Apelo a uma decisão nacional gera debate sobre o seu alcance
O deputado indonésio Ahmad Sahroni instou o Conselho dos Ulemas da Indonésia (MUI) a declarar o vaping haram, ou proibido segundo os ensinamentos islâmicos, enquanto a polícia defende uma proibição total e resultados laboratoriais colocam no centro do debate o consumo de drogas através de cigarros eletrónicos.
Índice
- Apelo a uma decisão nacional gera debate sobre o seu alcance
- O que revelaram os testes laboratoriais
- Por que razão a polícia quer proibir os dispositivos
- Como evoluiu a proposta
- O que disse o MUI sobre o estatuto religioso
- A decisão de Java Oriental estabelece um limite mais restrito
- As preocupações de saúde vão além das drogas ilegais
- Deputados divergem sobre o alcance de uma proibição
- Empresas defendem medidas seletivas
- Pontos principais
Sahroni, vice-presidente da Comissão III da Câmara dos Representantes, responsável pela supervisão da aplicação da lei, fez o apelo a 18 de outubro de 2026. Defendeu que os riscos para a saúde e o uso de dispositivos de vaping para consumir estupefacientes justificavam uma ação urgente, reconhecendo, ao mesmo tempo, as consequências para vendedores e fabricantes.
A exigência surge na sequência da visita do chefe da polícia nacional, o general Suyudi Ario Seto, à sede do MUI, em Menteng, no centro de Jacarta, a 13 de outubro. O MUI concordou em analisar a proposta e tenciona consultar especialistas. A direção nacional não anunciou uma decisão nem um calendário para concluir a análise.
A principal divergência diz respeito ao alcance de uma proibição. Sahroni e Suyudi defendem medidas contra o vaping em geral. Outros deputados e representantes do setor querem que as restrições incidam sobre líquidos com drogas proibidas e sobre quem os produz ou distribui.
O MUI de Java Oriental também clarificou o âmbito da sua Fatwa n.º 1 de 2026: esta proíbe a utilização de cigarros eletrónicos para consumir estupefacientes, substâncias psicotrópicas e outras substâncias aditivas proibidas, em vez de banir os dispositivos por completo. Esta clarificação é importante porque Suyudi citou a medida de Java Oriental quando pediu ao conselho nacional que apoiasse uma proibição total.
O que revelaram os testes laboratoriais
A Agência Nacional de Narcóticos (BNN) testou 341 amostras de líquido para vaping. De acordo com a explicação dos resultados divulgada em abril pelo MUI, Suyudi disse aos deputados que 11 amostras continham canabinoides e uma continha metanfetamina. Outra discriminação publicada identificou mais especificamente os 11 resultados como canabinoides sintéticos e indicou que 23 amostras continham etomidato; o relato do MUI referiu a presença de etomidato em várias amostras, sem indicar um número.
Os canabinoides são substâncias que atuam em recetores envolvidos em funções como o humor, a memória e a perceção. Os canabinoides sintéticos são substâncias químicas fabricadas que atuam nesses recetores. A metanfetamina é um poderoso estimulante, enquanto o etomidato é um anestésico utilizado em cuidados médicos.
Os 11 resultados positivos para canabinoides representam cerca de 3,2 por cento das 341 amostras, e o único resultado positivo para metanfetamina corresponde a cerca de 0,3 por cento. Não foram divulgados pormenores sobre a forma como as amostras foram selecionadas nem sobre a eventual presença de diferentes substâncias nas mesmas amostras.
A BNN afirmou também ter identificado pelo menos 175 novas substâncias psicoativas na Indonésia. Estas substâncias afetam o cérebro e podem produzir efeitos semelhantes aos de drogas já conhecidas. O número abrange substâncias identificadas no país em diferentes formas de circulação de drogas.
Outros resultados da BNN envolveram líquidos para vaping com cetamina, THC, MDMA, cocaína e compostos sintéticos. A 15 de janeiro de 2026, a BNN e a Direção-Geral das Alfândegas e Impostos Especiais de Consumo descobriram um laboratório ilegal que produzia líquido com etomidato no condomínio Sudirman Tower, no sul de Jacarta.
