As expedições da Nintendo Switch 2 caem 41% e os custos mais elevados põem à prova o segundo ano

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Nintendo Switch 2 Shipments Fall 41% as Higher Costs Test Its Second Year

Menos consolas vendidas, mais lucros

A Nintendo expediu 2,67 milhões de consolas Switch 2 entre julho e setembro de 2026, menos 41% do que os 4,54 milhões registados um ano antes, numa altura em que o aumento dos custos da memória e dos preços de venda a retalho pressionam o segundo ano da consola. Ainda assim, os resultados da empresa nos seis meses até setembro revelam outro cenário: o lucro operacional subiu 49,1%, para 216,5 mil milhões de ienes, impulsionado pelas vendas de jogos, pelas compras digitais e por um reembolso substancial de tarifas aduaneiras dos EUA.

Índice
  1. Menos consolas vendidas, mais lucros
  2. A quebra prolonga-se para lá da comparação com o lançamento
  3. O custo da memória chega às lojas
  4. Porque caiu o lucro trimestral, mas subiu no semestre
  5. Os jogos apoiam ambas as consolas
  6. As compras digitais e as personagens alargam a atividade
  7. O ano de lançamento já revelava pressão sobre os custos
  8. As datas que marcam a campanha de fim de ano
  9. O que a Nintendo tem de vender a seguir
  10. Pontos-chave

Os resultados, anunciados a 5 de novembro para o exercício fiscal que termina em março de 2027, mostram a Nintendo a gerir dois desafios distintos. A empresa precisa de convencer mais famílias a comprar a sua consola mais recente e, ao mesmo tempo, de obter mais receitas dos proprietários das consolas que já vendeu. Os jogos e as atividades relacionadas com as suas personagens ajudaram a sustentar os lucros, mesmo com a queda das expedições de hardware.

As receitas entre abril e setembro caíram 12,1%, para 966,041 mil milhões de ienes. As expedições da Switch 2 totalizaram 6,49 milhões de unidades, menos 37,4%, enquanto as da Switch original caíram 32,7%, para 1,27 milhões. Estes valores medem as consolas enviadas para os canais de distribuição, e não as compras feitas diretamente por jogadores individuais.

A Nintendo manteve inalteradas as metas anuais, incluindo 16,5 milhões de consolas Switch 2 e um lucro operacional de 370 mil milhões de ienes. Para cumprir a meta de hardware, terá agora de expedir 10,01 milhões de unidades entre outubro e março, o que torna a época de compras natalícias central para os planos da empresa.

A quebra prolonga-se para lá da comparação com o lançamento

As expedições da Switch 2 caíram de 3,82 milhões entre abril e junho para 2,67 milhões entre julho e setembro, uma redução de cerca de 30%. Esta comparação é importante porque revela uma desaceleração no atual exercício fiscal, além da quebra mais acentuada face ao período de lançamento da consola.

A Nintendo lançou a Switch 2 em junho de 2025 e vendeu 19,86 milhões de unidades nos primeiros cerca de 10 meses. A meta anual atual, de 16,5 milhões, é inferior em 3,36 milhões, ou 16,9%. Assim, a empresa prevê expedir menos consolas ao longo de um exercício fiscal completo do que expediu durante o ano de lançamento, que foi mais curto.

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Os preços mais elevados, o abrandamento da corrida às compras no lançamento e o calendário dos principais jogos ajudam a explicar a pressão sobre a procura. A tarefa da Nintendo é transformar o interesse por jogos específicos na compra da consola necessária para os jogar.

Até 30 de setembro, as expedições acumuladas da Switch 2 tinham chegado a 26,35 milhões de consolas, com 73,21 milhões de jogos vendidos. A Switch original continuava a ser muito maior, com 157,2 milhões de consolas e cerca de 1,594 mil milhões de jogos vendidos ao longo da sua vida comercial. A Nintendo continua a servir os utilizadores de ambas as consolas, enquanto procura levar mais jogadores a passar para o sistema mais recente.

O custo da memória chega às lojas

As alterações de preços da Nintendo fazem recair diretamente sobre os consumidores a pressão dos custos de fabrico. Nos EUA, o preço deveria subir de 449,99 para 499,99 dólares a 1 de setembro, um aumento de 50 dólares, ou cerca de 11,1%. No Japão, a alteração anunciada foi de 49 980 para 59 980 ienes a 25 de maio, um aumento de 10 000 ienes, ou cerca de 20%.

