Um plano nacional para empresas que empregam quase 3 milhões de pessoas
O Camboja lançou a Estratégia Nacional para o Desenvolvimento das Micro, Pequenas e Médias Empresas 2026–2030 a 22 de outubro de 2026, apresentando planos para melhorar a produtividade das empresas, o acesso ao financiamento, as competências técnicas e as ligações aos mercados. O primeiro-ministro Hun Manet presidiu à cerimónia, realizada no Hotel Sokha Phnom Penh, na capital.
Índice
- Um plano nacional para empresas que empregam quase 3 milhões de pessoas
- O que o recenseamento revela sobre o setor
- A produtividade e as normas ganham centralidade
- Unidade proposta para simplificar os procedimentos empresariais
- O apoio à formação já chega a milhares de pessoas
- Como a estratégia se articula com outros planos nacionais
- O calendário prolonga-se para além do marco de 2029
- O que a implementação significa para empresários e trabalhadores
- Principais pontos
A estratégia reúne medidas de apoio a um setor que emprega cerca de 2,98 milhões de pessoas, incluindo mais de 1,84 milhões de mulheres, segundo dados citados pelo Governo. O lançamento ocorre enquanto o Camboja se prepara para deixar a categoria das Nações Unidas de países menos desenvolvidos no final de 2029, colocando a competitividade das empresas a par de um importante marco do desenvolvimento nacional.
Para os empresários, as prioridades dizem respeito a necessidades do dia a dia: obter registos e licenças, encontrar financiamento adequado, formar trabalhadores, utilizar tecnologia e produzir bens que cumpram as normas dos compradores. O Governo propôs uma unidade de coordenação das PME para ajudar com procedimentos administrativos e incentivos, enquanto as instituições existentes de empreendedorismo e formação continuarão a fazer parte da rede de apoio.
Hun Manet, primeiro-ministro do Camboja, descreveu o papel económico do setor numa declaração publicada pela agência noticiosa estatal Agence Kampuchea Presse, no seu relato oficial do lançamento:
«De facto, as micro, pequenas e médias empresas, ou MPME, são a espinha dorsal da economia nacional e parceiras fundamentais do Governo Real na criação de emprego, na geração de rendimento para as famílias, na promoção da produção nacional e no reforço da resiliência económica»,
MPME é um termo coletivo que abrange empresas desde as de muito pequena dimensão até às médias. Ao reuni-las numa única estratégia, o Governo pretende aproximar as políticas e os mecanismos de apoio das necessidades dessas empresas para operarem e crescerem.
O que o recenseamento revela sobre o setor
O Recenseamento Económico do Camboja de 2022 contabilizou cerca de 753 670 estabelecimentos empresariais e empresas, incluindo 60 503 pequenas e médias empresas, segundo a declaração do Governo. O recenseamento foi realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, sob a tutela do Ministério do Planeamento.
Os números do emprego mostram por que razão a estratégia é relevante para além dos empresários. Mais de 1,84 milhões de mulheres num total de cerca de 2,98 milhões de trabalhadores significa que as mulheres representam aproximadamente 62% do emprego nas MPME. Por isso, as mudanças nos rendimentos das empresas, nas práticas de trabalho e no acesso à formação abrangem uma força de trabalho em que as mulheres são maioritárias.
Nas declarações que assinalaram o lançamento, Hun Manet afirmou também que as MPME contribuem com cerca de 63% do produto interno bruto e mais de 70% do emprego fora da agricultura. O produto interno bruto, ou PIB, mede o valor dos bens e serviços produzidos num país.
A declaração do Governo refere que as MPME representam mais de 60% da força de trabalho total, enquanto as declarações do lançamento indicam uma proporção superior a 70% quando se exclui a agricultura. As duas percentagens baseiam-se em universos diferentes de trabalhadores. Em conjunto, descrevem o papel abrangente do setor no emprego e a sua presença particularmente significativa nas atividades fora da agricultura.
A produtividade e as normas ganham centralidade
Hun Manet identificou a produtividade, a qualidade, as normas, a adoção de tecnologia e o acesso a cadeias de abastecimento com maior valor acrescentado como desafios para a próxima fase do desenvolvimento empresarial. A estratégia pretende também melhorar o acesso ao financiamento e às competências técnicas.
