarão se a Malásia procura acolher um Grande Prémio anual, uma corrida ocasional ou outro modelo.
Pontos principais
- Sepang está a preparar um estudo de viabilidade para apreciação pelo Conselho de Ministros em novembro, estando prevista a conclusão da avaliação governamental até ao final desse mês.
- A Malásia está a ponderar a realização de corridas anuais ou o acolhimento de uma prova de poucos em poucos anos, em cooperação com outro país.
- Um lugar permanente no calendário da Fórmula 1 foi estimado em pelo menos 300 milhões de RM por ano.
- O ministro do Desporto atribuiu 950 milhões de RM em atividade económica e mais de 50 000 visitantes estrangeiros ao Grande Prémio do Bahrein de outubro, realizado em Sepang.
- O Bahrein pagou a taxa de acolhimento do evento de outubro e arrecadou as receitas da bilheteira; um futuro acordo com a Malásia exigiria novas condições financeiras.
- O estudo analisará o trânsito, os transportes públicos, os retornos económicos e as infraestruturas, enquanto a FIA pediu um plano de negócios com uma duração mínima de cinco anos.






