155 000 pessoas desempregadas apesar do crescimento do emprego
A taxa de desemprego de Hong Kong, corrigida de sazonalidade, subiu para 3,9% entre julho e setembro de 2026, com 155 000 pessoas sem emprego, uma vez que o número de pessoas que entraram no mercado de trabalho cresceu mais depressa do que o emprego. Os dados divulgados pelo Departamento de Recenseamento e Estatística a 22 de outubro revelaram também um aumento do subemprego, sobretudo na restauração e no comércio a retalho.
Índice
- 155 000 pessoas desempregadas apesar do crescimento do emprego
- Porque aumentaram simultaneamente o emprego e o desemprego
- Como interpretar as diferentes taxas de desemprego
- Que setores enfrentaram maior pressão?
- O subemprego aumentou mais depressa do que o desemprego
- Os jovens adultos enfrentaram uma taxa de desemprego mais elevada
- Sun espera apoio do crescimento e do turismo
- Deputado pede alterações à política laboral
- Principais pontos
A taxa de desemprego aumentou face aos 3,8% registados entre junho e agosto, enquanto a taxa de subemprego subiu ligeiramente, de 1,9% para 2,0%. O número de pessoas desempregadas aumentou cerca de 1 100, e outras 2 900 passaram a trabalhar menos horas do que pretendiam ou estavam disponíveis para trabalhar.
O emprego total aumentou, ainda assim, cerca de 3 000 pessoas, para 3 655 000. A população ativa, que inclui as pessoas empregadas e as pessoas desempregadas à procura de trabalho, cresceu cerca de 4 100, para 3 810 000. O secretário do Trabalho e da Segurança Social, Chris Sun, atribuiu o crescimento contínuo, em parte, à entrada de recém-licenciados e jovens que concluíram os estudos no mercado de trabalho.
A taxa de desemprego global ficou também acima da expectativa do mercado, de 3,8%. Para quem procura emprego, os dados descrevem um mercado em que o emprego estava a crescer, mas não o suficiente para absorver o aumento do número de pessoas à procura de trabalho.
Porque aumentaram simultaneamente o emprego e o desemprego
Entre junho e agosto, Hong Kong tinha 3 652 000 pessoas empregadas e uma população ativa de 3 805 900 pessoas. Entre julho e setembro, ambos os números aumentaram, mas a população ativa cresceu cerca de 1 100 pessoas a mais do que o emprego. Essa diferença corresponde ao aumento do desemprego, de 153 900 para 155 000 pessoas.
A entrada de um recém-licenciado no mercado de trabalho pode aumentar o número de pessoas desempregadas enquanto procura o primeiro emprego, mesmo quando outros empregadores contratam mais trabalhadores. A explicação de Sun enquadra parcialmente os dados mais recentes neste contexto: mais pessoas procuravam trabalho à medida que o ano letivo dava lugar à procura de emprego.
A taxa de participação na população ativa manteve-se nos 56,6%. Este indicador mede a proporção da população relevante que está empregada ou procura ativamente trabalho. Uma taxa de participação estável pode coexistir com um aumento do número de trabalhadores, porque a taxa representa uma proporção, enquanto o valor da população ativa contabiliza pessoas.
Os dados do departamento comparam os períodos de junho a agosto e de julho a setembro. Estes períodos têm dois meses em comum, pelo que a divulgação mais recente atualiza uma imagem móvel do emprego, em vez de medir dois trimestres inteiramente distintos.
Como interpretar as diferentes taxas de desemprego
A taxa de desemprego corrigida de sazonalidade foi de 3,9%, enquanto a taxa sem correção sazonal subiu de 4,0% para 4,1%. A correção sazonal tem em conta padrões recorrentes ao longo do ano, como as mudanças associadas à entrada dos jovens que concluem os estudos no mercado de trabalho, para facilitar a comparação entre períodos.
As 155 000 pessoas desempregadas representavam cerca de 4,1% da população ativa de 3 810 000 pessoas. Este cálculo corresponde à taxa sem correção sazonal. O valor global de 3,9% inclui o ajustamento estatístico dos padrões sazonais.
