Défice de eletricidade ao início da noite atinge 116 megawatts
A escassez de eletricidade em 21 distritos do sudoeste do Bangladesh agravou-se a 14 de outubro, tendo a West Zone Power Distribution Company (WZPDCL) registado um défice de 116 megawatts ao início da noite. A procura atingiu 694 megawatts, enquanto a oferta ficou pelos 578 megawatts, deixando indisponível cerca de um sexto da eletricidade necessária.
Índice
- Défice de eletricidade ao início da noite atinge 116 megawatts
- Com que rapidez aumentou o défice?
- Khulna e Barishal enfrentaram pressões diferentes
- Cortes repetidos perturbam as rotinas quotidianas
- Clientes rurais relatam interrupções mais longas
- As explorações de camarão precisam de eletricidade para manter os animais vivos
- Fábricas enfrentam custos mais elevados e interrupções na produção
- Escassez de combustível mantém centrais elétricas paradas
- Por que é difícil substituir a capacidade disponível
- Principais pontos
Khulna e os distritos vizinhos enfrentaram cortes repetidos, que perturbaram o estudo, a preparação de refeições, a refrigeração e o funcionamento das fábricas. Belal Hossain, residente em Goborchaka, em Khulna, descreveu cortes com até uma hora e meia de duração e estimou que o seu bairro tivesse ficado sem eletricidade durante 13 a 14 horas.
A sala central de controlo de eletricidade da WZPDCL registou um défice de 101 megawatts pouco depois das 13h00 desse dia, mesmo fora do período da noite, em que a procura é mais elevada. Na tarde anterior, o défice tinha sido de 36 megawatts.
A procura de eletricidade chegou a diminuir entre estas duas medições da tarde. A oferta caiu muito mais depressa, transformando uma diferença menor num défice quase três vezes superior. Os valores apontam para uma redução da disponibilidade de eletricidade como problema imediato, e não para um aumento súbito do consumo regional.
Relatos da zona rural de Khulna e do setor do camarão mostram como os cortes repetidos vão além do incómodo doméstico. Os estudantes perdem tempo de estudo, as explorações têm dificuldade em manter a água arejada e os exportadores gastam mais com geradores para proteger produtos congelados.
Com que rapidez aumentou o défice?
As medições da WZPDCL de 13 e 14 de outubro mostram défices crescentes tanto à tarde como ao início da noite. O corte de carga consiste em interromper deliberadamente o fornecimento de eletricidade a alguns clientes quando a oferta disponível não consegue satisfazer a procura.
- 13 de outubro, 13h00: a procura era de 741 megawatts e a oferta de 705 megawatts, deixando um défice de 36 megawatts.
- 13 de outubro, 19h00: a procura era de 721 megawatts e a oferta de 642 megawatts, deixando um défice de 79 megawatts.
- 14 de outubro, pouco depois das 13h00: a procura era de 661 megawatts e a oferta de 560 megawatts, deixando um défice de 101 megawatts.
- 14 de outubro, ao início da noite: a procura era de 694 megawatts e a oferta de 578 megawatts, deixando um défice de 116 megawatts.
A procura da tarde diminuiu 80 megawatts entre as duas datas, mas a oferta caiu 145 megawatts. Por conseguinte, a proporção da procura por satisfazer subiu de cerca de 4,9% para 15,3%.
A oferta ao início da noite caiu 64 megawatts, enquanto a procura diminuiu 27 megawatts. O défice resultante aumentou 37 megawatts, ou cerca de 47%, face à noite anterior.
Um megawatt mede a potência num determinado momento. Estas medições indicam a dimensão da diferença entre a oferta e a procura nos horários referidos. As horas sem eletricidade em cada habitação dependem da forma como o distribuidor reparte os cortes pela rede.
