Uma venda em novembro revela uma mudança mais ampla
O Butão terá vendido 367 Bitcoin, no valor de cerca de 33,5 milhões de dólares, através da Binance em novembro de 2024, mantendo 12 206 BTC, avaliados em aproximadamente 1,11 mil milhões de dólares. A transação surgiu na sequência de outra venda noticiada, no valor de 66 milhões de dólares, elevando o total combinado para 99,5 milhões. Estes valores descreviam um governo que retirava algum dinheiro de um mercado em alta, mantendo uma posição muito maior em criptomoedas.
Índice
- Uma venda em novembro revela uma mudança mais ampla
- O que aconteceu na transação de 33,5 milhões de dólares?
- A cronologia distingue dois retratos das reservas
- As saídas posteriores apontam para uma posição muito menor
- Porque caiu mais o valor em dólares do que o saldo de moedas
- A energia hidroelétrica tornou singular a abordagem do Butão
- A mineração parou ou tornou-se menos visível?
- As estratégias nacionais de Bitcoin não são todas iguais
- Pontos principais
Um relato posterior descreve uma redução substancial: reservas de 3954 BTC, no valor de cerca de 280,6 milhões de dólares, face a aproximadamente 13 000 BTC em outubro de 2024. Identifica também uma transferência distinta de 319,7 BTC, no valor de 22,68 milhões de dólares. Esse relato calcula a descida ao longo de 18 meses, embora não especifique a data de publicação. Deve, por isso, ser entendido como um retrato posterior, e não como uma estimativa concorrente das reservas do Butão no dia da venda de novembro.
Esta distinção altera a leitura dos acontecimentos. A transação de novembro, por si só, sugeria vendas limitadas durante uma subida dos preços. Os valores posteriores apontam para uma redução muito mais ampla das reservas de Bitcoin visíveis do reino, e deixam por esclarecer se a operação de mineração hidroelétrica continua a repô-las.
Ambos os conjuntos de valores se baseiam no rastreio de carteiras pela empresa de análise de blockchain Arkham Intelligence. A Druk Holding & Investments, empresa estatal de investimento que gere os ativos em criptomoedas do Butão, não explicou publicamente as transferências posteriores nem o estado da sua operação de mineração. As transferências podem revelar movimentos entre endereços, mas, por si só, não demonstram que todas as moedas tenham sido vendidas, a que preço foram transacionadas ou como foram utilizados os fundos.
O que aconteceu na transação de 33,5 milhões de dólares?
Os relatos de novembro identificam a Binance como destino de cerca de 367 BTC. Uma notícia publicada a 17 de novembro de 2024 situa a transação na manhã de quinta-feira, correspondente a 14 de novembro. Outro relato, datado de 15 de novembro e atualizado às 08:30 EST, descreve a mesma quantidade aproximada e a transferência para a plataforma.
Os relatos divergem quanto ao contexto dos preços. Um situa a transação quando o Bitcoin atingiu um máximo intradiário superior a 90 000 dólares, antes de recuar para cerca de 87 000 dólares. O outro descreve uma venda de aproximadamente 33 milhões de dólares quando o Bitcoin caiu abaixo dos 90 000 dólares. Os relatos apontam para o mesmo quadro geral: uma transferência durante uma forte subida, seguida de uma correção, mas não permitem determinar o preço exato da transação.
Dividir o valor noticiado de 33,5 milhões de dólares pelos 367 BTC dá aproximadamente 91 281 dólares por moeda. Trata-se de uma avaliação implícita, baseada em valores arredondados, e não de um preço de negociação confirmado. Um depósito numa plataforma de câmbio pode anteceder uma venda, e um registo na blockchain não revela o preço a que uma ordem foi executada dentro da plataforma.
A venda anterior, no valor noticiado de 66 milhões de dólares, ocorreu quando o Bitcoin valia cerca de 70 000 dólares. Em conjunto, as duas transações totalizaram quase 100 milhões de dólares. Classificar essa quantia como lucro iria além do que os dados permitem concluir: para calcular o lucro, é necessário conhecer o custo de aquisição ou de mineração das moedas, incluindo eletricidade, equipamento e despesas operacionais.
