Catorze concertos esgotados atraem público muito para além dos estádios
Os BTS concluíram a etapa sul-americana da digressão mundial ARIRANG com 853 000 entradas em 14 concertos esgotados em cinco cidades, segundo a sua agência, BigHit Music. As três últimas atuações decorreram no Estádio do Morumbi, em São Paulo, a 28, 30 e 31 de outubro de 2026, encerrando uma viagem que começou em Bogotá a 2 de outubro.
Índice
- Catorze concertos esgotados atraem público muito para além dos estádios
- Um mês de primeiras visitas e regressos há muito aguardados
- Identidade coreana, camisolas de futebol locais e iniciativas dos fãs
- Fãs atravessaram fronteiras e pouparam durante anos
- La Plata registou gastos muito para além da venda de bilhetes
- Voos, pesquisas de alojamento e viagens revelaram diferentes tipos de pressão
- Acessórios indígenas suscitaram elogios e críticas
- Autoridades brasileiras pediram esclarecimentos sobre a experiência do público
- HYBE planeia mais datas enquanto os concertos impulsionam as receitas
- Ásia e Austrália são os próximos destinos
- Pontos-chave
Os concertos levaram os sete membros à Colômbia e à Argentina para as suas primeiras atuações nesses países enquanto grupo completo, ao Peru para a primeira visita desde a estreia, em 2013, e de volta ao Chile e ao Brasil, após ausências de nove e sete anos, respetivamente. O itinerário juntou públicos que esperavam há anos a um grupo que regressou às digressões depois do serviço militar.
As multidões também fizeram circular dinheiro por hotéis, restaurantes e redes de transportes. Os visitantes dos concertos gastaram cerca de 53 mil milhões de pesos argentinos em La Plata, sem contar com os bilhetes. Em Lima, a procura de viagens atingiu até 48 vezes o nível habitual imediatamente após o primeiro concerto. A América Latina também representou 27 por cento das reproduções globais do álbum ARIRANG nas primeiras oito semanas, segundo a empresa de dados musicais Luminate, a maior proporção de qualquer região.
A despedida de São Paulo trouxe um desenvolvimento menos festivo a par das atuações. Queixas sobre filas, acessos, sobrelotação e ecrãs de vídeo levaram as autoridades públicas brasileiras e os organismos de defesa do consumidor a pedir informações. Os últimos dias da digressão combinaram, assim, uma procura excecional com preocupações práticas sobre as condições oferecidas a públicos tão numerosos.
Um mês de primeiras visitas e regressos há muito aguardados
RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jung Kook passaram por Bogotá, Lima, Santiago e pela região de Buenos Aires antes de chegarem a São Paulo. Os concertos argentinos decorreram em La Plata, a cerca de 60 quilómetros de Buenos Aires, tornando a cidade um destino importante para os fãs que se deslocaram de fora.
A digressão levou concertos a países com histórias muito diferentes no que toca ao acesso a espetáculos dos BTS. A Colômbia, a Argentina e o Peru receberam visitas marcantes, enquanto o público chileno e brasileiro deu as boas-vindas ao grupo após longas ausências. A visita anterior ao Brasil tinha sido em 2019.
As principais datas mostram como a passagem pela América do Sul se enquadra no regresso mais amplo:
- 20 de março de 2026: os BTS lançaram o quinto álbum de estúdio, ARIRANG.
- Abril de 2026: o grupo iniciou a digressão mundial que acompanha o álbum.
- 2 de outubro: a etapa sul-americana começou em Bogotá.
- 21, 23 e 24 de outubro: os BTS atuaram em La Plata, Argentina.
- 28, 30 e 31 de outubro: três concertos em São Paulo encerraram a etapa regional.
- 19 de novembro: as próximas atuações na Ásia têm início previsto em Kaohsiung, Taiwan.
Os primeiros concertos na Argentina já tinham mostrado a evolução da produção, que combinava coreografias coordenadas com conversas, interações espontâneas e alterações na seleção de músicas. Essa flexibilidade manteve-se num programa regional construído em torno de um novo álbum e de êxitos conhecidos.