Por que razão a polícia quer proibir os dispositivos
Suyudi argumenta que os dispositivos de vaping permitem dissimular facilmente drogas em forma líquida. Os aromas frutados e as embalagens comuns, afirmou, dificultam a identificação, pelo público e pelas autoridades, dos produtos que contêm estupefacientes.
No relato da reunião do MUI, o chefe da polícia explicou que a BNN e a polícia têm dificuldade em distinguir os produtos pela aparência, uma vez que têm a mesma forma e o mesmo cheiro. Identificou o líquido com metanfetamina e o extrato de canábis como preocupações específicas.
Suyudi descreveu ainda o contrabando como uma suspeita de guerra por procuração conduzida por redes internacionais que pretendem prejudicar a geração mais jovem da Indonésia. Uma guerra por procuração é normalmente um conflito conduzido indiretamente através de outros grupos; neste caso, usou o termo para descrever a sua avaliação das intenções dessas redes.
O chefe da polícia afirmou já ter proposto ao presidente Prabowo Subianto a proibição total do vaping e ter recebido uma resposta positiva. A polícia procura tanto orientação religiosa do MUI como regulamentação governamental, envolvendo dois tipos distintos de autoridade na campanha.
Como evoluiu a proposta
Suyudi levantou pela primeira vez a questão de uma proibição junto do parlamento quando era chefe da BNN. O pedido posterior, já como chefe da polícia nacional, levou o tema diretamente à direção superior do MUI, incluindo o seu presidente-geral, Anwar Iskandar.
Os principais acontecimentos desenrolaram-se ao longo de vários meses:
- 15 de janeiro de 2026: a BNN e as autoridades aduaneiras descobriram, no sul de Jacarta, um laboratório que produzia líquido para vaping com etomidato.
- 7 de abril: Suyudi apresentou os resultados sobre o laboratório de vaping numa reunião da Comissão III dedicada ao projeto de lei sobre estupefacientes e substâncias psicotrópicas, propondo uma proibição.
- 10 de abril: Miftahul Huda, secretário da Comissão de Fatwas do MUI, pediu uma investigação mais aprofundada dos ingredientes dos líquidos para vaping e afirmou que o MUI não tinha emitido uma fatwa sobre vaping.
- 13 de outubro: Suyudi visitou a sede do MUI e pediu apoio para uma proibição total.
- De 14 a 17 de outubro: dirigentes do MUI delinearam planos para uma análise detalhada, incluindo consultas a especialistas.
- De 18 a 19 de outubro: Sahroni e outros deputados expuseram posições divergentes sobre uma proibição abrangente, a aplicação seletiva da lei e a proteção das pequenas empresas.
O debate parlamentar de abril incidiu sobre legislação proposta. As reuniões de outubro acrescentaram um pedido de decisão religiosa, enquanto os deputados também pressionaram por investigações mais rigorosas e maior supervisão dos produtos.
O que disse o MUI sobre o estatuto religioso
Em abril, KH Miftahul Huda, secretário da Comissão de Fatwas do MUI, expôs a posição do conselho sobre produtos com drogas. Disse que os estupefacientes se enquadram na categoria islâmica de khamar, associada a substâncias intoxicantes, e que o seu consumo é proibido.
No seu apelo a uma investigação mais aprofundada, o MUI instou a BNN a estudar e investigar os ingredientes dos líquidos para vaping como base para decisões de saúde e jurídicas. Huda também apoiou medidas legislativas contra o uso de vaping caso fossem encontrados estupefacientes e restrições em espaços públicos para proteger outras pessoas da exposição.
Uma fatwa é uma opinião religiosa emitida por estudiosos islâmicos. Uma proibição governamental é aplicada através da legislação e da regulamentação do Estado. Para consumidores e empresas, a primeira orientaria a conduta religiosa, enquanto a segunda poderia determinar o que pode ser fabricado, vendido ou utilizado, bem como as sanções aplicáveis.
Asrorun Niam Sholeh, presidente da Comissão de Fatwas do MUI, afirmou que o pedido de outubro seria objeto de uma análise detalhada, segundo várias perspetivas. Anwar Abbas, vice-presidente-geral, disse a 16 de outubro que seriam consultados especialistas antes da emissão de uma decisão. Relacionou a preocupação de Suyudi com a sua experiência anterior à frente da BNN.
