Oito composições têm prioridade perante o aumento da procura na Grande Jacarta
A operadora ferroviária estatal da Indonésia, PT Kereta Api Indonesia (KAI), planeia adquirir 23 novas composições de comboios elétricos suburbanos ao longo de dois a três anos, substituindo uma proposta de importação de comboios usados do Japão. Oito das novas composições são urgentemente necessárias para a rede suburbana da Grande Jacarta, que registou 303 792 024 viagens de passageiros entre janeiro e outubro de 2026.
Índice
- Oito composições têm prioridade perante o aumento da procura na Grande Jacarta
- O que mudou em relação à proposta de importação do Japão?
- A INKA assume um papel central, com abertura a parcerias estrangeiras
- Quase um milhão de viagens de passageiros por dia
- Os testes já decorrem na linha de Bogor
- Encomendas anteriores mostram a importância da capacidade de produção
- As oito composições anteriores faziam parte de uma discussão de aquisição distinta
- Como se chegou ao atual plano para a frota
- Principais pontos
O presidente executivo da KAI, Bobby Rasyidin, anunciou a decisão no Complexo do Palácio Presidencial, em Jacarta, a 5 de novembro de 2026. A aquisição envolverá a fabricante estatal PT Industri Kereta Api (INKA), podendo fabricantes internacionais participar através de parcerias com a indústria indonésia.
Bobby afirmou que os passageiros devem receber comboios novos, em vez de importações usadas. Ao explicar a decisão, disse:
Não, não estamos a importar comboios usados. O público merece comboios novos.
A necessidade abrange sete composições com 12 carruagens cada e 16 com oito carruagens cada. No conjunto, estas configurações disponibilizariam 212 carruagens de passageiros. Uma composição é um grupo de carruagens ligadas que funciona como um único comboio, pelo que o anúncio diz respeito a 23 comboios completos, e não a 23 carruagens individuais.
A mudança dá à KAI uma nova via para expandir a frota, colocando a capacidade de produção e os prazos de entrega no centro do programa. Os passageiros precisam de mais comboios disponíveis, e a INKA já está envolvida tanto no fabrico de novo material circulante como na remodelação de unidades existentes.
O mais recente anúncio da KAI surge também enquanto uma oitava composição da INKA é submetida a testes na linha Bogor–Jakarta Kota. Outras sete composições da INKA regressaram ao serviço de passageiros em outubro, após inspeções, associando a decisão de aquisição ao trabalho prático de preparação dos comboios para a operação diária.
O que mudou em relação à proposta de importação do Japão?
A KAI tinha anteriormente apresentado à Comissão VI da Câmara dos Representantes da Indonésia, conhecida como DPR, uma proposta para importar comboios elétricos suburbanos usados do Japão. A proposta tinha recebido aprovação inicial da comissão antes de o Governo mudar de rumo.
O plano anterior pretendia satisfazer a mesma necessidade declarada de 23 composições adicionais para a rede de Jabodetabek, que serve Jacarta e as zonas urbanas circundantes. A nova abordagem mantém essa necessidade de reforço da frota, mas altera a forma de a satisfazer: os comboios terão de ser novos e a indústria nacional terá de participar.
Bobby associou a decisão tanto ao serviço prestado aos passageiros como ao apoio à indústria transformadora indonésia. Continua a ser possível recorrer a cooperação técnica estrangeira, pelo que as empresas internacionais ainda podem contribuir para o programa através de parcerias com fabricantes locais.
A prioridade imediata são oito composições, cerca de 35% da necessidade total. As 15 restantes integram o programa de aquisição mais amplo, que a KAI pretende concluir no prazo de dois a três anos.
A INKA assume um papel central, com abertura a parcerias estrangeiras
Num comunicado de 6 de novembro, a KAI indicou que a INKA seria responsável por tratar da aquisição das 23 composições. A INKA poderá fabricar os comboios por conta própria ou trabalhar com produtores internacionais, desde que a indústria indonésia continue envolvida.
