Godzilla regressa a Hollywood num palco maior
Godzilla Minus Zero foi aplaudido de pé na sua estreia em Los Angeles, a 28 de outubro de 2026, levando o realizador Takashi Yamazaki e os atores que regressam, Ryunosuke Kamiki e Minami Hamabe, ao TCL Chinese Theatre antes da estreia nos cinemas em novembro. A sequela do vencedor do Óscar Godzilla Minus One chega com um marco técnico: é a primeira produção japonesa certificada como Filmed For IMAX.
Índice
- Godzilla regressa a Hollywood num palco maior
- Uma receção em Hollywood ligada à história de Godzilla
- Uma nova ameaça interrompe a recuperação do Japão
- Rostos conhecidos levam a história mais longe
- O que significa para o público o marco IMAX
- Reações muito positivas, mas com reservas quanto ao drama
- Uma classificação norte-americana mais restritiva altera o público
- Um vencedor do Óscar estabelece uma fasquia exigente
- Das sessões em festivais à estreia de novembro
- Pontos principais
O local proporcionou um palco à altura dessa conquista. O histórico cinema de Hollywood tem uma sala IMAX com 932 lugares, onde o público viu Yamazaki regressar como realizador, argumentista e supervisor de efeitos visuais. Quatro membros da equipa de produção viajaram também do Japão para o evento.
O filme estreia no Japão a 3 de novembro, seguindo-se a América do Norte a 6 de novembro. Estão previstas sessões IMAX especiais na América do Norte para 3 de novembro, permitindo a alguns espectadores ver o filme três dias antes da estreia mais alargada. A estreia na Índia está prevista para 20 de novembro.
A estreia reúne dois tipos de expectativa: o interesse pelo próximo capítulo de uma história sobre pessoas a reconstruírem as suas vidas depois da guerra e as expectativas em torno da ação dos monstros, na sequência de um filme que venceu o Óscar de 2024 para Melhores Efeitos Visuais. As primeiras reações elogiaram a escala, o som e as imagens da sequela, embora alguns críticos considerem a sua história humana menos coesa do que a do filme anterior.
Uma receção em Hollywood ligada à história de Godzilla
Kamiki e Hamabe visitaram a estrela de Godzilla no Passeio da Fama de Hollywood antes da sessão. Inaugurada em 2004, para assinalar o 50.º aniversário do filme original, a estrela ligou a visita dos atores à longa história da personagem no cinema norte-americano.
A Hollywood Boulevard foi decorada com cartazes gigantes do filme, uma faixa de Godzilla e uma estátua com dois metros de altura. Um monolugar da TGR Haas F1 Team especialmente decorado juntou-se à exposição, prolongando a estreia para além da entrada do cinema.
No interior, os atores visitaram exposições e figuras de Godzilla antes de se juntarem à sessão. A apresentação colocou o próprio monstro no centro da ocasião, enquanto a presença do elenco e da equipa de produção japoneses destacou as pessoas responsáveis pelo seu regresso.
Yamazaki afirmou que a receção entusiástica na estreia do filme anterior em Los Angeles tinha inspirado a equipa durante a produção da sequela. Desta vez, os cineastas foram novamente recebidos com aplausos após a sessão, e imagens da ovação de pé começaram a circular online a 29 de outubro.
Uma nova ameaça interrompe a recuperação do Japão
Godzilla Minus Zero passa-se em 1949, dois anos depois da história do filme anterior. O Japão ainda luta para recuperar da Segunda Guerra Mundial, e as personagens mal começaram a reconquistar uma vida quotidiana normal quando surge outra ameaça.
A Toho, o estúdio japonês responsável pelo filme, descreve essa recuperação frágil na sinopse:
A guerra reduziu o Japão a zero, e Godzilla mergulhou-o no negativo. Desde então, passaram dois anos e o país enfrentou uma luta angustiante para se reconstruir e, finalmente, recuperar a vida quotidiana. Quando a humanidade conseguiu, por fim, agarrar-se a uma paz conquistada a duras penas, uma nova ameaça ataca, esmagando a esperança num instante. Não haverá uma terceira vez. Tudo acaba aqui.
King Ghidorah, o monstro alado conhecido dos fãs de Godzilla, surge na história como um novo perigo. As primeiras reações destacam as suas aparições e os combates com Godzilla entre os principais atrativos da sequela. O termo japonês kaiju, usado frequentemente nessas reações, designa um monstro do tipo que está no centro desta série.
