Tóquio recupera apenas parte das perdas acentuadas
O Nikkei 225 do Japão subiu 898,34 pontos, ou 1,39%, para fechar nos 65.324,29 pontos na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, pondo fim a seis sessões consecutivas de perdas. As compras abrangeram 32 dos 33 grupos industriais da Bolsa de Tóquio, com a Tokyo Electron, o SoftBank Group e a Advantest a contribuírem para liderar a recuperação.
Índice
- Tóquio recupera apenas parte das perdas acentuadas
- Como as vendas ganharam força
- Os compradores regressaram, mas a subida perdeu força
- Subida generalizada, impulsionada por algumas ações
- Porque é que o endividamento da CoreWeave abalou as ações de chips
- A inflação e o petróleo acrescentaram outra camada de pressão
- Resultados das empresas criaram vencedores e perdedores
- As divisas, as obrigações e a Coreia do Sul refletiram a pressão
- Os próximos testes chegam com resultados e inflação
- Pontos principais
A recuperação anulou apenas 27,1% da queda de 3.318,34 pontos registada na quinta-feira, a terceira maior perda diária em pontos da história do índice. No conjunto de quinta e sexta-feira, o Nikkei continuou 2.420 pontos abaixo. Os investidores compraram ações depois das quedas acentuadas, enquanto as preocupações com a dívida que sustenta o investimento em inteligência artificial continuaram a pesar sobre o mercado.
O Topix, mais abrangente, subiu 66,66 pontos, ou 1,67%, para 4.066,00 pontos, recuperando o nível dos 4.000. O volume de transações no Mercado Prime atingiu 2,37905 mil milhões de ações, com um valor transacionado de 7,6686 biliões de ienes.
A recuperação de sexta-feira surgiu após uma melhoria durante a noite em Wall Street, onde o Dow Jones Industrial Average ganhou 556,21 pontos. As declarações de Jensen Huang, presidente executivo da Nvidia, sobre a situação financeira da CoreWeave, fornecedora de infraestruturas de inteligência artificial, também ajudaram a tranquilizar os investidores, depois de as preocupações com o seu endividamento se terem propagado pelos mercados tecnológicos.
Ainda assim, o Nikkei terminou a semana com uma queda de 5,37%, a maior descida semanal desde 17 de julho. As compras de sexta-feira recuperaram algum terreno, mas os investidores continuam a enfrentar a mesma questão central: se as empresas que investem fortemente em equipamento para inteligência artificial conseguirão gerar receitas suficientes para sustentar esses investimentos.
Como as vendas ganharam força
As perdas em Tóquio combinaram várias pressões: uma inflação norte-americana mais elevada, expectativas de taxas de juro mais altas, preocupações com as finanças da CoreWeave e uma concorrência crescente nos chips de memória. O Nikkei tinha negociado acima dos 70.000 pontos em 5 de outubro, antes de recuar acentuadamente.
- 5 de outubro: O Nikkei negociou acima dos 70.000 pontos pela primeira vez em cerca de três meses.
- 14 de outubro: Os planos da fabricante chinesa de chips CXMT para lançar produtos de memória para servidores antes do final do ano aumentaram as preocupações com a concorrência. A inflação nos Estados Unidos em setembro foi divulgada em 3,7%.
- 15 de outubro: O Nikkei caiu 3.318,34 pontos, para 64.425,95, completando seis sessões de perdas. O mínimo intradiário foi de 64.092,74.
- 16 de outubro: O índice recuperou para 65.324,29, depois de atingir 65.712,30 às 14h01.
As vendas de quinta-feira foram especialmente acentuadas entre as empresas ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores. Ao meio-dia, a Advantest caía mais de 15%, a Tokyo Electron cerca de 8%, o SoftBank Group mais de 10% e a Kioxia mais de 12%.
