Mais três anos no centro do debate sobre o tabaco no Vietname
O Vietname deveria aumentar de 18 para 21 anos a idade mínima para comprar e consumir tabaco, propôs a 21 de outubro o deputado da Assembleia Nacional Nguyen Hai Long, citando dados do Ministério da Saúde que mostram um forte aumento do consumo de tabaco entre os jovens do sexo masculino à medida que entram na idade adulta. A prevalência do tabagismo era de 5,46% entre os homens dos 15 aos 19 anos, contra 32,6% entre os dos 20 aos 24 anos, segundo o inquérito STEPS de 2021 referido durante o debate.
Índice
- Mais três anos no centro do debate sobre o tabaco no Vietname
- Por que motivo Long quer proteção para além dos 18 anos
- O que sugere a investigação citada no parlamento
- As lojas teriam de verificar a idade e retirar os produtos expostos
- Avisos maiores e regras mais claras para os produtos mais recentes
- Agressão num café expõe dificuldades na aplicação das regras
- As restrições ao tabagismo poderão abranger mais locais
- Uma proposta distinta acompanharia uma geração ao longo da vida
- Calendário e pessoas afetadas
- Principais pontos
Long, que representa Da Nang e é deputado a tempo inteiro na Comissão dos Assuntos dos Deputados da Assembleia Nacional, argumentou que a lei deixa os jovens desprotegidos precisamente quando saem de casa, começam a universidade ou recebem o primeiro salário. A taxa de tabagismo no grupo mais velho era quase seis vezes superior à do grupo mais novo, uma diferença de 27,14 pontos percentuais.
A proposta surgiu durante o debate sobre alterações à Lei de Prevenção e Controlo dos Danos do Tabaco. O pacote mais amplo restringiria as vendas online, eliminaria a exposição de produtos de tabaco nas lojas, aumentaria a dimensão dos avisos de saúde e alargaria as proibições de fumar. Outros deputados defenderam a proteção dos trabalhadores que chamam a atenção dos fumadores e uma restrição permanente das vendas aplicável às pessoas nascidas a partir de 1 de janeiro de 2010.
O aumento da idade continua a ser uma recomendação de um deputado, e não uma alteração aprovada. A proposta debatida pelos deputados manteve o limite nos 18 anos. Estava previsto novo debate para 9 de novembro, com a aprovação a ser ponderada antes do fim da sessão parlamentar.
Para os retalhistas, o debate diz respeito a quem podem vender e à forma como devem verificar a idade. Para os cafés, hospitais e escolas, está em causa saber se os funcionários podem fazer cumprir as restrições ao tabagismo sem serem alvo de ameaças ou violência.
Por que motivo Long quer proteção para além dos 18 anos
Long descreveu a transição após o ensino secundário como um período em que várias salvaguardas enfraquecem ao mesmo tempo. Antes dos 18 anos, muitos adolescentes vivem com os pais, têm pouco dinheiro próprio e continuam sob supervisão escolar. A universidade, o emprego e a habitação independente trazem mais liberdade, novos amigos e um acesso mais fácil aos cigarros.
Cerca de metade dos fumadores diários do sexo masculino começou a fumar aos 19 anos ou mais tarde, segundo os dados que citou. Long referiu também um inquérito de 2024 a mais de 1000 estudantes da Universidade Phenikaa, no qual ter amigos fumadores estava associado a um risco de fumar 7,6 vezes superior.
O limite proposto acrescentaria três anos durante os quais as lojas não poderiam vender legalmente tabaco a esses jovens adultos. Long argumentou que impedir alguém de começar a fumar durante esse período aumenta as hipóteses de evitar um hábito duradouro.
Nguyen Hai Long, o deputado por Da Nang que defende a alteração, explicou o seu raciocínio durante o debate parlamentar:
«Os jovens que não começarem a fumar até aos 21 anos, na sua maioria, nunca fumarão ao longo da vida», afirmou.
Long citou dados segundo os quais cerca de 95% dos fumadores nos Estados Unidos começaram antes dos 21 anos, enquanto quase 95% dos fumadores em Singapura experimentaram o primeiro cigarro antes dessa idade. Disse que pelo menos 15 países adotaram uma idade mínima de 21 anos para o tabaco, incluindo Singapura, onde a idade mínima para comprar tabaco é superior à idade mínima de 18 anos para o álcool.
O que sugere a investigação citada no parlamento
Um modelo de 2015 do Instituto de Medicina dos Estados Unidos deu a Long mais um argumento para escolher os 21 anos em vez de um aumento menor. Estimou reduções na prevalência do tabagismo de 3% com uma idade mínima de 19 anos, 12% aos 21 e 16% aos 25. A redução projetada para os 21 anos era quatro vezes superior à estimativa para os 19.
