Dois distritos registam mortes enquanto aumentam os casos diários
Morreram mais duas crianças com suspeita de sarampo no Bangladesh durante as 24 horas até às 8h00 de 12 de outubro de 2026, elevando para 1.164 o total combinado de mortes confirmadas e suspeitas desde 15 de março. As mortes mais recentes ocorreram nos distritos de Kishoreganj e Habiganj, uma em cada, de acordo com os dados diários atribuídos à Direção-Geral dos Serviços de Saúde (DGHS).
Índice
- Dois distritos registam mortes enquanto aumentam os casos diários
- O que mudou nas últimas 24 horas?
- Dados hospitalares mostram pressão contínua
- Como evoluíram o surto e a resposta
- OMS documentou transmissão generalizada em abril
- As crianças mais pequenas corriam maior perigo
- Por que foi necessário corrigir a meta de vacinação
- A proteção exige mais do que totais da campanha
- Questões de responsabilização continuam por resolver
- Principais pontos
Ambas as mortes foram classificadas como suspeitas de sarampo. Não foi registada qualquer nova morte por sarampo confirmado durante o período em análise, iniciado às 8h00 de 11 de outubro. O total acumulado de mortes é agora composto por 1.060 mortes suspeitas e 104 confirmadas.
A atualização da Sala de Controlo da DGHS registou também 1.269 novos casos suspeitos e 152 infeções confirmadas. Em conjunto, estas duas categorias reportadas totalizam 1.421 no dia. Este número não deve ser descrito como 1.421 novas infeções confirmadas: a maioria dos casos foi registada com base nos sintomas, e não em confirmação laboratorial.
A distribuição geográfica é coerente entre os dados distritais e divisionais. Kishoreganj fica na divisão de Dhaka, enquanto Habiganj fica na divisão de Sylhet. Por conseguinte, as notícias que referem uma morte em cada uma destas divisões não contradizem os dados mais específicos por distrito.
Os dados mais recentes mostram que a transmissão continua quase sete meses depois do início do período nacional de registo. Surgem também numa altura em que o Governo procura vacinar 3,4 milhões de crianças que não foram abrangidas por uma campanha anterior, estando previsto que o esforço especial de vacinação decorra até 31 de outubro. O desafio imediato é chegar a essas crianças e, ao mesmo tempo, proteger os doentes e os seus contactos contra novas infeções.
O que mudou nas últimas 24 horas?
Os casos suspeitos aumentaram de 205.028, em 11 de outubro, para 206.297, em 12 de outubro. As infeções confirmadas subiram de 22.421 para 22.573. As mortes suspeitas aumentaram de 1.058 para 1.060, enquanto o número de mortes confirmadas se manteve em 104.
A atualização diária anterior tinha registado mais sete mortes suspeitas, 1.180 casos suspeitos e 93 infeções confirmadas. Em comparação com esse período, o número mais recente de casos suspeitos aumentou em 89, cerca de 7,5%, enquanto as infeções confirmadas aumentaram em 59, cerca de 63,4%.
Estas variações dizem respeito aos registos de dois dias consecutivos, não constituindo uma tendência consolidada da transmissão. A confirmação pode depender dos calendários de testagem e de registo, e um único aumento diário não permite determinar se o surto está a acelerar. Do mesmo modo, a descida de sete para duas mortes suspeitas não demonstra, por si só, uma redução sustentada da mortalidade.
Nos dois períodos de reporte, foram acrescentadas nove mortes suspeitas, 2.449 casos suspeitos e 245 infeções confirmadas. O facto de o número de mortes confirmadas não ter mudado é encorajador apenas no sentido restrito de não terem sido registadas novas mortes confirmadas. Continuaram a morrer crianças na categoria de casos suspeitos.
Dados hospitalares mostram pressão contínua
Desde 15 de março, foram internados em hospitais de todo o país 183.226 doentes com suspeita de sarampo. Destes, 175.655 recuperaram e tiveram alta, segundo a atualização de 12 de outubro. As altas registadas correspondem a aproximadamente 95,9% do total acumulado de internamentos.
A atualização anterior indicava 182.047 internamentos e 174.469 doentes recuperados. Assim, os totais acumulados aumentaram em 1.179 internamentos e 1.186 altas durante o mais recente período de reporte. As altas podem exceder os internamentos num determinado dia, porque os doentes internados anteriormente podem ter alta nesse período.
