Mais de 6.000 doentes continuam hospitalizados
O Bangladesh registou mais quatro mortes por dengue e 1.512 novos internamentos nas 24 horas até às 8h de 22 de outubro de 2026, elevando para 368 o número de mortes este ano e para 118.502 o total acumulado de internamentos, segundo a Direção-Geral dos Serviços de Saúde (DGHS).
Índice
- Mais de 6.000 doentes continuam hospitalizados
- Com que rapidez aumentou a pressão sobre os hospitais?
- Onde estão a ser internados os novos doentes?
- As mortes de outubro agravam um balanço anual elevado
- Porque estão os especialistas atentos a novembro e dezembro
- Os locais de reprodução que a limpeza das ruas pode não alcançar
- O que estão a fazer as corporações municipais de Dhaka
- Preparação hospitalar e alertas anteriores sobre mosquitos
- Um desafio de saúde regional mais amplo
- Pontos principais
Os hospitais estavam a tratar 6.023 doentes com dengue, depois de 112.111 terem tido alta desde janeiro. Os números mostram a pressão contínua sobre os serviços de saúde, enquanto especialistas em mosquitos alertam que a transmissão poderá continuar a ser uma preocupação até novembro, podendo ser necessário esperar até dezembro para uma melhoria mais significativa.
Três das quatro pessoas que morreram no período mais recente eram homens e uma era mulher. Os dados da DGHS indicam duas mortes na divisão de Mymensingh e uma em cada um dos sistemas hospitalares que servem a Corporação Municipal de Dhaka Norte e a Corporação Municipal de Dhaka Sul.
Outubro tem sido particularmente mortífero. Nos primeiros 21 dias do mês, morreram 123 pessoas, cerca de um terço das 368 mortes registadas até 22 de outubro. Esta concentração torna as próximas semanas importantes, tanto para a preparação dos hospitais como para os esforços destinados a impedir a proliferação de mosquitos.
O Governo anunciou um programa de sensibilização pública com a duração de três meses e formação de reciclagem para cerca de 3.000 médicos. As duas corporações municipais de Dhaka estão também a intensificar o controlo dos mosquitos, embora os especialistas afirmem que as ações devem abranger recipientes com água, estaleiros de construção e espaços escondidos no interior dos edifícios, em vez de se concentrarem nas ruas e nos esgotos.
Com que rapidez aumentou a pressão sobre os hospitais?
Até 11 de outubro, o Bangladesh tinha registado 99.275 internamentos e 303 mortes, quando os internamentos se aproximavam dos 100.000. Até 22 de outubro, os totais tinham aumentado em 19.227 internamentos e 65 mortes. Isso representa cerca de 19% mais internamentos em 11 dias.
Os dados da DGHS relativos a 18 de outubro apontavam para 112.400 internamentos acumulados, 106.026 altas e 348 mortes. A atualização mais recente acrescenta, assim, 6.102 internamentos e 20 mortes em quatro dias, bem como mais 6.085 altas.
Os principais marcos revelam uma procura sustentada de cuidados hospitalares:
- 11 de outubro: 99.275 internamentos acumulados e 303 mortes.
- 18 de outubro: 112.400 internamentos acumulados, 106.026 altas e 348 mortes.
- 22 de outubro: 118.502 internamentos acumulados, 112.111 altas e 368 mortes, com 6.023 doentes ainda hospitalizados.
Os internamentos hospitalares contabilizam as pessoas que recebem tratamento em regime de internamento. O número mais abrangente de infeções inclui também pessoas tratadas sem internamento e pessoas que nunca recebem um diagnóstico. Para as famílias e os serviços de saúde, os dados dos internamentos mostram a parte do surto que exige camas hospitalares, testes e cuidados clínicos.
Onde estão a ser internados os novos doentes?
A divisão de Dhaka registou 507 dos internamentos mais recentes. Deste total, os hospitais da Corporação Municipal de Dhaka Norte internaram 111 doentes e os da Corporação Municipal de Dhaka Sul internaram 146. Outros 250 foram internados noutros locais da divisão de Dhaka.
Chattogram registou 294 internamentos, Barishal 231, Khulna 206, Mymensingh 60, Rangpur 44 e Sylhet oito. A distribuição regional que corresponde ao total nacional indica 162 internamentos em Rajshahi; outra distribuição publicada aponta para 164.
Os 507 internamentos da divisão de Dhaka representaram cerca de um terço do total diário nacional. Os hospitais fora das áreas das duas corporações municipais de Dhaka receberam 1.255 doentes, ou cerca de 83% de todos os novos internamentos. Este grupo inclui hospitais noutras zonas da divisão de Dhaka, bem como os das restantes divisões.
