A Coreia do Sul está a atravessar uma das suas ondas de frio mais severas dos últimos tempos, com as temperaturas a descer para mínimos recorde em toda a península coreana. O tempo gélido não só perturbou a vida quotidiana como também expôs vulnerabilidades na infraestrutura energética do país, deixando centenas de famílias sem aquecimento e eletricidade quando mais precisam.
Índice
- Temperaturas frias recorde apertam o país
- Cortes de energia devastadores deixam famílias ao frio
- Uma segunda crise energética em Uijeongbu
- Infraestrutura energética sob pressão durante frio extremo
- Populações vulneráveis em maior risco
- Esforços de resposta e recuperação
- Contexto internacional: um desafio global
- Impacto na vida quotidiana e nas viagens
- Implicações a longo prazo e preparação futura
- Pontos-chave
Temperaturas frias recorde apertam o país
De acordo com a Administração Meteorológica da Coreia, as temperaturas continuaram a descer em 25 de janeiro de 2026, com mínimas matinais a rondar os menos 10 graus Celsius em todo o país. Na capital, Seul, a temperatura caiu para uns gélidos 11 graus Celsius negativos, com ventos fortes a baixar ainda mais a sensação térmica, fazendo com que se sentisse ainda mais frio.
Prevê-se que a onda de frio persista até meados da próxima semana, com as temperaturas matinais em muitas partes do país a permanecerem perto dos menos 10 graus Celsius. Este período prolongado de frio extremo levou as autoridades de saúde a emitir avisos especiais para as populações vulneráveis.
A Administração Meteorológica da Coreia apelou a cuidados redobrados, aconselhando idosos, crianças pequenas e pessoas com o sistema imunitário enfraquecido a evitarem atividades ao ar livre sempre que possível e a terem especial cuidado com a sua saúde perante as descidas acentuadas de temperatura e as condições de frio prolongado.
Cortes de energia devastadores deixam famílias ao frio
Em pleno frio intenso, um apagão particularmente grave que afetou dois edifícios de apartamentos em Guro-gu, no oeste de Seul, durou aproximadamente 19 horas, criando uma situação de crise para quase 1.000 residentes. A falha começou por volta das 21h30, hora local, de 23 de janeiro, quando água se infiltrou numa sala elétrica ao nível da cave de um dos edifícios.
Com os sistemas de aquecimento inutilizados, os residentes suportaram temperaturas interiores geladas durante a noite, enquanto Seul registava uma mínima de menos 11 graus Celsius. Um residente disse aos meios de comunicação locais que mal dormiu, recorrendo a bolsas de calor debaixo dos cobertores para se manter quente. Duas pessoas que ficaram presas num elevador durante o apagão foram resgatadas pelos bombeiros.
A energia foi totalmente restabelecida às 16h54 de 24 de janeiro, cerca de 19 horas e 30 minutos depois de o apagão ter começado. O restabelecimento seguiu-se à substituição de equipamentos e a inspeções de segurança realizadas pelas autoridades, incluindo a Korea Electric Power Corp. O Gabinete do Distrito de Guro informou que os residentes que se tinham deslocado temporariamente para centros comunitários e centros para idosos nas proximidades regressaram gradualmente a casa depois de a eletricidade ser restabelecida.
Uma segunda crise energética em Uijeongbu
Num incidente separado mas relacionado, outro complexo de apartamentos com cerca de 860 famílias em Uijeongbu, província de Gyeonggi, ficou sem energia por volta das 00h40 de 24 de janeiro devido a uma avaria num transformador. Embora a energia tenha sido restabelecida em duas horas, os residentes enfrentaram dificuldades adicionais, uma vez que os sistemas de aquecimento estavam indisponíveis durante o período crítico da onda de frio.
Estes incidentes realçam a rapidez com que o tempo extremo pode sobrecarregar os sistemas energéticos e criar situações perigosas para residentes que dependem da eletricidade para necessidades básicas de aquecimento.
Infraestrutura energética sob pressão durante frio extremo
A recente onda de frio na Coreia do Sul não é um caso isolado, mas sim parte de um padrão global de eventos meteorológicos de inverno cada vez mais severos que põem à prova a infraestrutura energética em todo o mundo. A investigação mostra que os eventos de frio extremo se tornaram mais frequentes e intensos nos últimos anos, afetando particularmente regiões com climas de inverno mais amenos.
