Taiwan contabiliza 131 pessoas visadas pela repressão chinesa e procura reforçar a legislação

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Taiwan Counts 131 People Targeted by Chinese Repression as Government Seeks Tougher Laws

149 incidentes impulsionam esforços para colmatar lacunas legais

A repressão transnacional chinesa visou 131 taiwaneses em 149 incidentes desde 2005, afirmou Liang Wen-chieh, vice-ministro do Conselho para os Assuntos do Continente, numa sessão legislativa, enquanto o Governo de Taiwan prepara alterações legais para responder a intimidações que vão de acidentes de viação encenados a ameaças contra familiares.

Índice
  1. 149 incidentes impulsionam esforços para colmatar lacunas legais
  2. O que revelam os números
  3. Nove métodos, da violência à pressão sobre familiares
  4. Ataques trazem o tema para a esfera pública
  5. Porque é que as acusações penais comuns deixam lacunas
  6. O que mudaria com as alterações propostas?
  7. Proteção e controlos fronteiriços antes das eleições
  8. A pressão acompanha as vozes taiwanesas no estrangeiro
  9. Como evoluiu a resposta
  10. Pontos-chave

O ministro da Justiça, Cheng Ming-chien, afirmou que a legislação em vigor deixa lacunas na proteção. Em Taiwan, não existe uma sanção penal específica para quem denuncia um taiwanês através do portal online da China por alegadas atividades independentistas. Seguir alguém por motivos políticos também não está abrangido pela Lei de Prevenção da Perseguição e do Assédio, que se aplica a condutas relacionadas com o sexo ou o género.

O Ministério da Justiça está a trabalhar com outras entidades em alterações à Lei Antiinfiltração. As propostas criariam crimes especificamente relacionados com a repressão transnacional, agravariam as penas, permitiriam o confisco de bens ligados às operações e estabeleceriam medidas para responder à divulgação de conteúdos online.

O debate legislativo surge depois de, em outubro, os procuradores terem acusado cinco homens de um alegado ataque com um automóvel contra o humorista Huang Yi-hao. Segundo a acusação, os homens agiram por ordem do Partido Comunista Chinês para impedir espetáculos que satirizavam o partido. Huang esteve presente na sessão legislativa e apelou à cooperação entre os partidos políticos para avançar com a reforma.

A resposta de Taiwan está também a ir além do direito penal. O primeiro-ministro Cho Jung-tai ordenou o reforço da proteção de candidatos às eleições e de outras pessoas consideradas em risco, investigações aos organizadores e colaboradores locais e uma coordenação mais estreita entre a polícia, os procuradores, as autoridades de imigração e os serviços de segurança nacional.

O que revelam os números

A contagem de Liang abrange 131 pessoas e 149 incidentes, num período iniciado em 2005. Os números significam que algumas pessoas foram visadas mais do que uma vez, embora Liang não tenha apresentado uma discriminação dos casos repetidos.

Numa reunião com a senadora norte-americana Tammy Duckworth, a 8 de julho de 2026, Cho apresentou números diferentes: 120 casos, envolvendo 134 episódios em que pessoas foram ameaçadas. A sua descrição incluía funcionários públicos taiwaneses, pessoal judicial, familiares e cidadãos estrangeiros em Taiwan. Os números apresentados por Liang no parlamento referem-se especificamente a taiwaneses e distinguem entre pessoas e incidentes.

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Os grupos identificados por Liang incluem políticos, militares e pessoal da defesa, funcionários judiciais, académicos e pessoas com atividade na sociedade civil. Nas declarações de julho, Cho alargou o compromisso de proteção anunciado pelo Governo aos residentes estrangeiros, além dos cidadãos taiwaneses.

A repressão transnacional consiste em ações de um Governo que ultrapassam as suas fronteiras para silenciar, intimidar ou punir pessoas. Nos casos que Taiwan está a investigar, as autoridades descrevem pressões exercidas através de ataques físicos, atividade online, ameaças legais, restrições financeiras e pessoas que operam localmente.

