O japonês Kozo Tashima anuncia candidatura à presidência da FIFA com apoio unânime da JFA

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Japan's Kozo Tashima Announces FIFA Presidency Bid With Unanimous JFA Support

Um desafio em nome da equidade no futebol

Kozo Tashima, antigo presidente da associação japonesa de futebol e membro do Conselho da FIFA, anunciou em Tóquio, a 5 de novembro, que tenciona desafiar Gianni Infantino pela presidência do organismo que rege o futebol mundial. A direção da Associação Japonesa de Futebol (JFA) apoiou por unanimidade a sua candidatura, dando o seu aval ao dirigente de 68 anos antes do prazo de apresentação de candidaturas, a 18 de novembro.

Índice
  1. Um desafio em nome da equidade no futebol
  2. Porque desafia Tashima Infantino
  3. O apoio do Japão surge após uma disputa na JFA
  4. As cinco nomeações são o primeiro teste
  5. Os planos comerciais para o Mundial alargaram a oposição
  6. A liderança asiática apoia o atual presidente
  7. Um experiente dirigente interno junta-se a outro candidato declarado
  8. As datas que marcaram o desafio
  9. Pontos principais

Tashima será o primeiro candidato japonês a concorrer à presidência da FIFA. O seu anúncio traz para a disputa uma figura sénior da liderança da FIFA, numa corrida marcada por divergências sobre a disciplina no Mundial, os direitos comerciais e a relação entre os responsáveis do futebol e os líderes políticos.

A tarefa imediata é garantir apoios formais suficientes para entrar na eleição, marcada para março, em Rabat, Marrocos. Segundo a JFA, Tashima precisa do apoio de quatro associações nacionais além da japonesa, para perfazer as cinco exigidas.

Tashima, atual presidente honorário da JFA, apresentou a candidatura como uma defesa da forma como o futebol deve ser governado. Após a reunião da direção da associação, explicou os valores que quer levar à disputa:

Não se trata de ganhar ou perder, mas de transmitir ao mundo a atitude honesta, íntegra e correta que o futebol japonês construiu. O que a FIFA precisa agora são estes valores que temos defendido. Decidi candidatar-me para fazer este apelo ao mundo.

Porque desafia Tashima Infantino

Tashima apelou a que a FIFA regresse à equidade e à imparcialidade. Questionou a forma como o organismo lidou com a suspensão da sanção aplicada ao avançado norte-americano Folarin Balogun, após ter visto um cartão vermelho no Mundial deste verão, bem como a sua resposta à entrada do Irão nos Estados Unidos.

Um cartão vermelho expulsa um jogador durante um jogo, enquanto uma suspensão pode impedi-lo de participar em partidas posteriores. As críticas de Tashima dizem respeito à decisão da FIFA de adiar a punição subsequente no caso de Balogun, tornando a aplicação das regras desportivas uma questão central da sua candidatura.

Tashima criticou também Infantino por não ter respondido às perguntas que lhe enviou. Defendeu que seria indesejável permitir que o atual presidente continuasse sem uma eleição ou um candidato adversário.

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As estreitas ligações de Infantino ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazem parte do contexto político da disputa. Tashima exige que a organização responsável pela realização do Mundial e pela supervisão do futebol internacional trate todos de forma consistente.

A sua campanha liga, assim, decisões que afetam jogadores e seleções a uma exigência mais ampla de respostas por parte do presidente da FIFA. Para as associações que vão decidir quem apoiar, são questões práticas sobre quem aplica as regras e como são explicadas as decisões.

O apoio do Japão surge após uma disputa na JFA

A decisão unânime da direção da JFA dá a Tashima um claro apoio nacional, após a incerteza quanto à posição do Japão em relação a Infantino. Tashima disse ter conversado sobre os seus planos com o atual presidente da JFA, Tsuneyasu Miyamoto, e manifestou gratidão pelo apoio da associação.

O anúncio surgiu após a demissão do vice-presidente da JFA, Takeshi Okada, com efeitos a 24 de outubro. Okada apontou diferenças substanciais entre as polémicas em torno do Mundial e as suas convicções sobre a integridade desportiva. A saída ocorreu também num contexto de insatisfação com o que foi entendido como apoio de Miyamoto a Infantino.