Estes valores descrevem efeitos modelados de diferentes políticas de idade mínima. Long citou também uma descida de 12,4% nas vendas de cigarros após a adoção da medida em zonas com uma elevada proporção de pessoas com menos de 21 anos. As vendas medem as compras, enquanto a prevalência mede quantas pessoas fumam; por isso, os dois valores descrevem mudanças diferentes.
A dependência da nicotina ajuda a explicar por que motivo os legisladores se concentram em impedir os primeiros anos de consumo de tabaco. A dependência significa que uma pessoa desenvolve uma forte necessidade de continuar a consumir uma substância e pode ter dificuldade em deixar de o fazer. Uma investigação dos Estados Unidos citada no debate estimou a dependência da nicotina ao longo da vida em 67,5% entre as pessoas que tinham fumado, contra 22,7% de dependência do álcool entre as pessoas que tinham consumido bebidas alcoólicas.
Um estudo canadiano citado juntamente com essa investigação concluiu que muitas pessoas precisavam de tentar deixar de fumar 30 ou mais vezes para o conseguirem. O argumento de Long relaciona essas dificuldades com os dados relativos à idade: adiar o acesso poderia impedir alguns jovens de desenvolverem um hábito que mais tarde teriam dificuldade em abandonar.
As lojas teriam de verificar a idade e retirar os produtos expostos
A ministra da Saúde, Dao Hong Lan, apresentou propostas do Governo para proibir a venda de tabaco através de plataformas de comércio eletrónico e de outros canais digitais. O Governo afirmou que as transações online dificultam a verificação da idade dos compradores, aumentando o risco de venda a menores de 18 anos.
Long apoiou a exigência de que os vendedores verificassem os cartões de identificação ou as credenciais de identidade eletrónica através do VNeID, o sistema de identidade digital do Vietname. A Comissão da Cultura e dos Assuntos Sociais da Assembleia Nacional apoiou também a possibilidade de os vendedores recusarem clientes que não conseguissem provar que tinham idade suficiente. O deputado Pham Trong Nhan defendeu que a recusa passasse a ser obrigatória quando uma venda não cumprisse os requisitos legais.
A comissão afirmou que as verificações de idade deveriam recolher apenas os dados pessoais necessários e cumprir a legislação de proteção de dados. Para um cliente, isso significaria provar que pode comprar o produto sem fornecer à loja dados pessoais desnecessários.
As propostas do Governo proibiriam também a exposição de produtos de tabaco nos pontos de venda grossistas e retalhistas, incluindo embalagens, imagens e elementos distintivos das marcas. As regras em vigor proíbem a publicidade, mas permitem que os vendedores exponham até um maço ou uma embalagem de cada marca. O Governo argumentou que os produtos visíveis, a iluminação e os elementos do estabelecimento podem promover indiretamente o tabaco.
O presidente da Assembleia Nacional, Tran Thanh Man, pediu que fossem claramente definidos os limites entre as exposições proibidas, o marketing direto, a informação sobre preços e os nomes comerciais permitidos por lei. Pediu também regras práticas para lojas francas, aeroportos e zonas fronteiriças. Armários fechados poderiam ocultar os produtos, mas as empresas precisariam de instruções precisas sobre o que continuaria a ser permitido.
Avisos maiores e regras mais claras para os produtos mais recentes
A Comissão da Cultura e dos Assuntos Sociais recomendou que os avisos de saúde ocupassem pelo menos 85% de cada uma das duas faces principais dos maços e das embalagens de cigarros, com a possibilidade de um calendário para chegar aos 100%. O mínimo atual é de 50%. Aumentá-lo para 85% acrescentaria 35 pontos percentuais ao espaço reservado aos avisos em cada face principal.
Os deputados Le Van Kham e Nguyen Thi Viet Nga apoiaram o aumento da dimensão dos avisos. Kham queria que a lei incluísse um calendário, enquanto Nga defendia um período de transição razoável. As propostas incluíam também a rotação dos avisos e a inclusão de informações sobre um serviço de apoio a quem quer deixar de fumar.
A comissão queria que os avisos fossem impressos diretamente nas embalagens, para resolver situações em que eram utilizadas etiquetas adesivas ou os selos cobriam grande parte da mensagem. Os avisos maiores seriam, assim, acompanhados de regras destinadas a mantê-los visíveis.