Esta distribuição coloca os hospitais distritais e os serviços locais de controlo dos mosquitos no centro da resposta, a par da capital. Há doentes a dar entrada em hospitais de todo o país, pelo que a necessidade de pessoal qualificado, material para testes e capacidade de tratamento ultrapassa largamente os limites municipais de Dhaka.
As mortes de outubro agravam um balanço anual elevado
As mulheres representaram 52,9% das mortes por dengue registadas até agora este ano, contra 47,1% de homens, segundo os dados da DGHS. A distribuição das mortes diárias mais recentes foi diferente: morreram três homens e uma mulher durante o período em análise.
O Bangladesh começou a manter registos nacionais de internamentos hospitalares e mortes por dengue em 2000. O pior ano registado foi 2023, quando 321.179 doentes foram internados e 1.705 morreram. Estes continuam a ser os totais anuais mais elevados dos registos do país.
No ano passado, foram registados cerca de 102.000 doentes e mais de 400 mortes. Os 118.502 internamentos hospitalares deste ano já ultrapassaram esse total aproximado de doentes, embora o número atual de mortes continue abaixo do registado no ano passado.
As 123 mortes nos primeiros 21 dias de outubro surgem também depois de setembro ter registado 148. Como outubro ainda não tinha terminado à data da atualização mais recente, os hospitais e as autoridades locais enfrentam um período prolongado de procura, em vez de um pico breve limitado aos habituais meses das monções.
Porque estão os especialistas atentos a novembro e dezembro
Kabirul Bashar, entomologista e professor do Departamento de Zoologia da Universidade de Jahangirnagar, alertou para a possibilidade de as condições relacionadas com a dengue continuarem preocupantes durante outubro e novembro. Disse que as infeções poderão diminuir um pouco em novembro, mas que uma melhoria significativa poderá só chegar em dezembro.
Bashar defendeu a continuidade das medidas de prevenção e uma vigilância mais próxima no terreno. A sua principal recomendação é descobrir onde se reproduzem os mosquitos Aedes, identificar os tipos de locais com mais larvas e verificar se os produtos químicos utilizados estão a ser eficazes.
Os mosquitos Aedes transmitem a dengue através das picadas. Antes de se tornarem adultos voadores, desenvolvem-se como larvas na água. Encontrar e tratar essas fontes de água pode interromper o aparecimento de novos mosquitos, razão pela qual os especialistas pedem às autoridades que não se limitem aos locais onde já é possível observar insetos adultos.
Bashar afirmou que os levantamentos regulares devem avaliar a qualidade dos inseticidas, os métodos de aplicação e os resultados no terreno. Defendeu também uma melhor partilha de informação entre os serviços de saúde e as autarquias, para ajudar as equipas de controlo dos mosquitos a identificar zonas onde aumentam os casos de doença e a atividade reprodutiva.
Os locais de reprodução que a limpeza das ruas pode não alcançar
As casas, os estaleiros de construção, as caves, os parques de estacionamento e os telhados podem conter água onde os mosquitos Aedes se reproduzem, afirmou Bashar. Também é necessário prestar atenção aos vasos de flores, depósitos, recipientes abandonados e espaços entre edifícios. Alguns destes locais estão fora do alcance da limpeza de rotina das ruas.
Mushtaq Hossain, especialista em saúde pública e antigo diretor científico do Instituto de Epidemiologia, Controlo de Doenças e Investigação, defendeu a destruição regular de larvas em edifícios inacabados, veículos abandonados, tambores destapados, vasos de flores e recipientes partidos.
A nebulização dispersa inseticida no ar para combater os mosquitos adultos. A aplicação de larvicida atua sobre as fases imaturas na água. Hossain afirmou que a nebulização e as inspeções ocasionais acompanhadas de multas são insuficientes sem uma ação repetida nos locais onde surgem novos mosquitos.
As comunidades costeiras enfrentam ainda outra dificuldade prática, pois muitas famílias armazenam água da chuva durante longos períodos. Hossain defendeu a formação e o fornecimento de materiais para o controlo seguro das larvas ou o tratamento da água nesses contextos. Pediu também o reforço das medidas preventivas logo após a chuva, quando se podem formar novos depósitos de água estagnada.
Para os residentes, as medidas concretas indicadas pelos especialistas são evitar a acumulação de água junto às habitações, limpar regularmente os recipientes de água e eliminar a água estagnada depois da chuva. As equipas municipais também precisam de acesso aos estaleiros de construção e aos espaços comuns dos edifícios, que as famílias não conseguem gerir sozinhas.
O que estão a fazer as corporações municipais de Dhaka
A Corporação Municipal de Dhaka Sul identificou 63 dos seus 75 bairros como vulneráveis à dengue no levantamento realizado antes das monções. Isso corresponde a 84% dos bairros e mostra a amplitude que as medidas de prevenção têm de alcançar.
