Registos de trabalho no estrangeiro ganham prioridade na agenda das pensões
O Uzbequistão ordenou a realização de negociações para garantir o reconhecimento dos direitos de pensão adquiridos pelos seus cidadãos no estrangeiro, tendo a Rússia, a Alemanha, o Japão e a Coreia do Sul entre os países prioritários. O presidente Shavkat Mirziyoyev deu essa instrução numa reunião realizada a 2 de novembro de 2026, fixando o final do ano como prazo para os responsáveis apresentarem resultados concretos.
Índice
- Registos de trabalho no estrangeiro ganham prioridade na agenda das pensões
- O que significaria o reconhecimento para os trabalhadores
- Três acordos assinados em 2026
- Como funcionaria o acordo com o Azerbaijão
- A Rússia e outros destinos importantes são os próximos
- O Uzbequistão já dispõe de um mecanismo nacional
- Dois mecanismos abordam diferentes aspetos do problema
- Meta de emprego para 250 000 regressados
- Alterações à assistência e ao recrutamento no estrangeiro
- Pontos principais
A iniciativa diz respeito a cidadãos que trabalham legalmente em mais de 40 países, onde pagam impostos e contribuições para a pensão. Ao regressarem ao Uzbequistão, esses trabalhadores precisam de uma forma de contabilizar os anos passados no estrangeiro para efeitos das prestações de reforma. As instruções foram divulgadas pelo secretário de imprensa presidencial, Sherzod Asadov.
O Uzbequistão assinou acordos com o Quirguistão, o Azerbaijão e a Turquia em 2026. A próxima ronda de negociações visa alargar os acordos a outros destinos importantes para os trabalhadores uzbeques, incluindo países das regiões do Báltico e dos Balcãs.
A iniciativa relativa às pensões acompanha um esforço mais amplo para ajudar as pessoas que regressam da migração. Desde o início de 2026, regressaram do estrangeiro 1 116 000 cidadãos. Foi dada instrução aos responsáveis para encontrarem empregos adequados para 250 000 regressados antes do final do ano e apoiarem quem pretenda criar empresas.
O que significaria o reconhecimento para os trabalhadores
Mirziyoyev, presidente do Uzbequistão, afirmou que os registos de trabalho obtidos no estrangeiro devem ser reconhecidos após o regresso dos cidadãos, sobretudo na atribuição de pensões. Declarou:
A experiência profissional adquirida no estrangeiro tem de ser reconhecida quando regressarem à pátria
Para um trabalhador, o reconhecimento para efeitos de pensão pode afetar duas questões relacionadas: se acumulou anos suficientes de trabalho elegível para receber uma pensão e como é calculado o montante a pagar. Quem dividiu a vida profissional entre vários países poderá precisar de registos de ambos para cumprir os requisitos aplicáveis.
O acordo com o Azerbaijão fornece um exemplo concreto. Permite que os períodos de trabalho nos dois países sejam considerados na determinação do direito à pensão, enquanto cada país calcula e paga a parte da pensão correspondente ao trabalho realizado no seu território. Na prática, uma pessoa pode construir um registo de trabalho para a reforma em vários países, em vez de depender apenas dos anos trabalhados num deles.
Três acordos assinados em 2026
As negociações do Uzbequistão já resultaram em acordos com três parceiros, embora os documentos abranjam diferentes aspetos da proteção social. A sequência em 2026 foi a seguinte:
- Julho: o Uzbequistão anunciou a assinatura de um acordo com o Quirguistão sobre seguro social estatal e proteção na reforma.
- Agosto: o Uzbequistão e o Azerbaijão assinaram um acordo de cooperação em matéria de pensões.
- 29 de outubro: o Uzbequistão e a Turquia assinaram um acordo intergovernamental de segurança social e um acordo administrativo para a sua aplicação.