A diferença entre os internamentos e as altas acumulados é de 7.571. Trata-se de uma diferença contabilística, não de uma contagem verificada de pessoas que ocupam atualmente camas hospitalares. Seria necessário contabilizar mortes, transferências e outros desfechos antes de a considerar o número de pessoas ainda a receber cuidados em regime de internamento.
A pressão sobre os hospitais já se tinha tornado evidente durante o pico do surto em julho, quando quase 130 doentes com sarampo estavam a ser tratados em 32 quartos do Hospital Medical College, em Mymensingh, mais do dobro da capacidade prevista da enfermaria. Os totais nacionais de outubro não permitem determinar as condições atuais nesse hospital, mas mostram que os internamentos continuaram muito depois da resposta de emergência inicial.
Como evoluíram o surto e a resposta
O período de reporte começa em 15 de março, embora a Organização Mundial da Saúde tenha descrito um aumento dos casos de sarampo a partir de janeiro de 2026. O Bangladesh notificou a OMS do aumento a nível nacional em 4 de abril. A vacinação foi depois alargada por fases, antes do atual esforço para chegar às crianças que não tinham sido abrangidas.
- 15 de março: Data de início dos dados acumulados da DGHS sobre o surto.
- 30 de março: O Grupo Técnico Consultivo Nacional para a Imunização aprovou uma campanha nacional de vacinação contra o sarampo e a rubéola.
- 4 de abril: O Bangladesh notificou a OMS do aumento de casos em 58 dos seus 64 distritos.
- 5 de abril: A vacinação dirigida começou em 30 subdistritos de 18 distritos prioritários.
- 12 de abril: A campanha foi alargada às corporações municipais de Dhaka Norte, Dhaka Sul, Mymensingh e Barishal.
- 20 de abril: A vacinação a nível nacional teve início, segundo a OMS.
- 20 de maio: A campanha principal terminou, embora a vacinação das crianças não abrangidas tenha prosseguido.
- 23 de maio: O Governo revelou ter feito um pedido informal à OMS para uma investigação independente sobre a crise.
- 12 de outubro: O total combinado de mortes suspeitas e confirmadas chegou a 1.164.
- 31 de outubro: Data prevista para o fim da campanha especial dirigida às 3,4 milhões de crianças não abrangidas.
Esta cronologia é importante porque a vacinação de emergência não pôs fim ao surto. Os dados mais recentes mostram que os casos e as mortes continuaram meses depois da campanha principal, tornando o alcance da vacinação e a qualidade do controlo de infeções aspetos centrais da resposta.
OMS documentou transmissão generalizada em abril
O relatório da OMS sobre o surto de abril, publicado em 23 de abril, registou casos nas oito divisões e em 58 dos 64 distritos, cerca de 91% dos distritos. Os dados detalhados até 14 de abril indicavam 19.161 casos suspeitos, 2.973 infeções confirmadas, 166 mortes suspeitas e 30 mortes confirmadas.
O documento da OMS contém uma discrepância interna: o resumo inicial indica 2.897 casos confirmados, enquanto a descrição detalhada aponta 2.973. O resumo apresenta também 166 mortes sem a mesma discriminação por categoria utilizada mais adiante. As comparações aqui apresentadas baseiam-se na descrição detalhada, que distingue mortes suspeitas e confirmadas.
Em comparação com esses dados detalhados de abril, o total de casos suspeitos em outubro é cerca de 10,8 vezes superior, enquanto o de infeções confirmadas é cerca de 7,6 vezes superior. O número combinado de mortes aumentou de 196 para 1.164, quase seis vezes. Estas são comparações de totais acumulados reportados, não medições do ritmo atual de propagação.
Em abril, Dhaka tinha o maior número de casos suspeitos, com 8.263, seguida de Rajshahi, com 3.747, Chattogram, com 2.514, e Khulna, com 1.568. Em conjunto, estas quatro divisões representavam 16.092 casos, aproximadamente 84% do total nacional de casos suspeitos nessa altura.
Na divisão de Dhaka, a OMS identificou concentrações em zonas densamente povoadas, incluindo aglomerados de bairros e favelas em Demra, Jatrabari, Kamrangirchar, Korail, Mirpur e Tejgaon. A atualização de outubro não apresenta uma discriminação comparável das infeções por distrito ou divisão, pelo que não se pode presumir que estas concentrações de abril descrevam a distribuição atual.