Também eram esperados aumentos de preços na Europa e no Canadá. A Nintendo associou as alterações às condições de mercado e à conjuntura económica mundial, estimando um impacto combinado de cerca de 100 mil milhões de ienes devido ao aumento dos custos dos componentes e às medidas tarifárias. Esta estimativa abrange mais do que apenas os chips de memória.

Os chips de memória ajudam a consola a armazenar os dados necessários para executar jogos. O aumento da procura por parte dos centros de dados utilizados para inteligência artificial intensificou a concorrência pelo fornecimento de memória, pressionando os custos de produção do hardware de videojogos. Uma fatura mais elevada pelos componentes obriga os fabricantes a decidir que parte absorvem e que parte transferem para os clientes.

A Sony também aumentou os preços da PlayStation 5 nos últimos meses. Para a Nintendo, o momento é difícil: uma consola que já custava cerca de 50% mais do que a Switch original aquando do lançamento está a ficar mais cara, numa altura em que a empresa procura compradores para além dos primeiros clientes.

Porque caiu o lucro trimestral, mas subiu no semestre

O lucro operacional da Nintendo entre julho e setembro caiu 16%, para 73,9 mil milhões de ienes, abaixo das expectativas do mercado, que apontavam para 88 mil milhões. O lucro operacional mede os ganhos da atividade da empresa após os custos de produção e de exploração, mas antes de itens como os impostos.

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O total semestral aumentou porque inclui o melhor desempenho entre abril e junho. Subtraindo os 73,9 mil milhões de ienes do trimestre mais recente ao total semestral de 216,5 mil milhões, obtém-se um lucro operacional de 142,6 mil milhões de ienes no primeiro trimestre.

Um reembolso de tarifas aduaneiras dos EUA ajudou nesse período anterior. No primeiro trimestre, a Nintendo deduziu cerca de 300 milhões de dólares aos custos das vendas, depois de receber reembolsos de tarifas impostas ao abrigo da Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional, conhecida pela sigla IEEPA. A redução dos custos contabilizados aumentou a parcela das receitas que se traduziu em lucro.

Os jogos também representaram uma fatia maior da atividade. A margem bruta da Nintendo, ou seja, a percentagem das receitas que resta depois de deduzido o custo direto dos produtos vendidos, subiu de 36,2% para 50,4%. A margem de lucro operacional aumentou de 13,2% para 22,4%, apesar da subida das despesas de investigação e desenvolvimento e de outros custos operacionais.

Estas alterações explicam como as receitas puderam cair enquanto os lucros aumentavam. A Nintendo vendeu menos consolas, mas uma combinação de vendas mais rentável e o reembolso das tarifas melhoraram o valor que reteve. O lucro líquido semestral atribuível aos acionistas subiu 11%, para 220,917 mil milhões de ienes.

Os jogos apoiam ambas as consolas

As vendas de jogos para a Switch 2 atingiram 24,49 milhões de cópias entre abril e setembro, mais 18,8%. Entre julho e setembro, o valor foi de 15,03 milhões, um aumento de 26%, indicando que as compras de jogos cresceram enquanto as expedições de consolas diminuíram.

Juntamente com os resultados trimestrais, foi também divulgado um valor contraditório de 46,95 milhões de jogos para a Switch 2, sem uma explicação clara do período a que se referia. A discriminação detalhada do semestre aponta para vendas de 24,49 milhões, face à meta anual inalterada da Nintendo, de 60 milhões.

Splatoon Raiders, lançado em julho, vendeu 2,42 milhões de cópias, enquanto Fire Emblem: Fortune's Weave, lançado em setembro, vendeu 1,34 milhões. Star Fox, lançado em junho, vendeu 1,17 milhões, e Mario Kart World acrescentou 1,78 milhões durante o semestre. Pokémon Pokopia também continuou a vender, depois de se tornar um dos principais títulos da plataforma.

