Mais seis meses de restrições à gasolina e ao gasóleo
O Cazaquistão vai prolongar as restrições à exportação de gasolina, gasóleo e alguns outros produtos petrolíferos de 22 de novembro de 2026 a 22 de maio de 2027, incluindo os envios para os restantes membros da União Económica Eurasiática (UEE). O ministro da Energia, Erlan Akkenzhenov, assinou o despacho a 30 de outubro, dando prioridade ao abastecimento interno de combustíveis face à maioria das exportações.
Índice
- Mais seis meses de restrições à gasolina e ao gasóleo
- Quais são as datas importantes?
- O que muda para os envios rodoviários e os condutores?
- As exportações ferroviárias mantêm uma via para a gasolina aprovada
- O combustível para investigação e a ajuda humanitária exigem aprovação
- As exportações para fora da UEE estão sujeitas a uma lista distinta de produtos
- Porque é que um grande produtor de petróleo continua a limitar as exportações de combustíveis?
- As previsões petrolíferas e o comércio regional contextualizam a decisão
- A flexibilização das restrições ao betume continua dependente de condições
- Pontos principais
O Despacho n.º 397-н/қ estabelece condições distintas para os envios rodoviários e ferroviários. Mantém exceções para o combustível nos depósitos originais dos veículos, determinados óleos lubrificantes, combustível de aviação utilizado em investigação e ensaios, entregas ferroviárias de gasolina aprovadas e ajuda humanitária autorizada pelo Governo.
Uma restrição adicional, que abrange as exportações para fora do território aduaneiro da UEE, indica o período de 1 de janeiro a 30 de junho de 2027. A medida abrange destilados leves, querosene de aviação, gasóleo, gasóleos, tolueno, xileno e betume de petróleo.
A decisão dá continuidade a uma política em vigor, em vez de reabrir as exportações para as voltar a encerrar. A restrição anterior vigora até 21 de novembro, e as novas medidas rodoviárias e ferroviárias entram em vigor no dia seguinte. Nos últimos anos, o Cazaquistão tem renovado repetidamente os controlos às exportações de combustíveis para proteger o abastecimento interno e responder às diferenças de preços face aos países vizinhos.
Quais são as datas importantes?
O despacho ministerial entra legalmente em vigor a 16 de novembro. As restrições individuais têm calendários próprios, pelo que as empresas devem distinguir a data de entrada em vigor do documento das datas estipuladas para cada proibição de exportação.
O calendário inclui também uma discrepância relativa às exportações para fora da UEE: o calendário detalhado indica 1 de janeiro como data de início, mas 16 de novembro também foi apontado como início dessa restrição. Os exportadores afetados por essa diferença devem confirmar qual a data aplicável antes de organizarem as entregas.
- 30 de outubro de 2026: o ministro da Energia assina o despacho de prolongamento.
- 16 de novembro de 2026: data prevista para a entrada legal em vigor do despacho.
- 21 de novembro de 2026: último dia da restrição anterior às exportações.
- 22 de novembro de 2026 a 22 de maio de 2027: aplicam-se as novas restrições rodoviárias e ferroviárias.
- 1 de janeiro a 30 de junho de 2027: o calendário detalhado atribui este período à restrição distinta das exportações para fora do território aduaneiro da UEE.
O despacho especifica ainda que entra em vigor 10 dias após a sua primeira publicação oficial. Para o planeamento dos envios, o ponto principal é que os controlos rodoviários e ferroviários continuam sem interrupção depois de 21 de novembro.
O que muda para os envios rodoviários e os condutores?
As exportações por estrada estão sujeitas a restrições sobre gasolina, gasóleo e outros produtos identificados pelos códigos aduaneiros da UEE 2709 00, 2710, 2902, 3403, 3811 e 3826 00. Os códigos aduaneiros são classificações numéricas usadas para identificar mercadorias na fronteira. A classificação precisa de um produto ajuda a determinar qual a restrição ou exceção aplicável.
Determinados óleos lubrificantes continuam isentos. A isenção está associada a códigos de produto específicos, pelo que o tipo exato de óleo é relevante para determinar se um envio comercial pode sair do Cazaquistão.
Os condutores podem continuar a sair do país com combustível num depósito instalado pelo fabricante do veículo, mas esta exceção só pode ser utilizada uma vez por dia. A disposição diz respeito ao combustível no depósito original do veículo, não a uma autorização geral para transportar combustível adicional destinado à venda no estrangeiro.
