Coreia do Sul contesta declarações de comandante dos EUA sobre a DMZ, enquanto cresce a disputa pelo controlo em tempo de guerra

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South Korea Challenges US Commander's DMZ Remarks as Wartime Control Dispute Grows

Seul contesta onde começa a Coreia do Sul

A Coreia do Sul transmitiu a Washington as suas preocupações com declarações do general Xavier Brunson, comandante das Forças dos Estados Unidos na Coreia, que situaram o início do país na vedação sul da Zona Desmilitarizada. A disputa envolveu o presidente Lee Jae Myung e altos responsáveis militares, expondo também um desacordo sobre o objetivo de Seul de assumir o controlo operacional em tempo de guerra até 2028.

Índice
  1. Seul contesta onde começa a Coreia do Sul
  2. O que Brunson disse em Washington
  3. A vedação e a fronteira são linhas diferentes
  4. Chefe do Exército rejeita a formulação
  5. O esclarecimento do Comando das Nações Unidas
  6. Ferimentos causados por minas dão urgência à disputa
  7. Uma segunda disputa sobre o comando em tempo de guerra
  8. Presidente Lee pede uma transferência antecipada
  9. Como se desenrolou a disputa
  10. Pontos principais

Uma fonte do Governo sul-coreano afirmou na segunda-feira, 19 de outubro, que Seul apresentara as suas objeções por vários canais e que o lado norte-americano manifestara compreensão e partilhara as suas preocupações. A troca diplomática ocorreu após a participação de Brunson, a 14 de outubro, num seminário em Washington organizado pelo Gold Institute for International Strategy.

Brunson, que também comanda o Comando das Nações Unidas e o Comando das Forças Combinadas Coreia do Sul-EUA, descrevia as suas responsabilidades ao abrigo do Acordo de Armistício da Guerra da Coreia de 1953. A explicação tocou, ainda assim, num tema sensível: o território sul-coreano estende-se para norte da vedação sul até à Linha de Demarcação Militar, ou LDM, dentro da zona tampão.

Daeseong-dong, uma aldeia em Paju, na província de Gyeonggi, torna concretas as implicações. Os seus residentes são cidadãos sul-coreanos que vivem na metade sul da DMZ, para lá da vedação descrita por Brunson.

O Comando das Nações Unidas emitiu um esclarecimento no domingo, afirmando que as suas responsabilidades militares e administrativas não alteram a soberania sul-coreana. O Ministério da Defesa de Seul manteve a objeção à formulação de Brunson, mas comprometeu-se a continuar a cooperar com o comando na administração do armistício.

O que Brunson disse em Washington

Brunson abordou a fronteira na qualidade de comandante do Comando das Nações Unidas, explicando onde o comando administra território para manter o acordo que pôs fim à Guerra da Coreia de 1950-53. No seminário, descreveu o início da Coreia do Sul a partir dessa perspetiva institucional.

É aí que começa a República da Coreia, porque administro essa zona para manter o estado de armistício.

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O armistício criou a DMZ como zona tampão militar entre as duas partes. O Comando das Nações Unidas controla o acesso e as atividades ao abrigo desse acordo, incluindo responsabilidades na parte sul da zona. A soberania determina a que país pertence o território; a administração diz respeito a quem desempenha determinadas funções nesse território.

Os responsáveis sul-coreanos opuseram-se porque Brunson usou uma descrição das suas responsabilidades administrativas para indicar onde começa o país. O Ministério da Defesa classificou as declarações como opiniões pessoais e afirmou que a sua posição sobre a soberania territorial se mantinha firme.

A vedação e a fronteira são linhas diferentes

A DMZ estende-se por cerca de 250 quilómetros, de leste a oeste, ao longo da Península da Coreia. A LDM atravessa-a e constitui a fronteira terrestre efetiva entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. A vedação sul fica mais a sul, deixando uma faixa de território sul-coreano dentro da zona tampão.

É geralmente referido que o limite sul fica a cerca de dois quilómetros a sul da LDM. Na sua explicação durante o seminário, Brunson descreveu linhas de vedação táticas situadas 2500 metros a norte e a sul da LDM. A objeção central prende-se com ter situado o início da Coreia do Sul na vedação sul, em vez de na linha de demarcação dentro da DMZ.

Os residentes de Daeseong-dong vivem nesse espaço. O deputado Hwang Myeong-seon, do Partido Democrático, invocou a cidadania dos residentes durante a auditoria parlamentar, questionando as implicações de descrever a sua aldeia como estando para lá do início do país.

