Casos de gripe aumentam 58 por cento numa semana
A média semanal de casos de gripe no Japão atingiu 11,35 por instituição médica sob vigilância entre 28 de setembro e 4 de outubro, ultrapassando o limiar nacional de alerta de 10, enquanto 937 escolas e estabelecimentos de cuidados infantis adotaram medidas, incluindo o encerramento de turmas e suspensões temporárias. Os dados do Ministério da Saúde, do Trabalho e do Bem-Estar mostram uma forte aceleração face aos 7,17 casos por instituição registados na semana anterior.
Índice
- Casos de gripe aumentam 58 por cento numa semana
- O que medem os dados de vigilância
- Temporada invulgarmente precoce ganha forma
- Perturbações nas escolas aumentam muito mais depressa do que a média de casos
- O alerta precoce de Tóquio exige uma análise cuidadosa
- Descida da média em Okinawa esconde pressão persistente
- Kumamoto enfrenta riscos acrescidos nos centros de evacuação
- Procura de vacinação e precauções contra infeções
- Okinawa pede aos residentes que preservem a capacidade de resposta a emergências
- Principais pontos
O aumento foi de 58,3 por cento em sete dias. Dezasseis prefeituras ultrapassaram o limiar de alerta, enquanto Okinawa permaneceu acima do limiar de aviso mais grave, de 30, com 37,07 casos por instituição. Na região de Tóquio, Saitama registou 19,66, Chiba 18,72, Kanagawa 18,51 e Tóquio 15,87.
O limiar nacional de alerta assinala a possibilidade de um grande surto nas quatro semanas seguintes. Foi ultrapassado cerca de um mês mais cedo do que no ano passado, perturbando as aulas e pressionando os serviços de vacinação antes do habitual pico de inverno.
A evolução não é uniforme. A taxa comunicada por Okinawa desceu face à semana anterior, apesar do aumento dos internamentos. Em Kumamoto, onde cerca de 1.360 pessoas continuavam alojadas em centros de evacuação após um sismo ocorrido em julho, a média subiu de 3,86 para 10,20 numa semana.
O que medem os dados de vigilância
Os dados semanais provêm de instituições médicas designadas, muitas vezes chamadas unidades sentinela, que comunicam às autoridades de saúde os casos de gripe. Cerca de 3.000 instituições contribuíram para o relatório nacional relativo ao período de 21 a 27 de setembro. A média mede a atividade nessas instituições, não contabiliza todas as infeções no Japão nem representa a percentagem da população infetada.
Três limiares ajudam a compreender a evolução: um caso comunicado por instituição assinala o início de um surto; 10 é o limiar de alerta; e 30 é o limiar de aviso. A última média nacional ultrapassou o segundo limiar, enquanto Okinawa ultrapassou o terceiro.
Entre 21 e 27 de setembro, todas as prefeituras já estavam acima do limiar de início de surto, de um caso. Quatro prefeituras, além de Okinawa, ultrapassaram os 10: Ibaraki registou 12,50, Saitama 14,17, Gifu 10,18 e Aichi 12,33. Okinawa, com 42,50, já estava acima do nível de aviso.
Na semana seguinte, 16 prefeituras ultrapassaram os 10. Esta propagação mais ampla é relevante a par do aumento nacional: a subida foi acompanhada por um maior número de prefeituras com atividade significativa, em vez de se limitar a uma única zona com uma taxa excecionalmente elevada.
Temporada invulgarmente precoce ganha forma
A média nacional ultrapassou pela primeira vez um caso por instituição na semana que terminou a 23 de agosto. O ministério declarou o início da temporada nacional de gripe a 28 de agosto. A data foi descrita como a segunda mais precoce desde o início dos registos, em 1999, excluindo 2023, ano em que o vírus circulou durante todo o ano.
As principais datas mostram como o surto evoluiu de um início nacional precoce para alertas locais e perturbações generalizadas nas escolas:
- Semana terminada a 23 de agosto: a média nacional ultrapassou o limiar de início de surto, de um caso por instituição.
