Malásia aponta para 2027 para criminalizar práticas de cedência de licenças «Ali Baba»

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Malaysia Targets 2027 for Law to Criminalise Ali Baba Licensing Practices

Venda de licenças enfrenta novo teste jurídico

A Malásia tenciona levar ao Parlamento, em 2027, legislação contra a procura de rendas e os negócios «Ali Baba», adiando um calendário que apontava primeiro para o final de 2024 e, depois, para o final de 2025. O ministro da Economia, Akmal Nasrullah Mohd Nasir, afirmou que o Governo está a ponderar uma lei específica ou alterações à legislação existente, não tendo ainda decidido a abordagem jurídica nem as sanções.

Índice
  1. Venda de licenças enfrenta novo teste jurídico
  2. Em que consistem os acordos «Ali Baba»
  3. Porque não bastam as restrições existentes
  4. Multas e penas de prisão continuam por decidir
  5. O consentimento não elimina a preocupação económica
  6. Perguntas no Parlamento colocam o âmbito sob escrutínio
  7. A consulta tem de envolver várias autoridades
  8. Como mudou o calendário
  9. Pontos principais

Segundo o ministro, o problema central é que a venda de licenças ou a actividade através de acordos «Ali Baba» não está actualmente definida como uma infracção criminal específica. Um estudo do Ministério da Economia concluiu que as disposições existentes, incluindo as regras das autoridades locais que restringem a transferência de licenças, têm um alcance limitado e não são suficientes para travar estas práticas.

Durante uma sessão de perguntas na Dewan Rakyat, a 14 de Outubro, Akmal Nasrullah descreveu a legislação proposta como uma tentativa de colmatar lacunas na atribuição de licenças, contratos e outros recursos. O Governo afirma que essas lacunas podem criar concorrência desleal, enfraquecer as empresas locais e travar o crescimento da produtividade nacional.

A meta de 2027 diz respeito à apresentação da legislação ao Parlamento, não a uma data confirmada para a sua aprovação ou entrada em vigor. Antes disso, o ministério terá de concluir o estudo, coordenar-se com outras autoridades e obter a apreciação e aprovação da Comissão Nacional de Planeamento e Desenvolvimento e do Conselho de Ministros.

Akmal Nasrullah, ministro da Economia e deputado por Johor Bahru, apresentou o calendário actual na sua resposta parlamentar:

«De acordo com os planos actuais, o Ministério da Economia tenciona apresentar ao Parlamento, em 2027, nova legislação ou alterações às leis relacionadas com o combate à procura de rendas»,

As suas declarações deixam duas decisões em aberto: se a Malásia precisa de uma lei autónoma e até que ponto o problema pode ser resolvido alterando disposições já em vigor. Nenhuma das opções foi ainda definida.

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Em que consistem os acordos «Ali Baba»

Nestas práticas, um empresário ou titular de uma autorização, licença, contrato ou espaço comercial concedido pelo Governo permite que outra parte utilize esse direito, assumindo pouca ou nenhuma participação activa na gestão da actividade. O titular recebe rendimentos pelo acesso à licença ou ao contrato, em vez de gerir directamente a empresa.

Tradicionalmente, o termo «Ali Baba» descreve acordos em que malaios figuram como proprietários de empresas, enquanto pessoas não malaias asseguram as operações efectivas. O actual debate político também abrange a transferência ilegal de licenças e contratos para estrangeiros. As descrições sobrepõem-se, mas não são idênticas: uma terceira parte que explore uma empresa não é necessariamente estrangeira.

Neste contexto, a procura de rendas consiste em obter rendimentos controlando o acesso a um direito, em vez de realizar o trabalho produtivo que esse direito se destinava a apoiar. O ministério está a analisar a venda ou cedência de licenças, bem como acordos semelhantes que envolvam contratos e outros recursos.

A definição jurídica final será importante. O Governo não divulgou a redacção proposta nestes anúncios, pelo que ainda não é possível determinar com precisão que transacções, intervenientes ou relações comerciais seriam abrangidos por uma nova infracção. A descrição do problema feita pelo ministro não deve ser tomada como uma definição legal já concluída.

Porque não bastam as restrições existentes

O estudo do Ministério da Economia identificou regras das autoridades locais que já proíbem a transferência de licenças. Essas restrições mostram que algumas condutas são actualmente reguladas, embora o ministério afirme que a venda de licenças e os acordos «Ali Baba» não estão especificamente definidos como infracções criminais.

