Um pequeno stent deu tempo a uma bebé prematura para crescer
Uma menina com apenas 356 gramas foi submetida a um tratamento bem-sucedido para dilatar a aorta no Hospital Pediátrico de Shizuoka, no Japão, o que lhe permitiu crescer o suficiente para ser posteriormente operada. Quando tinha 19 dias, os médicos introduziram um cateter por uma artéria do pescoço e colocaram um pequeno tubo de malha metálica no interior do vaso sanguíneo estreitado.
Índice
- Um pequeno stent deu tempo a uma bebé prematura para crescer
- O que se passava com a aorta?
- Por que razão os médicos adiaram a operação principal
- Um procedimento através de uma artéria do pescoço
- Como decorreu o tratamento ao longo de 11 meses
- O que mudou com a operação posterior
- Como o hospital descreve o recorde
- Os pais falam do medo, do alívio e dos aniversários que virão
- Pontos principais
O hospital, na cidade de Shizuoka, anunciou o sucesso no dia 19 e descreveu o caso como o de menor peso de um doente registado na literatura médica para este tratamento. O peso mínimo anteriormente referido era de 590 gramas. Com 356 gramas, a menina pesava menos 234 gramas, ou cerca de 40 por cento abaixo desse valor.
Aos 11 meses, já pesava 4,9 quilogramas e tinha sido operada para remover o stent e reconstruir a artéria afetada. O seu estado foi descrito como estável, e o hospital continuará a acompanhá-la.
O feito envolveu mais do que colocar um dispositivo num doente excecionalmente pequeno. Os médicos usaram o stent para manter o sangue a circular numa artéria perigosamente estreita enquanto a bebé crescia. Isso deu tempo para uma operação que o seu corpo frágil não podia inicialmente suportar.
Akane Shibuya, subchefe do serviço de cardiologia do hospital, afirmou que a experiência poderá trazer algum alento a outras famílias. Ao falar sobre o que a sobrevivência da menina significava, disse:
Saber que bebés com um peso tão baixo podem sobreviver também pode dar esperança às famílias de bebés com outras doenças.
Os pais descreveram tanto o medo que sentiram antes do tratamento como o alívio que veio depois. A filha nasceu às 25 semanas e três dias de gestação, tão pequena que cabia numa mão.
O que se passava com a aorta?
A menina tinha coartação da aorta, uma doença congénita em que uma parte da principal artéria do corpo é demasiado estreita. A aorta transporta o sangue do coração para o resto do corpo. Um estreitamento grave limita o fluxo sanguíneo e obriga o coração a fazer mais esforço para o bombear.
Os médicos verificaram que a parte mais estreita da aorta tinha cerca de 1,2 milímetros de diâmetro. A artéria do pescoço usada para introduzir o cateter tinha cerca de 1 milímetro de diâmetro. Eram duas partes distintas do percurso do tratamento: a artéria do pescoço permitiu o acesso, enquanto a aorta estreitada era o local que precisava de ser dilatado.
Um cateter é um tubo fino que os médicos conduzem através de um vaso sanguíneo até à zona que precisa de tratamento. Neste caso, transportava um stent, um pequeno cilindro de malha metálica. Depois de expandido no interior da aorta, o stent sustentou o vaso por dentro e manteve aberto um canal para a passagem do sangue.
Por que razão os médicos adiaram a operação principal
Os cirurgiões costumam tratar este estreitamento removendo a parte afetada da aorta e unindo as extremidades restantes. No caso desta menina, uma operação imediata colocava grandes dificuldades. Os seus vasos sanguíneos eram frágeis e difíceis de suturar, e abrir-lhe o tórax teria representado uma sobrecarga para o seu corpo muito pequeno.
Por isso, o hospital optou por um tratamento faseado. Primeiro, os médicos dilatariam a artéria com um stent. Depois, deixariam o corpo crescer antes de realizar uma operação para remover a parte estreitada e voltar a unir o vaso.
A menina nasceu com 357 gramas e pesava 356 gramas quando começou o tratamento por cateter. Nasceu por cesariana de emergência em outubro, às 25 semanas e três dias, cerca de 15 semanas antes das 40 semanas que servem de referência para uma gravidez completa. Também precisou de um tubo para ajudar a respirar.
Um procedimento através de uma artéria do pescoço
Os médicos colocaram o stent no 19.º dia de vida da menina, usando a artéria carótida comum do pescoço para conduzir o cateter até à aorta. Trabalhar com vasos tão pequenos exigiu que alcançassem a zona estreitada e a dilatassem sem rasgar a artéria.
O tratamento comportava o risco de rutura da aorta, que poderia ter sido fatal. Os pais disseram que, antes do procedimento, lhes tinham explicado que a probabilidade de sucesso não era elevada, devido ao tamanho tão reduzido da filha.
Shibuya explicou que o dispositivo era um stent coronário convencional, do tipo usado nos vasos que irrigam o coração, incluindo em adultos tratados após um enfarte. Disse que não existia um stent especificamente concebido para crianças.