A transação de 367 BTC equivalia a cerca de 3% dos 12 206 BTC que, segundo os relatos, restavam depois. De acordo com os valores de novembro, o Butão manteve muito mais Bitcoin do que aquele que transferiu. A posição remanescente também manteve o país exposto a grandes variações no valor de mercado.
A cronologia distingue dois retratos das reservas
A sequência é importante porque as avaliações principais dizem respeito a períodos diferentes. O saldo de novembro de 2024 não pode ser tratado como a posição mais recente do Butão quando um relato posterior descreve novas saídas.
- Outubro de 2024: O Butão detinha, segundo os relatos, cerca de 13 000 BTC acumulados através da sua operação de mineração hidroelétrica.
- Antes da transação de novembro: Uma venda distinta, também noticiada, rendeu cerca de 66 milhões de dólares, quando o Bitcoin valia aproximadamente 70 000 dólares.
- 14 de novembro de 2024: Cerca de 367 BTC foram transferidos para a Binance, numa transação avaliada em 33 a 33,5 milhões de dólares.
- 15 e 17 de novembro de 2024: Relatos sobre essa transação indicavam reservas remanescentes de 12 206 BTC, avaliadas em cerca de 1,11 mil milhões de dólares.
- No relato posterior, que calcula uma descida ao longo de 18 meses: As reservas eram de 3954 BTC, no valor de aproximadamente 280,6 milhões de dólares, após novas transferências.
O relato posterior descreve também uma transferência de 319,7 BTC numa quinta-feira. Sem a data de publicação, não é possível atribuir com segurança uma data de calendário a essa quinta-feira. A mesma limitação aplica-se às referências a saídas ao longo do ano e a compras institucionais durante o mês de março.
As saídas posteriores apontam para uma posição muito menor
Dos 319,7 BTC da transferência posterior, cerca de 250 BTC foram enviados para uma carteira anteriormente utilizada para encaminhar fundos destinados a vendas através da Galaxy Digital e da OKX. Os restantes 69,7 BTC foram enviados para um endereço novo e sem identificação. O histórico do destino é compatível com a preparação de uma venda da transferência de maior dimensão, mas não confirma que o montante total tenha sido convertido em dinheiro.
A descida noticiada de cerca de 13 000 BTC para 3954 BTC corresponde a 9046 BTC, ou aproximadamente 69,6%. Este valor sustenta a descrição de uma redução de cerca de 70% ao longo de 18 meses. É uma alteração muito maior do que a sugerida pela transação de novembro, considerada isoladamente.
Comparada com o saldo de novembro, de 12 206 BTC, a reserva posterior é inferior em 8252 BTC, uma descida de cerca de 67,6%. Estes cálculos descrevem variações nas reservas noticiadas. Não demonstram que todas as moedas em falta tenham sido vendidas, uma vez que movimentos para outras carteiras controladas pelo governo também podem afetar o saldo rastreado.
Os dados da Arkham citados no relato posterior mostram saídas de 215,7 milhões de dólares dos endereços de reserva do Butão durante o ano a que esse relato se refere, incluindo 162,6 milhões de dólares enviados para carteiras sem identificação. Essa parcela representa aproximadamente 75,4% das saídas. Trata-se de uma limitação importante para qualquer afirmação sobre o destino final do dinheiro.
Uma carteira sem identificação é um endereço cujo proprietário ou finalidade não foram identificados publicamente nos dados de rastreio. Pode pertencer a outro custodiante, a um intermediário ou ao mesmo proprietário. Sem registos adicionais, uma saída para esse endereço é prova de movimento, não necessariamente de liquidação.
Porque caiu mais o valor em dólares do que o saldo de moedas
O valor noticiado das reservas do Butão desceu de aproximadamente 1,11 mil milhões de dólares em novembro de 2024 para 280,6 milhões de dólares no relato posterior. Com base nas avaliações arredondadas, isso representa uma redução de cerca de 829,4 milhões de dólares, ou 74,7%.
