Duas opções para alterar a idade da reforma
O Banco Asiático de Desenvolvimento recomendou que o Tajiquistão pondere aumentar gradualmente a idade da reforma das mulheres, dos 58 para os 63 anos, ou introduzir uma idade de reforma única de 65 anos para homens e mulheres. As propostas surgem numa altura em que o seguro de pensões abrange apenas cerca de um terço da população em idade ativa e as receitas das contribuições ficam muito aquém do montante estimado nos cálculos do banco.
Índice
- Duas opções para alterar a idade da reforma
- O aumento da esperança de vida altera os cálculos
- Também seriam relevantes requisitos de contribuição mais longos
- As pensões continuam a representar uma pequena parte dos salários médios
- O défice contributivo é mais amplo do que o debate sobre a idade
- Os registos digitais aproximariam os trabalhadores das suas pensões
- Alterar quem financia as pensões sociais
- As datas e decisões relevantes
- Principais pontos
As recomendações constam do relatório do BAD Transformação Económica para um Crescimento Sustentável e Inclusivo no Tajiquistão, publicado em outubro de 2026. Fazem parte de um pacote mais vasto que abrange os pagamentos das pensões, os requisitos de contribuição, os registos digitais e o financiamento destinado às pessoas que não reúnem as condições para receber uma pensão de seguro.
O Governo do Tajiquistão não anunciou qualquer decisão de aumentar a idade da reforma. As regras gerais em vigor continuam a fixar a idade nos 58 anos para as mulheres e nos 63 para os homens, conforme indicado pela Agência de Seguro Social e Pensões. Não foi anunciada qualquer data de entrada em vigor ou calendário para as alterações propostas.
A primeira opção acrescentaria cinco anos à idade da reforma das mulheres, mantendo inalterada a dos homens. A segunda acrescentaria sete anos às mulheres e dois anos aos homens. Ambas eliminariam a atual diferença de cinco anos entre os sexos.
O BAD apresenta estas medidas como opções de longo prazo, que exigem uma avaliação mais aprofundada do emprego, das finanças públicas, das tendências demográficas e das condições sociais. Para os trabalhadores, a questão central é quantos anos adicionais teriam de trabalhar e contribuir. Para os pensionistas, a discussão mais ampla sobre a reforma diz respeito à capacidade das prestações para cobrir as despesas do dia a dia.
Em 1 de abril de 2026, o Tajiquistão tinha 838 900 pensionistas. No primeiro trimestre desse ano, foram destinados mais de 1,21 mil milhões de somoni a pensões e prestações, o que ilustra a dimensão dos pagamentos que o sistema tem de financiar.
O aumento da esperança de vida altera os cálculos
A esperança de vida no Tajiquistão aumentou de 68,4 anos em 2010 para 76,6 anos em 2024, segundo os dados citados pelo BAD. Trata-se de um aumento de 8,2 anos em 14 anos.
A Estratégia Nacional de Desenvolvimento do Tajiquistão fixa como objetivo atingir os 80 anos até 2030, incluindo 78 anos para os homens e 82 para as mulheres. Para alcançar a meta nacional, será necessário um aumento adicional de 3,4 anos face ao valor de 2024.
O raciocínio do BAD relaciona o aumento da esperança de vida com o equilíbrio entre os anos em que se contribui para o sistema de pensões e aqueles em que se recebem prestações. Em geral, as mulheres reformam-se mais cedo do que os homens, têm carreiras contributivas mais curtas e vivem mais tempo, em média. O banco afirma que a reforma poderá ajudar a reforçar as finanças das pensões e a reduzir as diferenças entre homens e mulheres na proteção na velhice.
A esperança de vida corresponde à duração média da vida numa população. O planeamento dos pagamentos das pensões exige também analisar durante quanto tempo as pessoas vivem após atingirem a idade da reforma, bem como o número de trabalhadores que contribuem e de pessoas que recebem prestações. O banco defende uma avaliação demográfica detalhada antes de qualquer alteração da idade.
Também seriam relevantes requisitos de contribuição mais longos
O BAD recomenda ainda que se pondere aumentar o período mínimo de contribuições de 25 para 30 anos para os homens e de 20 para 30 anos para as mulheres. Isto acrescentaria cinco anos de contribuições obrigatórias para os homens e 10 para as mulheres.