A corporação dividiu os seus 75 bairros em 10 zonas para coordenar a limpeza. Prevê realizar operações especiais todos os sábados durante os próximos três meses, reforçando o controlo dos mosquitos nas zonas identificadas como vulneráveis.
O administrador de Dhaka Sul, Md Abdus Salam, descreveu a dengue como uma crise nacional e afirmou que, além da ação do Governo, é necessária a participação da população. As operações previstas combinam o trabalho municipal com um apelo aos residentes para que assumam a responsabilidade pela água estagnada nas suas propriedades.
O administrador de Dhaka Norte, Shafiqul Islam Khan, afirmou que a corporação estava a aplicar larvicidas, a fazer nebulizações e a realizar ações de sensibilização. O trabalho inclui a identificação de locais de reprodução, campanhas de limpeza e operações de tribunais móveis relacionadas com larvas de Aedes.
Dhaka Norte também envolveu membros do Corpo Nacional de Cadetes do Bangladesh e dos Escuteiros do Bangladesh em ações de sensibilização, além de ter promovido reuniões com líderes religiosos e responsáveis de escolas e colégios. Khan pediu aos residentes que impeçam a acumulação de água nos telhados e nas varandas.
Preparação hospitalar e alertas anteriores sobre mosquitos
A resposta do Ministério da Saúde inclui um programa de sensibilização pública com a duração de três meses e formação de reciclagem para cerca de 3.000 médicos sobre o tratamento de doentes com dengue. As autoridades tomaram também medidas para garantir camas, kits de teste e fluidos intravenosos nos hospitais públicos.
Hossain defendeu a identificação rápida dos doentes e o tratamento atempado dos casos graves, a par da destruição dos locais de reprodução. Com 6.023 doentes atualmente internados, a resposta exige tanto capacidade clínica imediata como medidas de prevenção que reduzam a procura futura.
Investigadores da Universidade de Dhaka estão também a desenvolver formas de detetar mais cedo o aumento da atividade dos mosquitos. Depois de anunciarem uma armadilha inteligente para mosquitos a 16 de outubro, planeiam instalar entre 10 e 15 dispositivos em zonas residenciais da Corporação Municipal de Dhaka Sul durante junho e julho de 2027.
O dispositivo, MAST-CloudNet, utiliza sons para atrair mosquitos Aedes machos e, em seguida, fotografa-os e conta-os com recurso à inteligência artificial. Num ensaio no campus, a armadilha capturou 49 mosquitos Aedes com o chamariz sonoro, contra um numa armadilha semelhante sem som. O ensaio previsto nos bairros pretende transformar as contagens de mosquitos em mapas que orientem as medidas preventivas.
O calendário imediato abrange as campanhas municipais dos próximos três meses e a preparação contínua dos hospitais. Não foi indicada uma data precisa para o abrandamento do atual surto; a avaliação de Bashar aponta para uma possível melhoria em novembro e um alívio mais significativo em dezembro.
Um desafio de saúde regional mais amplo
Os dados da Organização Mundial da Saúde citados para o período de janeiro a agosto apontam para mais de 2,2 milhões de infeções por dengue em 97 países e territórios, com cerca de 1.200 mortes. A Organização Pan-Americana da Saúde registou aproximadamente 1,6 milhões de casos suspeitos e mais de 500 mortes nas Américas durante o ano.
O Brasil e a Colômbia continuaram a registar transmissão, embora as Américas tenham tido menos casos do que no ano anterior. A dengue continuou também no Vietname, na Indonésia, na Malásia, no Camboja e na Tailândia. Os dados abrangem períodos diferentes e incluem categorias distintas de casos, como infeções suspeitas e internamentos hospitalares.
Hossain apontou as alterações climáticas, o crescimento urbano, os padrões de precipitação e as condições locais de reprodução dos mosquitos como fatores que influenciam a propagação da dengue. No Bangladesh, as prioridades imediatas que definiu são práticas: identificar precocemente os doentes, tratar prontamente os casos graves e manter um esforço coordenado nos locais onde os mosquitos se reproduzem.
Pontos principais
- O Bangladesh registou quatro mortes por dengue e 1.512 internamentos hospitalares nas 24 horas até 22 de outubro.
- Os totais anuais chegaram a 368 mortes e 118.502 internamentos, com 6.023 doentes ainda hospitalizados.
- Os primeiros 21 dias de outubro concentraram 123 mortes, cerca de um terço do total anual.
- Os hospitais fora das áreas das duas corporações municipais de Dhaka receberam cerca de 83% dos internamentos mais recentes.
- Dhaka Sul identificou 63 dos seus 75 bairros como vulneráveis à dengue.
- Os especialistas defenderam a eliminação regular dos locais de reprodução e alertaram que poderá ser necessário esperar até dezembro para uma melhoria significativa.






