Investigação sobre televisores Samsung levanta preocupações de privacidade relacionadas com sensores de som, dados de visualização e publicidade

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Samsung TV Research Raises Privacy Concerns Over Sound Sensors, Viewing Data and Advertising

Um teste de cinco segundos ao microfone coloca a privacidade dos televisores sob escrutínio

Um televisor Samsung de 2025 está no centro de alegações sobre privacidade que envolvem a deteção de sons domésticos, a análise da visualização e identificadores publicitários. Um investigador de engenharia inversa que usa o nome log4j começou a divulgar conclusões a 21 de outubro de 2026, descrevendo campos de telemetria que contabilizam latidos de cães e choro de bebés, bem como o estado da câmara e a duração da transmissão de vídeo da câmara.

Índice
  1. Um teste de cinco segundos ao microfone coloca a privacidade dos televisores sob escrutínio
  2. O que a Samsung já diz que recolhe
  3. O que revelam as entradas do sensor de som
  4. Porque é importante considerar as definições no teste ao microfone
  5. Análise da visualização e identificador publicitário
  6. Samsung diz que é possível desativar a publicidade personalizada
  7. Como decorreu a investigação
  8. Outras conclusões e suspensão da conta da OpenAI
  9. O que os proprietários podem retirar destas revelações
  10. Principais pontos

Dois dias depois, ngxson, engenheiro da Hugging Face, relatou que um teste ao microfone com um Flipper Zero levou um televisor Tizen a ativar o microfone durante cinco segundos e depois a parar. O engenheiro não observou qualquer outra resposta do microfone nas horas seguintes e alertou que o televisor tinha software modificado e várias definições desativadas.

Os próprios documentos da Samsung constituem um ponto de partida concreto para compreender a controvérsia. A política de privacidade do Smart Hub da empresa na Coreia enumera informações extensas sobre o dispositivo e a utilização, enquanto uma declaração separada sobre publicidade diz que os utilizadores podem repor o identificador publicitário ou desativar os anúncios personalizados. A questão central é saber como funcionam, num televisor comum e com as definições escolhidas pelo proprietário, os mecanismos descritos por log4j.

Log4j disse que anúncios invulgarmente específicos motivaram a investigação. O investigador analisou o Tizen, o sistema operativo dos televisores Samsung, e descreveu código associado ao registo de tráfego de rede, à classificação de áudio, a capturas de ecrã e a um identificador publicitário chamado AID. Alegou também que os televisores podiam procurar microfones em barras de som ligadas ou acessórios Bluetooth.

As alegações mais amplas de vigilância continuam por confirmar. Até à publicação da cobertura de 26 de outubro, a Samsung não tinha respondido às conclusões específicas. A observação de cinco segundos apresenta o resultado de um teste descrito de forma restrita, enquanto se espera que o relatório técnico prometido pelo investigador explique a investigação mais abrangente.

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O que a Samsung já diz que recolhe

A política de privacidade do Smart Hub da Samsung Electronics, identificada como versão V2.0 e em vigor desde 25 de fevereiro de 2019, distingue as informações necessárias para o serviço das informações relativas a serviços opcionais. As categorias necessárias incluem o modelo do televisor, o sistema operativo, informações únicas do dispositivo, definições, endereços MAC e IP, a versão do software e informações sobre erros.

As categorias relativas à utilização são extensas. A Samsung enumera registos, horários de ligação e utilização, aplicações instaladas ou removidas, aplicações utilizadas, sites visitados e termos de pesquisa introduzidos através do televisor. Enumera também comandos introduzidos através de um telecomando, do reconhecimento de movimentos ou do reconhecimento de voz, bem como informações sobre conteúdos solicitados através do TV Plus.

Para quem tem sessão iniciada numa conta Samsung, a política inclui o ID da conta e um número único gerado a partir deste. Em termos práticos, o documento descreve informações tanto sobre o próprio televisor como sobre as atividades realizadas através dos serviços ligados.