Nove métodos, da violência à pressão sobre familiares

Liang dividiu os métodos do Partido Comunista Chinês em nove categorias. O seu relato mostra como uma operação pode afetar a segurança física, o sustento, a liberdade de viajar e a disposição de alguém para falar em público.

  • Ataques físicos, incluindo agressões, ataques com tinta e acidentes de viação encenados.
  • Processos penais, incluindo avisos de procura com recompensas, detenções ilegais e julgamentos.
  • Coação psicológica, incluindo rotulagem política, vigilância e perseguição.
  • Opressão digital, incluindo a divulgação de imagens de satélite de residências e a disseminação de desinformação.
  • Controlos fronteiriços que impedem os alvos ou os seus familiares de entrar num território ou sair dele.
  • Punição coletiva através de ameaças ou assédio contra familiares, amigos ou parceiros de negócios.
  • Sanções económicas, incluindo restrições às relações comerciais e congelamento de contas bancárias.
  • Interferência nas instituições democráticas, incluindo ameaças contra funcionários públicos e perturbação do funcionamento de organismos públicos.
  • Abuso de mecanismos institucionais, incluindo processos judiciais e organizações internacionais, para restringir a participação ou a liberdade individual.

As ligações familiares e comerciais permitem que esta pressão se estenda para além da pessoa inicialmente visada. Uma ameaça dirigida a um familiar ou parceiro comercial pode pressionar alguém sem que seja necessário estabelecer contacto direto com essa pessoa.

Liang afirmou que Pequim apresenta as suas ações como uma punição dos apoiantes da independência de Taiwan e alega que estas cumprem a lei chinesa. Na sua avaliação, trata-se de uma tentativa de criar uma base legal para exercer jurisdição sobre Taiwan. A disputa diz, por isso, respeito tanto à proteção das pessoas como à autoridade que Pequim reivindica para punir pessoas num território governado pelas instituições de Taiwan.

Ataques trazem o tema para a esfera pública

O caso de Huang tornou-se um dos focos do debate sobre a reforma, porque os procuradores alegam que a violência tinha como objetivo silenciar um artista. Em outubro, cinco homens foram acusados no âmbito da alegada operação. A sua culpabilidade cabe agora aos tribunais decidir.

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Liang também citou incidentes envolvendo o comentador político japonês Akio Yaita, suspeitos de constituírem atos de violência física ligados ao Partido Comunista Chinês. Em julho, Cho descreveu um ataque a uma figura dos meios de comunicação social de origem japonesa e cidadania taiwanesa, afirmando que o agressor tinha passaporte de Hong Kong e tentou alterar a aparência antes de sair de Taiwan.

Tung Hsin-hsin, funcionário do Departamento de Investigação Criminal, apresentou um retrato mais imediato do trabalho policial a 5 de novembro. Durante 2026, a polícia tinha recebido nove casos de repressão transnacional: quatro deram origem a acusações e cinco continuavam sob investigação.

Entre as cinco investigações estavam dois casos relativos a ataques com tinta contra o ativista de Hong Kong Tong Wai-hung durante visitas a Taiwan, um caso de petardos lançados contra um evento organizado pela Rede de Direitos Humanos para o Tibete e Taiwan e ameaças contra Kuan Chien-chung, que levou o documentário State Organs a Taiwan. Os detalhes da quinta investigação não foram divulgados por envolverem informação classificada.

Os casos abrangem a comédia, a exibição de documentários e a defesa dos direitos humanos. Para a polícia, identificar os autores de um ataque é uma tarefa; rastrear as instruções, o financiamento e a assistência local é outra. Cho encarregou as entidades de investigar tanto os responsáveis pelas operações como quem os ajuda em Taiwan.

Porque é que as acusações penais comuns deixam lacunas

Cheng afirmou que a legislação atual de Taiwan não abrange adequadamente a repressão transnacional. As autoridades podem instaurar processos por atos como ofensas à integridade física, ameaças e invasão da privacidade, mas o Ministério da Justiça considera que as penas se centram muitas vezes nos danos causados a uma pessoa, em vez de abrangerem a intimidação mais ampla da participação democrática, da liberdade e do Estado de direito.