A idade da reforma e os requisitos de contribuição respondem a questões diferentes. A primeira determina quando alguém atinge a idade geral de reforma. A segunda diz respeito à parte da vida profissional que tem de ficar registada como período de contribuições para o sistema de seguro.
Por isso, os trabalhadores teriam de considerar em conjunto ambas as alterações propostas. Atingir a idade da reforma e ter contribuições registadas suficientes são requisitos distintos para ter direito a uma pensão de seguro. Isto é particularmente importante para quem trabalha na economia informal ou tem pagamentos irregulares.
O banco afirma que as avaliações devem abranger os grupos vulneráveis e o mercado de trabalho, além das finanças das pensões. Na prática, isso significa analisar se as pessoas podem continuar a trabalhar durante mais tempo e de que forma os requisitos de contribuição propostos afetariam quem tem lacunas no registo contributivo.
As pensões continuam a representar uma pequena parte dos salários médios
Em 2024, a pensão média de velhice no Tajiquistão era de 475,8 somoni por mês, face a um salário médio mensal de 2148,9 somoni. A pensão correspondia a 22,1% do salário médio, acima dos 18,4% registados em 2023.
O aumento foi de 3,7 pontos percentuais. Em termos simples, em 2024 a pensão média correspondia a cerca de 22 somoni por cada 100 somoni de salário médio. Esta comparação ajuda a mostrar a diferença de rendimento entre a reforma e o emprego, embora os salários e as pensões variem de trabalhador para trabalhador.
A pensão social média de velhice era mais baixa: 334,9 somoni em 2024. As pensões sociais apoiam as pessoas que não cumprem os requisitos para receber uma pensão de seguro, pelo que o valor destas prestações é particularmente relevante para quem tem um historial contributivo limitado.
O BAD recomenda melhorar a forma como as pensões são atualizadas em função da inflação e do custo de vida. A inflação faz subir os preços, reduzindo o que se consegue comprar com a mesma quantia. A atualização das pensões pode ajudar os beneficiários a continuar a pagar bens e serviços à medida que os custos variam.
O banco defende também a criação de indicadores para avaliar se as pensões são adequadas. Estas medidas dariam aos decisores políticos uma forma mais clara de comparar as prestações com as necessidades quotidianas, a par do objetivo distinto de manter o financiamento do sistema de pensões.
As pensões aumentaram pelo menos 15% a partir de 1 de setembro de 2026. Posteriormente, a Agência de Seguro Social e Pensões divulgou valores médios mensais de 741,31 somoni para as pensões de trabalho, 591,06 somoni para as pensões de seguro e 412,60 somoni para as pensões sociais. Estes valores por categoria dão uma imagem mais recente das prestações, enquanto os dados de 2024 sobre pensões e salários mostram a relação entre ambos nesse ano.
O défice contributivo é mais amplo do que o debate sobre a idade
Em 2024, cerca de 2,1 milhões de pessoas estavam registadas no sistema de seguro de pensões do Tajiquistão, o equivalente a aproximadamente um terço da população em idade ativa. Algumas das pessoas registadas não pagam contribuições com regularidade.
As receitas do imposto social totalizaram 2,96 mil milhões de somoni em 2025. O BAD comparou esse valor com os 15,3 mil milhões de somoni que, segundo uma estimativa, poderiam ter sido cobrados se as pessoas seguradas registadas tivessem cumprido os pressupostos usados no cálculo do banco. As receitas efetivas corresponderam a 19,3% dessa estimativa.
A diferença entre os dois valores é de 12,34 mil milhões de somoni. Para compreender esta comparação, é necessário analisar os pressupostos relativos às pessoas registadas como contribuintes, ao seu trabalho e aos seus pagamentos. O BAD aponta o emprego informal, as contribuições irregulares e os dados de registo inexatos como fatores que explicam o défice.
O emprego informal corresponde a trabalho realizado fora de algumas ou de todas as regras habituais de registo e contribuição. Alguém pode ter rendimentos sem que esse trabalho produza um registo contributivo completo para efeitos de pensão. Um registo inexato pode também dar às autoridades uma imagem pouco clara de quem trabalha e paga contribuições.