A descida percentual do valor em dólares é superior à redução das reservas de Bitcoin porque o retrato posterior também utiliza um preço de mercado mais baixo. A avaliação das reservas de novembro implica cerca de 90 939 dólares por BTC. A avaliação posterior implica aproximadamente 70 966 dólares por BTC, em linha com a referência desse relato a preços próximos dos 71 000 dólares.
Assim se distinguem dois efeitos que podem ser confundidos: segundo os relatos, o Butão tinha menos moedas, e cada moeda remanescente valia menos. A diferença entre as duas avaliações das reservas não mede perdas realizadas em transações, nem revela quanto dinheiro o Butão recebeu pelas vendas.
Mesmo após a redução, a exposição aos preços continuava a ser substancial. Com um saldo de 3954 BTC, uma variação de 10 000 dólares no preço do Bitcoin alteraria o valor de mercado da posição em cerca de 39,54 milhões de dólares, partindo do princípio de que o saldo se mantinha inalterado. Com 12 206 BTC, a mesma variação teria alterado a avaliação em 122,06 milhões de dólares.
A energia hidroelétrica tornou singular a abordagem do Butão
O Butão construiu a sua posição em Bitcoin através de mineração alimentada pelos seus recursos hidroelétricos, sob a gestão da Druk Holding & Investments. Esta abordagem difere das apreensões de ativos que estão na origem de muitas reservas governamentais de criptomoedas noticiadas. Um relato de novembro menciona também compras estratégicas, mas não indica quantidades ou datas que permitam medir o seu contributo.
A mineração de Bitcoin utiliza computadores especializados que competem para acrescentar blocos de transações à rede. Os mineiros que conseguem fazê-lo recebem Bitcoin recém-criado e comissões de transação. Para o Butão, a proposta económica consistia em transformar a eletricidade gerada pelos seus rios num ativo digital que pudesse ser mantido ou vendido.
A eletricidade barata pode ser uma vantagem, mas é apenas um dos custos. É necessário comprar e operar equipamento, e a sua capacidade de gerar receitas varia à medida que a concorrência aumenta. A dificuldade de mineração do Bitcoin ajusta-se para manter a criação de blocos a intervalos aproximadamente regulares. Uma dificuldade maior significa que, em geral e mantendo-se as restantes condições, uma quantidade fixa de poder computacional obtém uma parcela menor das recompensas.
O relato posterior aponta para três pressões sobre a mineração: preços do Bitcoin próximos dos 71 000 dólares, dificuldade da rede descrita como estando num máximo histórico e uma recompensa por bloco de 3,125 BTC após o halving. A recompensa corresponde ao Bitcoin recém-criado atribuído por cada bloco, além das comissões de transação. Um halving reduz essa recompensa para metade, diminuindo esta fonte de receitas, salvo se outros fatores compensarem a redução.
Estas pressões podem ajudar a explicar uma mudança de estratégia, mas os custos operacionais do Butão, o desempenho do equipamento e os preços efetivos da eletricidade não são divulgados nestes relatos. A informação é insuficiente para calcular se a operação de mineração do país era rentável em qualquer um dos dois retratos das reservas.
A mineração parou ou tornou-se menos visível?
O relato posterior afirma que a última entrada de Bitcoin superior a 100 000 dólares no Butão foi registada há mais de um ano. Essa observação levanta uma questão concreta: se a produção mineira continua a repor as moedas que saem dos endereços rastreados.
Não demonstra que a mineração tenha parado. O limiar exclui entradas menores, e os endereços rastreados podem não abranger todos os meios de pagamento ou todas as carteiras utilizadas pela operação. A falta de grandes depósitos visíveis é, por isso, um alerta sobre os limites do registo público, não uma prova de que o equipamento tenha sido desligado.
O mesmo relato sugere que a venda de energia hidroelétrica à Índia, país vizinho, poderá agora gerar mais receitas do que a utilização dessa energia para minerar Bitcoin. Trata-se de uma comparação entre utilizações alternativas da eletricidade. Para determinar qual é mais rentável, seriam necessários dados sobre os preços de exportação da energia, os custos da mineração, a eficiência do equipamento e outros pormenores operacionais que não foram divulgados.