As ofensas simples à integridade física são puníveis com uma pena máxima de cinco anos de prisão. Os danos à propriedade e as ameaças sob forma de crime têm ambos uma pena máxima de dois anos, enquanto a vigilância ou gravação ilegal é punível com uma pena máxima de três anos.

A perseguição por motivos políticos apresenta um problema mais específico. A Lei de Prevenção da Perseguição e do Assédio de Taiwan abrange condutas relacionadas com o sexo ou o género. Assim, quem seja perseguido devido às suas declarações políticas tem de procurar proteção noutras leis aplicáveis.

O portal online de denúncias cria outra lacuna identificada por Cheng. Em Taiwan, não existe um crime específico que puna alguém apenas por denunciar às autoridades chinesas um taiwanês por alegadas atividades independentistas. As reformas propostas destinam-se a responder a métodos que os crimes existentes abrangem de forma incompleta, além de condutas já puníveis ao abrigo do direito penal comum.

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O que mudaria com as alterações propostas?

A Lei Antiinfiltração entrou em vigor em 2020 e abrange cinco categorias de crimes relacionados com a infiltração, incluindo tentativas de manipular eleições através de desinformação disseminada sob instruções ou com apoio financeiro do Partido Comunista Chinês. O Governo pretende agora incluir disposições que abordem especificamente a repressão transnacional.

O Ministério da Justiça afirma que as alterações definiriam novos crimes, abrangeriam diferentes métodos de repressão e agravariam as penas. Permitiriam também o confisco de bens ligados às operações e criariam mecanismos para lidar com a divulgação online de conteúdos utilizados na repressão.

O Conselho de Ministros e os deputados do Partido Democrático Progressista apresentaram perto de 30 versões de alterações à lei. No final de outubro, a deputada do PDP Chen Pei-yu comprometeu-se a trabalhar com os partidos da oposição numa legislação destinada a proteger a soberania e a segurança pública de Taiwan.

Não foi apresentada qualquer versão final da lei, tabela de penas acordada ou data para a votação. Liang afirmou também que o Governo planeia criar uma linha telefónica para denúncias de casos suspeitos, sem anunciar uma data de abertura.

Entre as questões práticas estão a forma como os investigadores estabeleceriam uma ligação entre um ato de intimidação e uma autoridade externa, que formas de assistência seriam passíveis de responsabilidade criminal e que poderes se aplicariam aos conteúdos online. Esses detalhes determinarão a aplicação dos novos crimes em casos concretos.

Proteção e controlos fronteiriços antes das eleições

Cho aproveitou uma reunião de segurança pública a 5 de novembro para ordenar uma cooperação mais estreita antes das eleições locais e do referendo nacional marcados para 28 de novembro. Pediu às entidades que melhorassem a informação sobre ameaças e a proteção pessoal de candidatos e de outras pessoas consideradas em risco.

Foi ordenado às autoridades de imigração que reforçassem a análise dos pedidos e os controlos fronteiriços, melhorassem a resposta a casos suspeitos de repressão e realizassem exercícios práticos para impedir que suspeitos fugissem para o estrangeiro. Cho apelou também à emissão imediata de alertas quando ocorrem incidentes e à partilha de informações através de uma plataforma interinstitucional.

A segurança eleitoral inclui investigações sobre financiamento ilícito. Entre agosto e 4 de setembro, uma primeira operação policial detetou 212 casos envolvendo 588 pessoas e apreendeu cerca de 909,06 milhões de dólares taiwaneses em lucros de atividades criminosas. Os alvos incluíam financiamento proveniente do estrangeiro, transferências clandestinas de dinheiro e apostas eleitorais.

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As autoridades apresentaram estas investigações financeiras como parte dos esforços mais amplos para proteger as eleições, a par da ação contra a intimidação, a violência e a informação falsa. Seguir o rasto do dinheiro pode ajudar os investigadores a identificar quem financia uma operação e eventuais intermediários entre os financiadores e quem a executa.