Estudos científicos indicam que as ondas de frio estão estreitamente relacionadas com a perda de gelo marinho do Ártico, sugerindo que, à medida que o aquecimento do Ártico continua, o frio extremo pode ocorrer com mais frequência num futuro próximo. Especificamente na Coreia, os dados mostram que, embora os eventos de frio extremo tenham registado uma tendência crescente no quantil inferior de 10% ao longo dos últimos 40 anos, nove de 22 estações de monitorização registaram, na verdade, uma tendência decrescente nos últimos 10 anos, criando um padrão complexo que desafia o planeamento energético.
Estes eventos de frio extremo têm um impacto significativo nos padrões de procura de energia. Entre 2009 e 2015, o pico de procura de eletricidade passou do verão para o inverno na Coreia do Sul. Durante eventos de frio anormais em 2010 e 2013, o consumo de energia para aquecimento em janeiro foi substancialmente superior à média de 1997-2015.
Especialistas em energia observam que os sistemas elétricos enfrentam desafios únicos durante condições meteorológicas de frio extremo. A situação na Coreia do Sul ecoa desafios semelhantes enfrentados noutros países, incluindo a infame tempestade de inverno no Texas em 2021, em que falhas na infraestrutura de gás natural provocaram enormes cortes de energia que afetaram milhões de clientes.
Populações vulneráveis em maior risco
À medida que as temperaturas descem, certos grupos demográficos enfrentam riscos desproporcionadamente mais elevados durante as ondas de frio. Pessoas idosas, crianças pequenas, indivíduos com condições de saúde pré-existentes e agregados familiares com baixos rendimentos muitas vezes não dispõem de aquecimento ou isolamento adequados, o que os torna particularmente vulneráveis ao frio extremo.
A Administração Meteorológica da Coreia destacou especificamente estes grupos nos seus avisos públicos, recomendando que evitem exposição desnecessária ao ar livre e tomem precauções especiais para manter a temperatura corporal e a hidratação.
As autoridades de saúde alertaram para o risco acrescido de hipotermia e congelamento durante a exposição prolongada a temperaturas abaixo de zero. Os sintomas de hipotermia incluem tremores, confusão, fala arrastada, sonolência e perda de coordenação. Especialistas médicos recomendam procurar ajuda imediata se estes sintomas surgirem.
O tempo frio também criou condições rodoviárias perigosas com gelo negro, levando a um aumento dos acidentes de trânsito. Os serviços de emergência em todo o país relataram um maior volume de chamadas relacionadas com incidentes provocados pelo tempo.
Esforços de resposta e recuperação
Após os cortes de energia no distrito de Guro-gu, em Seul, as equipas de resposta de emergência trabalharam sem parar para restabelecer a eletricidade e ajudar os residentes afetados. O Gabinete do Distrito de Guro coordenou soluções de alojamento temporário em centros comunitários e centros para idosos nas proximidades para os residentes que não conseguiam suportar as condições geladas nas suas casas.
A Korea Electric Power Corp., o principal fornecedor de eletricidade do país, mobilizou equipas adicionais para lidar com o aumento da procura e as falhas de equipamento típicas durante o tempo frio. Foram trazidos geradores de emergência para alimentar instalações críticas nas zonas afetadas.
A empresa de eletricidade apelou também aos clientes para pouparem eletricidade durante a onda de frio, a fim de evitar maior pressão sobre a rede. As recomendações incluem regular os termóstatos para temperaturas mais baixas quando possível, evitar a utilização de aparelhos de alto consumo durante as horas de ponta e garantir que janelas e portas estão devidamente vedadas para evitar perdas de calor.
Na sequência destes incidentes, os responsáveis estão a analisar as vulnerabilidades da infraestrutura e a ponderar melhorias para resistir melhor a condições meteorológicas extremas. Isto inclui atualizar os sistemas elétricos em edifícios de apartamentos, melhorar os sistemas de deteção de fugas de água e reforçar os protocolos de preparação para emergências.
Contexto internacional: um desafio global
A onda de frio na Coreia do Sul faz parte de um padrão global mais amplo de eventos meteorológicos extremos que afetam vários países simultaneamente. Tempestades de inverno semelhantes causaram perturbações generalizadas em toda a Europa, nos Estados Unidos e noutras regiões, destacando desafios comuns na manutenção da fiabilidade energética durante condições meteorológicas extremas.
Na Europa, vários países enfrentaram nevões intensos, chuva gelada e ventos de tempestade, resultando em vítimas mortais, cancelamentos de voos e cortes de energia generalizados. França comunicou que quase 380.000 casas ficaram sem eletricidade devido às condições de tempestade, enquanto o Reino Unido viu mais de 52.000 propriedades sem energia, com árvores caídas, neve intensa e veículos presos a atrasar os trabalhos de reparação.