Identidade coreana, camisolas de futebol locais e iniciativas dos fãs
ARIRANG recebeu o nome de uma canção folclórica tradicional coreana. Os concertos combinaram músicas do quinto álbum de estúdio com temas como «Fake Love», «Not Today», «MIC Drop», «Fire», «Idol», «Butter» e «Dynamite». As escolhas surpresa variavam entre atuações, dando aos fãs que assistiam a mais do que um concerto algo diferente por que esperar.
O cenário inspirava-se em pavilhões coreanos, incluindo o Pavilhão Gyeonghoeru, no Palácio Gyeongbokgung, e na Taegeukgi, a bandeira nacional da Coreia do Sul. Estas referências levaram a arquitetura e as imagens coreanas a uma produção de estádio que chegou a públicos a milhares de quilómetros de distância.
As camisolas de futebol brasileiras trouxeram uma referência local. Os membros dirigiram-se ao público em português, enquanto os fãs usaram os bastões luminosos dos concertos para criar imagens verdes e amarelas durante «Please». Outra iniciativa organizada levou leques de mão para «FYA», acrescentando o som ritmado dos leques a abrir e a fechar. O público também cantou os parabéns a Jimin em português.
RM visitou o museu de arte Pinacoteca de São Paulo, e J-Hope descreveu o churrasco brasileiro como a sua refeição preferida da etapa latino-americana. Bogotá e Buenos Aires nomearam os BTS convidados de honra, enquanto Santiago adotou temporariamente o nome de rua «Avenida BTS». Também foram iluminados monumentos com a cor roxa, associada ao grupo.
Fãs atravessaram fronteiras e pouparam durante anos
A viagem de Maria Cruz Mamani a Santiago ilustra o esforço por detrás dos números de assistência. Poupou durante seis anos e viajou quase 30 horas, mudando de autocarro pelo caminho, para chegar ao concerto. Para os fãs que viviam fora dos cinco países anfitriões, assistir podia implicar uma viagem internacional, além da compra do bilhete.
O Ministério do Comércio e do Turismo do Peru registou o Equador como o principal país de origem dos espectadores estrangeiros nos concertos de Lima, com 27,9 por cento. O México representou 12,2 por cento e a Bolívia, 10,6 por cento. O Equador e a Bolívia não faziam parte da digressão, o que tornou Lima um destino importante para os fãs de ambos os países.
Em conjunto, o Equador e a Bolívia representaram 38,5 por cento dos espectadores estrangeiros nesta análise. Os números ajudam a explicar por que motivo os efeitos dos concertos se fizeram sentir para lá das cidades e até dos países que os acolheram.
J-Hope, rapper e dançarino dos BTS, falou da longa separação do público da região no último concerto em São Paulo:
Como não nos encontramos muitas vezes, a América do Sul era uma das etapas que mais aguardávamos.
RM também contou ter visto cartazes de pessoas que tinham esperado 10 anos. Essas mensagens refletiam a distribuição desigual das digressões internacionais: um grupo pode ter um público numeroso num país durante anos antes de lá atuar.
La Plata registou gastos muito para além da venda de bilhetes
Os números de visitantes de La Plata mostram como um concerto num estádio pode transformar-se num evento turístico muito mais amplo. Cerca de 96 por cento do público veio de fora da cidade ou da região envolvente, os espectadores chegaram de 11 países e mais de 130 000 visitantes deslocaram-se à cidade pela primeira vez.
Mais de 48 000 pessoas pernoitaram na cidade, com uma estadia média de 3,5 noites. Essa duração permitiu que os gastos se distribuíssem por vários dias, em vez de se concentrarem nas horas antes e depois de uma atuação.
Os cerca de 53 mil milhões de pesos argentinos foram gastos em alojamento, comida e bebidas, transportes e lazer, sem incluir os bilhetes. Assim, os hotéis e restaurantes também beneficiaram dos gastos gerados por um evento cuja principal atração era a música.
Lima registou 151 500 entradas ao longo de três dias, face a uma estimativa de 50 000 do Governo peruano. O total final foi cerca de três vezes superior à previsão. A Câmara de Comércio de Lima estimou um impacto económico de até 200 milhões de soles, enquanto foram submetidos mais de 25 000 pedidos para assistir a um espetáculo de drones dos BTS na zona costeira da Costa Verde.