As alterações também estabeleceriam controlos mais pormenorizados para dar execução à Resolução 173/2024 da Assembleia Nacional, que proibiu os cigarros eletrónicos e o tabaco aquecido a partir de 2025. As disposições propostas abrangem a produção, venda, posse, transporte e comércio transfronteiriço, bem como os dispositivos, os componentes avulsos e os líquidos. As autoridades têm enfrentado dificuldades em penalizar o envio de peças e líquidos em separado.
A proposta do Governo citou o Hospital Bach Mai, em Hanói, que registou 120 urgências associadas a estes produtos nos 22 meses anteriores à proibição, contra cerca de uma ou duas por mês posteriormente. O total anterior corresponde a uma média de aproximadamente 5,5 casos por mês.
O deputado Pham Trong Nhan defendeu restrições abrangentes aos cigarros eletrónicos, ao tabaco aquecido, às saquetas de nicotina, à shisha e aos novos produtos com nicotina. Os deputados To Huy Vu e Dao Chi Nghia pediram definições precisas e exceções claras para a investigação, os ensaios e as análises legítimos, sobretudo quando os componentes têm outras utilizações legais.
Agressão num café expõe dificuldades na aplicação das regras
Nguyen Van Ngoc, deputado por Lam Dong, referiu uma agressão ocorrida a 17 de setembro de 2025 num café da zona urbana de Times City, em Hanói. Segundo Ngoc, uma caixa avisou três vezes um grupo de que era proibido fumar, tendo sido depois esmurrada e derrubada por um acompanhante de um cliente.
Ngoc afirmou que um tribunal confirmou uma pena de prisão de 24 meses para a pessoa que incitou a perturbação. Usou o caso para defender que os trabalhadores encarregados de fazer cumprir as proibições de fumar precisam de proteção legal explícita e de uma forma fiável de pedir ajuda.
Os responsáveis por estabelecimentos onde é proibido fumar devem organizar a fiscalização e incentivar o cumprimento das regras, mas os proprietários de cafés, os gerentes de restaurantes, os seguranças de hospitais e os diretores de escolas geralmente não podem aplicar coimas administrativas. Ngoc afirmou que os próprios responsáveis podem ser multados entre 3 milhões e 5 milhões de VND se não cumprirem as suas obrigações.
A solução proposta por Ngoc proibiria ameaças, obstrução, represálias, insultos e agressões físicas contra quem chamasse a atenção dos fumadores para as regras ou denunciasse infrações. Os responsáveis poderiam pedir que se deixasse de fumar, registar imagens, documentar incidentes e encaminhar os casos para a polícia da comuna ou outra autoridade competente. A polícia seria obrigada a receber e a tratar esses pedidos sem demora.
Ngoc defendeu também o aumento das coimas por fumar em locais proibidos. Citou o Decreto 90/2026/ND-CP, que prevê coimas de 200 000 a 500 000 VND por fumar cigarros convencionais, contra 3 milhões a 5 milhões de VND pelo uso de cigarros eletrónicos ou tabaco aquecido. Propôs sanções mais severas para infrações em escolas, unidades de saúde e espaços destinados a crianças, bem como para infrações repetidas ou resistência a quem faz cumprir as regras.
As restrições ao tabagismo poderão abranger mais locais
Tran Thanh Man apoiou uma transição faseada para espaços interiores totalmente livres de fumo nos estabelecimentos atualmente autorizados a ter zonas destinadas a fumadores. Entre as categorias debatidas estavam hotéis, bares, espaços de karaoke, discotecas e restaurantes. Os navios e os comboios seriam também acrescentados aos transportes públicos abrangidos por proibições totais.
Man pediu um calendário de aplicação claro, períodos de transição razoáveis e apoio para que as empresas se possam adaptar. Defendeu ainda uma aplicação coerente das regras e a análise de práticas internacionais, incluindo as coimas aplicadas em Singapura pelo descarte indevido de beatas de cigarro.
Ngoc levantou outro problema prático: por vezes, depois de serem impedidas de fumar dentro dos recintos escolares e hospitalares, as pessoas deslocam-se para junto dos portões. Propôs manter as proibições dentro desses recintos e alargar as zonas de restrição em torno das entradas, de acordo com regras do Governo.
As autoridades locais coordenar-se-iam com escolas, hospitais, estações, mercados e parques para criar zonas de fumadores ao ar livre fora dos recintos e das zonas de entrada. Essas zonas teriam sinalização e recipientes para resíduos de tabaco. Ngoc propôs também que as infrações repetidas às regras sobre o tabagismo fossem tidas em conta na avaliação anual do desempenho de responsáveis e funcionários públicos.