O BAD recomenda melhorar o registo, partilhar informação entre organismos públicos e alargar o seguro de pensões aos trabalhadores por conta própria e às pessoas que trabalham no setor informal.
Estas propostas abordam uma dimensão diferente do financiamento das pensões, em comparação com o aumento da idade da reforma. Uma idade de reforma mais elevada poderia prolongar o período em que as pessoas contribuem. Uma cobertura mais ampla e registos de pagamento mais fiáveis integrariam no sistema uma maior parte da força de trabalho existente e facilitariam o acompanhamento das contribuições.
Os registos digitais aproximariam os trabalhadores das suas pensões
O sistema de pensões do Tajiquistão é financiado sobretudo através do imposto social pago por empregadores, trabalhadores e empresários em nome individual. As contas individuais de pensão registam as contribuições efetuadas ao longo da vida profissional de cada pessoa.
Nem sempre os cidadãos conseguem obter informação completa sobre esses pagamentos ou sobre a pensão que poderão receber. Isto cria um problema prático para quem procura perceber se o seu historial profissional foi registado corretamente e de que forma afetará o rendimento na reforma.
O BAD recomenda alargar os registos digitais, melhorar a troca de informação entre organismos e dar às pessoas acesso aos dados sobre contribuições e prestações previstas. Um registo mais claro permitiria aos trabalhadores verificar que pagamentos constam da sua conta e identificar registos em falta.
Em 2 de outubro de 2026, o Banco Asiático de Desenvolvimento anunciou a aprovação de uma subvenção de 20,5 milhões de dólares para modernizar o sistema de pensões. Entre os objetivos declarados estão o alargamento da cobertura, a digitalização dos pagamentos de pensões e prestações sociais e a integração de trabalhadores que atualmente estão fora do sistema.
O financiamento inclui uma subvenção de 19,5 milhões de dólares do Fundo Asiático de Desenvolvimento e uma subvenção de um milhão de dólares do Fundo de Tecnologia de Alto Nível, financiado pelo Governo do Japão através do BAD. A subvenção do Fundo Asiático de Desenvolvimento inclui 12,32 milhões de dólares do pacote de apoio do BAD aos países afetados pelos efeitos económicos e financeiros do conflito no Médio Oriente.
O presidente do BAD, Masato Kanda, afirmou que o projeto reforçaria as proteções de que as pessoas dependem e as alargaria aos trabalhadores que continuam fora do sistema, numa altura em que o conflito no Médio Oriente faz subir os custos e aumenta a pressão sobre as famílias.
O projeto irá modernizar a Agência de Seguro Social e Pensões através da criação de centros de dados seguros, de uma plataforma digital única para serviços aos utentes e administração, do reforço da cibersegurança, da digitalização de registos e de uma melhor partilha de dados com outros organismos públicos. Prevê também a modernização dos escritórios da agência em Duchambé e Bokhtar e a formação dos trabalhadores para utilizarem os novos sistemas. Espera-se que a plataforma permita prestar serviços mais rápidos e seguros a, pelo menos, 320 000 contribuintes atuais e 250 000 pensionistas.
O projeto ajudará também a alargar a cobertura das pensões aos trabalhadores informais e por conta própria, aos migrantes laborais e às respetivas famílias. Ajudará as mulheres com acesso limitado às prestações a inscreverem-se no sistema e a acederem a serviços como cuidados de saúde materna e proteção contra a violência, reforçando simultaneamente a sua segurança financeira e capacidade para enfrentar riscos naturais.
A subvenção liga a discussão mais ampla sobre a reforma ao trabalho administrativo que já conta com apoio financeiro. Melhores registos e sistemas de pagamento ajudariam tanto os cidadãos que consultam as próprias contas como os organismos responsáveis pela cobrança de contribuições e pelo pagamento de prestações.
Alterar quem financia as pensões sociais
O Tajiquistão tem pensões de seguro, que dependem das contribuições efetuadas ao longo da vida profissional, e pensões sociais para quem não reúne os requisitos para receber uma pensão de seguro. O BAD propõe transferir gradualmente o financiamento das pensões sociais para o orçamento do Estado, através de um plano plurianual.
A alteração transferiria essa despesa do sistema de seguro social para o financiamento geral do Estado. As pensões sociais continuariam a precisar de financiamento público, mas a responsabilidade de suportar os respetivos custos passaria para outra área das finanças públicas.