A comparação detalhada do departamento indica que a taxa corrigida de sazonalidade no período anterior foi de 3,8%, o que representa um aumento de 0,1 pontos percentuais. Também foi referido o valor de 3,7% para o período anterior, o que implicaria um aumento de 0,2 pontos percentuais. Os dados detalhados de junho a agosto sustentam a comparação aqui utilizada.
A sequência da divulgação é a seguinte:
- Junho a agosto de 2026: o desemprego situou-se nos 3,8%, com 153 900 pessoas desempregadas e 72 100 subempregadas.
- Julho a setembro de 2026: o desemprego atingiu 3,9%, com 155 000 pessoas desempregadas e 75 000 subempregadas.
- 22 de outubro de 2026: o Departamento de Recenseamento e Estatística anunciou os dados mais recentes do mercado de trabalho.
Que setores enfrentaram maior pressão?
As atividades de apoio social e as atividades de armazenagem e de apoio aos transportes registaram aumentos mais significativos do desemprego, segundo a análise detalhada por setor do departamento. Esta última categoria abrange atividades de apoio à armazenagem e à movimentação de mercadorias, e não apenas os transportes.
A construção foi também identificada como um setor onde o aumento do desemprego foi mais acentuado, juntamente com o apoio social, embora a análise detalhada de 22 de outubro tenha destacado a armazenagem e as atividades de apoio aos transportes. Os dados divulgados não especificaram taxas de desemprego para cada um destes setores.
A restauração e o comércio a retalho destacaram-se por uma razão diferente: foram responsáveis pelos principais aumentos do subemprego. Os trabalhadores destes setores podem continuar empregados, mas ter menos horas de trabalho do que pretendem, o que pressiona o rendimento das famílias sem necessariamente aumentar o número de desempregados.
Os dados setoriais revelam condições desiguais na economia. O apoio social e as atividades de apoio aos transportes enfrentaram aumentos mais acentuados do desemprego, enquanto a restauração e o comércio a retalho sofreram maior pressão ao nível das horas de trabalho.
O subemprego aumentou mais depressa do que o desemprego
O número de pessoas subempregadas aumentou de 72 100 para 75 000, uma subida de cerca de 4,0%. A população desempregada cresceu de 153 900 para 155 000 pessoas, ou cerca de 0,7%. Embora o desemprego tenha merecido destaque nas notícias, o aumento proporcional foi maior entre as pessoas que procuravam trabalhar mais horas.
Por definição estatística, o subemprego significa que uma pessoa tem emprego, mas trabalha um número insuficiente de horas. Para quem é pago à hora ou ao turno, menos horas podem traduzir-se em rendimentos mais baixos, mesmo que continue a constar da folha de pagamentos da entidade empregadora.
As 2 900 pessoas que passaram a estar subempregadas também superaram as 1 100 pessoas adicionais que ficaram desempregadas. Em conjunto, estas variações mostram por que razão o número total de pessoas empregadas, por si só, não oferece uma imagem completa das pressões enfrentadas pelos trabalhadores: aumentou o número de pessoas com emprego, mas também aumentou o número de trabalhadores com menos horas do que pretendiam.
Os jovens adultos enfrentaram uma taxa de desemprego mais elevada
A taxa de desemprego entre as pessoas dos 20 aos 29 anos manteve-se nos 9,1%. Mais do que duplicou a taxa sem correção sazonal de 4,1% para o conjunto da população ativa, mostrando que os jovens adultos enfrentavam um nível de desemprego substancialmente mais elevado, apesar de a sua taxa não ter aumentado.
Sun afirmou que os recém-licenciados e os jovens que concluíram os estudos continuavam a entrar no mercado de trabalho. Quem procura emprego pela primeira vez tem de encontrar uma vaga e obter uma oferta antes de passar a integrar a população empregada, pelo que o ritmo das contratações é particularmente relevante para estas pessoas.