O limite diário é importante nas zonas fronteiriças, onde os preços mais baixos dos combustíveis podem incentivar viagens repetidas. O Cazaquistão já registou exportações ilegais de combustível associadas às diferenças entre os preços internos e os dos países vizinhos. A regra renovada mantém uma exceção para a utilização normal dos veículos, limitando ao mesmo tempo o transporte repetido de combustível ao abrigo dessa isenção.
As exportações ferroviárias mantêm uma via para a gasolina aprovada
As restrições ferroviárias aplicam-se a produtos petrolíferos abrangidos pelo código aduaneiro da UEE 2710 12. Algumas entregas de gasolina podem prosseguir ao abrigo de planos de abastecimento aprovados pelo Ministério da Energia, permitindo que os envios autorizados contornem as restrições.
Os tipos de gasolina permitidos incluem AI-98, AI-95, AI-92 e AI-80. Os números referem-se aos índices de octanas, que indicam a resistência da gasolina à ignição prematura no motor. A elegibilidade depende tanto do plano de abastecimento aprovado como da categoria do produto.
A exceção ferroviária enumera os códigos aduaneiros 2710 12 412 0, 2710 12 413 0, 2710 12 450 0 e 2710 12 490 0. Estes detalhes permitem aos fornecedores verificar um envio proposto com maior precisão do que a descrição genérica de uma proibição das exportações de gasolina.
As entregas de ajuda humanitária também podem ser efetuadas por via ferroviária quando autorizadas pelo Governo do Cazaquistão. As exceções rodoviárias e ferroviárias são, por isso, diferentes: as disposições rodoviárias incluem os depósitos dos veículos e determinados óleos lubrificantes, enquanto os planos de abastecimento de gasolina aprovados são centrais nas disposições ferroviárias.
O combustível para investigação e a ajuda humanitária exigem aprovação
O combustível de aviação destinado à investigação, a ensaios e à preparação da produção industrial pode beneficiar de uma isenção. As atividades abrangidas incluem ensaios laboratoriais e de qualificação de amostras.
As organizações que recorram a esta exceção precisam de obter aprovação da entidade competente responsável pela produção de produtos petrolíferos. Devem também ter um contrato com a organização que realiza o trabalho e documentos que especifiquem as quantidades necessárias de combustível e de amostras.
Estes requisitos associam a autorização a uma atividade de investigação ou ensaio definida. Uma empresa que planeie uma entrega deste tipo tem de especificar o objetivo, o destinatário e o volume antes da exportação.
A ajuda humanitária segue um processo de aprovação distinto. Os produtos petrolíferos podem ser exportados como ajuda quando o Governo do Cazaquistão autoriza o envio. A exceção aplica-se à ajuda aprovada pelo Governo, tanto nas disposições rodoviárias como nas ferroviárias.
As exportações para fora da UEE estão sujeitas a uma lista distinta de produtos
A restrição prevista para o período entre janeiro e junho de 2027 abrange os envios para fora do território aduaneiro da UEE. Os parceiros do Cazaquistão na união são a Rússia, o Quirguistão, a Bielorrússia e a Arménia. As restrições rodoviárias e ferroviárias também abrangem as entregas a estes países, pelo que pertencer ao mesmo espaço aduaneiro não confere uma isenção geral.
A lista de exportações externas vai além dos combustíveis de uso automóvel mais conhecidos. Os destilados leves são produtos relativamente leves separados durante a refinação do petróleo. Os gasóleos constituem outro grupo de produtos de refinação que inclui combustíveis utilizados em motores diesel. O tolueno e o xileno são produtos químicos usados na produção industrial, enquanto o betume de petróleo é amplamente utilizado na pavimentação de estradas.
As classificações enumeradas incluem o código 2713 20 000 0 para o betume de petróleo e códigos específicos do grupo 2902 para o tolueno e o xileno. Para as empresas, a disposição aplicável depende da combinação entre destino, meio de transporte, código do produto e eventuais exceções aprovadas.
Porque é que um grande produtor de petróleo continua a limitar as exportações de combustíveis?
O Cazaquistão produziu cerca de 99,6 milhões de toneladas de petróleo em 2025, mas o seu mercado interno de combustíveis continua a depender parcialmente das importações. O petróleo bruto extraído do solo tem de passar por refinarias antes de se transformar em gasolina, gasóleo ou querosene de aviação. A quantidade de petróleo bruto produzida e a quantidade de combustível utilizável disponível no mercado interno são indicadores diferentes.
Segundo dados do Ministério da Energia, as refinarias do Cazaquistão processaram 18,4 milhões de toneladas de petróleo bruto em 2025 e produziram cerca de 15,5 milhões de toneladas de produtos petrolíferos. Essa produção satisfez mais de 90% das necessidades internas, mas continuaram a existir carências de determinados produtos.