- 2 de novembro: Mirziyoyev ordenou a realização de negociações com outros países e pediu um relatório sobre os resultados antes do final de 2026.
O acordo com o Quirguistão abrange o seguro social e as pensões. Os documentos assinados com a Turquia visam proteger os direitos sociais dos cidadãos dos dois países, e o acordo administrativo complementar define as condições de aplicação.
Os próximos passos práticos dependem dos procedimentos associados a cada acordo. O acordo com o Azerbaijão deverá entrar em vigor após a conclusão dos procedimentos organizativos e técnicos necessários. Não foi indicada uma data de entrada em vigor, e os anúncios não especificaram datas de aplicação nem regras detalhadas sobre as prestações previstas nos acordos com o Quirguistão e a Turquia.
Como funcionaria o acordo com o Azerbaijão
O Uzbequistão e o Azerbaijão estabeleceram várias proteções para pessoas cujas carreiras profissionais abrangem os dois países. Quando alguém não tiver tempo de trabalho elegível suficiente num deles, os períodos trabalhados no outro podem ser considerados para determinar se tem direito a uma pensão.
Cada governo calculará e pagará a sua parte de forma independente, em função do trabalho realizado no respetivo território. Em termos simples, os dois países podem considerar em conjunto os períodos de trabalho ao verificar se existe direito à pensão, mantendo cada um a responsabilidade pelos pagamentos que lhe competem.
Os cidadãos também manterão o direito a uma pensão atribuída quando se deslocarem entre o Uzbequistão e o Azerbaijão. Esta disposição é relevante para quem decide onde viver após a reforma, uma vez que o acordo prevê expressamente essa mudança de residência.
As entidades competentes trocarão documentos e informações. Para quem trabalhou nos dois países, essa troca cria um procedimento administrativo para confirmar os períodos de trabalho e processar os direitos à pensão. O acordo aborda, assim, tanto as regras de contabilização dos anos como a documentação necessária para as aplicar.
A Rússia e outros destinos importantes são os próximos
A Rússia, a Alemanha, o Japão e a Coreia do Sul foram identificados como prioridades para novos acordos, tal como os países das regiões do Báltico e dos Balcãs. Mirziyoyev apontou-os como destinos onde trabalham muitos cidadãos uzbeques.
As entidades responsáveis receberam instruções para negociar com as suas homólogas estrangeiras e apresentar resultados concretos até ao final de 2026. A instrução fixa um prazo para comunicar os progressos; a conclusão de cada acordo dependerá das negociações e dos procedimentos exigidos por cada país.
As negociações previstas abordam um problema prático criado pelo trabalho internacional: um trabalhador pode contribuir para um sistema de pensões no estrangeiro, esperando passar a reforma no Uzbequistão. Os governos precisam de acordar regras para reconhecer os períodos de trabalho, trocar registos e atribuir a responsabilidade pelos pagamentos.
O acordo com o Azerbaijão mostra uma forma de abordar estas questões. As condições negociadas com a Rússia, a Alemanha, o Japão, a Coreia do Sul ou outros parceiros determinarão a proteção aplicável aos trabalhadores com carreiras nesses países.
O Uzbequistão já dispõe de um mecanismo nacional
A legislação uzbeque já prevê uma forma de contabilizar, para efeitos de pensão no Uzbequistão, o trabalho elegível realizado no estrangeiro. O artigo 40 da Lei sobre a Proteção dos Cidadãos pelo Sistema de Pensões do Estado condiciona o reconhecimento dos períodos de trabalho no estrangeiro ao pagamento das contribuições de seguro ou do imposto social aplicáveis.
Para os períodos de trabalho posteriores a 1 de janeiro de 2020, é necessário pagar o imposto social. Os cidadãos uzbeques que trabalhem no estrangeiro ao abrigo de contratos de trabalho podem efetuar pagamentos voluntários mensais, trimestrais ou num pagamento único, no prazo de três anos após regressarem ao Uzbequistão.