Nas declarações feitas no palácio, Bobby tinha descrito a INKA como um dos fornecedores previstos. A explicação subsequente definiu um papel mais amplo de coordenação para a fabricante, com flexibilidade na organização da produção.
Para os leitores, o essencial é simples: a responsabilidade da INKA pela aquisição pode incluir a organização de parcerias, além da construção de comboios nas suas próprias instalações. O plano de produção poderá, por isso, contar com contributos de mais do que um fabricante.
Herman Khaeron, membro da Comissão VI, apoiou a produção nacional, mas defendeu que se procurassem alternativas caso as fábricas locais não conseguissem satisfazer os requisitos da KAI. A 6 de novembro, afirmou:
Em princípio, apoiamos a produção nacional de carruagens ferroviárias, mas, se não conseguir satisfazer as necessidades atuais da KAI, peço que procurem outras opções.
Herman afirmou também que o cancelamento do plano de importação de comboios usados do Japão tinha sido discutido em profundidade. As suas declarações colocaram a capacidade de entrega, a par da produção nacional, no centro da fiscalização parlamentar.
Quase um milhão de viagens de passageiros por dia
A Commuter Line Jabodetabek registou uma média de 999 316 viagens de passageiros por dia entre janeiro e outubro de 2026, segundo dados divulgados pela KAI. O total de 303 792 024 viagens refere-se aos percursos realizados, incluindo as deslocações repetidas dos passageiros habituais.
Estes números dão uma ideia da dimensão do serviço que a KAI tem de assegurar. Um passageiro que se desloque para o trabalho e regresse a casa faz duas viagens num dia. É importante manter comboios suficientes disponíveis numa rede utilizada repetidamente para o trabalho, a educação e outras atividades quotidianas.
Também importa a combinação de comprimentos prevista para os comboios. Sete composições de 12 carruagens representam 84 carruagens, enquanto 16 composições de oito carruagens representam outras 128. A composição mais longa tem mais quatro carruagens do que a mais curta, ou mais 50% de carruagens por comboio.
A KAI não divulgou dados sobre a capacidade de passageiros das novas composições, o valor do contrato, um calendário pormenorizado do concurso ou uma data de entrega para as oito composições prioritárias. Esses dados determinarão a rapidez com que a aquisição se traduzirá em mais espaço para os passageiros.
Os testes já decorrem na linha de Bogor
A KAI e a INKA iniciaram a 4 de novembro de 2026 os testes dinâmicos da oitava composição KRL produzida no país, na linha Bogor–Jakarta Kota. KRL é a abreviatura indonésia de comboio elétrico, o tipo utilizado na rede suburbana.
Um teste dinâmico avalia um comboio em movimento, permitindo verificar a sua prontidão técnica e segurança em condições de operação. A KAI afirmou que os ensaios decorriam fora dos períodos de maior movimento.
Anne Purba, vice-presidente de comunicação institucional da KAI, afirmou que a KAI, a KAI Commuter e a INKA estavam a supervisionar os testes em conjunto. Estas verificações fazem parte da preparação da composição para transportar passageiros de forma segura e fiável.
Sete composições da INKA já tinham sido submetidas a inspeções minuciosas e regressado ao serviço de passageiros em outubro de 2026. Os testes da oitava composição constituem uma etapa operacional distinta da nova necessidade anunciada de 23 comboios.
Encomendas anteriores mostram a importância da capacidade de produção
As conversações sobre aquisições da KAI Commuter em fevereiro de 2024 mostram que a capacidade fabril e o calendário dos trabalhos na frota já eram preocupações há mais de dois anos. Na altura, a operadora tinha encomendado 16 novas composições à INKA e tinha outras 19 composições existentes a serem modernizadas pela empresa.
Uma modernização atualiza um comboio existente, em vez de o substituir por outro completamente novo. Pode prolongar a utilização de equipamento mais antigo, mas o trabalho continua a exigir espaço fabril, pessoal e tempo, que têm de ser geridos em paralelo com a nova produção.