Voos, pesquisas de alojamento e viagens revelaram diferentes tipos de pressão
As reservas de voos para Bogotá aumentaram 46,6 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior durante os concertos. As pesquisas de alojamento em Santiago subiram cerca de 200 por cento, o equivalente a aproximadamente o triplo do nível anterior.
Em Lima, a subida foi mais acentuada em torno das próprias atuações. A utilização de serviços de transporte por aplicação foi 15 vezes superior ao habitual no primeiro dia de concertos e atingiu até 48 vezes o nível normal imediatamente após o espetáculo. A saída simultânea de milhares de pessoas do mesmo recinto criou um pico concentrado na procura de transportes.
Estas medições descrevem diferentes momentos da viagem dos visitantes. As reservas de voos acompanham as viagens aéreas planeadas, as pesquisas de alojamento refletem o interesse em encontrar onde ficar e os pedidos de transporte mostram a pressão sobre os serviços em momentos específicos. Em conjunto com as estimativas de gastos, explicam por que motivo as cidades anfitriãs tiveram de se preparar para muito mais do que a atividade dentro de um estádio.
Santiago também enfrentou incerteza quanto ao recinto. O Instituto Nacional do Desporto do Chile recusou inicialmente, em julho, autorizar a utilização do Estádio Nacional, depois de terem sido vendidos quase 200 000 bilhetes. Os fãs protestaram, chegando a marchar em direção ao palácio presidencial com faixas roxas, e a autorização foi restabelecida no prazo de três semanas.
Acessórios indígenas suscitaram elogios e críticas
Jin e RM usaram cocares de penas durante os concertos no Brasil, dando origem a um debate sobre a presença de objetos sagrados indígenas em espetáculos pop. Para as comunidades indígenas do Brasil, os cocares têm significados ligados à ancestralidade, à identidade e à força.
Alguns utilizadores das redes sociais criticaram a sua utilização como adereços de concerto. Também houve indígenas que defenderam o grupo: alguns saudaram a atenção dada às suas culturas e contextualizaram o significado dos objetos. O desacordo centrou-se no respeito, no significado cultural e nas perspetivas das comunidades ligadas a essas peças.
Outros acessórios chamaram a atenção para tradições artesanais específicas. Membros como Suga usaram pulseiras de contas com padrões geométricos, descritas como trabalho de artesãos Waurá, também conhecidos como Wauja, da região do Xingu. Os colares e as pulseiras feitos com sementes de açaí de origem sustentável foram apresentados como inspirados na comunidade Yawanawá e criados em seu apoio.
Também foram referidas pulseiras com desenhos Kene Ku associados ao povo Huni Ku, entre as referências culturais brasileiras. Estes relatos identificaram várias tradições indígenas distintas na indumentária dos concertos, cada uma com as suas próprias práticas artísticas e significado cultural.
Autoridades brasileiras pediram esclarecimentos sobre a experiência do público
Os fãs nos concertos de São Paulo relataram dificuldades no acesso ao estádio, filas, sinalização, sobrelotação e infraestruturas. A visibilidade dos ecrãs também foi alvo de queixas: a produção sul-americana utilizou quatro ecrãs centrais, dispostos para serem vistos em redor do palco, em comparação com até 12 ecrãs em atuações noutras regiões.
Para os espectadores que estão longe dos artistas, os ecrãs de vídeo são essenciais para acompanhar um espetáculo num estádio. A sua dimensão, localização e visibilidade influenciam a facilidade com que o público consegue seguir os rostos, as coreografias e os momentos mais pequenos em palco.
O Ministério Público de São Paulo pediu esclarecimentos à prefeitura, à Ticketmaster Brasil e à Live Nation Brasil. A Procon-SP, entidade estadual de defesa do consumidor, notificou a produtora na sequência de queixas sobre as infraestruturas do concerto.
A Secretaria Nacional do Consumidor do Brasil, Senacon, também pediu informações após a primeira atuação sobre a sobrelotação, as filas, a segurança e a acessibilidade. Não foi indicado qualquer resultado desses pedidos nem um prazo para uma decisão. As queixas acrescentaram a experiência prática dos detentores de bilhetes aos números de assistência e de gastos na avaliação dos concertos no Brasil.
