Seis empreiteiras poderão ser alvo de conclusões por concertação em concursos de manutenção
A Comissão do Comércio Justo do Japão prepara-se para ordenar a cinco empresas de construção que adotem medidas para prevenir novas concertações em concursos e para pagarem, em conjunto, sobretaxas de cerca de 500 milhões de ienes por contratos de manutenção das linhas ferroviárias públicas de Tóquio. Os alegados acordos abrangem as quatro linhas do metro Toei, a linha de elétrico Toden Arakawa e a linha de transporte Nippori-Toneri.
Índice
- Seis empreiteiras poderão ser alvo de conclusões por concertação em concursos de manutenção
- Que empresas poderão ser alvo das ordens propostas?
- Como funcionava a alegada distribuição dos contratos
- O que abrangiam os contratos e qual era o seu valor
- Porque se espera que uma empresa escape às sanções
- O papel de Tóquio é uma vertente distinta da investigação
- Da adjudicação dos contratos à aplicação de sanções proposta
- O que ainda não foi decidido
- Pontos-chave
É esperado que a comissão conclua que seis empresas violaram a Lei Antimonopólio ao combinarem os vencedores dos contratos antes da apresentação das propostas. Uma sexta empresa, a Tokyu Kidoh Kogyo, deverá escapar tanto à ordem corretiva como à sobretaxa, por ter denunciado a conduta antes do início da investigação.
O caso envolve também a entidade pública responsável pela adjudicação dos contratos. Os investigadores estão a apurar se o departamento de transportes do Governo Metropolitano de Tóquio participou nos alegados acordos. Caso essa participação seja comprovada, Tóquio poderá receber uma exigência separada para introduzir melhorias ao abrigo da lei japonesa contra o envolvimento de entidades públicas em concertação de propostas.
As sanções propostas ainda não são definitivas. Segundo foi noticiado, a comissão informou as empresas da ação que pretende tomar e ouvirá as suas posições antes de tomar uma decisão final. Esta distinção é importante: a investigação avançou para a fase de aplicação de sanções, mas as empresas ainda têm oportunidade de responder.
Que empresas poderão ser alvo das ordens propostas?
As cinco empresas que deverão receber ordens são a Totetsu Kogyo, a Tsuboi, a Hayakawa Kensetsu, a Nisshin Kogyo e a Sankikensetsu. A Totetsu Kogyo é afiliada da East Japan Railway e está cotada no mercado Prime da Bolsa de Valores de Tóquio. A Sankikensetsu pertence ao grupo de construção ferroviária da Kyushu Railway.
A Totetsu Kogyo tem sede no bairro de Shinagawa, em Tóquio; a Tsuboi, no bairro de Chuo; e a Hayakawa Kensetsu, no bairro de Taito. A Nisshin Kogyo tem sede em Kawasaki, enquanto a Sankikensetsu tem sede em Fukuoka. A Tokyu Kidoh Kogyo, a sexta empresa, também tem sede em Kawasaki e pertence ao grupo ferroviário Tokyu.
A conclusão prevista diz respeito a uma restrição injustificada da concorrência ao abrigo da Lei Antimonopólio. Neste caso, isso significa que as empresas terão alegadamente restringido a concorrência ao acordarem quem deveria receber determinados contratos, em vez de apresentarem propostas independentes.
As ordens corretivas previstas exigiriam medidas para impedir a repetição da conduta. As sobretaxas são sanções financeiras previstas na lei da concorrência. Os 500 milhões de ienes noticiados correspondem ao montante total previsto para as cinco empresas, e não a uma sanção desse valor para cada uma. As notícias não divulgaram a discriminação dos montantes por empresa.
Como funcionava a alegada distribuição dos contratos
A conduta suspeita terá começado, o mais tardar, em março de 2020. Representantes das empresas terão alegadamente combinado quem pretendiam que vencesse antes dos concursos para trabalhos de manutenção, distribuindo os contratos por linha ferroviária para que cada empresa pudesse obter repetidamente trabalhos nos percursos que preferia.
A rede abrangida inclui as linhas de metro Asakusa, Mita, Shinjuku e Oedo, a linha Toden Arakawa, também conhecida como Tokyo Sakura Tram, e a linha automatizada de transporte Nippori-Toneri. O âmbito vai, portanto, além do sistema de metro mencionado nas acusações iniciais.