Os críticos também apontaram para a Constituição sul-coreana, que define o território nacional como a Península da Coreia e as ilhas adjacentes. Esta reivindicação constitucional abrange território que Seul não governa atualmente. Nesta disputa, os responsáveis centraram-se nas terras a sul da LDM situadas dentro da DMZ.

Chefe do Exército rejeita a formulação

O chefe do Estado-Maior do Exército, general Kim Kyu-ha, discordou publicamente de Brunson durante a auditoria de 19 de outubro da Comissão de Defesa da Assembleia Nacional, no quartel-general do Exército em Gyeryongdae, na província de Chungcheong do Sul. O deputado Min Hong-chul, do Partido Democrático, perguntou-lhe se concordava com a descrição do território sul-coreano feita pelo comandante.

Kim respondeu que não concordava e reafirmou a posição do Exército e do Ministério da Defesa.

A posição do Ministério da Defesa e do nosso Exército sobre a soberania territorial é firme.

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Kim também concordou quando lhe perguntaram se a formulação de Brunson tinha sido inadequada. Deputados do Partido Democrático, no poder, pediram a Brunson que retirasse as declarações e apresentasse um pedido de desculpas, levando a disputa para além de uma explicação técnica do armistício.

O Ministério da Defesa sul-coreano procurou manter a cooperação sem abdicar da sua objeção. Um responsável afirmou que Seul continuaria a trabalhar com o Comando das Nações Unidas para que o exercício da soberania sul-coreana dentro da DMZ fosse compatível com a administração do armistício pelo comando.

O esclarecimento do Comando das Nações Unidas

O Comando das Nações Unidas respondeu no domingo, 18 de outubro, com uma declaração que abordou diretamente a controvérsia sobre a soberania.

A soberania da República da Coreia não está em causa.

O comando afirmou que Brunson explicava as responsabilidades atribuídas ao comandante ao abrigo do Acordo de Armistício na DMZ e na Área de Segurança Conjunta. Essas funções incluem a administração militar e civil, bem como a assistência civil, na parte da DMZ situada a sul da LDM.

A declaração especificou depois o âmbito dessas funções.

Essas responsabilidades são militares e administrativas; não alteram nem pretendiam abordar a soberania da República da Coreia.

O comando reafirmou também o seu compromisso de reforçar a aliança e defender o povo sul-coreano. O esclarecimento mantém em vigor duas responsabilidades: a soberania da Coreia do Sul sobre o seu território e as funções específicas do comando ao abrigo do acordo que rege a zona tampão militar.

Ferimentos causados por minas dão urgência à disputa

Três soldados sul-coreanos ficaram feridos na explosão de minas na DMZ a 21 de setembro, colocando sob escrutínio a atividade militar dentro da zona tampão antes das declarações de Brunson. Uma investigação conjunta das forças armadas sul-coreanas e do Comando das Nações Unidas concluiu que minas antipessoais norte-coreanas tinham sido deliberadamente enterradas a sul da LDM.

A investigação localizou os locais das explosões e outra mina a cerca de 10 metros a sul da linha. Dois soldados ficaram gravemente feridos. A Coreia do Sul realizou posteriormente, a 5 de outubro, uma operação para detonar minas cuja localização a sul da fronteira tinha sido confirmada.

A anterior disputa sobre a resposta às minas também revelou dificuldades em identificar no terreno a linha de demarcação. O Ministério da Defesa sul-coreano reconheceu que as referências de coordenadas que utiliza diferem das usadas pelo Comando das Nações Unidas em cerca de 60% da fronteira.

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Foram instalados mais de 1200 marcos ao longo da LDM após o armistício, mas calcula-se que apenas cerca de 200 continuem intactos. Para as tropas que desobstruem caminhos ou inspecionam zonas onde se suspeita da presença de minas, o acordo sobre a fronteira e a autoridade operacional determina onde podem trabalhar e como coordenam os seus movimentos.

Uma segunda disputa sobre o comando em tempo de guerra

Os comentários de Brunson sobre o controlo operacional em tempo de guerra, geralmente designado por OPCON, acrescentaram outra fonte de tensão no mesmo seminário em Washington. A Coreia do Sul pretende concluir a transição da liderança dos EUA para a liderança sul-coreana até 2028, enquanto Brunson apontou para o primeiro trimestre de 2029.

O controlo operacional consiste na autoridade para dirigir as forças militares atribuídas na execução de missões. A transição diz respeito à liderança das operações combinadas em tempo de guerra que envolvem forças sul-coreanas e norte-americanas. Trata-se de acordos de comando militar, não da fronteira territorial em causa na controvérsia sobre a DMZ.

Brunson disse apoiar a transferência, mas defendeu que o calendário deve ser determinado pelas exigências militares. Associou a alteração dos planos e dos critérios às capacidades cada vez mais avançadas dos mísseis norte-coreanos.