HYBE planeia mais datas enquanto os concertos impulsionam as receitas
A HYBE, empresa-mãe da BigHit Music, anunciou a 3 de novembro que a digressão ARIRANG continuaria durante o primeiro semestre de 2027. O diretor-executivo, Lee Jae-sang, afirmou que estavam planeadas mais datas e que estavam a ser preparados projetos de grupo e a solo, em diálogo com os membros.
A digressão foi inicialmente anunciada com 79 concertos em 34 cidades, antes de ser alargada a 88 atuações. O calendário anunciado chega atualmente às Filipinas em meados de março de 2027, enquanto o calendário indicado pela HYBE se prolonga por mais meses.
Os resultados preliminares da empresa mostram a importância crescente das atuações ao vivo para o negócio. As receitas de julho a setembro atingiram 1,53 biliões de wons, um aumento de 109,8 por cento face ao ano anterior. O lucro operacional, o montante que resta depois dos custos de funcionamento e antes de determinadas outras despesas, atingiu 188,5 mil milhões de wons, comparado com um prejuízo operacional de 42,2 mil milhões de wons no ano anterior. O lucro líquido foi de 11,3 mil milhões de wons.
As vendas de bilhetes para concertos contribuíram com 726,8 mil milhões de wons, cerca de 47,5 por cento das receitas trimestrais. O merchandising e o licenciamento geraram 334,6 mil milhões de wons, enquanto os álbuns e o streaming contribuíram com 282,8 mil milhões de wons. Estes valores abrangem o conjunto mais vasto de artistas da HYBE, incluindo outros que estão em digressão. As receitas de janeiro a setembro atingiram 3,674 biliões de wons.
Ásia e Austrália são os próximos destinos
Está previsto que Kaohsiung abra a próxima etapa regional a 19 de novembro. Seguem-se Banguecoque, Kuala Lumpur, Singapura e Jacarta, com o programa asiático a prolongar-se até 29 de dezembro. Melbourne e Sydney estão previstas para fevereiro de 2027.
As próximas atuações também chegarão a pessoas fora dos estádios através das transmissões de Kaohsiung e Jacarta em mais de 80 países e regiões. Os concertos selecionados são o de Kaohsiung, a 21 de novembro, e o de Jacarta, a 29 de dezembro, permitindo que assistam fãs sem possibilidade de viajar.
Singapura está a preparar um programa mais amplo de promoção do destino em torno dos concertos de dezembro. O programa pela cidade de Singapura decorre de 1 a 31 de dezembro, com música, arte e experiências temáticas por toda a ilha. Esta abordagem prolonga uma tendência observada na América do Sul, onde algumas datas de concertos levaram visitantes a museus, hotéis, restaurantes e espaços públicos.
O regresso dos BTS acontece após uma pausa nas digressões do grupo desde os concertos de Las Vegas, em 2022, período durante o qual os membros cumpriram o serviço militar obrigatório da Coreia do Sul e se dedicaram a projetos individuais. Os sete tinham regressado até 2025. Desde então, o novo álbum alcançou marcos como a sua primeira certificação de platina em Itália, somando o êxito da música gravada aos números de assistência da digressão.
Jimin, cantor e dançarino dos BTS, manifestou a intenção do grupo de regressar durante uma transmissão em direto no Weverse, após os concertos sul-americanos:
Vou guardar estas memórias, preparar-me bem e voltar na próxima vez.
Pontos-chave
- A BigHit Music afirmou que os BTS atraíram 853 000 entradas em 14 concertos sul-americanos esgotados em cinco cidades.
- A etapa regional decorreu entre 2 de outubro, em Bogotá, e 31 de outubro, em São Paulo.
- La Plata registou gastos estimados de 53 mil milhões de pesos argentinos por parte dos visitantes, sem contar com os bilhetes.
- Os três concertos de Lima atraíram 151 500 entradas, cerca de três vezes a estimativa do Governo.
- As autoridades brasileiras pediram informações após queixas sobre acessos, filas, sobrelotação, ecrãs e acessibilidade.
- A próxima etapa asiática começa em Kaohsiung a 19 de novembro, e a Austrália está prevista para fevereiro de 2027.
- A HYBE afirmou que a digressão continuaria durante o primeiro semestre de 2027, com mais datas planeadas.