A Switch original representou uma parte substancial das compras de jogos. As vendas de software aumentaram 6,8%, para 65,73 milhões de cópias, mais do dobro do total da Switch 2 no mesmo semestre. Tomodachi Collection: Wakuwaku Life, lançado em abril, vendeu 8,81 milhões de cópias, enquanto Rhythm Heaven: Miracle Stars, lançado em julho, vendeu 2,89 milhões.

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A consola mais antiga da Nintendo continua, assim, a ter valor comercial, apesar da queda das vendas de hardware. Milhões de atuais proprietários podem comprar jogos novos sem adquirir outra consola, sustentando os lucros durante a transição para a Switch 2.

As compras digitais e as personagens alargam a atividade

As receitas digitais da Nintendo atingiram 249,6 mil milhões de ienes no primeiro semestre, uma subida de 60,5%, e representaram 60,7% das receitas de software. Entre julho e setembro, as receitas digitais aumentaram 37% e corresponderam a 59,8%. As percentagens referem-se a períodos diferentes.

As receitas digitais incluem jogos transferidos, conteúdos adicionais para jogos e serviços Nintendo Switch Online. A sua proporção é calculada em função das receitas, pelo que indica quanto dinheiro provém das compras digitais, e não a percentagem de cópias de jogos transferidas.

As receitas das atividades relacionadas com propriedade intelectual e de outras áreas associadas subiram 87,9%, para 62,7 mil milhões de ienes. Esta categoria inclui conteúdos cinematográficos, pagamentos através de serviços para smartphones, direitos de licenciamento e produtos vendidos nas lojas oficiais.

O filme Super Mario Galaxy contribuiu para o aumento das receitas relacionadas com cinema e arrecadou quase 900 milhões de dólares nas salas de todo o mundo. As receitas de bilheteira e as receitas da Nintendo são medidas diferentes: os ganhos da empresa resultam da sua participação no filme e dos acordos comerciais associados.

A Nintendo continua muito dependente do hardware e do software de videojogos. As consolas dedicadas representaram cerca de 97% das receitas no exercício fiscal anterior. Os filmes e os produtos de merchandising são fontes de receitas em crescimento, mas as consolas continuam a ser o principal motor da empresa.

O ano de lançamento já revelava pressão sobre os custos

No exercício fiscal terminado em março de 2026, as receitas da Nintendo rondaram os 2,3 biliões de ienes, um aumento de 98,6%, com a chegada da Switch 2 ao mercado. Quase duplicar as vendas implicou um aumento muito maior dos custos de produção.

O custo das vendas ultrapassou 1,4 biliões de ienes, mais do triplo do valor do ano anterior. Os custos dos materiais duplicaram aproximadamente, para cerca de 1,2 biliões de ienes. O lucro bruto aumentou 28%, para 909 mil milhões de ienes, um ritmo muito mais lento do que o crescimento das receitas, e ficou abaixo do valor alcançado no exercício fiscal terminado em março de 2024.

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O lucro operacional subiu 27,5%, mas a margem operacional foi de 15,6%. Os valores mostram porque é que a venda de grandes quantidades de consolas pode gerar receitas impressionantes sem um aumento equivalente dos lucros: o fabrico das máquinas consome uma parte substancial do preço de venda.

O número anual de jogadores ativos também estagnou desde o exercício fiscal terminado em março de 2025. A Nintendo calcula este público com base nas contas que iniciaram um jogo pelo menos uma vez durante o ano. Um total praticamente estável sugere que grande parte da atividade inicial da Switch 2 veio de jogadores já existentes que fizeram a atualização, pelo que alargar o público é também uma prioridade comercial.

As datas que marcam a campanha de fim de ano

O calendário de lançamentos e as alterações de preços da Nintendo colocam vários acontecimentos importantes em torno dos resultados mais recentes. A sequência liga o impulso do lançamento da consola, a desaceleração atual e os lançamentos de entretenimento que deverão apoiar a procura.