Segundo foi noticiado, a maioria dos contratos em determinadas linhas era atribuída a uma empresa específica. Alguns concursos receberam propostas de várias empresas após a alegada concertação, enquanto outros tiveram apenas uma proposta. Um concurso com vários concorrentes pode parecer competitivo sem o ser efetivamente, caso os participantes já tenham acordado quem será o vencedor.
No entanto, a apresentação de uma única proposta não prova, por si só, a existência de concertação. A principal alegação diz respeito à coordenação entre empresas antes da apresentação das propostas, e não apenas ao número de participantes. As notícias também não identificam a empresa a quem foi atribuída cada linha nem fornecem uma lista completa dos contratos abrangidos.
O que abrangiam os contratos e qual era o seu valor
O departamento de transportes contrata trabalhos como a substituição de carris e agulhas envelhecidos, os equipamentos que encaminham os comboios de uma via para outra. Trata-se de aquisições para a manutenção de uma rede já em funcionamento, e não de contratos para construir uma nova linha ferroviária.
Nos concursos analisados pela investigação, o departamento define publicamente os requisitos técnicos e convida as empresas interessadas a candidatarem-se. As empresas selecionadas após uma avaliação podem então apresentar propostas. Este processo permite ao departamento avaliar se os empreiteiros têm as capacidades necessárias, mas a alegada concertação diz respeito ao que aconteceu entre os concorrentes antes da apresentação das propostas.
Segundo foi noticiado, os preços vencedores dos contratos anuais variaram entre dezenas de milhões de ienes por empresa e valores na ordem dos 200 milhões de ienes. Dois contratos adjudicados em 2024 dão uma ideia mais concreta das despesas sob escrutínio.
Em abril de 2024, a Totetsu Kogyo venceu um contrato de 259,6 milhões de ienes para renovar carris entre as estações de Azabu-Juban e Roppongi, na linha Oedo. Em junho desse ano, a Tokyu Kidoh Kogyo recebeu um contrato de 170 milhões de ienes para trabalhos na linha Mita.
Os dois contratos totalizam 429,6 milhões de ienes. O contrato da linha Oedo foi 89,6 milhões de ienes superior ao da linha Mita, ou cerca de 53% mais elevado. Esta comparação mostra a dimensão de contratos individuais, mas não demonstra que qualquer deles tenha sido sobreavaliado. Os valores noticiados não indicam quanto teriam custado os projetos se tivessem sido objeto de propostas independentes.
Porque se espera que uma empresa escape às sanções
É esperado que a Tokyu Kidoh Kogyo seja incluída na conclusão da comissão de que houve uma violação da Lei Antimonopólio, mas escape tanto à ordem corretiva como à sobretaxa. Segundo foi noticiado, a razão é ter denunciado voluntariamente a conduta antes de a comissão iniciar a investigação.
O regime de clemência do Japão incentiva as empresas a denunciarem práticas de cartel, permitindo que os requerentes elegíveis obtenham reduções ou isenção de sanções financeiras. O tratamento previsto para a Tokyu Kidoh mostra por que razão a conclusão de que uma empresa participou na conduta e a aplicação de uma sanção são questões distintas.
A isenção prevista não deve ser interpretada como uma conclusão de que a empresa não esteve envolvida. As notícias referem que as seis empresas estão abrangidas pela conclusão de infração prevista, mas identificam cinco como destinatárias das ordens propostas.
Os detalhes da denúncia da Tokyu Kidoh não foram divulgados. Também não foi explicado que provas apresentou nem de que forma essas provas contribuíram para as conclusões propostas. A distinção confirmada diz respeito ao momento da denúncia, anterior à investigação, e ao tratamento que se prevê no âmbito do regime de clemência.
O papel de Tóquio é uma vertente distinta da investigação
A comissão realizou inspeções no departamento de transportes e nas seis empresas em 11 de novembro de 2025. A inspeção ao departamento trouxe para a investigação a conduta da entidade responsável pelas aquisições, juntamente com a dos empreiteiros.
Os investigadores estão a apurar se o departamento esteve envolvido na alegada concertação. A divulgação de informações confidenciais sobre os concursos é uma das formas possíveis de envolvimento referidas nas notícias, mas ainda não foi confirmada como conclusão neste caso.