As crianças mais pequenas corriam maior perigo
A OMS indicou que, na sua avaliação de abril, 79% dos casos envolviam crianças com menos de cinco anos. As crianças com menos de dois anos representavam 66% e os bebés com menos de nove meses, 33%. Estas categorias etárias sobrepõem-se e não devem ser somadas. A maioria das mortes suspeitas ocorreu entre crianças não vacinadas com menos de dois anos.
O relatório contém também uma afirmação distinta segundo a qual 91% dos casos ocorreram em crianças com idades entre um e 14 anos, sem explicar como esse valor se enquadra na discriminação etária anterior. A distribuição etária exata precisa, por isso, de ser esclarecida. A atualização diária de outubro não apresenta novas percentagens por idade.
No Bangladesh, as doses da vacina contra o sarampo e a rubéola são normalmente administradas aos nove e aos 15 meses. Os bebés infetados antes dos nove meses podem, portanto, adoecer antes da primeira dose de rotina. A campanha do surto baixou a idade mínima de elegibilidade para os seis meses, mas os bebés mais novos continuam a depender fortemente da redução da exposição e da proteção das pessoas que os rodeiam.
O sarampo propaga-se pelo ar ou através de gotículas provenientes do nariz, da boca ou da garganta de uma pessoa infetada. Entre os primeiros sintomas indicados pela OMS estão febre, tosse, corrimento nasal, olhos vermelhos e manchas brancas no interior da boca, seguidos de erupção cutânea. Uma pessoa pode contagiar desde quatro dias antes do aparecimento da erupção até quatro dias depois.
Este período de contágio torna importante o isolamento dos doentes suspeitos, mesmo antes da confirmação do diagnóstico. As complicações podem incluir pneumonia, diarreia, infeção dos ouvidos, cegueira e inflamação do cérebro. A OMS identifica as crianças malnutridas, especialmente as com carência de vitamina A, e as pessoas com o sistema imunitário enfraquecido como grupos com maior risco de doença grave.
Por que foi necessário corrigir a meta de vacinação
A campanha especial pretende vacinar 3,4 milhões de crianças com idades entre seis e 59 meses que não foram abrangidas pela campanha principal de abril e maio. O Ministério da Saúde anunciou uma sessão de abertura no campo desportivo da T&T, em Dhaka, na qual participariam o ministro da Saúde, Sardar Md Sakhawat Hossain, e o ministro de Estado M A Muhit. O anúncio fixou 31 de outubro como data de encerramento, mas não indicou uma data concreta para o sábado de abertura.
A meta original da campanha era de 18.015.064 crianças. Um cálculo posterior concluiu que a população elegível era aproximadamente 4,4 milhões maior. Com base nestes valores, a meta original deixou de fora cerca de um quinto da população elegível revista, de aproximadamente 22,4 milhões.
Quando a campanha especial foi anunciada, tinham sido vacinadas, segundo os dados divulgados, 19.861.530 crianças. Esse número ultrapassava a meta original em cerca de 1,85 milhões. No entanto, ultrapassar uma meta subestimada não prova que todas as crianças elegíveis tenham sido abrangidas.
Em algumas zonas, a vacinação ultrapassou 100% das metas. Responsáveis pela imunização disseram que, em alguns locais, também tinham sido vacinadas crianças com mais de 59 meses. Inquéritos realizados posteriormente pela OMS e pela UNICEF identificaram crianças não vacinadas em comunidades urbanas e rurais, mostrando por que razão uma percentagem administrativa elevada pode coexistir com falhas na proteção.
A população elegível revista, o número de vacinações reportado e a meta de 3,4 milhões de crianças para a campanha não coincidem exatamente. Os dados não permitem determinar quantas vacinas foram administradas fora da faixa etária prevista nem quantas crianças elegíveis continuavam por vacinar na data do anúncio. Serão necessárias contagens e verificações locais para apurar o alcance efetivo da campanha.
A proteção exige mais do que totais da campanha
O diretor-geral da DGHS, professor Prabhat Chandra Biswas, afirmou que a vacinação era a principal resposta e que as autoridades pretendiam chegar a todas as crianças com idades entre seis e 59 meses, mantendo a vacinação de rotina. A diretora-geral adicional, professora Fowara Tasmim, reconheceu a possibilidade de erros na estimativa da população infantil e no trabalho de vacinação no terreno.
O especialista em saúde pública Mushtaq Hossain, antigo responsável científico principal do Instituto de Epidemiologia, Controlo de Doenças e Investigação, defendeu um intervalo de vacinação mais amplo, dos seis meses aos 15 anos. Pediu também às autoridades que identificassem as zonas de transmissão intensa e garantissem que nenhuma criança ficasse por vacinar nessas áreas. A campanha anunciada pelo Governo continua a centrar-se nas crianças com menos de cinco anos.