  • Junho de 2025: lançamento da Switch 2, dando início a um período em que foram expedidas 19,86 milhões de unidades até março de 2026.
  • 25 de maio de 2026: o aumento de preço anunciado no Japão elevou o preço da consola de 49 980 para 59 980 ienes.
  • Julho a setembro de 2026: as expedições da Switch 2 caíram para 2,67 milhões, enquanto Splatoon Raiders e Fire Emblem: Fortune's Weave chegaram ao mercado.
  • 1 de setembro de 2026: o aumento de preço anunciado nos EUA elevou o preço da consola de 449,99 para 499,99 dólares.
  • 5 de novembro de 2026: a Nintendo anunciou os resultados semestrais e manteve as previsões anuais.
  • 6 de novembro de 2026: estava prevista uma apresentação dos resultados para fornecer mais pormenores sobre a rentabilidade e os planos de vendas de consolas.
  • 31 de março de 2027: termina o atual exercício fiscal da Nintendo.
  • 30 de abril de 2027: data prevista de estreia do filme em imagem real de Legend of Zelda.

O remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time é outro dos destaques das perspetivas de vendas para o fim de ano. Foi descrito como um lançamento futuro na primeira comunicação de resultados e como um exclusivo da Switch 2 lançado na quarta-feira, 4 de novembro, na análise de mercado de 5 de novembro, que lhe atribuiu uma classificação de 96 no Metacritic.

A estreia do filme está prevista para abril, depois do fim do atual exercício fiscal. A sua promoção poderá ainda chamar a atenção para Zelda durante o atual período de vendas da Nintendo, enquanto o jogo oferece aos compradores uma razão mais imediata para ponderarem a compra da Switch 2.

O que a Nintendo tem de vender a seguir

A Nintendo precisa de expedir 10,01 milhões de consolas Switch 2 entre outubro e março para atingir a meta anual de 16,5 milhões. São cerca de 54% mais do que as 6,49 milhões expedidas no primeiro semestre. No caso do software, para chegar aos 60 milhões de cópias é necessário vender mais 35,51 milhões, cerca de 45% acima do total do primeiro semestre.

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A empresa também manteve as previsões de receitas anuais em 2,05 biliões de ienes, uma queda de 11,4%, e de lucro líquido em 310 mil milhões de ienes, menos 26,9%. A meta de lucro operacional, de 370 mil milhões de ienes, representa um crescimento de 2,7%, mostrando que as diferentes medidas de lucros deverão evoluir em direções distintas.

O Citi, banco que analisou os resultados, esperava uma reação negativa imediata do mercado bolsista ao desempenho trimestral abaixo das expectativas. O banco escreveu:

«Como os resultados de julho a setembro ficaram abaixo do consenso, esperamos uma reação negativa das ações a curto prazo», escreveu o Citi.

O Citi também esperava que Zelda e outras atividades comerciais contribuíssem para uma recuperação posterior. O banco afirmou:

«Tendo em conta estes motores de crescimento, acreditamos que as ações recuperarão após uma correção temporária», afirmou o banco.

As ações da Nintendo já tinham caído quase 50% face aos máximos registados em agosto. Os acionistas receberão um dividendo intercalar de 76 ienes por ação, acima dos 42 ienes, enquanto a previsão anual se mantém nos 162 ienes, abaixo dos 219 ienes do ano anterior.

O desafio imediato para a empresa é concreto: a Nintendo tem de expedir substancialmente mais consolas no segundo semestre, ao mesmo tempo que gere custos de produção mais elevados. As fortes vendas de jogos podem sustentar os lucros, mas cumprir a previsão de hardware também exige que mais clientes aceitem o preço mais elevado da consola.

Pontos-chave

  • As expedições da Switch 2 caíram 41%, para 2,67 milhões, entre julho e setembro, e 37,4%, para 6,49 milhões, no primeiro semestre.
  • O lucro operacional trimestral caiu 16%, para 73,9 mil milhões de ienes, enquanto o lucro operacional semestral subiu 49,1%, para 216,5 mil milhões de ienes.
  • As vendas de software, as compras digitais e o reembolso de tarifas aduaneiras dos EUA sustentaram o aumento do lucro semestral.
  • Os aumentos de preço anunciados para a Switch 2 acrescentaram 50 dólares nos EUA e 10 000 ienes no Japão.
  • A Nintendo manteve as metas anuais de 16,5 milhões de consolas Switch 2 e 60 milhões de jogos.
  • A empresa precisa de expedir mais 10,01 milhões de consolas até 31 de março de 2027 para cumprir a meta de hardware.
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