- 28 de agosto: o ministério declarou o início da temporada nacional de gripe.
- Semana terminada a 6 de setembro: Kumamoto ultrapassou o limiar de início de surto.
- 17 de setembro: Tóquio anunciou um alerta de gripe invulgarmente precoce.
- 2 de outubro: o ministério comunicou uma média nacional de 7,17 para o período de 21 a 27 de setembro; Okinawa emitiu um aviso.
- 28 de setembro a 4 de outubro: a média nacional atingiu 11,35, com 937 estabelecimentos de ensino e cuidados infantis a adotarem medidas de encerramento.
- 8 de outubro: Hiroshima emitiu um alerta para toda a prefeitura, após a zona de Fukuyama ultrapassar os 10 casos por instituição.
- 13 de outubro: estava previsto o início da vacinação gratuita contra a gripe para os residentes elegíveis de Kumamoto deslocados devido ao sismo.
A comparação com o período correspondente de há um ano também é impressionante. Os dados indicam uma média anterior de 1,56, pelo que os 11,35 mais recentes são cerca de 7,3 vezes superiores. Um relato identifica o período de comparação como sendo de 2025, enquanto outro o descreve apenas como o ano anterior. Os relatos não estabelecem de forma consistente o ano civil do surto atual, pelo que as semanas de vigilância são a referência mais clara para acompanhar a sua evolução.
Perturbações nas escolas aumentam muito mais depressa do que a média de casos
Os 937 estabelecimentos afetados incluíam jardins de infância, creches, escolas primárias, escolas do ensino básico e escolas secundárias. As medidas foram desde o encerramento de turmas ou anos escolares específicos até ao encerramento temporário de estabelecimentos inteiros. Por isso, o total não deve ser interpretado como 937 encerramentos completos de escolas.
O número foi cerca de seis vezes superior ao da semana anterior, em comparação com um aumento de 58,3 por cento nos casos por instituição médica sob vigilância. São indicadores diferentes, mas, em conjunto, mostram a rapidez com que o aumento das infeções se traduziu em perturbações para crianças, famílias e funcionários.
As crianças têm um peso significativo nos dados locais. Na semana de notificação de Tóquio, de 7 a 13 de setembro, as crianças até aos nove anos representaram 50,49 por cento dos casos comunicados. Na última semana em Okinawa, os casos entre crianças com menos de 10 anos aumentaram, embora a média total da prefeitura tenha descido.
Os relatórios nacionais não indicam quantos alunos foram afetados, quanto duraram os encerramentos nem qual foi a proporção entre encerramentos completos e encerramentos de turmas. Estas lacunas limitam qualquer estimativa do tempo letivo perdido.
O alerta precoce de Tóquio exige uma análise cuidadosa
O anúncio de Tóquio, de 17 de setembro, descreveu o alerta como seis semanas mais precoce do que no ano anterior, quando o limiar foi atingido entre 20 e 26 de outubro. Indicou também que a data igualava a de 2023 como a mais precoce desde o início dos registos, em 1999.
O relato desse anúncio contém uma inconsistência numérica. Indica que a média de Tóquio entre 7 e 13 de setembro foi de 9,53 casos por instituição designada, ao mesmo tempo que afirma que o limiar de alerta tinha sido ultrapassado. Esse valor para toda a cidade fica abaixo do limiar de 10 utilizado nos dados nacionais.
O mesmo relato afirma que 14 das 31 jurisdições dos centros de saúde pública de Tóquio tinham atingido níveis de alerta. Machida registou 17,31, o bairro de Arakawa 13,71, o de Kita 13,45 e o de Koto 13,43. Estes dados locais confirmam uma transmissão significativa, mas não explicam a base administrativa exata do alerta de setembro.
Entre 28 de setembro e 4 de outubro, a média comunicada por Tóquio atingiu 15,87, ultrapassando claramente os 10. As vizinhas Saitama, Chiba e Kanagawa registaram valores ainda mais elevados. As autoridades de saúde de Tóquio recomendaram lavar as mãos frequentemente, desinfetar e usar máscara, sobretudo em locais movimentados.