A avaliação da OMS de abril relacionou o surto com a escassez de vacinas em 2024 e 2025, falhas na vacinação de rotina e a ausência de campanhas suplementares nacionais regulares contra o sarampo e a rubéola desde 2020. Recomendou uma cobertura mínima de 95% com ambas as doses da vacina em cada município, em vez de depender apenas de uma média nacional.
Na sua avaliação de risco de abril, a OMS descreveu as condições necessárias para garantir proteção:
É provável que a propagação continue, a menos que sejam tomadas medidas urgentes para reforçar a vigilância, detetar e responder rapidamente aos casos e colmatar as lacunas de imunidade através de ações de vacinação de elevada qualidade.
A resposta documentada pela OMS incluiu equipas distritais de resposta rápida, aquisição mais célere de vacinas, administração de vitamina A a doentes suspeitos e confirmados, preparação hospitalar, capacidade de isolamento e prevenção de infeções. Prabhat Chandra Biswas reconheceu também que o isolamento é difícil em agregados familiares pobres, onde várias pessoas partilham um quarto pequeno.
Em abril, a OMS avaliou como elevado o risco nacional e regional e como moderado o risco global. Referiu a circulação de pessoas através das fronteiras com a Índia e Myanmar, bem como os principais centros de transporte. Estas são avaliações datadas, não uma nova análise de outubro. A OMS não recomendou restrições às viagens ou ao comércio.
Questões de responsabilização continuam por resolver
Em 23 de maio, o balanço divulgado era de 426 mortes suspeitas e 86 confirmadas, num total de 512. S M Ziauddin Haider, assistente especial do primeiro-ministro para a saúde, afirmou que o Governo tinha pedido informalmente à OMS que realizasse uma investigação independente e que a organização manifestara interesse.
A controvérsia dizia respeito à aquisição de vacinas, aos atrasos nas decisões e às campanhas de vacinação que não se realizaram. A UNICEF afirmou ter alertado o Governo interino através de pelo menos cinco cartas e em pelo menos 10 ocasiões durante reuniões. O antigo assistente especial para a saúde, professor Sayedur Rahman, rejeitou as críticas, afirmando que as vacinas tinham sido adquiridas através da UNICEF, incluindo em setembro de 2025.
Outros relatos referiram a aprovação de um procedimento de concurso público e atrasos nas decisões de aquisição. São explicações concorrentes, não conclusões estabelecidas que atribuam responsabilidades. O ministro da Saúde, Sardar Sakhawat Hossain, responsabilizou o Governo anterior, enquanto o especialista em saúde pública Benazir Ahmed também criticou a resposta após o início do surto e pediu a análise das mortes individuais.
O Tribunal Superior emitiu uma notificação a pedir que se explicasse por que razão não deveria ser criada uma comissão para investigar as mortes de crianças. Uma notificação solicita uma resposta; não constitui, por si só, uma decisão final nem uma ordem para criar a comissão proposta. O Governo afirmou separadamente ter começado a analisar a escassez de vacinas e as mortes.
Nestes anúncios não é identificada qualquer investigação independente da OMS concluída, decisão judicial final ou data para a próxima audiência. O passo seguinte com uma data definida é o fim da campanha de vacinação, em 31 de outubro. Uma notícia publicada com o anúncio da campanha indicava um total inferior de 1.084 mortes, mas, sem uma data explícita, não é possível situá-lo com precisão em relação à atualização de 12 de outubro.
Principais pontos
- Duas crianças morreram com suspeita de sarampo em Kishoreganj e Habiganj durante as 24 horas até às 8h00 de 12 de outubro de 2026.
- O total de mortes desde 15 de março chegou a 1.164: 1.060 suspeitas e 104 confirmadas.
- A atualização diária mais recente registou 1.269 casos suspeitos e 152 infeções confirmadas.
- O número acumulado de casos suspeitos chegou a 206.297, enquanto o de infeções confirmadas atingiu 22.573.
- Os hospitais registaram 183.226 internamentos e 175.655 doentes recuperados com alta durante o período de reporte.
- Uma campanha especial pretende vacinar até 31 de outubro 3,4 milhões de crianças não abrangidas, com idades entre seis e 59 meses.
- As controvérsias sobre a aquisição de vacinas e os pedidos de investigação ainda não produziram qualquer conclusão definitiva identificada nos anúncios.