A fraqueza estendeu-se a outros mercados. Na sessão norte-americana anterior, o Philadelphia Semiconductor Index caiu 4,3%, enquanto a Nvidia perdeu 3% e a Oracle cerca de 9%. O Kospi da Coreia do Sul recuou 7,5% na quinta-feira, perante a forte pressão vendedora sobre a Samsung Electronics e a SK Hynix.
Os compradores regressaram, mas a subida perdeu força
O Nikkei estava nos 65.550,68 pontos na pausa de sexta-feira ao meio-dia, uma subida de 1,75%. Mais tarde, chegou a alargar a subida para 1.286,35 pontos, antes de perder cerca de 388 pontos face ao máximo da tarde até ao fecho. As vendas para garantir mais-valias antes do fim de semana e as persistentes preocupações com a rentabilidade da inteligência artificial limitaram os ganhos.
Daisuke Hashizume, estratega sénior da Daiwa Securities, atribuiu a recuperação sobretudo às compras após as fortes perdas da sessão anterior.
As ações recuperaram quando os investidores voltaram a comprá-las após as fortes perdas da sessão anterior… não houve outros fatores que justificassem as subidas,
Hashizume afirmou que os investidores também estavam cautelosos antes da divulgação dos resultados das empresas e das eleições intercalares nos Estados Unidos, em novembro. Apontou o possível efeito do resultado eleitoral nas propostas do presidente Donald Trump de pagamentos de 5.000 dólares a adultos norte-americanos e de aumento da despesa militar como questões acompanhadas pelos mercados.
As ações norte-americanas deram algum apoio durante a noite, embora as subidas tenham variado. O Dow avançou cerca de 1,08%, contra 0,33% do S&P 500 e 0,08% do Nasdaq Composite. O Nasdaq terminou em alta, depois de ter estado em queda, enquanto a descida das taxas das obrigações do Tesouro dos Estados Unidos ajudou a estabilizar o sentimento dos investidores.
Subida generalizada, impulsionada por algumas ações
A Tokyo Electron contribuiu com 134,00 pontos para a subida do Nikkei na sexta-feira, cerca de 14,9% do total. O SoftBank Group acrescentou 74,43 pontos, a Ibiden 74,30, a BayCurrent 50,57 e a Advantest 40,99. Em conjunto, estas cinco ações representaram cerca de 41,7% da subida do índice.
O Nikkei utiliza os preços das ações ajustados para determinar a influência de cada empresa. Assim, as empresas com preços ajustados mais elevados podem fazer o índice variar mais do que outras, mesmo quando as compras abrangem grande parte do mercado. Na sexta-feira, a Fast Retailing ilustrou o efeito contrário, retirando 66,34 pontos ao índice.
No Mercado Prime, 1.292 ações subiram, representando mais de quatro quintos das cotadas. Os balanços finais apontaram para 224 a 229 ações em queda. O setor da eletricidade e do gás foi o único grupo industrial a recuar; os ganhos foram liderados pelo setor de outros produtos, seguido pela maquinaria, seguros e equipamento de transporte.
Os bancos e as empresas industriais também participaram na subida. Ao meio-dia, o Mitsubishi UFJ Financial Group avançava 1,64% e o Mizuho Financial Group 1,71%, enquanto a Toyota Motor subia ao longo da sessão. A Kioxia terminou com uma valorização de 3,84%, nos 13.375 ienes, e o SoftBank Group ganhou 1,90%, para 4.944 ienes.
Porque é que o endividamento da CoreWeave abalou as ações de chips
A CoreWeave fornece infraestruturas informáticas utilizadas em inteligência artificial, incluindo acesso a centros de dados e a chips potentes. A sua expansão liga as finanças de um operador de infraestruturas à procura de equipamento fabricado por outras empresas do setor tecnológico.
O comentador de mercado Kazuyuki Suzuki identificou a forte subida da rendibilidade das obrigações da CoreWeave como uma das principais fontes de ansiedade da semana. Referiu uma obrigação com vencimento em 2032 e uma taxa de cupão fixa de 9%, cuja rendibilidade de mercado tinha subido para o intervalo dos 15%.