Khulna e Barishal enfrentaram pressões diferentes
A zona de Khulna foi responsável por 81 megawatts do défice registado ao início da noite de 14 de outubro. A procura era de 528 megawatts, contra uma oferta de 447 megawatts. A zona de Barishal precisava de 166 megawatts, mas recebeu 131 megawatts, ficando com um défice de 35 megawatts.
Khulna teve, assim, o maior défice em termos absolutos, enquanto Barishal perdeu uma proporção maior da oferta necessária. Cerca de 15,3% da procura da zona de Khulna ao início da noite ficou por satisfazer, contra 21,1% na zona de Barishal.
A situação de Barishal durante a tarde foi ainda mais difícil. Uma oferta de 138 megawatts para uma procura de 180 megawatts deixou um défice de 42 megawatts, equivalente a cerca de 23,3% da procura. Na zona de Khulna, o défice da tarde foi de 59 megawatts, para uma procura de 481 megawatts.
Na tarde anterior, a zona de Barishal tinha recebido os 174 megawatts de que precisava. A passagem de um abastecimento total para um défice considerável ajuda a explicar por que razão os residentes podem ter sentido uma deterioração acentuada em apenas um dia.
A distribuição distrital dos valores de 14 de outubro ao início da noite indicava 29 megawatts em Khulna, 22 megawatts em Barishal, 13 megawatts em Rajbari e 12 megawatts em Faridpur. No entanto, os valores de todos os distritos somam 129 megawatts, face ao total regional de 116 megawatts registado pela sala de controlo. Os totais regionais e por zona coincidem entre si; a distribuição por distrito contém uma discrepância numérica por esclarecer.
Cortes repetidos perturbam as rotinas quotidianas
Os residentes de Khulna descreveram falhas de eletricidade durante tarefas essenciais, em vez de cortes em intervalos previsíveis e convenientes. Ambia Khatun, de Boyra, disse que a escassez de gás já existente obrigou as famílias a depender da eletricidade, tornando mais difícil lidar com cortes repetidos. Latika Rani, de Tutpara, descreveu uma deterioração súbita que interrompeu tarefas urgentes.
Outros relatos referem sete ou oito interrupções em 24 horas. Hajera Khatun, residente em Nirala, em Khulna, disse que os cortes ocorriam tanto de dia como de noite. Imon Sheikh, estudante universitário, descreveu a dificuldade em estudar com o calor e o regresso ao uso de velas.
Meghla Mollick, candidata ao exame HSC da aldeia de Debitala, em Batiaghata, descreveu o impacto na sua educação:
Desde a semana passada, a eletricidade tem falhado de duas em duas ou de três em três horas, durante o dia e a noite. Está a prejudicar seriamente os meus estudos.
A mãe, Pritilata Mollick, disse que a família não tinha um sistema de reserva de eletricidade. Outros residentes relataram que os alimentos se estragavam nos frigoríficos e que as ventoinhas recarregáveis ou os sistemas de alimentação de reserva não conseguiam recarregar suficientemente entre interrupções.
Cortes repetidos podem deixar as famílias com pouco tempo útil para recuperar. A eletricidade pode regressar, mas outra interrupção pode ocorrer antes de as baterias recarregarem ou de o frigorífico voltar à temperatura adequada.
Clientes rurais relatam interrupções mais longas
Residentes da zona rural de Khulna relataram cortes de até 10 horas por dia, com Batiaghata, Dacope, Dumuria e Koyra entre as áreas mais afetadas. O seu serviço de eletricidade inclui outro distribuidor, a Khulna Palli Bidyut Samiti, além do quadro geral de abastecimento regional descrito pela WZPDCL.
A WZPDCL serve cerca de 1,4 milhões de consumidores de eletricidade, incluindo aproximadamente 245 000 em Khulna. Tushar Kanti Mondal, diretor-geral da Khulna Palli Bidyut Samiti, disse que a sua empresa serve cerca de 450 000 consumidores e tem uma procura máxima de aproximadamente 80 a 85 megawatts.