A 17 de outubro, o responsável do MUI Muhammad Zaitun Rasmin, que dirige a área da ukhuwah, ou fraternidade, afirmou que a Divisão de Fatwas discutiria o pedido. Numa intervenção no Centro de Pregação Islâmica Hidayatullah, no leste de Jacarta, saudou os esforços para reduzir o abuso de drogas e disse que poderia ser emitida uma decisão após a confirmação de um uso indevido generalizado.
A decisão de Java Oriental estabelece um limite mais restrito
A explicação do MUI de Java Oriental sobre a Fatwa n.º 1 de 2026 centra-se no ato proibido: utilizar um dispositivo de vaping para consumir estupefacientes, substâncias psicotrópicas ou outras substâncias aditivas proibidas. Suyudi afirmou que Java Oriental tinha proibido o vaping; a clarificação do conselho provincial limita a decisão ao uso indevido de drogas.
KH Masyhuril Khamis, identificado como presidente do MUI para os assuntos halal, também distinguiu as questões relativas aos ingredientes e à produção das preocupações com os efeitos do tabaco na saúde. Defendeu uma regulamentação adequada a essas preocupações de saúde, em vez da aplicação de um rótulo de não halal.
As organizações islâmicas da Indonésia já debateram o tabagismo segundo várias categorias religiosas. Um fórum da instituição Bahtsul Masail da Direção Executiva da Nahdlatul Ulama, em Jacarta, a 23 e 24 de fevereiro de 2011, classificou o tabagismo como mubah, ou permitido, ou makruh, ou desaconselhado.
Esse debate também admitiu uma classificação como haram quando o consumo causa danos efetivos à mente ou ao corpo de uma pessoa. O debate atual envolve, por isso, tanto as substâncias presentes num dispositivo de vaping como os efeitos do seu uso na saúde, e a decisão nacional solicitada vai além da questão dos estupefacientes.
As preocupações de saúde vão além das drogas ilegais
O professor Tjandra Yoga Aditama, diretor dos estudos pós-graduados da Universidade YARSI, afirmou que o próprio vaping comporta riscos para a saúde. Em declarações publicadas a 19 de outubro, citou os alertas da Organização Mundial da Saúde sobre a nicotina, substâncias tóxicas e químicos aromatizantes, incluindo resultados que detetaram nicotina em alguns produtos comercializados como isentos da substância.
Tjandra apontou, entre as preocupações referidas pela OMS, efeitos cardiovasculares, danos para o feto em desenvolvimento e perturbações do desenvolvimento cerebral em crianças e adolescentes. A nicotina causa dependência, o que torna o debate particularmente relevante para os consumidores mais jovens.
Referiu também a EVALI, sigla inglesa para lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrónicos ou produtos de vaping, uma doença pulmonar grave identificada pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Disse que a adição de substâncias como o etomidato agrava os riscos para a saúde e apoiou a oposição da BNN ao uso de vaping pelo seu potencial papel no abuso de drogas.
O Inquérito Global sobre Tabaco em Adultos da Indonésia, realizado pelo Ministério da Saúde e pela OMS, registou uma taxa de utilização de cigarros eletrónicos de 3 por cento em 2021, face a 0,3 por cento em 2011. Trata-se de um aumento de dez vezes, ou de 2,7 pontos percentuais, que mostra quanto se tornou mais comum o vaping ao longo da década.
Deputados divergem sobre o alcance de uma proibição
Sahroni afirmou que a segurança pública deve ter prioridade, apesar das consequências económicas. Prometeu também incentivar a polícia e outras autoridades a preparar uma estratégia de transição para o setor e sugeriu que as empresas investigassem alternativas mais seguras e mais difíceis de utilizar indevidamente para o consumo de drogas.
Nasir Djamil, membro da Comissão III, adotou uma posição mais restrita a 18 de outubro. Disse que os líquidos com estupefacientes deveriam ser proibidos, alertando que uma restrição abrangente poderia levar à falência pequenas empresas que produzem produtos de vaping. As suas propostas incluíram sensibilização pública, aconselhamento jurídico e um reforço do trabalho de informações com a participação de grupos comunitários.