A pressão acompanha as vozes taiwanesas no estrangeiro

A deputada do PDP Chang Ya-lin abordou o tema na cimeira da Aliança Interparlamentar sobre a China, em Haia, a 5 de novembro de 2026. O encontro reuniu 52 deputados de 30 países.

Chang afirmou que a repressão chinesa se alargara dos políticos e das pessoas que manifestam apoio à independência de Taiwan aos cidadãos comuns e aos empresários. Citou o caso de Huang e descreveu pressões exercidas sobre organizações que a convidam para eventos internacionais.

O seu relato mostra como os organizadores podem tornar-se alvos indiretos. A pressão sobre uma instituição anfitriã pode afetar a concretização de um convite e limitar o acesso de um orador taiwanês ao público, sem que lhe seja enviada diretamente qualquer advertência.

Chang apelou a um escrutínio dos fundamentos legais para investigar colaboradores locais, bem como à proteção legal e à criação de canais de denúncia para as organizações sujeitas a pressão. Afirmou também que funcionários do Paraguai e de Belize tinham sido alvo de sanções chinesas porque os seus países mantêm relações diplomáticas com Taiwan.

Um processo penal nos Estados Unidos chamou a atenção para a segurança de famílias taiwanesas no estrangeiro. No início de outubro, o FBI deteve uma mulher na Califórnia, suspeita de atuar como agente chinesa e de espiar o filho do presidente Lai Ching-te, Lai Ting-yu, e a família deste. A mulher declarou-se inocente das acusações federais de espionagem mais tarde nesse mês e aguardava julgamento.

Como evoluiu a resposta

Durante 2026, Taiwan passou de avisos públicos e esforços de coordenação para a proposta de novos crimes, enquanto a polícia prossegue a investigação de incidentes individuais. Várias datas mostram como as respostas no domínio da segurança e da legislação foram evoluindo em simultâneo.

  • 8 de julho: Cho referiu 120 casos envolvendo 134 episódios em que pessoas foram ameaçadas e afirmou que o Governo tinha criado uma plataforma de coordenação interinstitucional.
  • De agosto a 4 de setembro: As autoridades realizaram uma primeira operação contra fluxos financeiros ilícitos, no âmbito dos preparativos para a segurança eleitoral.
  • Outubro: Os procuradores acusaram cinco homens pelo alegado ataque a Huang. Nos Estados Unidos, a mulher detida no caso relacionado com a família de Lai declarou-se posteriormente inocente.
  • 5 de novembro: Cho ordenou o reforço da proteção e a investigação dos organizadores e colaboradores locais. A polícia revelou nove casos de repressão durante o ano, enquanto Chang abordou o tema na cimeira de Haia.
  • 28 de novembro: Estão marcadas eleições locais e um referendo nacional.
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Para as pessoas ameaçadas, as medidas imediatas são a proteção, a investigação e o acesso a um canal de denúncia. Para os legisladores, a tarefa consiste em decidir como deve a lei responder a ataques e pressões exercidos em nome de uma autoridade externa, incluindo métodos que atravessam as fronteiras entre a violência física, a intimidação online e a coação financeira.

Pontos-chave

  • Liang Wen-chieh afirmou que 131 taiwaneses foram visados em 149 incidentes desde 2005.
  • Taiwan identifica nove formas de repressão, incluindo violência, perseguição política, intimidação digital e pressão sobre familiares.
  • O Ministério da Justiça está a preparar alterações para criar crimes específicos, agravar as penas e permitir o confisco de bens ligados às operações.
  • A polícia revelou nove casos durante 2026: quatro deram origem a acusações e cinco continuavam sob investigação.
  • Em outubro, cinco homens foram acusados pelo alegado ataque ao humorista Huang Yi-hao, alegadamente ordenado pelo Partido Comunista Chinês.
  • O Governo ordenou o reforço da proteção pessoal, dos controlos fronteiriços e da coordenação entre entidades antes da votação de 28 de novembro.
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