Mondal indicou uma procura de 74 megawatts e uma oferta de 71 megawatts às 15h00, um défice de 3 megawatts. A medição de um distribuidor numa determinada hora mostra uma parte do sistema diferente daquela a que se referem os relatos dos residentes sobre as interrupções acumuladas ao longo do dia.
Outras medições da WZPDCL também revelam uma pressão regional persistente. Às 13h00 de uma quinta-feira, a procura de 659 megawatts excedia a oferta de 560 megawatts, deixando um défice de 99 megawatts. Ao anoitecer, a procura rondava os 700 megawatts e o défice ultrapassava os 100 megawatts.
Uma medição de domingo, às 20h00, indicava uma procura de 773 megawatts e uma oferta de 673 megawatts. A zona de Khulna representava 71 megawatts desse défice de 100 megawatts, e a zona de Barishal, 29 megawatts.
As datas de outubro não indicam o ano, e as medições de quinta-feira e domingo não têm datas completas. Por isso, não é possível determinar a sua relação cronológica exata.
As explorações de camarão precisam de eletricidade para manter os animais vivos
Krishna Biswas, produtora de camarão na aldeia de Khalashi Bunia, descreveu o risco direto para a sua produção quando falta eletricidade. A exploração depende de máquinas de arejamento, que ajudam a manter o oxigénio na água.
Biswas explicou por que razão as interrupções prolongadas durante o tempo quente preocupam os produtores:
Se os arejadores pararem por causa dos cortes de eletricidade, os camarões vão sofrer. Com este calor intenso, cortes prolongados podem dizimar toda a produção.
Os arejadores movimentam e misturam a água para que o oxigénio chegue aos animais criados. A falta de eletricidade pode, assim, interromper uma condição essencial para manter os camarões vivos, criando uma emergência diferente do atraso numa tarefa doméstica.
A Bangladesh Frozen Foods Exporters Association (BFFEA) afirma que apenas 30 das 109 fábricas de transformação de camarão registadas em Khulna estão a funcionar, bem como 18 em Chattogram. A associação estima que a capacidade anual de transformação conjunta seja de cerca de 400 000 toneladas, embora as fábricas recebam apenas cerca de 7% do camarão de que necessitam.
Estes números retratam um setor que já enfrenta uma grave escassez de matéria-prima. A falta de fiabilidade da eletricidade acrescenta outro problema nas fases de produção, transformação e armazenamento.
Fábricas enfrentam custos mais elevados e interrupções na produção
Shyamal Das, diretor da BFFEA e administrador-geral da MU Sea Food Limited, disse que a escassez de eletricidade já tinha interrompido o funcionamento das fábricas:
Esta escassez de eletricidade já obrigou muitas fábricas a suspender temporariamente a atividade.
Das disse que a quebra da produção e o encerramento de fábricas ameaçam os meios de subsistência de quase seis milhões de pessoas que dependem direta ou indiretamente do setor do camarão. O seu alerta abrange a rede mais ampla de atividades ligadas à produção de camarão, e não apenas os trabalhadores das fábricas.
Humayun Kabir, outro diretor da BFFEA, descreveu o aumento dos custos com geradores para os exportadores de camarão congelado que tentam manter a temperatura das câmaras frigoríficas durante os cortes. Os geradores constituem uma fonte alternativa de eletricidade, mas exigem combustível e aumentam as despesas operacionais.
A escassez de eletricidade afeta, assim, as empresas de várias formas. As explorações precisam de energia para manter as condições adequadas da água, as unidades de transformação precisam dela para fazer funcionar a maquinaria e os exportadores precisam de refrigeração fiável. Uma fábrica que recebe pouco camarão também tem menos produção para repartir os seus custos.
Escassez de combustível mantém centrais elétricas paradas
Os números nacionais revelam um problema mais amplo de produção de eletricidade por detrás da pressão regional. Responsáveis do Bangladesh Power Development Board (BPDB) atribuíram a paragem de 35 centrais elétricas a várias causas, apontando a escassez de combustível, em particular a insuficiência de gás, como principal motivo. Segundo relatos, os cortes de eletricidade em todo o país atingiram 2 500 megawatts.