Como as condições mudaram e alterámos o nosso plano, temos novos critérios que temos de cumprir.

A melhoria dos mísseis norte-coreanos altera as ameaças para as quais as forças aliadas têm de se preparar. Brunson defendeu que os acordos para a transferência do comando têm de ter essas ameaças em conta. Seul receia que a alteração dos requisitos adie continuamente o seu objetivo.

Um responsável do Ministério da Defesa sul-coreano afirmou que a transferência nunca seria possível se as condições e os critérios continuassem a mudar. As datas em disputa têm peso político: o objetivo de Seul para 2028 é anterior ao fim do mandato de Lee, em 2030, enquanto a data referida por Brunson transferiria a mudança para o ano seguinte. Não foi anunciada qualquer data de conclusão acordada nem uma lista detalhada dos novos critérios.

Presidente Lee pede uma transferência antecipada

O presidente Lee abordou o controlo operacional em tempo de guerra numa conferência de imprensa que assinalou os primeiros 500 dias da sua administração, a 19 de outubro. Não mencionou Brunson, mas as suas declarações responderam ao argumento de que Washington deveria primeiro confirmar a prontidão da Coreia do Sul.

Lee reconheceu a intenção expressa pelos Estados Unidos de garantir que a Coreia do Sul pudesse defender-se e conduzir operações, mas sublinhou a responsabilidade sul-coreana pela transição.

Agradeço isso, mas penso que é algo que devemos fazer nós próprios. Vai correr bem.

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Lee afirmou também que as consultas com os Estados Unidos avançavam no sentido da devolução do controlo operacional em tempo de guerra e pediu uma transferência antecipada. A sua intervenção trouxe o debate do planeamento militar para a agenda pública do presidente.

As duas controvérsias partilham a preocupação com a autoridade sul-coreana, embora digam respeito a decisões diferentes. A disputa sobre a DMZ prende-se com a forma como um comandante norte-americano descreve território soberano enquanto administra um armistício. A disputa sobre o OPCON diz respeito ao momento em que um comandante sul-coreano assumirá a liderança ao abrigo de novos acordos para tempo de guerra.

Como se desenrolou a disputa

O desacordo público desenvolveu-se ao longo de vários dias, passando de um seminário em Washington para um esclarecimento do comando e, depois, para respostas diplomáticas, parlamentares e presidenciais.

  • 14 de outubro: Brunson participou no seminário do Gold Institute for International Strategy, em Washington, onde falou das responsabilidades do Comando das Nações Unidas na DMZ e da alteração dos requisitos para o controlo operacional em tempo de guerra.
  • 18 de outubro: O Comando das Nações Unidas afirmou que a soberania sul-coreana não estava em causa e explicou o âmbito militar e administrativo das suas funções.
  • 19 de outubro: Kim rejeitou a formulação de Brunson sobre o território durante a auditoria ao Exército, enquanto Lee pediu uma transferência antecipada do controlo operacional em tempo de guerra.
  • 19 de outubro: Uma fonte governamental revelou que Seul tinha transmitido as suas preocupações a Washington e que o lado norte-americano manifestara compreensão.

Kim pediu, ainda assim, uma avaliação ponderada de Brunson, chamando a atenção para os laços militares que remontam à Guerra da Coreia. Disse que o seu encontro pessoal com o comandante lhe tinha mostrado o empenho de Brunson na defesa da Coreia do Sul.

Tendo em conta a aliança e as relações entre as forças armadas, acredito que devemos ser prudentes e ponderados na forma como o avaliamos.

A resposta de Seul combina, assim, uma firme objeção em matéria de soberania com a continuidade da cooperação militar. As tarefas imediatas consistem em manter a coordenação dentro da DMZ e negociar os requisitos e o calendário da transferência do comando em tempo de guerra.

Pontos principais

  • A Coreia do Sul transmitiu as suas preocupações a Washington depois de Brunson ter situado o início do país na vedação sul da DMZ.
  • O território sul-coreano estende-se para norte dessa vedação até à LDM, incluindo a aldeia de Daeseong-dong.
  • O Comando das Nações Unidas afirmou que as suas funções ao abrigo do armistício são militares e administrativas e não alteram a soberania sul-coreana.
  • O chefe do Exército, Kim Kyu-ha, rejeitou a formulação de Brunson, mas pediu prudência na avaliação do comandante.
  • Seul pretende assumir o controlo operacional em tempo de guerra até 2028; Brunson apontou para o primeiro trimestre de 2029 e para a alteração dos requisitos militares.
  • O presidente Lee pediu uma transferência antecipada e afirmou que as consultas com Washington estavam a avançar.
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