A 19 de outubro, Yahya Zaini, vice-presidente da Comissão IX, apoiou uma fatwa contra os líquidos para vaping com estupefacientes. Apelou à polícia e à Agência de Supervisão de Alimentos e Medicamentos (BPOM) para identificarem os produtos que continham substâncias proibidas, investigarem os produtores e reforçarem a regulamentação.
Yahya afirmou que as fábricas deveriam ser encerradas e os proprietários sujeitos a sanções penais quando as provas confirmassem infrações. A sua abordagem ligaria a orientação religiosa às investigações sobre as empresas responsáveis pelos produtos ilegais.
Rudianto Lallo, deputado do NasDem e também membro da Comissão III, apoiou uma análise cuidadosa do MUI que abrangesse considerações de saúde, sociais e jurídicas. Apelou ainda a uma aplicação mais rigorosa da lei, a ações de sensibilização e à prevenção, com especial atenção à proteção dos jovens.
Empresas defendem medidas seletivas
Budiyanto, presidente da Associação Indonésia de Vaporizadores Pessoais (APVI), afirmou que a sua organização apoiava medidas contra as redes de tráfico de drogas, mas queria que as autoridades distinguissem as empresas que cumprem as regras das infratoras. Defendeu que a aplicação da lei se concentrasse em quem utiliza indevidamente os dispositivos, nas respetivas redes de abastecimento e nos produtos ilegais.
Budiyanto alertou também que uma proibição total poderia dificultar a fiscalização e permitir a expansão da circulação ilícita. Fachmi Kurnia, presidente da Associação Indonésia de Retalhistas de Vaping (ARVINDO), apoiou a distinção feita pela decisão de Java Oriental entre atividades comerciais legais e infrações relacionadas com drogas.
As propostas em confronto teriam efeitos diferentes para as empresas. Uma proibição total abrangeria vendedores e fabricantes de todo o setor. As restrições seletivas centrariam a aplicação da lei nos ingredientes proibidos e nas pessoas envolvidas na sua produção, distribuição ou utilização. A estratégia de transição do setor proposta por Sahroni procura dar resposta à perturbação mais ampla prevista na abordagem abrangente.
As comparações internacionais também apresentam uma divergência numérica significativa. O relato da reunião de outubro do MUI referiu que mais de 90 países tinham proibido totalmente o vaping, nomeando Singapura, Tailândia, Vietname, Laos e Brunei Darussalam; Tjandra referiu cerca de 35 países em todo o mundo que proíbem os sistemas eletrónicos de administração de nicotina e 12 dos 38 membros da Região do Pacífico Ocidental da OMS que proíbem as vendas.
As decisões imediatas para a Indonésia dizem respeito ao alcance da decisão religiosa do MUI, aos produtos que as autoridades investigam e às regras adotadas pelo governo. A polícia, os líderes religiosos, os deputados e as associações empresariais apoiam a ação contra os estupefacientes, mas divergem sobre se isso exige retirar totalmente do mercado os dispositivos de vaping.
Pontos principais
- Ahmad Sahroni instou o MUI, a 18 de outubro de 2026, a declarar o vaping haram, invocando os riscos para a saúde e o uso indevido para consumo de drogas.
- O chefe da polícia, Suyudi Ario Seto, pediu apoio para uma proibição total durante uma visita ao MUI, a 13 de outubro.
- Os testes da BNN a 341 amostras de líquido para vaping detetaram canabinoides em 11 e metanfetamina numa, além de resultados relativos ao etomidato.
- O MUI tenciona realizar uma análise detalhada, com contributos de especialistas, antes de decidir sobre a proposta nacional.
- O MUI de Java Oriental afirma que a sua Fatwa n.º 1 de 2026 proíbe a utilização de dispositivos de vaping para consumir drogas proibidas, e não os próprios dispositivos.
- Deputados e associações do setor divergem entre uma proibição total e restrições seletivas; as pequenas empresas estão entre as que poderão ser afetadas.
- As preocupações de saúde incluem dependência da nicotina, lesões pulmonares e riscos para crianças, adolescentes e fetos em desenvolvimento.