Miyamoto abordou a questão após a reunião da direção, a 5 de novembro. Explicou que ponderar uma posição comum com a Confederação Asiática de Futebol, ou AFC, era diferente de apoiar pessoalmente Infantino. Confirmou que a JFA tencionava apoiar Tashima.

Miyamoto disse também ter falado por telefone com Okada e que o antigo vice-presidente se ofereceu para o apoiar a partir de fora da associação. Estas conversas mostram que a decisão do Japão envolveu tanto a escolha de um candidato à presidência como a clarificação da sua própria posição no futebol asiático.

As cinco nomeações são o primeiro teste

A FIFA tem 211 associações-membro. Um potencial candidato à presidência precisa do apoio formal de cinco delas e tem de passar por uma avaliação de elegibilidade conduzida por um painel de três pessoas nomeadas pela FIFA.

O apoio do Japão garante a Tashima uma das cinco nomeações exigidas, faltando-lhe obter mais quatro. Essas cinco nomeações representam cerca de 2,4% dos 211 membros da FIFA. Permitem chegar à votação; vencer a presidência exige uma coligação muito mais ampla.

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Tashima disse, no anúncio da candidatura, que não tinha outros apoiantes e que nenhum governo o apoiava. Descreveu o apoio da JFA como a sua maior fonte de confiança.

É esperado que algumas associações do Sudeste Asiático e da Europa críticas de Infantino possam vir a apoiá-lo. O apoio europeu seria especialmente valioso, uma vez que a UEFA, o organismo que rege o futebol europeu, tem procurado um adversário credível. No momento do anúncio de Tashima, essas associações ainda não tinham declarado formalmente o seu apoio.

A JFA indica 18 de novembro como prazo para a apresentação de candidaturas, embora também tenha sido mencionada a data de 17 de novembro. A eleição está marcada para março, em Rabat, sendo 18 de março a data mais frequentemente referida, embora também tenha sido indicada a de 16 de março. A data exata da votação precisa de ser clarificada.

Os planos comerciais para o Mundial alargaram a oposição

As dificuldades de Infantino vão além da forma como lidou com equipas e jogadores específicos. Em julho, propôs atrair investidores privados para uma nova entidade comercial detentora de direitos ligados às competições da FIFA, incluindo o Mundial.

A proposta foi descrita como envolvendo a venda de uma participação de 20% nos direitos comerciais da FIFA e de uma parte dos lucros futuros do Mundial. Uma participação corresponde a uma parcela da propriedade: os investidores externos obteriam um interesse financeiro na atividade abrangida pelo acordo.

A UEFA e outras organizações de futebol opuseram-se firmemente à iniciativa. Infantino retirou posteriormente a proposta. A oposição incidiu também sobre a criação de uma entidade separada para supervisionar as operações do Mundial, levantando preocupações sobre a gestão da competição mais valiosa da FIFA.

A UEFA afirmou ter "perdido a confiança" em Infantino devido à proposta de investimento entretanto abandonada e comprometeu-se a encontrar um candidato alternativo credível. À medida que se aproximava o prazo para as candidaturas, continuavam a ser ponderados vários potenciais adversários.

A disputa comercial e as críticas de Tashima às decisões desportivas dão à sua candidatura dois temas interligados: quem controla a atividade comercial do Mundial e se a liderança da FIFA aplica as regras do futebol de forma justa. A sua declaração pública centrou-se na integridade, sem apresentar um plano comercial alternativo detalhado.

A liderança asiática apoia o atual presidente

O presidente da AFC, o xeque Salman bin Ibrahim al-Khalifa, declarou publicamente o seu apoio a Infantino no congresso extraordinário da confederação, em Tóquio, a 23 de outubro. O apoio foi um impulso para o atual presidente, que deverá procurar um quarto mandato.

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O xeque Salman tinha anteriormente alinhado com a UEFA e a Concacaf, que representa a América do Norte, a América Central e as Caraíbas, na oposição a Infantino. O seu apoio mostrou que as críticas ao presidente da FIFA não tinham criado um bloco de oposição único e duradouro.