Para o sistema de seguro, a transferência proposta reduziria a pressão associada ao financiamento de pagamentos destinados a pessoas que não cumpriram os requisitos contributivos. Um plano gradual permitiria ao orçamento assumir esses custos ao longo do tempo.
O BAD recomenda também desenvolver a poupança voluntária para a reforma através de regras aplicáveis aos fundos de pensões fora do sistema estatal. O quadro proposto abrangeria o licenciamento, as regras de investimento e a supervisão governamental.
O licenciamento determina quais as organizações autorizadas a gerir um fundo. As regras de investimento definem como podem ser utilizados os montantes poupados, enquanto a supervisão permite às autoridades públicas verificar o cumprimento das normas. A proposta criaria um quadro para as pessoas que optem por poupar montantes adicionais para a reforma.
As datas e decisões relevantes
O debate sobre as pensões reúne dados de vários anos, um aumento das prestações já aplicado e recomendações de longo prazo. As principais datas mostram como estes desenvolvimentos se relacionam:
- 2010: A esperança de vida era de 68,4 anos.
- 2024: A esperança de vida atingiu 76,6 anos, cerca de 2,1 milhões de pessoas estavam registadas no seguro de pensões e a pensão média de velhice era de 475,8 somoni.
- 2025: As receitas do imposto social totalizaram 2,96 mil milhões de somoni, face ao potencial estimado pelo BAD de 15,3 mil milhões de somoni, com base nos pressupostos do seu cálculo.
- 1 de abril de 2026: O Tajiquistão tinha 838 900 pensionistas.
- 1 de setembro de 2026: As pensões aumentaram pelo menos 15%.
- Outubro de 2026: O BAD publicou as suas recomendações de reforma. Em 2 de outubro, aprovou uma subvenção de 20,5 milhões de dólares para a modernização das pensões.
- 2030: A estratégia nacional do Tajiquistão estabelece como meta uma esperança de vida de 80 anos.
O BAD defende um equilíbrio entre a sustentabilidade financeira e a equidade social. As avaliações propostas teriam de analisar os efeitos do prolongamento da vida profissional e dos requisitos de contribuição, bem como a capacidade das pensões para apoiar os beneficiários.
Para os trabalhadores, as preocupações práticas imediatas continuam a ser as contribuições registadas e o acesso às prestações ao abrigo das regras em vigor. Para os pensionistas, os valores pagos e as atualizações em função do custo de vida continuam a ser questões centrais. O pacote do banco aborda ambos os grupos através de uma combinação de possíveis alterações dos critérios de acesso, alargamento da cobertura, melhoria dos registos e revisão do financiamento.
Principais pontos
- O BAD recomenda ponderar o aumento gradual da idade da reforma das mulheres, dos 58 para os 63 anos, ou a introdução de uma idade única de reforma de 65 anos para homens e mulheres.
- As idades gerais de reforma em vigor continuam a ser 58 anos para as mulheres e 63 para os homens. O Governo não anunciou qualquer decisão de as alterar.
- O banco propõe também ponderar exigir 30 anos de contribuições a ambos os sexos, em vez dos atuais 25 anos para os homens e 20 para as mulheres.
- Em 2024, a pensão média de velhice correspondia a 22,1% do salário médio. Em setembro de 2026, as pensões aumentaram pelo menos 15%.
- O seguro de pensões abrange cerca de um terço da população em idade ativa. Em 2025, as receitas do imposto social, de 2,96 mil milhões de somoni, representaram 19,3% do potencial contributivo estimado pelo BAD em 15,3 mil milhões de somoni.
- A subvenção de 20,5 milhões de dólares aprovada pelo BAD em 2 de outubro de 2026 inclui 19,5 milhões do Fundo Asiático de Desenvolvimento e um milhão do Fundo de Tecnologia de Alto Nível, financiado pelo Japão. Apoiará o alargamento da cobertura e a modernização digital; espera-se que a plataforma sirva pelo menos 320 000 contribuintes atuais e 250 000 pensionistas. Entre as outras recomendações estão a transferência do financiamento das pensões sociais para o orçamento do Estado e a regulamentação dos fundos de pensões voluntários.