A diferença está entre uma restrição existente à transferência de uma licença específica e uma infracção mais abrangente que vise a própria prática de procura de rendas. Akmal Nasrullah afirmou que as limitações das leis actuais impediram que estas abordassem adequadamente o problema no conjunto das licenças, contratos e outros recursos.

O ministro explicou a lacuna jurídica durante a sua resposta parlamentar:

«O desafio actual é que a prática de vender licenças ou operar através de acordos “Ali Baba” não está definida como infracção criminal»,

Isso não significa que todas as transacções relacionadas sejam legais ou que as infracções não possam já ser alvo de acção judicial. Akmal Nasrullah afirmou que a corrupção e outras infracções abrangidas pela legislação em vigor devem continuar a ser tratadas ao abrigo dessas leis. As medidas propostas visariam condutas que não estão suficientemente contempladas pelo quadro actual.

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Multas e penas de prisão continuam por decidir

O ministério está a analisar, com as partes interessadas, abordagens tanto civis como criminais. O objectivo declarado é dissuadir: tornar as consequências suficientemente severas para desencorajar empresas e titulares de licenças de manter estas práticas.

Uma abordagem civil e uma infracção criminal têm consequências jurídicas diferentes. Em geral, as medidas civis impõem obrigações ou soluções sem condenação criminal, enquanto as medidas criminais permitem a instauração de processos e a aplicação de penas ao abrigo da lei pertinente. O ministério não anunciou como poderão estas abordagens ser combinadas nem que condutas dariam origem a cada tipo de resposta.

Akmal Nasrullah afirmou que o Governo ainda não decidiu se as sanções incluirão multas, penas de prisão ou outras medidas. Explicou que a decisão será tomada depois de concluído o quadro e analisado o aconselhamento jurídico:

Assim, quanto à forma específica da sanção, quer se trate de multas ou penas de prisão, entre outras, só será conhecida depois de concluirmos este quadro, após recolhermos todos os pontos de vista, incluindo os de natureza jurídica.

Não foram anunciados montantes de multas, penas de prisão ou uma data para o início da aplicação da legislação. A intenção declarada de criminalizar estas práticas é, por isso, uma orientação política, não um elenco publicado de infracções e sanções.

O consentimento não elimina a preocupação económica

Akmal Nasrullah afirmou que a procura de rendas pode enfraquecer as empresas locais mesmo quando as partes celebram um acordo voluntariamente e aceitam as suas condições. Segundo o ministro, o acordo entre o titular de uma licença e quem a utiliza não demonstra que o negócio serve o objectivo mais amplo da atribuição dessa licença.

O estudo do ministério aponta para desvios na distribuição de licenças, contratos e outros recursos. Na prática, o Governo receia que um direito destinado a apoiar uma empresa ou beneficiário seja transmitido a outra pessoa, enquanto o titular original recebe um pagamento sem desenvolver capacidade para explorar a actividade.

Isto ajuda a explicar por que razão a proposta vai além da corrupção. Uma transacção pode envolver participantes que actuam de livre vontade e, ainda assim, na avaliação do ministro, enfraquecer a capacidade das empresas ou dar uma imagem enganadora da solidez dos comerciantes locais. A classificação dessa transacção como infracção dependerá da redacção jurídica final.

Akmal Nasrullah relacionou estas preocupações com os objectivos económicos do Governo:

«O Governo está empenhado em erradicar a procura de rendas, porque esta pode afectar a eficiência do mercado, criar concorrência desleal e travar o crescimento da produtividade do país»,

Os anúncios não quantificam as perdas, não estimam o número de empresas envolvidas nem apresentam um total nacional de licenças transferidas. As preocupações económicas referidas pelo ministério explicam o objectivo da proposta, mas ainda não permitem determinar a dimensão do problema em termos numéricos.

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Perguntas no Parlamento colocam o âmbito sob escrutínio

Syahredzan Johan, deputado por Bangi e membro do Pakatan Harapan, perguntou em que ponto estava a elaboração da legislação e qual o calendário para a sua apresentação ao Parlamento. A pergunta abrangeu tanto uma nova lei como alterações às leis existentes, reflectindo as duas opções que o ministério continua a analisar.

Salamiah Mohd Nor, deputada por Temerloh e membro do Perikatan Nasional, colocou uma pergunta suplementar sobre o encerramento de canais de procura de rendas e a eficácia da legislação relacionada com a corrupção que envolva funcionários públicos e políticos. A questão trouxe para o debate a relação entre as infracções propostas e as leis anticorrupção em vigor.