Arya Sinulingga, então assessor especial do ministro das Empresas Estatais, afirmou a 21 de fevereiro de 2024 que a INKA precisava de cerca de 16 meses para modernizar uma composição. Disse que seria monitorizada a capacidade da fabricante para gerir tanto a renovação como as novas encomendas.
A KAI Commuter também tinha importado três novas composições da CRRC Sifang, da China, como parte dos planos para a frota, enquanto aguardava a produção da INKA. Essa aquisição anterior dizia respeito a comboios novos, ao passo que a proposta cancelada em novembro de 2026 envolvia comboios usados do Japão.
As oito composições anteriores faziam parte de uma discussão de aquisição distinta
Anne Purba, então vice-presidente e secretária da KAI Commuter, afirmou numa conferência de imprensa a 6 de fevereiro de 2024 que tinham começado os preparativos para adquirir outras oito composições. Descreveu-as como adicionais às três importadas da China, às 16 novas composições da INKA e às 19 composições em processo de modernização.
Anne afirmou que as oito seriam objeto de concurso, um processo competitivo utilizado para selecionar um fornecedor. A preparação dessa aquisição destinava-se a reduzir o risco de escassez caso os trabalhos de modernização da INKA sofressem atrasos.
Mais tarde nesse mês, Arya afirmou que a intenção era encomendar os comboios adicionais à INKA, dependendo da sua capacidade. O processo de aquisição ainda não tinha começado formalmente e procurava-se financiamento, incluindo a possibilidade de participação estatal no capital da INKA. Essa participação significa que o Governo injeta capital numa empresa estatal.
A discussão de fevereiro de 2024 e o anúncio de novembro de 2026 identificam ambos oito composições, mas dizem respeito a necessidades de aquisição em momentos diferentes. O compromisso atual consiste num grupo prioritário de oito no total de 23 agora anunciado.
Como se chegou ao atual plano para a frota
Os principais desenvolvimentos abrangem os preparativos para a aquisição, o trabalho fabril, os testes e uma mudança na política governamental:
- 6 de fevereiro de 2024: a KAI Commuter afirmou estar a preparar a aquisição de oito composições adicionais para ajudar a gerir possíveis atrasos nas modernizações.
- 21 de fevereiro de 2024: Arya Sinulingga afirmou que a INKA era o fornecedor pretendido, dependendo da sua capacidade, enquanto ainda se preparavam o financiamento e os procedimentos de aquisição.
- Outubro de 2026: sete composições da INKA regressaram ao serviço de passageiros após inspeções.
- 4 de novembro de 2026: começaram os testes dinâmicos de uma oitava composição da INKA na linha Bogor–Jakarta Kota.
- 5 de novembro de 2026: Bobby anunciou que as importações de comboios usados do Japão seriam abandonadas em favor de comboios novos.
- 6 de novembro de 2026: a KAI descreveu o papel da INKA na aquisição de 23 composições, enquanto Herman defendeu a procura de alternativas caso a produção nacional não fosse suficiente.
O objetivo atual da KAI inclui agora as oito composições prioritárias e as 15 restantes num programa com a duração de dois a três anos. Para os passageiros, a principal mudança operacional ocorrerá à medida que os comboios concluídos passem nas verificações e entrem ao serviço.
Principais pontos
- A KAI cancelou os planos de importar comboios suburbanos usados do Japão e pretende adquirir 23 composições novas.
- Oito composições são prioritárias e urgentes para a rede da Grande Jacarta.
- A frota prevista inclui sete comboios com 12 carruagens e 16 com oito carruagens, num total de 212 carruagens.
- A INKA ficará responsável pela aquisição, sendo permitidas parcerias internacionais desde que a indústria nacional esteja envolvida.
- A KAI pretende concluir o programa no prazo de dois a três anos.
- Os serviços suburbanos de Jabodetabek registaram mais de 303,7 milhões de viagens de passageiros entre janeiro e outubro de 2026.
- Uma oitava composição da INKA iniciou testes dinâmicos a 4 de novembro, depois de sete composições terem regressado ao serviço em outubro.