Uma proposta distinta acompanharia uma geração ao longo da vida
Pham Trong Nhan, deputado por Ho Chi Minh, propôs que se estudasse a proibição da venda ou do fornecimento de tabaco a pessoas nascidas a partir de 1 de janeiro de 2010. Ao contrário do limite etário de Long, que as pessoas acabariam por atingir, uma restrição baseada na data de nascimento continuaria a abranger o mesmo grupo à medida que os seus membros envelhecessem.
Nhan afirmou que o Ministério da Saúde tinha avaliado que a medida poderia impedir 6,55 milhões de homens de se tornarem dependentes e que 20 dos 23 membros do Governo a tinham apoiado. Perguntou por que motivo a proposta não constava do projeto e pediu a publicação da avaliação de impacto antes do debate em plenário.
A proposta incidiria inicialmente sobre os vendedores, fornecedores e pessoas que comprassem tabaco para terceiros, em vez de penalizar os consumidores, e seria acompanhada de apoio para deixar de fumar. Se a aplicação imediata não fosse viável, Nhan queria que começasse o mais tardar em 2030.
Nhan citou também estimativas de prejuízos relacionados com o tabaco de 108,7 biliões de VND em 2022 e receitas fiscais do tabaco de 19,3 biliões de VND em 2021. Os valores dizem respeito a anos diferentes, mas, em conjunto, mostram a dimensão dos custos económicos e para a saúde pública que os legisladores ponderam face às receitas.
Calendário e pessoas afetadas
A proposta do Governo citou o inquérito STEPS de 2021, segundo o qual 20,8% dos adultos fumavam, incluindo 41,1% dos homens e 0,6% das mulheres, num total de cerca de 15,8 milhões de pessoas. Estimava-se que o tabaco causasse mais de 100 000 mortes por ano no Vietname, incluindo mortes associadas à exposição ao fumo de outras pessoas.
As propostas abordam várias dimensões do problema: o acesso dos jovens adultos, a visibilidade dos produtos nas lojas, a dependência entre os fumadores atuais e a exposição em espaços partilhados. O seu efeito prático dependeria da redação final e da definição clara das responsabilidades dos vendedores, dos responsáveis pelos estabelecimentos e da polícia.
As datas debatidas definem tanto o processo legislativo como as fases de aplicação propostas:
- 2024: A Assembleia Nacional aprovou a Resolução 173/2024, que prevê a proibição dos cigarros eletrónicos e do tabaco aquecido a partir de 2025.
- 21 de outubro: Os deputados debateram as alterações à lei do tabaco, incluindo a proposta de Long para aumentar a idade mínima para 21 anos.
- 9 de novembro: Estava previsto novo debate, com a aprovação a ser ponderada até ao fim da sessão.
- 1 de março de 2027: As disposições revistas sobre a cessação tabágica entrariam em vigor, segundo o calendário proposto.
- 1 de julho de 2027: A lei alterada entraria em vigor, caso fosse aprovada de acordo com o calendário proposto.
- 1 de janeiro de 2028: Entrariam em vigor os requisitos de publicação de normas para produtos especificados, incluindo charutos e tabaco cortado.
- 2030: Nhan propôs esta data como o limite máximo para o início de uma eventual restrição baseada na data de nascimento.
Para os jovens adultos, a decisão central é saber se o acesso legal deve continuar a partir dos 18 anos ou passar para os 21. Para quem já fuma, os legisladores defenderam também apoio para deixar de fumar. Para os trabalhadores encarregados de fazer cumprir as proibições, as proteções propostas fariam com que a assistência das autoridades passasse a integrar o processo, em vez de os deixar lidar sozinhos com os confrontos.
Principais pontos
- Nguyen Hai Long propôs aumentar de 18 para 21 anos a idade mínima para comprar e consumir tabaco no Vietname.
- Os dados do Ministério da Saúde citados no parlamento indicam uma prevalência do tabagismo entre os homens de 5,46% dos 15 aos 19 anos e de 32,6% dos 20 aos 24 anos.
- As alterações mais amplas restringiriam as vendas online e a exposição dos produtos nas lojas, reforçariam a verificação da idade e aumentariam a dimensão dos avisos nas embalagens.
- Os deputados defenderam a proteção de quem faz cumprir as proibições de fumar e procedimentos mais claros para pedir assistência policial.
- Uma proposta distinta restringiria o fornecimento de tabaco a pessoas nascidas a partir de 1 de janeiro de 2010.
- As alterações continuavam em apreciação parlamentar, estando previsto novo debate para 9 de novembro.