Se o envolvimento de entidades públicas for confirmado, a comissão poderá exigir a Tóquio que adote medidas de melhoria ao abrigo da lei destinada a impedir que funcionários públicos facilitem a concertação em concursos. Isso implicaria uma resposta distinta do Governo Metropolitano, incluindo uma investigação interna e medidas para prevenir a repetição da conduta.
Em 2019, Tóquio recebeu uma exigência de melhoria por causa de concertação em concursos para serviços de gestão de instalações de tratamento de águas residuais. Esse caso anterior constitui um precedente concreto no âmbito do mesmo governo metropolitano. Por si só, não prova qualquer irregularidade nos contratos de manutenção ferroviária nem demonstra que tenham estado envolvidos os mesmos funcionários ou práticas.
Da adjudicação dos contratos à aplicação de sanções proposta
A sequência noticiada estende-se por vários anos. Distingue o alegado início da coordenação, contratos adjudicados identificáveis, inspeções e a atual fase de proposta de medidas administrativas.
- 2019: Tóquio recebeu uma exigência de melhoria por envolvimento de entidades públicas em concertação em concursos para a gestão de instalações de tratamento de águas residuais.
- O mais tardar em março de 2020: Já estaria em curso a alegada coordenação de propostas para contratos de manutenção ferroviária.
- Abril de 2024: A Totetsu Kogyo venceu o contrato de 259,6 milhões de ienes para a renovação de carris na linha Oedo.
- Junho de 2024: A Tokyu Kidoh Kogyo venceu um contrato de 170 milhões de ienes para a linha Mita.
- 11 de novembro de 2025: A comissão inspecionou o departamento de transportes e seis empresas de construção.
- Fase atual de aplicação de sanções: Segundo foi noticiado, as empresas foram informadas das ordens propostas; a decisão final será tomada depois de consideradas as suas posições.
As notícias que situam o início dos acordos há vários anos são compatíveis com a alegação mais específica de que já existiam em março de 2020. Essa data não corresponde necessariamente ao início da conduta; é o momento mais tardio em que, segundo foi noticiado, os alegados acordos já existiam.
O que ainda não foi decidido
O passo processual seguinte é a comissão analisar as respostas das empresas, seguindo-se uma decisão final. Não foi divulgada uma data concreta para as audições ou para as ordens definitivas. Também não foi indicada uma data para a conclusão da investigação sobre o possível envolvimento do departamento de transportes.
Continuam por esclarecer várias questões financeiras. As notícias não indicam o valor ou o número total dos contratos abrangidos, a sobretaxa proposta para cada empresa nem uma estimativa de eventuais custos adicionais para Tóquio. Por isso, os cerca de 500 milhões de ienes previstos em sobretaxas não devem ser entendidos como uma estimativa das perdas para os cofres públicos.
O caso diz respeito à concorrência na contratação pública. As alegações noticiadas não provam que os trabalhos de manutenção tenham sido defeituosos, que tenha ocorrido uma falha na segurança ferroviária ou que a circulação de passageiros tenha sido interrompida. Manter estas questões separadas evita transformar uma alegação sobre a adjudicação de contratos numa afirmação sem fundamento sobre a execução dos trabalhos.
O desfecho dependerá de duas decisões distintas: se a comissão confirma as infrações e sanções propostas às empresas e se comprova o envolvimento de entidades públicas, que exigiria medidas corretivas por parte de Tóquio. A primeira está próxima de uma decisão formal; a segunda continua sob investigação.
Pontos-chave
- É esperado que se conclua que seis empreiteiras violaram a Lei Antimonopólio ao concertarem propostas para contratos de manutenção ferroviária em Tóquio.
- Cinco empresas poderão receber ordens corretivas e pagar sobretaxas que totalizam cerca de 500 milhões de ienes.
- É esperado que a Tokyu Kidoh Kogyo escape a essas ordens por ter denunciado voluntariamente a conduta antes do início da investigação.
- Os alegados acordos abrangem quatro linhas do metro Toei, o elétrico Toden Arakawa e a linha Nippori-Toneri.
- A conduta terá existido, o mais tardar, desde março de 2020; as inspeções realizaram-se em 11 de novembro de 2025.
- O departamento de transportes de Tóquio está sob investigação por possível envolvimento, mas ainda não foi alcançada qualquer conclusão nesse sentido.
- As ordens definitivas serão emitidas depois de consideradas as posições das empresas. Não foi divulgada uma data concreta para a decisão.