O cenário dá à destruição um custo pessoal. Casas, famílias e rotinas estão a ser reconstruídas depois das perdas da guerra. Outro ataque de um monstro ameaça os pequenos progressos alcançados pelas pessoas, ligando o espetáculo à luta para voltarem a sentir-se seguras.
Rostos conhecidos levam a história mais longe
Kamiki e Hamabe regressam ao lado de Hidetaka Yoshioka, Kuranosuke Sasaki, Yuki Yamada, Sakura Ando e Miou Tanaka. Min Tanaka, Masami Nagasawa e Jun Kunimura juntam-se ao elenco em novas personagens.
O regresso do elenco permite à sequela dar continuidade às relações estabelecidas em Godzilla Minus One, em vez de recomeçar com um grupo completamente diferente. As primeiras reações descrevem uma história centrada no luto, na responsabilidade, na ansiedade parental e nos efeitos duradouros da guerra.
Yamazaki mantém também as três funções que desempenhou no filme anterior. Como argumentista, dá forma às personagens e à ação; como realizador, orienta as interpretações e a encenação; como supervisor de efeitos visuais, acompanha a criação das imagens que dão vida aos monstros e à destruição no ecrã.
Godzilla Minus Zero foi filmado inteiramente no Japão. O cenário, o elenco e o local de produção mantêm a sequela enraizada no país, mesmo com a digressão de estreia e o calendário de lançamento a chegarem a públicos de vários países.
O que significa para o público o marco IMAX
A certificação Filmed For IMAX coloca a experiência cinematográfica prevista no centro do lançamento da sequela. As projeções IMAX podem apresentar uma imagem mais alta do que uma estreia convencional em ecrã panorâmico, permitindo que determinadas cenas ocupem uma maior área vertical do ecrã.
Os primeiros espectadores elogiaram repetidamente a imagem ampliada e a escala dos combates entre monstros. Uma reação descreveu uma projeção com uma proporção de imagem de 1.90:1 e manifestou expectativa pela versão mais alta, em 1.43:1. Estes números indicam a largura de uma imagem em relação à altura: para a mesma largura, o primeiro número mais baixo corresponde a uma imagem mais alta.
Assim, a sala IMAX do Chinese Theatre foi mais do que um endereço famoso para uma estreia. Proporcionou um espaço adequado ao formato visual promovido, e os cineastas falaram também sobre o desenho visual e sonoro do filme durante o evento.
A música também tem sido elogiada, a par dos efeitos. Várias das primeiras reações descrevem a banda sonora como uma parte importante da experiência, associando a intensidade das cenas com monstros às emoções da história humana.
Reações muito positivas, mas com reservas quanto ao drama
Num primeiro balanço, Godzilla Minus Zero registava 92% de críticas positivas no Rotten Tomatoes, com base em 50 críticas, uma pontuação de 78 no Metacritic e uma classificação de quatro estrelas no Letterboxd. Estes serviços medem coisas diferentes: o Rotten Tomatoes contabiliza a percentagem de críticas consideradas positivas, o Metacritic combina pontuações ponderadas de críticas e o Letterboxd reúne classificações dos seus utilizadores.
O entusiasmo tem-se centrado na ação, nos efeitos e na combinação entre o que está em jogo para as personagens e os combates entre monstros. O cineasta e criador de videojogos Hideo Kojima afirmou ter assistido à estreia japonesa no TOHO Cinemas Hibiya e visto o filme em IMAX.
Kojima descreveu a sua expectativa tanto como admirador de Godzilla como fã de Hamabe:
Como grande fã de Godzilla e de Minami Hamabe, é um filme que espero ansiosamente ver há três anos.
Outros espectadores que viram o filme antecipadamente têm opiniões mais divididas sobre o equilíbrio entre o espetáculo e as personagens. Alguns elogiaram a continuidade emocional em relação a Godzilla Minus One; outros consideraram que a sequela trocou parte da força emocional do filme anterior por cenas de destruição de maior escala.
O crítico Peter Howell afirmou que as várias linhas narrativas se tornam confusas, embora tenha elogiado a encenação da ação por Yamazaki, em especial as sequências com King Ghidorah. Assim, a principal divergência não diz tanto respeito à dimensão do espetáculo, mas sim à forma como as muitas histórias humanas se articulam em torno dele.