A taxa de cupão corresponde ao pagamento de juros estabelecido nas condições de uma obrigação. A rendibilidade de mercado varia com o preço a que a obrigação é negociada. Quando os investidores exigem uma rendibilidade mais elevada para deter a dívida de uma empresa, isso pode indicar maiores preocupações com o reembolso e encarecer novos empréstimos.
Suzuki referiu também um prémio superior a 11% nos credit default swaps da CoreWeave a cinco anos. Estes contratos oferecem proteção contra determinados incumprimentos de dívida. Prémios mais elevados significam que essa proteção ficou mais cara.
Mais tarde, Huang, da Nvidia, indicou que a solidez financeira da CoreWeave estava a melhorar e que o seu custo de capital estava a diminuir. As ações da CoreWeave subiram mais de 5% nas negociações nos Estados Unidos na quinta-feira. As ações japonesas de chips também subiram na sexta-feira, embora os investidores continuassem preocupados com a rapidez com que o investimento em infraestruturas de inteligência artificial se traduziria em lucros.
A inflação e o petróleo acrescentaram outra camada de pressão
A inflação dos preços no consumidor nos Estados Unidos em setembro, de 3,7%, superou as expectativas do mercado e levou os operadores a atribuir maior probabilidade a uma subida das taxas de juro. A probabilidade implícita de uma subida em outubro chegou brevemente aos 50%, antes de recuar para 27%.
Taxas de juro mais elevadas podem afetar o investimento em inteligência artificial por duas vias. Aumentam os custos dos empréstimos para as empresas que constroem instalações dispendiosas e tornam os investidores menos dispostos a pagar preços elevados hoje por lucros esperados apenas muito mais tarde.
O petróleo Brent manteve-se acima dos 100 dólares por barril, num contexto de conflito persistente no Médio Oriente. A subida dos futuros do petróleo bruto norte-americano também pesou sobre a sessão de sexta-feira em Tóquio. O petróleo caro aumenta os custos de transporte e produção e dificulta a gestão das perspetivas de inflação pelos bancos centrais.
A próxima reunião de política monetária da Reserva Federal está agendada para 27 e 28 de outubro. Comentários atribuídos ao presidente da Fed, Warsh, indicando que abordaria as decisões de política monetária sem uma posição previamente definida, ajudaram a tranquilizar os investidores durante a sessão de sexta-feira. Não tinha sido tomada qualquer decisão sobre as taxas.
Resultados das empresas criaram vencedores e perdedores
A BayCurrent destacou-se da recuperação mais ampla. As suas ações subiam 17,25% ao meio-dia, depois de a empresa de consultoria ter anunciado planos para utilizar o excedente de tesouraria em investimentos e recompra de ações. Os sólidos resultados do primeiro semestre do exercício financeiro e o plano empresarial a médio prazo também atraíram compradores, e as ações atingiram o limite máximo diário de variação.
Uma recompra de ações ocorre quando uma empresa compra ações próprias. Os investidores podem valorizar esta utilização da tesouraria por poder reduzir o número de ações em circulação e aumentar a parcela dos lucros futuros atribuível a cada ação restante.
A empresa de serviços de software SHIFT também atingiu o limite máximo diário depois de as perspetivas de resultados e os planos para um fundo de investimento com a Tokyo Gas terem atraído compradores. A Takara Holdings subiu após a divulgação de uma participação detida pela Oasis Management.
A HIOKI seguiu na direção oposta. Os seus sólidos resultados acumulados até ao terceiro trimestre foram seguidos por uma forte queda das ações, depois de a empresa ter mantido inalterada a previsão para o ano completo. Os investidores estavam a avaliar as perspetivas futuras com a mesma atenção dedicada aos resultados recentes.
Maki Sawada, estratega no Departamento de Conteúdos de Investimento da Nomura Securities, descreveu a cautela do mercado antes dos resultados das empresas.