O hospital já tinha realizado 10 procedimentos semelhantes em bebés com baixo peso à nascença. Atribuiu a essa experiência parte do sucesso deste tratamento. A equipa aplicou um método que já tinha usado, mas numa doente bastante mais pequena do que o peso mínimo anteriormente referido para este procedimento.
Como decorreu o tratamento ao longo de 11 meses
A recuperação da menina envolveu várias intervenções, e não uma única operação. A colocação inicial do stent abriu a artéria, um procedimento posterior voltou a dilatá-lo e, por fim, a cirurgia permitiu removê-lo.
- Nascimento: nasceu por cesariana de emergência às 25 semanas e três dias, com 357 gramas.
- 19.º dia: com 356 gramas, foi submetida a um tratamento por cateter através da artéria carótida comum, com colocação de um stent na aorta estreitada.
- Cinco meses: com 2,3 quilogramas, foi submetida a outro procedimento para expandir o stent.
- Sete meses: teve alta hospitalar.
- Onze meses: com 4,9 quilogramas, foi operada para remover o stent e a parte estreitada e reconstruir a aorta.
Aos 11 meses, pesava quase 14 vezes mais do que os 356 gramas registados no início do tratamento. O aumento de 2,3 quilogramas aos cinco meses para 4,9 quilogramas aos 11 meses significa que duplicou o peso durante essa fase da recuperação.
O hospital informou que a evolução após a operação posterior foi estável. O acompanhamento continuará a avaliar o crescimento da menina e o estado da artéria reconstruída.
O que mudou com a operação posterior
Os cirurgiões acabaram por remover o stent e a parte estreitada da aorta e unir novamente o vaso. A operação foi também descrita como uma reconstrução do arco aórtico, a parte curva da principal artéria, perto do coração.
O stent serviu de apoio temporário enquanto a menina ganhava peso. Depois da operação, o hospital esperava que pudesse crescer com o seu próprio vaso sanguíneo, sem precisar de manter o suporte metálico.
A evolução do caso mostra por que razão o primeiro procedimento por cateter e a operação posterior fizeram parte do mesmo plano de tratamento. Abrir a artéria quando pesava 356 gramas resolveu a limitação imediata do fluxo sanguíneo. A operação, depois de ter crescido significativamente, tratou o próprio vaso estreitado.
Como o hospital descreve o recorde
O Hospital Pediátrico de Shizuoka descreveu o tratamento da menina como o caso bem-sucedido com o menor peso corporal registado na literatura médica para este tipo de procedimento de colocação de um stent aórtico. A comparação foi feita com um peso mínimo anteriormente referido de 590 gramas.
A afirmação do hospital diz respeito a um tratamento específico: a colocação de um stent na aorta estreitada de um bebé através de um cateter. O comunicado não identificou o caso anterior de 590 gramas nem a publicação em que foi descrito, pelo que a possibilidade de se tratar de um recorde mundial assenta na avaliação do hospital.
Para a menina e a família, o resultado prático foi a possibilidade de avançar para a fase seguinte dos cuidados. O stent manteve a artéria aberta durante tempo suficiente para que ganhasse peso, tivesse alta hospitalar e fosse submetida a uma reconstrução aos 11 meses.
Os pais falam do medo, do alívio e dos aniversários que virão
Os pais da menina partilharam a sua experiência numa carta à equipa médica, lida durante o anúncio. Recordaram que foram avisados de que o tamanho da filha tornava incerto o sucesso e que sentiram alívio quando os médicos lhes disseram que o procedimento tinha terminado da melhor forma possível.
Na carta, os pais descreveram o que significava para a família poder olhar em frente:
Estamos felizes por, em família, podermos envelhecer juntos, desejando uns aos outros um feliz aniversário todos os anos.
Manifestaram também a esperança de que o tratamento da filha possa ajudar outras crianças e famílias em circunstâncias semelhantes:
Se o caso bem-sucedido da nossa filha se tornar um primeiro precedente e ajudar crianças na mesma situação, as suas famílias e os cuidados médicos, nada nos poderia deixar mais orgulhosos.
O diretor do hospital, Kisaburo Sakamoto, apresentou o anúncio como uma mensagem de apoio transmitida pelo hospital pediátrico. Os comentários de Shibuya transmitiram uma mensagem semelhante: a experiência deu esperança de que até um bebé excecionalmente pequeno com uma doença grave possa sobreviver ao tratamento.
Pontos principais
- Os médicos do Hospital Pediátrico de Shizuoka colocaram um stent aórtico numa menina com 356 gramas, quando tinha 19 dias.
- Nasceu às 25 semanas e três dias de gestação, com 357 gramas.
- O hospital descreveu o procedimento como o caso bem-sucedido com o menor peso de um doente registado na literatura médica, em comparação com o peso mínimo anteriormente referido de 590 gramas.
- O stent voltou a ser expandido aos cinco meses e a menina teve alta hospitalar aos sete meses.
- Aos 11 meses, com 4,9 quilogramas, foi submetida a uma operação para remover o stent e reconstruir a aorta.
- O seu estado foi descrito como estável, estando previsto que continue a ser acompanhada pelo hospital.