Produtividade significa gerar mais valor com os recursos utilizados por uma empresa, como o tempo dos trabalhadores, os equipamentos e os materiais. Uma empresa pode melhorá-la reduzindo o desperdício de materiais, organizando a produção de forma mais eficaz ou utilizando tecnologia para executar tarefas com maior eficiência. A qualidade diz respeito ao desempenho de um produto; as normas estabelecem os requisitos que um comprador ou mercado espera que esse produto cumpra.
As cadeias de abastecimento ligam empresas que fornecem materiais, fabricam produtos e os entregam aos clientes. Passar a atividades com maior valor acrescentado significa realizar trabalho que contribua mais para a utilidade ou o preço de venda de um produto. Para as empresas cambojanas, o objetivo declarado pelo Governo é desenvolver as capacidades necessárias para chegar a esses compradores e mercados.
Unidade proposta para simplificar os procedimentos empresariais
O Governo propôs criar uma unidade de coordenação das PME para ajudar com o registo, o licenciamento e os incentivos empresariais. Estes procedimentos influenciam a forma como as empresas entram na economia formal e obtêm autorização para exercer determinadas atividades.
O registo inscreve uma empresa junto das autoridades competentes. Uma licença autoriza uma atividade, sujeita a regras específicas. Os incentivos são formas de apoio destinadas a encorajar as empresas elegíveis a investir ou desenvolver-se. Uma coordenação destas áreas poderá proporcionar aos empresários um percurso mais articulado pelos procedimentos governamentais, consoante a organização da unidade.
Até setembro de 2026, mais de 44 000 empresas registadas e negócios de artesanato proporcionavam quase 500 000 postos de trabalho, segundo os dados apresentados por ocasião do lançamento. Esta contagem administrativa abrange empresas registadas e atividades artesanais, enquanto o recenseamento de 2022 contabilizou um conjunto muito mais vasto de estabelecimentos económicos.
Não foi indicada uma data para a entrada em funcionamento da unidade de coordenação proposta, e os anúncios do lançamento não especificaram os procedimentos de candidatura, os critérios de elegibilidade nem o orçamento para a estratégia na sua totalidade. Os empresários precisarão destes pormenores operacionais para saber quando e como podem pedir apoio.
O apoio à formação já chega a milhares de pessoas
O Fundo para o Desenvolvimento de Competências tinha disponibilizado 15,27 milhões de dólares em apoio a projetos de formação para MPME, envolvendo 76 000 formandos até ao final de setembro de 2026, afirmou Hun Manet. Estes números dão uma medida concreta do apoio à formação já existente no início da nova estratégia.
O primeiro-ministro mencionou também o Techo Startup Center, o Fundo para o Desenvolvimento do Empreendedorismo e a Khmer Enterprise como instituições que apoiam o empreendedorismo e a adoção de tecnologia digital. A nova estratégia pretende articular melhor estes mecanismos com as necessidades práticas das empresas.
As competências, o financiamento e a tecnologia estão interligados na agenda do Governo. Os equipamentos exigem pessoas capazes de os operar, enquanto a produção de acordo com as especificações de um comprador requer trabalhadores que compreendam o processo. O financiamento pode ajudar uma empresa a investir, e os conhecimentos técnicos permitem-lhe decidir como aplicar esse investimento.
Hun Manet afirmou que o valor dos mecanismos de apoio depende da sua transformação em ações práticas e resultados que os empresários possam ver e reconhecer. Assim, a implementação, incluindo o acesso a serviços e a formação útil, ocupa um lugar central nos critérios de sucesso definidos pelo Governo.
Como a estratégia se articula com outros planos nacionais
A estratégia para as MPME integra-se na Estratégia Pentagonal, Fase I, do Camboja, em particular na sua terceira área prioritária, relativa ao desenvolvimento do setor privado e ao emprego. Essa área inclui a melhoria do ambiente empresarial, o incentivo ao investimento e o reforço das empresas nacionais.
Duas outras estratégias abrangem empresas em diferentes fases. A Estratégia Nacional para o Desenvolvimento da Economia Informal 2023–2028 procura alargar o acesso ao apoio para pessoas que trabalham fora de estruturas formais, incluindo empresas de muito pequena dimensão e trabalhadores por conta própria. A estratégia para as empresas em fase de arranque, para 2026–2030, lançada recentemente, centra-se na inovação, na tecnologia e em novos modelos de negócio, incluindo oportunidades para jovens empreendedores.