A estabilidade da taxa entre as pessoas dos 20 aos 29 anos coexistiu com o aumento da taxa global de desemprego. Este grupo etário inclui pessoas com vários anos de experiência profissional, bem como recém-licenciados, pelo que o valor de 9,1% abrange um grupo mais vasto do que o dos jovens que concluíram os estudos este ano.
Sun espera apoio do crescimento e do turismo
Sun afirmou esperar que a contínua expansão económica, a melhoria da confiança das empresas e o aumento das chegadas de visitantes apoiem o emprego, sobretudo nos setores que servem consumidores e turistas. Restaurantes e lojas estão entre as empresas que poderão beneficiar de um aumento das despesas dos visitantes e dos residentes.
O secretário do Trabalho e da Segurança Social alertou também que as mudanças na economia e a incerteza fora de Hong Kong poderão levar alguns empregadores a adotar uma postura prudente nas contratações. Ao explicar as pressões enfrentadas por alguns setores, Sun afirmou:
A situação do emprego em alguns setores continuará a enfrentar desafios durante a reestruturação económica. O aumento das incertezas externas poderá também pesar na disposição das empresas para contratar.
A reestruturação económica significa que estão a mudar as empresas, os empregos e as competências de que uma economia necessita. Os trabalhadores de um setor sujeito a uma procura mais fraca poderão precisar de encontrar outra função ou de adquirir novas competências, mesmo enquanto o emprego cresce noutros setores.
A posição do Governo combina a expectativa de que o crescimento apoie o emprego com a preocupação quanto às contratações em setores específicos. Sun afirmou que as autoridades continuarão a acompanhar o impacto da incerteza externa na disposição dos empregadores para contratar e a apoiar as pessoas à procura de emprego.
Deputado pede alterações à política laboral
O deputado Lam Chun-sing, da Federação dos Sindicatos de Trabalhadores de Hong Kong e Kowloon, manifestou preocupação com o desemprego persistentemente elevado na restauração. Afirmou que o encerramento de restaurantes, incluindo a perda de grandes restaurantes chineses, e a redução do número de vagas estavam a dificultar a procura de novo emprego para os trabalhadores desempregados da restauração.
Lam afirmou também que a restauração era o setor com maior número de trabalhadores importados ao abrigo do Regime Suplementar de Mão de Obra Reforçado. Apelou ao Governo para limitar mais rigorosamente a proporção de mão de obra importada permitida nos setores com níveis elevados de desemprego.
A sua proposta de formação daria prioridade ao recrutamento: os trabalhadores seriam contratados primeiro e, em seguida, aprenderiam as competências necessárias às novas funções. Lam pediu programas maiores e mais direcionados para ajudar as pessoas a mudar de profissão, à medida que a tecnologia e as mudanças industriais alteram a procura de trabalhadores.
Estas sugestões foram apresentadas pelo deputado. A resposta declarada pelo Governo consistiu em acompanhar as condições de contratação e apoiar as pessoas à procura de emprego; nestas declarações, não anunciou qualquer calendário para alterar as regras de importação de mão de obra ou implementar o modelo de formação proposto por Lam.
Principais pontos
- A taxa de desemprego de Hong Kong, corrigida de sazonalidade, subiu de 3,8% para 3,9% entre julho e setembro de 2026.
- O desemprego aumentou cerca de 1 100 pessoas, para 155 000, enquanto o emprego cresceu cerca de 3 000, para 3 655 000.
- A população ativa aumentou cerca de 4 100 pessoas, superando o crescimento do emprego.
- O subemprego subiu de 1,9% para 2,0%, abrangendo 75 000 pessoas, com aumentos concentrados na restauração e no comércio a retalho.
- O desemprego entre as pessoas dos 20 aos 29 anos manteve-se nos 9,1%.
- Chris Sun espera que o crescimento económico e o turismo apoiem o emprego, mas alertou para as mudanças setoriais e a incerteza externa.
- Lam Chun-sing propôs limites mais rigorosos à proporção de mão de obra importada nos setores com níveis elevados de desemprego e formação associada ao recrutamento.