A volatilidade recente reflete movimentos típicos que antecedem uma época de apresentação de resultados,
Sawada acrescentou que os investidores tendiam a adotar uma postura de redução do risco e afirmou que resultados sólidos poderiam ajudar a atenuar as preocupações com o investimento em inteligência artificial.
As divisas, as obrigações e a Coreia do Sul refletiram a pressão
O dólar negociou perto dos 158 ienes em Tóquio na sexta-feira. Às 17h00, valia 158,00–158,02 ienes, em comparação com 157,86–157,88 ienes à mesma hora na quinta-feira. O euro foi cotado a 1,1238–1,1239 dólares e 177,57–177,61 ienes.
A rendibilidade de referência das obrigações do Estado japonês com maturidade a 10 anos subiu 0,010 pontos percentuais, para 2,930%, à medida que as ações recuperavam e as obrigações eram vendidas. Durante a queda de quinta-feira, tinha descido brevemente para 2,91%. Os preços das obrigações e as respetivas rendibilidades evoluem em sentidos opostos.
O Kospi da Coreia do Sul recuperou 2,05%, para 5.668,06 pontos, na sexta-feira, mas terminou a semana com uma queda de 14,46%, a maior descida semanal desde outubro de 2008. A queda semanal foi cerca de 2,7 vezes superior à descida de 5,37% do Japão. A Samsung Electronics subiu 2,62% na sexta-feira e a SK Hynix avançou 0,79%.
O Ministério da Economia e das Finanças da Coreia do Sul afirmou, a 16 de outubro, que iria acompanhar se a volatilidade do mercado acionista se alastrava às obrigações, ao mercado cambial e aos mercados monetários, e reforçar a supervisão dos mercados. O ministério apontou as perspetivas de crescimento, o excedente persistente da balança corrente e os resultados das empresas como fatores de apoio.
Os próximos testes chegam com resultados e inflação
A Meta Platforms deverá divulgar os resultados relativos ao período de julho a setembro a 21 de outubro, hora dos Estados Unidos. Os investidores irão analisar os planos de investimento em inteligência artificial, as receitas e as perspetivas de lucros, procurando sinais de como a procura de infraestruturas informáticas se traduz em retorno comercial.
O índice nacional de preços no consumidor do Japão relativo a setembro será divulgado a 23 de outubro. Junko Koeda, membro do conselho de política monetária do Banco do Japão, afirmou a 15 de outubro que os responsáveis não precisam de ser excessivamente cautelosos quanto a uma subida das taxas. Indicou também que a taxa de juro neutra, um nível que não estimula nem restringe a economia, se situa claramente acima de 1%.
Para os exportadores japoneses, uma valorização do iene pode reduzir o valor em ienes dos lucros obtidos no estrangeiro. Um indicador de inflação que aumente as expectativas de subidas das taxas de juro no Japão poderá, por isso, afetar tanto a moeda como os preços das ações.
Suzuki situou um possível limite inferior do Nikkei perto dos 61.000 pontos. O índice terminou sexta-feira abaixo da média móvel de 26 semanas, de 65.672 pontos, que citou na sua avaliação. Os resultados de 21 de outubro, os dados da inflação japonesa de 23 de outubro e a reunião da Fed de 27 e 28 de outubro são os próximos testes concretos à confiança dos investidores.
Pontos principais
- O Nikkei subiu 898,34 pontos, para 65.324,29, pondo fim a seis sessões consecutivas de perdas.
- A subida de sexta-feira recuperou 27,1% da queda de quinta-feira; o índice ainda perdeu 5,37% na semana.
- O Topix avançou 1,67% e 32 dos 33 grupos industriais de Tóquio subiram.
- Os custos de financiamento da CoreWeave, a rentabilidade da inteligência artificial, a inflação e os preços do petróleo continuaram entre as principais preocupações.
- Os resultados da Meta, os dados da inflação japonesa e a reunião da Fed em outubro são os próximos testes de mercado agendados.