Os dados do BPDB relativos a 7 de outubro indicam uma procura de 2 524 milhões de pés cúbicos de gás por dia por parte das centrais que utilizam esse combustível, face a uma oferta de 895 milhões de pés cúbicos por dia. Essas centrais receberam cerca de 35,5% do gás solicitado, ficando com um défice de 1 629 milhões de pés cúbicos por dia.
Um responsável da Power Division estimou que o Bangladesh dispõe de cerca de 1 600 milhões de pés cúbicos de gás por dia provenientes da produção interna e de mais 1 000 milhões importados sob a forma de gás natural liquefeito (GNL). O GNL é gás arrefecido até se tornar líquido para transporte e reconvertido em gás antes de ser utilizado.
As centrais elétricas concorrem com os consumidores industriais pelo abastecimento disponível. Responsáveis disseram que o envio de mais gás para a produção de eletricidade poderia agravar a escassez nas fábricas e perturbar as exportações.
As paragens das centrais deveram-se também a trabalhos de manutenção, contratos expirados e problemas mecânicos. Os dados do BPDB indicavam paragens em Ghorashal, Bheramara, Baghabari e Sirajganj, entre outras instalações. Foi também noticiado que todas as unidades da central a carvão de Barapukuria estavam paradas.
Por que é difícil substituir a capacidade disponível
Um responsável da Power Division estimou o custo de produção de eletricidade em cerca de Tk25 por unidade com fuelóleo, Tk13 a Tk14 com carvão e Tk7 com gás. Uma unidade de eletricidade corresponde a um quilowatt-hora, a energia consumida por um aparelho que utiliza um quilowatt durante uma hora.
A estes preços indicados, produzir eletricidade com fuelóleo custa cerca de 3,6 vezes mais do que com gás. Substituir a produção a gás em falta por produção a fuelóleo exige, por isso, muito mais dinheiro, além de combustível disponível e centrais operacionais.
A Power Grid Company of Bangladesh registou cortes de eletricidade de 2 040 megawatts em todo o país à 1h00 de 7 de outubro. O valor caiu para 859 megawatts às 8h00, antes de subir para 1 161 megawatts às 16h00. Estas medições mostram que a escassez pode variar consideravelmente ao longo de um só dia.
BD Rahmat Ullah, antigo diretor-geral da Power Cell, relacionou o problema com decisões de planeamento que expandiram as instalações de produção sem garantir combustível suficiente:
"O resultado é termos centrais elétricas, mas não as podermos operar por falta de combustível", disse.
Rahmat Ullah defendeu a eletricidade renovável e o armazenamento em baterias, referindo a utilização de energia solar durante o dia e de eletricidade armazenada à noite. A sua proposta aborda o planeamento do abastecimento a mais longo prazo, enquanto os relatos imediatos do sudoeste do Bangladesh descrevem clientes e empresas a lidar com interrupções repetidas usando a eletricidade atualmente disponível.
Principais pontos
- A WZPDCL registou um défice de 116 megawatts ao início da noite de 14 de outubro em 21 distritos, perante uma procura de 694 megawatts.
- O défice da tarde aumentou de 36 para 101 megawatts num dia, apesar da diminuição da procura de eletricidade.
- A zona de Khulna teve o maior défice ao início da noite, enquanto Barishal perdeu uma proporção maior da oferta necessária.
- Os residentes descreveram perturbações nos estudos, nas rotinas domésticas e na refrigeração, com cortes prolongados nas zonas rurais.
- Os produtores e exportadores de camarão enfrentam riscos para a produção, interrupções na atividade e custos mais elevados com geradores.
- A produção nacional de eletricidade está condicionada pela falta de combustível, bem como por trabalhos de manutenção, contratos expirados e problemas de equipamento.