A Druk Holding & Investments não tinha comentado publicamente as transferências nem o estado da mineração, e não tinha respondido aos pedidos de informação mencionados no relato posterior. Não é indicada qualquer data para uma atualização operacional, divulgação financeira ou decisão sobre a mineração. A finalidade das transferências, as receitas de vendas concluídas e qualquer alteração na afetação de eletricidade continuam por confirmar.
As estratégias nacionais de Bitcoin não são todas iguais
O relato de novembro colocava o Butão em quinto lugar entre os governos detentores de Bitcoin, atrás dos Estados Unidos, da China, do Reino Unido e da Ucrânia. Trata-se de uma classificação relativa ao período anterior, não de uma posição confirmada após a redução posterior. Também é difícil comparar as reservas governamentais quando a titularidade das carteiras e o tratamento dos ativos apreendidos variam.
Os relatos descrevem outras abordagens às criptomoedas, incluindo a adoção do Bitcoin como moeda com curso legal em El Salvador e as ambições relacionadas com a redução da dívida e a criação de uma Bitcoin City. Não apresentam valores que permitam determinar quanto desses objetivos foi financiado com ganhos realizados em Bitcoin.
Nos Estados Unidos, a cobertura de novembro menciona uma proposta da senadora Cynthia Lummis relacionada com as reservas de ouro da Reserva Federal e o Bitcoin, bem como uma proposta na Pensilvânia que explorava a utilização de 10% dos fundos estaduais em criptomoedas como proteção contra a inflação. Eram propostas, não prova de que tivessem sido feitas compras. Nenhuma delas demonstra uma ligação às transações do Butão.
O relato posterior contrasta a posição em diminuição do Butão com as compras noutros locais. Refere que a Strategy comprou 4871 BTC por 330 milhões de dólares durante um fim de semana, elevando as suas reservas para 766 970 BTC, e que os fundos norte-americanos cotados em bolsa de Bitcoin à vista absorveram cerca de 50 000 BTC durante o mês de março. Estes fundos permitem aos investidores obter exposição ao Bitcoin através de ações negociadas em bolsas de valores.
A compra de 4871 BTC anunciada pela Strategy foi superior em 917 BTC às reservas remanescentes de 3954 BTC atribuídas ao Butão no relato posterior. A comparação mostra a dimensão relativa destas posições, mas a tesouraria de uma empresa, os fundos de investimento e uma operação governamental de mineração têm finalidades diferentes. Não demonstra que a venda do Butão tenha sido um erro, nem que as suas ações reflitam o comportamento de todos os governos detentores de Bitcoin.
A conclusão mais sólida é mais limitada: a venda de novembro foi uma transação modesta face às reservas então noticiadas, enquanto os dados posteriores das carteiras apontam para uma redução muito maior. Continua a ser necessária uma explicação das autoridades de investimento do Butão para esclarecer se essa redução resulta de um programa planeado de obtenção de liquidez, de uma mudança na rentabilidade da mineração ou de transferências para fora dos endereços rastreados.
Pontos principais
- O Butão terá transferido 367 BTC para a Binance em novembro de 2024, numa transação avaliada em aproximadamente 33 a 33,5 milhões de dólares.
- Duas vendas noticiadas totalizaram cerca de 99,5 milhões de dólares, enquanto as reservas de novembro eram de 12 206 BTC, no valor aproximado de 1,11 mil milhões de dólares.
- Um relato posterior situa as reservas em 3954 BTC, cerca de 70% abaixo dos 13 000 BTC de outubro de 2024.
- A transferência posterior de 319,7 BTC incluiu cerca de 250 BTC enviados através de um percurso anteriormente associado a vendas e 69,7 BTC enviados para um endereço sem identificação.
- As saídas de carteiras não demonstram que todas as moedas transferidas tenham sido vendidas nem revelam como foram utilizados os fundos.
- O estado da mineração do Butão continua por confirmar, e não foi indicada qualquer data para uma atualização oficial.