Descida da média em Okinawa esconde pressão persistente
Entre 28 de setembro e 4 de outubro, Okinawa comunicou 1.631 doentes em 44 instituições médicas sentinela, o que correspondeu a uma média de 37,07. Foi uma descida de cerca de 12,8 por cento face aos 42,50 da semana anterior, mas continuou acima do limiar de aviso. A prefeitura manteve o aviso emitido a 2 de outubro.
As taxas variaram consideravelmente entre zonas. Yaeyama registou a média mais elevada, de 43,67, seguida pela zona sul, com 43,17, pela zona central, com 38,77, e por Naha, com 32,67. A zona norte registou 27,80 e Miyako 22,50, valores abaixo de 30, mas acima do limiar de alerta.
As pessoas com 60 ou mais anos representaram 443 doentes comunicados, ou 27,2 por cento, o maior grupo etário indicado. As crianças dos cinco aos nove anos representaram 240 casos, ou 14,7 por cento, e as dos um aos quatro anos 237, ou 14,5 por cento. Em conjunto, estes dois grupos infantis totalizaram 477 doentes, cerca de 29,2 por cento do total.
Os internamentos por gripe em sete hospitais sentinela centrais totalizaram 90 e estavam a aumentar. Tratava-se de hospitais designados com pelo menos 300 camas e serviços de medicina interna e pediatria. O número refere-se aos hospitais que comunicaram dados, não necessariamente a todos os internamentos por gripe em Okinawa.
A gripe A representou 87,5 por cento dos tipos comunicados; não foram registados casos de gripe B e 12,5 por cento ficaram por especificar. Entre 5 e 9 de outubro, 22 escolas nas zonas norte, central, sul e de Yaeyama encerraram turmas ou anos escolares. O aumento persistente dos internamentos e das infeções entre crianças pequenas mostra por que razão a descida da média da prefeitura ainda não significava que a pressão tivesse diminuído.
Kumamoto enfrenta riscos acrescidos nos centros de evacuação
A média semanal de Kumamoto subiu de 3,86 na semana terminada a 27 de setembro para 10,20 entre 28 de setembro e 4 de outubro. É cerca de 2,6 vezes superior ao valor anterior, colocando a prefeitura acima do limiar de alerta enquanto os residentes continuavam deslocados após o sismo de 28 de julho.
Cerca de 1.360 pessoas estavam alojadas em centros de evacuação em oito municípios, incluindo Yatsushiro. Os relatos descrevem o sismo de forma diferente: um refere uma magnitude de 7, enquanto o relato mais pormenorizado diz que atingiu o nível máximo de sete na escala japonesa de intensidade sísmica. A magnitude mede a dimensão de um sismo; a intensidade sísmica mede a agitação num determinado local. Os dois conceitos não devem ser confundidos.
Koichi Izumikawa, professor no Hospital Universitário de Nagasaki especializado no controlo de doenças infeciosas, explicou por que razão o alojamento partilhado cria riscos acrescidos de infeção:
«As pessoas tendem a estar próximas umas das outras nos centros de evacuação e, quanto mais contacto houver entre elas, maior é a probabilidade de propagação de doenças infeciosas»,
Izumikawa aconselhou os residentes a comunicarem prontamente os sintomas, a usarem máscara quando tossirem ou tiverem o nariz a pingar, a lavarem as mãos e a ventilarem as divisões. Recomendou também a vacinação antecipada, uma vez que a proteção não se desenvolve imediatamente após a toma.
O Governo da Prefeitura de Kumamoto começou a perguntar aos residentes deslocados se pretendiam vacinar-se e estava a emitir vales para pessoas com seis meses ou mais. Os vales permitiriam receber vacinas gratuitas em instituições médicas locais a partir de 13 de outubro. Não foi divulgado quantos residentes deslocados tinham pedido ou recebido a vacina.