Nos Estados Unidos, vários estados declararam estados de emergência, uma vez que as tempestades de inverno deixaram granizo, chuva gelada e neve, trazendo temperaturas negativas e paralisando o tráfego aéreo e rodoviário. Ramos de árvores e linhas elétricas partiram-se sob o peso do gelo, deixando centenas de milhares de casas e empresas sem eletricidade.
Estes exemplos internacionais demonstram como a infraestrutura energética em todo o mundo enfrenta desafios sem precedentes devido a padrões meteorológicos cada vez mais severos. A convergência de uma elevada procura de eletricidade para aquecimento, potenciais perturbações na cadeia de abastecimento de combustível e falhas de equipamento em frio extremo cria uma tempestade perfeita para vulnerabilidades do sistema elétrico.
Impacto na vida quotidiana e nas viagens
O frio severo teve um impacto significativo na vida quotidiana em toda a Coreia do Sul, com escolas, empresas e serviços de transporte a sofrerem perturbações. Os transportes públicos enfrentaram atrasos devido a falhas mecânicas causadas pelo tempo frio, enquanto as estradas se tornaram perigosas devido à acumulação de gelo e neve.
Os viajantes enfrentaram inúmeros desafios, com as companhias aéreas a cancelarem voos e os serviços ferroviários a registarem atrasos. A onda de frio afetou particularmente quem viaja para regiões montanhosas ou costeiras, onde as condições são frequentemente mais severas.
Para os residentes nas zonas afetadas, a onda de frio significou ajustes significativos no estilo de vida. Muitos permaneceram dentro de casa tanto quanto possível, agasalhados com várias camadas de roupa, e recorreram a métodos alternativos de aquecimento quando a eletricidade não estava disponível.
O setor do turismo também foi afetado, com avisos de viagem a alertar potenciais visitantes sobre condições perigosas e a necessidade de preparação especial ao viajar para a Coreia do Sul durante o tempo frio.
Sem aquecimento! Um apagão de 19 horas deixou quase 1.000 famílias em Guro-gu, Seul, sem aquecimento ou energia durante uma grave onda de frio este fim de semana. A falha, causada por uma fuga de água na cave, obrigou os residentes a suportar temperaturas de menos 11 graus Celsius até as reparações estarem concluídas na tarde de sábado.
Implicações a longo prazo e preparação futura
A recente onda de frio levantou questões importantes sobre a preparação da Coreia do Sul para eventos meteorológicos cada vez mais extremos. Os decisores políticos na área da energia reconhecem agora a necessidade de assumir que os eventos de frio extremo podem agravar-se a médio prazo e de desenvolver medidas adequadas.
Os especialistas recomendam várias estratégias para reforçar a resiliência contra futuras ondas de frio: criar apoios de emergência aos custos de combustível para pessoas com baixos rendimentos, garantir que as cargas de pico não aumentam acentuadamente no inverno através de programas de gestão da procura e desenvolver políticas que permitam satisfazer facilmente a procura de aquecimento através de calor em vez de eletricidade.
Os códigos de construção e as normas de construção podem também precisar de atualização para resistir melhor a condições meteorológicas de frio extremo. Isto inclui melhorar o isolamento, conceber sistemas de aquecimento que possam funcionar durante cortes de energia e incorporar características de aquecimento solar passivo.
A Coreia do Sul não está sozinha nestas considerações. Países de todo o mundo estão a reavaliar a sua infraestrutura energética e os seus planos de preparação para emergências em resposta à mudança dos padrões climáticos e a eventos meteorológicos cada vez mais severos.
Pontos-chave
- A grave onda de frio fez as temperaturas descerem para menos 10 °C em todo o país e menos 11 °C em Seul
- Os cortes de energia no distrito de Guro-gu, em Seul, deixaram 939 famílias sem aquecimento durante 19 horas
- Uma falha separada em Uijeongbu afetou 860 famílias durante cerca de 2 horas
- Espera-se que o tempo frio persista até meados da próxima semana
- Populações vulneráveis, incluindo idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde, correm o risco mais elevado
- A Coreia do Sul enfrenta, durante o frio extremo, desafios energéticos semelhantes aos de outros países em todo o mundo
- As autoridades estão a trabalhar para restabelecer a energia e ajudar os residentes afetados
- A onda de frio expôs vulnerabilidades na infraestrutura energética durante condições meteorológicas extremas
- As autoridades de saúde aconselham precauções para prevenir doenças relacionadas com o frio
- Foram registadas perturbações nas viagens em todo o país devido a condições perigosas