Infantino conta também com o apoio de influentes associações asiáticas, incluindo as do Qatar e da Arábia Saudita, além de apoios em África e na América do Sul. Com 211 membros votantes, 106 votos corresponderiam a mais de metade do total.

A entrada de Tashima na corrida dá às associações asiáticas uma possível alternativa ao candidato apoiado pelo presidente da sua confederação. Cada associação nacional tem direito ao seu próprio voto, pelo que o apoio dos líderes regionais tem peso político, embora sejam os próprios membros a decidir a eleição.

Segundo relatos, Tashima manteve conversações com responsáveis da UEFA durante o encontro da AFC em Tóquio, em outubro, e a sua candidatura terá o incentivo de responsáveis europeus. No entanto, na sua declaração, identificou o Japão como a única fonte confirmada de apoio no momento do anúncio.

Um experiente dirigente interno junta-se a outro candidato declarado

Tashima é um antigo avançado internacional japonês que integra o órgão dirigente da FIFA desde 2015, quando Sepp Blatter era presidente. Tornou-se presidente da JFA em 2016, cargo que Miyamoto assumiu em 2024.

A sua carreira deu-lhe experiência tanto na representação de uma associação nacional como na participação na organização que agora pretende liderar. Na administração do futebol, é visto como um dirigente diplomático que mantém, em geral, um perfil público discreto.

O antigo defesa do Tottenham Hotspur Ramon Vega já tinha anunciado, em outubro, que tencionava desafiar Infantino. Tashima é, assim, o segundo candidato declarado, embora fosse incerto se Vega conseguiria obter o apoio das cinco associações exigidas.

A disputa imediata consiste em transformar declarações em candidaturas aprovadas. Tashima conta com o apoio unânime da direção da associação do seu país e com anos de experiência na FIFA; ainda precisa de nomeações internacionais e de obter aprovação na avaliação de elegibilidade para garantir um lugar no boletim de voto.

As datas que marcaram o desafio

O anúncio de Tashima, em novembro, surgiu após vários meses de disputas sobre a orientação comercial da FIFA e uma rápida sucessão de decisões no futebol asiático e japonês.

  • Julho: A proposta de Infantino para atrair investimento privado para a atividade comercial ligada ao Mundial provocou forte oposição. O plano foi posteriormente retirado.
  • Outubro: Ramon Vega anunciou a intenção de desafiar Infantino.
  • 23 de outubro: O presidente da AFC, o xeque Salman, declarou publicamente o seu apoio a Infantino num congresso extraordinário em Tóquio.
  • 24 de outubro: Produziu efeitos a demissão de Takeshi Okada do cargo de vice-presidente da JFA.
  • 5 de novembro: A direção da JFA apoiou por unanimidade Tashima, que anunciou a intenção de se candidatar numa conferência de imprensa em Tóquio.
  • 18 de novembro: Prazo indicado pela JFA para os candidatos declararem a intenção de concorrer e obterem o apoio exigido das associações.
  • Março: A eleição presidencial está marcada para Rabat, Marrocos.

O próximo teste concreto para Tashima é obter as nomeações em falta antes do prazo. Para o Japão, a decisão da direção já definiu a sua posição imediata: apoiar o antigo presidente da associação como alternativa a Infantino.

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Pontos principais

  • Kozo Tashima anunciou a intenção de se candidatar à presidência da FIFA a 5 de novembro, em Tóquio.
  • A direção da JFA apoiou por unanimidade o antigo presidente da associação, de 68 anos.
  • Precisa de mais quatro apoios além do japonês e tem de passar pela avaliação de elegibilidade da FIFA.
  • A sua candidatura centra-se na equidade, nas perguntas sem resposta e nas decisões polémicas relacionadas com o Mundial.
  • A UEFA tem procurado uma alternativa a Infantino, enquanto o presidente da AFC, o xeque Salman, declarou apoio ao atual presidente.
  • Ramon Vega também anunciou a intenção de se candidatar.
  • Segundo a JFA, o prazo para as candidaturas termina a 18 de novembro e a eleição está prevista para março, em Rabat.
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