Procura de vacinação e precauções contra infeções
Foi noticiado um forte aumento das marcações para a vacina contra a gripe, à medida que os residentes reagiam ao surto precoce. O Ministério da Saúde recomendou a vacinação aos idosos e às pessoas com doenças preexistentes, a par da lavagem das mãos, da ventilação e da etiqueta respiratória.
Não foi indicado um valor para o aumento das marcações. Também não foram divulgados dados que permitam determinar a cobertura vacinal ou se os prestadores locais tinham consultas suficientes para responder à procura. O programa de vales de Kumamoto é uma resposta concreta para os residentes deslocados, mas o seu alcance dependerá da adesão e do acesso às instituições participantes.
A transmissão pode começar antes de a pessoa perceber que está doente. O período de contágio indicado começa cerca de um dia antes do aparecimento dos sintomas e pode prolongar-se durante três a sete dias depois, sendo a libertação de vírus mais intensa nos primeiros um a três dias. A libertação de vírus significa que uma pessoa infetada expulsa vírus que podem infetar outras pessoas.
As autoridades recomendaram que as pessoas com sintomas evitassem sair de casa e usassem máscara se continuassem a tossir ou a espirrar. Estas precauções são especialmente relevantes nos contextos em que os relatos identificam contacto próximo, incluindo salas de aula e centros de evacuação, mas não substituem a avaliação médica quando os sintomas são graves.
Okinawa pede aos residentes que preservem a capacidade de resposta a emergências
As autoridades de Okinawa acompanharam as recomendações de prevenção com orientações sobre a escolha do serviço de saúde adequado. Alertaram que a concentração de doentes nos hospitais de urgência poderia atrasar o tratamento de pessoas com problemas graves e urgentes.
Em caso de sintomas ligeiros, a prefeitura aconselhou os doentes a contactarem o médico habitual durante o dia e a marcarem consulta antes de se deslocarem. Recomendou que, sempre que possível, se evitassem as urgências durante a noite quando os sintomas pudessem aguardar em segurança por uma consulta no dia seguinte.
As orientações foram acompanhadas de exemplos de sintomas que exigem cuidados urgentes: incapacidade de ingerir líquidos e fraqueza acentuada, dificuldade em respirar ou estado de consciência alterado. A prefeitura recomendou uma avaliação de urgência quando a doença parecesse claramente diferente de uma constipação vulgar.
As pessoas com dúvidas sobre se deveriam procurar cuidados ou onde o fazer foram encaminhadas para o serviço de aconselhamento telefónico #7119, sem limite de idade, e para o #8000, destinado a crianças até aos 15 anos. Foi também indicado que estava disponível à noite e nos feriados um serviço de consulta pediátrica em linha.
Não foi indicada uma data para o pico do surto nem para o fim dos alertas. Os próximos dados permitirão perceber se o rápido aumento nacional continua, se as perturbações nas escolas diminuem e se à descida da média de casos em Okinawa se segue uma redução dos internamentos.
Principais pontos
- Entre 28 de setembro e 4 de outubro, o Japão registou uma média de 11,35 casos de gripe por instituição sob vigilância, mais 58,3 por cento do que os 7,17 anteriores.
- Dezasseis prefeituras ultrapassaram o limiar de alerta de 10 casos por instituição.
- As medidas de encerramento afetaram 937 escolas e estabelecimentos de cuidados infantis, cerca de seis vezes o total da semana anterior.
- A média de Okinawa desceu para 37,07, mas manteve-se acima do limiar de aviso; os internamentos em sete hospitais sentinela chegaram aos 90.
- A média de Kumamoto subiu para 10,20, enquanto cerca de 1.360 residentes continuavam em centros de evacuação.
- Estava previsto o início, a 13 de outubro, da vacinação gratuita para os residentes elegíveis de Kumamoto deslocados devido ao sismo.
- Os relatos deixam dúvidas sobre o ano civil do surto e a base numérica do alerta de setembro em Tóquio.