O plano para as MPME pretende articular estas políticas. Uma pequena empresa já existente poderá precisar de ajuda com o registo ou com as normas de produção, enquanto uma nova empresa tecnológica poderá necessitar de outro tipo de apoio. A coordenação é importante porque os empresários podem deparar-se com várias destas necessidades à medida que desenvolvem os seus negócios.
Hun Manet atribuiu às administrações anteriores, lideradas pelo antigo primeiro-ministro Hun Sen, agora presidente do Senado, o estabelecimento da paz, da estabilidade, das infraestruturas, dos quadros jurídicos e de um ambiente empresarial favorável. Apresentou a nova estratégia como mais um passo rumo à visão de desenvolvimento do Camboja para 2050.
O calendário prolonga-se para além do marco de 2029
A saída planeada do Camboja da categoria de países menos desenvolvidos no final de 2029 ocorre durante o período de 2026–2030 abrangido pela estratégia. Esta categoria é uma classificação de desenvolvimento das Nações Unidas. O Governo relacionou os preparativos para essa transição com a necessidade de as empresas se tornarem mais produtivas, utilizarem melhor tecnologia e chegarem a mercados de maior valor.
As datas situam a estratégia para as MPME numa sequência mais ampla de políticas empresariais e medidas de apoio:
- 2022: O recenseamento económico contabilizou cerca de 753 670 estabelecimentos empresariais e empresas.
- 2023–2028: A estratégia para a economia informal estabelece um quadro para alargar o apoio a trabalhadores e empresas informais.
- Final de setembro de 2026: O apoio do Fundo para o Desenvolvimento de Competências atingiu 15,27 milhões de dólares para projetos que envolveram 76 000 formandos.
- 22 de outubro de 2026: Hun Manet lançou em Phnom Penh a estratégia nacional para as MPME.
- Final de 2029: O Camboja prepara-se para sair da categoria de países menos desenvolvidos.
- 2030: A estratégia para as MPME e a estratégia para as empresas em fase de arranque chegam ao fim dos períodos previstos.
A sobreposição de datas significa que o apoio ao registo, a formação e as melhorias na produção serão promovidos durante os mesmos anos em que decorrem os preparativos para a transição. O âmbito da estratégia estende-se até 2030, dando ao programa um período de planeamento que ultrapassa esse marco.
O que a implementação significa para empresários e trabalhadores
O Ministério da Indústria, Ciência, Tecnologia e Inovação e o Ministério da Economia e Finanças contribuíram para a preparação da estratégia, juntamente com outras instituições públicas, representantes do setor privado, parceiros de desenvolvimento e associações empresariais. Hun Manet agradeceu a todos os envolvidos pela contribuição para um plano que se pretende prático e exequível.
Para os empresários, os compromissos do Governo traduzem-se em várias áreas concretas a acompanhar: se o registo se tornará mais simples, se a formação corresponderá às necessidades da produção, se o financiamento ficará mais acessível e se as empresas conseguirão cumprir os requisitos de compradores mais exigentes. Os trabalhadores também são diretamente afetados, dado que o setor sustenta quase 3 milhões de postos de trabalho.
O lançamento reúne estes objetivos num quadro nacional comum. A próxima etapa consiste em transformar os mecanismos de coordenação propostos e os programas de apoio existentes em serviços que as empresas possam utilizar, dando resposta ao apelo do primeiro-ministro a resultados visíveis.
Principais pontos
- O Camboja lançou a sua estratégia para o desenvolvimento das MPME 2026–2030 a 22 de outubro de 2026, em Phnom Penh.
- Os dados do Governo apontam para cerca de 2,98 milhões de pessoas empregadas nas MPME, incluindo mais de 1,84 milhões de mulheres.
- As prioridades incluem a produtividade, a qualidade, a tecnologia, o financiamento, as competências e o acesso aos mercados.
- Uma unidade de coordenação das PME, cuja criação foi proposta, ajudaria com o registo, o licenciamento e os incentivos.
- Até ao final de setembro de 2026, o Fundo para o Desenvolvimento de Competências tinha apoiado projetos de formação com 15,27 milhões de dólares, envolvendo 76 000 formandos.
- A estratégia abrange o período em que o Camboja prevê sair da categoria de países menos desenvolvidos, no final de 2029.