Os relatos divergem quanto ao formato de parte da resposta. Vários descrevem uma sessão oral de perguntas e respostas a 14 de Outubro, enquanto outro refere uma resposta escrita do ministério a Syahredzan, na quarta-feira. Todos coincidem nos pontos principais: está em curso um estudo, está a ser ponderada uma nova lei ou alterações à legislação e 2027 é a meta para apresentar a proposta ao Parlamento.

Um dos relatos refere o objectivo como sendo para o próximo ano, sem indicar um ano concreto. Os restantes identificam explicitamente 2027. O calendário deve ser entendido como o objectivo declarado pelo Governo para 2027, e não como uma data fixa para uma sessão parlamentar.

A consulta tem de envolver várias autoridades

O ministério está a recolher opiniões de representantes do sector, entidades responsáveis pela aplicação da lei, ministérios competentes, governos estaduais e outras partes interessadas. As autoridades locais também participam no processo de consulta, sobretudo porque é a esse nível que se aplicam as restrições existentes à transferência de licenças.

A procura de rendas envolve competências de vários ministérios e organismos. Por isso, o Governo precisa de chegar a acordo sobre uma abordagem aplicável em todas essas áreas, em vez de tratar cada licença, contrato ou recurso como se fosse gerido por uma única entidade.

Antes de chegar ao Parlamento, a proposta terá de passar por fases de coordenação e aprovação, incluindo a Comissão Nacional de Planeamento e Desenvolvimento, identificada no relato em malaio como JPPN, e o Conselho de Ministros. Os anúncios não indicam prazos separados para concluir essas fases.

Akmal Nasrullah apelou também à cooperação entre partidos e níveis de governo:

«Precisamos do apoio de todas as partes, incluindo da oposição, porque temos de consultar os governos estaduais e as autoridades locais para que as práticas de procura de rendas possam, e tenham de, ser eliminadas»,

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Como mudou o calendário

A iniciativa começou com um compromisso público do primeiro-ministro Anwar Ibrahim, a 10 de Julho de 2023, após uma reunião do Conselho Nacional de Acção Económica. Rafizi Ramli, antecessor de Akmal Nasrullah, liderou depois o trabalho de elaboração do quadro no final de 2023 e durante 2024.

A sequência revela um período de preparação legislativa mais longo do que o inicialmente previsto:

  • 10 de Julho de 2023: Anwar anunciou planos para criar políticas e legislação contra a procura de rendas e as práticas «Ali Baba».
  • Final de 2023 e 2024: Rafizi liderou o trabalho de elaboração do quadro no Ministério da Economia.
  • Final de 2024: meta inicial do Governo para apresentar a legislação.
  • Final de 2025: meta posterior, após o adiamento do calendário original.
  • 2027: meta actual anunciada por Akmal Nasrullah para apresentar ao Parlamento uma nova lei ou alterações à legislação.

A meta actual é três anos civis posterior à meta original de 2024 e dois anos posterior à meta revista de 2025. O ministério aponta agora para o estudo, a análise jurídica, a consulta e a coordenação necessários antes de a proposta poder ser concluída. Não apresentou uma explicação específica para cada adiamento anterior.

Uma Lei da Contratação Pública de 2025, distinta desta proposta, foi aprovada para combater práticas do género nas compras públicas. Introduziu sanções mais severas, aplicáveis, entre outros, a antigos funcionários públicos, reformados, empreiteiros e ministros. Essa medida incide sobre as aquisições governamentais, enquanto a proposta actual também abrange licenças e outros recursos.

A aprovação da lei da contratação pública não resolve, por isso, a questão mais ampla das licenças descrita por Akmal Nasrullah. As próximas decisões dizem respeito à escolha entre uma lei autónoma e alterações à legislação, à definição das condutas proibidas e às sanções e mecanismos de aplicação. Não foi anunciada qualquer data para audições, votação parlamentar ou conclusão da consulta.

Pontos principais

  • A Malásia aponta para 2027 para apresentar ao Parlamento legislação contra a procura de rendas e os acordos «Ali Baba».
  • O Governo está a ponderar uma lei autónoma ou alterações às disposições existentes.
  • O Ministério da Economia afirma que as restrições actuais não abordam adequadamente a venda e a transferência de licenças.
  • As multas, as penas de prisão e o equilíbrio entre medidas civis e criminais continuam por decidir.
  • A consulta e as aprovações que envolvem várias autoridades têm de preceder a apresentação da proposta ao Parlamento.
  • O calendário passou do final de 2024 para o final de 2025 e, agora, para 2027.
  • A Lei da Contratação Pública de 2025 é uma medida distinta, centrada nas compras públicas.
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