A Samsung diz que estas informações necessárias permitem utilizar o Smart Hub e que a recusa do consentimento impede a utilização do serviço. Os serviços opcionais têm categorias próprias, incluindo o histórico de visualização para recomendações de conteúdos e publicidade baseada em interesses, reconhecimento de voz e diagnóstico remoto. Esta política coreana é anterior ao televisor em análise e descreve os serviços conforme publicados pela Samsung nesse mercado.

O que revelam as entradas do sensor de som

Log4j identificou um evento denominado EV201/SOUNDSENSOR_ON. Segundo o investigador, os dados de telemetria incluem contadores de latidos e choro, um indicador do sensor de luz ambiente, o estado da câmara e a duração da transmissão de vídeo da câmara. Telemetria são informações que um dispositivo regista sobre o seu funcionamento e que pode enviar para outros locais para monitorização ou análise.

O investigador disse que estas entradas são transmitidas para um servidor da nuvem da Samsung sob a forma de pares de chave e valor. Uma chave identifica a informação registada, enquanto o respetivo valor indica o resultado, como um estado ou uma contagem. Uma contagem de sons domésticos pode descrever a atividade numa divisão mesmo quando a informação transmitida é um número, e não uma gravação de áudio.

A Samsung promove as funcionalidades Pet Care e Family Care nos seus televisores Vision AI de 2025. Estas funcionalidades recorrem ao processamento no televisor para reconhecer sons como latidos ou choro e enviar alertas através do SmartThings. A Samsung descreve a Pet Care como estando ativa quando o televisor está desligado, o que significa que o ecrã pode estar apagado enquanto uma funcionalidade compatível ligada permanece ativa.

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A alegação de log4j diz respeito ao envio adicional de contagens de eventos para a Samsung. Para o proprietário, a questão prática de privacidade é saber que informações cria uma funcionalidade de monitorização doméstica, para onde são enviadas e que controlos regulam a sua utilização.

Porque é importante considerar as definições no teste ao microfone

ngxson, engenheiro da Hugging Face, testou o funcionamento do microfone com um Flipper Zero, um dispositivo portátil utilizado para interagir com sistemas eletrónicos e examiná-los. Numa publicação de 23 de outubro, o engenheiro descreveu o resultado inicial:

Bem, logo à partida, ativa o microfone durante exatamente 5 segundos e depois para.

Ngxson relatou depois não ter observado qualquer outra resposta de gravação ao longo de várias horas. O televisor tinha acesso root, o que significa que o software fora modificado para dar ao utilizador acesso privilegiado a funções do sistema normalmente restringidas pelo fabricante. Várias definições também estavam desativadas, e o engenheiro disse que um televisor sem modificações poderia comportar-se de forma diferente.

A alegação mais abrangente de log4j é que um televisor sem microfone próprio pode procurar um microfone em dispositivos ligados, incluindo barras de som e acessórios Bluetooth, para o utilizar. Esta distinção é importante para as famílias que pensam na privacidade apenas em termos do hardware integrado no ecrã: um acessório de áudio ligado também pode ter um microfone e as respetivas permissões.

O investigador descreveu também um pacote denominado "always on voice". Para avaliar o seu funcionamento, é necessário determinar quando o serviço é iniciado, que entrada recebe e como o seu comportamento muda consoante as definições de voz e de monitorização doméstica.

Análise da visualização e identificador publicitário

Log4j disse que o televisor executa localmente um volume significativo de processamento, incluindo tarefas de visão por computador e inteligência artificial que envolvem dados dos utilizadores. Visão por computador é um software que interpreta imagens, por exemplo, reconhecendo padrões num fotograma de vídeo.

O investigador descreveu uma rede neuronal convolucional adaptada a uma região e avaliou-a como um sistema que acompanha os hábitos de visualização, incluindo os vídeos vistos, os anúncios ignorados e o progresso da visualização. Uma rede neuronal convolucional é um tipo de modelo de inteligência artificial habitualmente utilizado para detetar padrões em imagens. A alegação associa esse processamento a um registo detalhado da forma como alguém vê televisão.