O Cazaquistão importa anualmente da Rússia cerca de 300 000 toneladas de querosene de aviação ao abrigo de um acordo que permite importações sem direitos aduaneiros. Para 2025, tinha também a possibilidade de receber até 450 000 toneladas de gasóleo russo sem pagar direitos. O valor relativo ao gasóleo corresponde à quantidade que poderia ser fornecida ao abrigo do acordo.
As autoridades associaram as repetidas restrições à exportação às necessidades de abastecimento interno e aos preços de venda ao público mais baixos do que nos mercados vizinhos. A procura sazonal aumenta a pressão durante as sementeiras e as colheitas, bem como na época de aquecimento. O objetivo de manter mais combustível no Cazaquistão é garantir o abastecimento dos utilizadores internos.
As previsões petrolíferas e o comércio regional contextualizam a decisão
O Cazaquistão prevê produzir 96 milhões de toneladas de petróleo em 2026, face a cerca de 99,6 milhões de toneladas em 2025. Isso representaria uma descida de aproximadamente 3,6%. A meta para 2027 é de cerca de 99 milhões de toneladas, um aumento de aproximadamente 3,1% face à previsão para 2026.
A produção em 2026 foi afetada por ataques a infraestruturas, suspensões temporárias dos envios através dos terminais do Consórcio do Oleoduto do Cáspio e problemas técnicos em Tengiz, o maior campo petrolífero do país. O Cazaquistão prevê também produzir 64,5 mil milhões de metros cúbicos de gás em 2026.
As restrições aos combustíveis enquadram-se numa relação comercial muito mais ampla. Segundo dados do Gabinete Nacional de Estatística, o comércio do Cazaquistão com os membros da UEE atingiu 20,99 mil milhões de dólares entre janeiro e agosto de 2026, mais 7,3% em termos nominais do que no período homólogo.
As exportações para esses parceiros totalizaram 6,64 mil milhões de dólares, menos 0,2%, enquanto as importações atingiram 14,35 mil milhões de dólares, mais 11,2%. As importações foram, assim, cerca de 2,2 vezes superiores às exportações. A Rússia representou 87,3% do comércio do Cazaquistão com a UEE, seguida pelo Quirguistão, com 8,3%, pela Bielorrússia, com 4%, e pela Arménia, com 0,4%. Estes valores abrangem o comércio de todos os bens.
A flexibilização das restrições ao betume continua dependente de condições
O Cazaquistão está a ponderar levantar as restrições às exportações de betume para estradas quando a procura interna estiver totalmente satisfeita. Isso daria aos fornecedores a oportunidade de vender no estrangeiro os volumes excedentários, depois de cobertas as necessidades locais.
O betume de petróleo continua incluído na restrição às exportações externas prevista até 30 de junho de 2027. Não foi anunciada qualquer data para o retirar das restrições. As empresas envolvidas na construção rodoviária e no fornecimento de betume enfrentam, por isso, tanto a intenção declarada de permitir exportações como a manutenção da restrição no calendário anunciado.
A mudança prática imediata é a continuidade: a maioria dos envios rodoviários e ferroviários sujeitos a restrições permanece sob controlo até 22 de maio, enquanto o calendário distinto das exportações externas vigora até 30 de junho. Os condutores mantêm a exceção relativa ao depósito original, e as empresas com entregas elegíveis para investigação, ajuda humanitária ou transporte ferroviário aprovado continuam a dispor de vias específicas para obter autorização.
Pontos principais
- As restrições renovadas do Cazaquistão às exportações rodoviárias e ferroviárias vigoram de 22 de novembro de 2026 a 22 de maio de 2027.
- As entregas para os restantes membros da UEE também estão abrangidas.
- O combustível nos depósitos instalados pelo fabricante dos veículos pode sair do Cazaquistão ao abrigo da exceção, no máximo, uma vez por dia.
- Existem exceções para planos de abastecimento de gasolina aprovados, determinados óleos, combustível de aviação elegível para investigação e ajuda autorizada pelo Governo.
- O calendário detalhado prevê restrições distintas às exportações enumeradas para fora da UEE entre 1 de janeiro e 30 de junho de 2027.
- As necessidades de abastecimento interno, as diferenças de preços e a dependência persistente de combustíveis importados sustentam a política.
- Uma possível flexibilização das exportações de betume depende da satisfação da procura interna, sem que tenha sido anunciada uma data para retirar as restrições.