Uma classificação norte-americana mais restritiva altera o público
Segundo informações divulgadas, Godzilla Minus Zero é o primeiro filme de Godzilla a receber a classificação R nos Estados Unidos, devido à violência e a imagens sangrentas. A classificação japonesa será G, o que torna especialmente relevante a diferença entre as classificações para as famílias que planeiam ir ao cinema.
Nos Estados Unidos, a classificação R significa que os espectadores com menos de 17 anos têm de ser acompanhados por um dos pais ou por um adulto responsável. A classificação G do Japão permite a entrada de público em geral. Os dois países usam sistemas de classificação separados e podem tomar decisões diferentes sobre o mesmo filme.
Yamazaki descreveu a obtenção da classificação R como «essencial para o filme». O aumento, segundo as informações divulgadas, da violência sangrenta e da intensidade da ação corresponde às primeiras descrições de um espetáculo de monstros mais contundente.
A duração indicada é de duas horas e 15 minutos. Em conjunto, a duração e a classificação norte-americana dão ao público informações práticas que vão além das reações entusiásticas à estreia, sobretudo para quem está a decidir se leva crianças mais novas.
Um vencedor do Óscar estabelece uma fasquia exigente
Godzilla Minus One arrecadou mais de 100 milhões de dólares em todo o mundo, com um orçamento de produção estimado em cerca de 15 milhões de dólares. O Óscar de 2024 para os efeitos visuais foi o primeiro da história da franquia Godzilla e a primeira vitória nessa categoria para um filme numa língua que não fosse o inglês.
Com base nos valores divulgados, a receita mundial de bilheteira ultrapassou em mais de seis vezes o orçamento de produção. Os cinemas retêm uma parte da receita dos bilhetes e os custos de marketing são contabilizados à parte, pelo que o retorno financeiro de um estúdio depende de mais do que essa comparação. Ainda assim, os valores mostram a dimensão comercial do sucesso do filme anterior.
A sequela será agora comparada tanto com a narrativa do filme anterior como com a sua conquista nos Óscares. As primeiras pontuações do Metacritic colocam Godzilla Minus Zero nos 78 pontos, contra 81 para Godzilla Minus One, uma diferença pequena, a par dos fortes elogios à ação do novo filme.
Os acordos internacionais de distribuição da Toho também mudaram desde o filme anterior. A distribuidora norte-americana GKIDS foi adquirida pela Toho em 2024, integrando na atividade do estúdio japonês a empresa que distribui a sequela na América do Norte.
Das sessões em festivais à estreia de novembro
Los Angeles foi uma das paragens de uma campanha de lançamento que começou com a estreia mundial no Festival de Cinema de Nova Iorque, a 26 de setembro. As sessões para a imprensa decorreram antes da sessão de gala Centerpiece do Festival Internacional de Cinema de Tóquio, a 1 de novembro.
O calendário passa rapidamente do público dos festivais para as sessões comerciais nos cinemas:
- 26 de setembro de 2026: estreia mundial no Festival de Cinema de Nova Iorque.
- 28 de outubro: estreia em Los Angeles, no TCL Chinese Theatre.
- 1 de novembro: sessão de gala Centerpiece no Festival Internacional de Cinema de Tóquio.
- 3 de novembro: estreia nos cinemas japoneses e sessões IMAX antecipadas previstas na América do Norte.
- 6 de novembro: estreia alargada na América do Norte, através da GKIDS.
- 20 de novembro: estreia nos cinemas da Índia prevista.
A estreia japonesa a 3 de novembro coincide com o Dia de Godzilla, o aniversário da estreia do filme original, em 1954. A data liga o lançamento da sequela ao início da franquia, enquanto a estreia de 6 de novembro leva o mais recente capítulo japonês a um público mais vasto na América do Norte.
Pontos principais
- Godzilla Minus Zero foi aplaudido de pé na estreia em Los Angeles, a 28 de outubro.
- Takashi Yamazaki regressa como realizador, argumentista e supervisor de efeitos visuais, com Ryunosuke Kamiki e Minami Hamabe à frente do elenco que regressa.
- A história passa-se em 1949, dois anos depois de Godzilla Minus One, e apresenta King Ghidorah como uma nova ameaça.
- A sequela é a primeira produção japonesa certificada como Filmed For IMAX.
- As primeiras reações elogiam a ação e os efeitos, embora alguns críticos considerem a narrativa humana menos coesa.
- O filme estreia no Japão a 3 de novembro e na América do Norte a 6 de novembro; a estreia na Índia está prevista para 20 de novembro.