Log4j descreveu também o AID como um identificador publicitário capaz de associar atividade entre dispositivos. Um identificador deste tipo funciona como uma etiqueta para os sistemas publicitários, permitindo agrupar a atividade associada à mesma etiqueta.

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A política da Samsung já enumera informações sobre a rede de televisão, o canal e os programas no âmbito dos serviços opcionais de histórico de visualização e publicidade baseada em interesses. Enumera também conteúdos vistos, comprados, transferidos ou transmitidos em contínuo. O serviço opcional de reconhecimento de voz inclui registos de utilização e ficheiros de áudio, enquanto o diagnóstico remoto pode incluir capturas de ecrãs de erro e informações sobre erros de software.

Estas categorias tornam centrais as definições de consentimento. As recomendações de visualização, a introdução de voz, o diagnóstico e a publicidade envolvem atividades diferentes, embora funcionem através do mesmo televisor.

Samsung diz que é possível desativar a publicidade personalizada

A declaração da Samsung sobre publicidade responsável, atualizada a 26 de junho de 2026, diz que a empresa utiliza um ID aleatório gerado separadamente quando recorre a informações para apresentar anúncios personalizados em dispositivos móveis e no Smart Hub. Os utilizadores podem repor esse ID, após o que, segundo a Samsung, as informações recolhidas com o ID anterior deixam de ser utilizadas.

A Samsung diz também que informa os utilizadores antes de tratar dados pessoais para publicidade personalizada e que só o faz com fundamento legal. Segundo a declaração, os utilizadores podem desativar os anúncios personalizados nas definições. Continuarão a ser apresentados anúncios, mas estes não estarão relacionados com os interesses do utilizador.

Assim, repor um ID publicitário e desativar os anúncios personalizados afeta partes diferentes do processo publicitário. Uma opção substitui a etiqueta usada para agrupar informações; a outra altera a seleção de anúncios com base nos interesses. A descrição da Samsung diz que, após uma reposição, deixa de ser utilizada a informação associada ao ID anterior.

A empresa diz também que filtra anúncios que considera potencialmente prejudiciais. As categorias proibidas incluem atividades ilegais, tabaco, armas de fogo e material sexualmente explícito. Estas regras dizem respeito ao conteúdo publicitário, enquanto os controlos de privacidade regulam a utilização de dados pessoais para escolher anúncios.

Como decorreu a investigação

As publicações de log4j foram surgindo ao longo de vários dias, passando das preocupações com a publicidade para descrições de sensores de som, análise da visualização e gestão remota. O investigador disse que o dispositivo era um televisor Samsung genuíno do mercado da União Europeia.

  • 25 de fevereiro de 2019: entrou em vigor a política de privacidade coreana do Smart Hub da Samsung, versão V2.0, que enumera dados necessários sobre o dispositivo e a utilização, bem como categorias de serviços opcionais.
  • 26 de junho de 2026: a Samsung atualizou a sua declaração sobre publicidade responsável, descrevendo IDs publicitários aleatórios, reposições e definições para anúncios personalizados.
  • 21 de outubro de 2026: log4j começou a divulgar conclusões sobre um televisor Samsung de 2025, depois de investigar anúncios invulgarmente específicos.
  • 23 de outubro de 2026: ngxson relatou uma ativação do microfone durante cinco segundos num teste realizado com um televisor Tizen com acesso root.
  • 24 de outubro de 2026: log4j descreveu um documento a publicar, com cerca de 44 análises de funcionalidades individuais.
  • 26 de outubro de 2026: a cobertura prosseguia enquanto o relatório detalhado e uma resposta da Samsung às alegações específicas continuavam pendentes.

O próximo passo significativo é a publicação do relatório técnico, incluindo os métodos de que outros investigadores precisariam para repetir o trabalho. Log4j sugeriu que seria divulgado dentro de alguns dias, mas não indicou uma data concreta.

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Outras conclusões e suspensão da conta da OpenAI

As alegações de log4j vão além da deteção de sons. O investigador descreveu o reconhecimento automático de conteúdos, informações de geolocalização, o mapeamento de dispositivos numa rede, quatro serviços de gestão de direitos digitais e um componente de diagnóstico remoto chamado "rmdemon". O reconhecimento automático de conteúdos identifica o material reproduzido num ecrã; a gestão de direitos digitais controla o acesso a conteúdos protegidos.

O investigador alegou também que os dados eram partilhados com mais de 400 parceiros. Continua por esclarecer a cadeia completa que liga as informações recolhidas aos destinatários, bem como as condições normais de ativação, as definições de consentimento, o ciclo completo do evento de som e quaisquer alertas resultantes. Um exame reproduzível teria de indicar o modelo exato, a região, a versão do firmware, os passos para acionar as funcionalidades e os registos do tráfego de rede enviado.

Durante a investigação, a OpenAI desativou a conta de log4j por suspeita de ciberabuso, segundo um e-mail partilhado pelo investigador. Log4j negou ter utilizado as ferramentas para descobrir ou explorar vulnerabilidades e disse que o trabalho envolveu engenharia inversa local, ou seja, a análise do software para compreender o seu funcionamento.

Log4j sugeriu que a suspensão foi causada por um classificador automatizado. Essa explicação corresponde à avaliação do investigador; a medida aplicada à conta interrompeu o acesso às ferramentas que, segundo este, tinha utilizado durante a investigação.

O que os proprietários podem retirar destas revelações

A política da Samsung dá aos proprietários várias categorias concretas para rever: histórico de visualização, publicidade baseada em interesses, reconhecimento de voz e diagnóstico remoto. A declaração sobre publicidade diz que é possível desativar os anúncios personalizados e repor o ID publicitário. Os menus e as funções disponíveis variam consoante o dispositivo e o mercado.

A política coreana diz também que os utilizadores podem solicitar acesso aos seus dados pessoais ou a sua retificação, pedir a suspensão do tratamento ou retirar o consentimento. Indica o número 1588-3366 para o serviço de apoio ao cliente e o endereço [email protected] para questões de privacidade. A Samsung diz que, em geral, as informações são destruídas quando os objetivos da sua recolha e utilização são cumpridos, sem prejuízo das obrigações legais de conservação.

Log4j sugeriu que o processamento local pode contribuir para um funcionamento lento do televisor. Proprietários de televisores LG também se queixaram de lentidão, atribuindo-a ao software pré-instalado, enquanto outras investigações levantaram preocupações relacionadas com o mapeamento de redes e os microfones em modo de espera. Medir a carga de processamento de cada serviço ajudaria a perceber quanto contribui cada um para os atrasos.

Para os proprietários de televisores Samsung, a mudança prática imediata é passar a olhar para o televisor como um computador ligado à rede, com sensores, contas, aplicações e serviços publicitários. O relatório prometido poderá tornar esse escrutínio mais útil ao mostrar exatamente que definições produzem determinado comportamento e que informações saem do dispositivo.

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Principais pontos

  • Log4j alega que um televisor Samsung de 2025 contém um volume extenso de dados de telemetria sobre sons, visualização e publicidade.
  • O evento EV201/SOUNDSENSOR_ON descrito inclui contadores de latidos e choro, o estado dos sensores e campos relacionados com a câmara.
  • Ngxson observou uma ativação do microfone durante cinco segundos num televisor com acesso root e várias definições desativadas.
  • A política coreana da Samsung enumera dados extensos de utilização do Smart Hub e serviços opcionais distintos relacionados com o histórico de visualização, ficheiros de áudio e diagnóstico.
  • A Samsung diz que os utilizadores podem repor os IDs publicitários e desativar os anúncios personalizados, continuando a ser apresentados anúncios comuns.
  • As alegações mais abrangentes aguardam testes reproduzíveis, o relatório técnico prometido e uma resposta da Samsung às conclusões específicas.
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