Para um pagamento único que abranja períodos de trabalho anteriores, desde 2020, o montante indicado é uma unidade de cálculo base por cada ano. A unidade de cálculo base é um valor de referência oficial utilizado no cálculo de determinados pagamentos. Os períodos de trabalho anteriores estão sujeitos a montantes e condições diferentes.
Uma vez cumpridos os requisitos legais, os períodos em causa podem ser incluídos no registo profissional utilizado para atribuir uma pensão. O Fundo de Pensões também recordou aos cidadãos que trabalham no estrangeiro que os pagamentos voluntários do imposto social permitem contabilizar esses períodos para os seus direitos à pensão.
Dois mecanismos abordam diferentes aspetos do problema
O mecanismo nacional de pagamentos e os acordos internacionais oferecem aos trabalhadores diferentes formas de fazer com que o trabalho no estrangeiro seja considerado. Nos termos do mecanismo nacional descrito no artigo 40, um trabalhador elegível efetua o pagamento exigido para que um período no estrangeiro possa ser incluído no registo de pensões uzbeque.
O acordo com o Azerbaijão estabelece a cooperação entre dois sistemas de pensões. Prevê a contabilização do trabalho realizado nos dois países na avaliação do direito à pensão, a manutenção dos direitos a pensões atribuídas após a mudança de residência e a divisão das responsabilidades de cálculo e pagamento entre os governos.
A situação prática de cada trabalhador depende, por conseguinte, do local onde trabalhou, de quando o fez, das contribuições pagas e do regime jurídico aplicável. Para os períodos posteriores a 2020, o mecanismo nacional exige o pagamento do imposto social e permite que este seja efetuado durante um determinado prazo após o regresso. Os períodos anteriores têm condições próprias.
Estes pormenores explicam a importância das novas negociações, apesar de o Uzbequistão já dispor de um mecanismo nacional. Os acordos podem criar um quadro de cooperação com o país onde a pessoa trabalhou e contribuiu, incluindo a troca dos registos necessários para avaliar um pedido.
Meta de emprego para 250 000 regressados
A reunião de 2 de novembro centrou-se também no emprego após a migração. Dos 1 116 000 cidadãos que regressaram desde o início de 2026, os responsáveis pretendem encontrar emprego adequado para 250 000 até ao final do ano. Esta meta corresponde a cerca de 22,4% do número de regressados indicado.
Entre os regressados contam-se especialistas com experiência na indústria, na construção, na logística, nos serviços e na agricultura. Adquiriram essa experiência em países como a Alemanha, o Reino Unido, a Coreia do Sul, o Japão e a Rússia.
Mirziyoyev afirmou que os trabalhadores que tinham trabalhado em grandes empresas industriais no estrangeiro adquiriram conhecimentos sobre tecnologias modernas e práticas profissionais. Os governadores regionais e os responsáveis setoriais receberam instruções para lhes oferecer empregos adequados e aproveitar essas competências nas empresas uzbeques.
Uma plataforma digital prevista registará onde os cidadãos regressados trabalharam, as suas profissões e a sua experiência profissional. Ficará ligada a um sistema acessível aos governadores e aos responsáveis setoriais, fornecendo-lhes informações para ajudar a encontrar empregos adequados aos trabalhadores.
Os cidadãos que pretendam criar empresas também receberão orientação e apoio. Em conjunto, estas medidas abordam tanto a necessidade imediata de rendimento após o regresso como o processo mais longo de proteção dos direitos à reforma.
Alterações à assistência e ao recrutamento no estrangeiro
Os cidadãos que enfrentem problemas enquanto trabalham no estrangeiro poderão pedir ajuda através da plataforma Online Mahalla. Está também prevista a criação de um centro de migração unificado em cada região do Uzbequistão.
Estas medidas complementam as instruções relativas às pensões e ao emprego, integrando um programa de migração mais amplo. A assistência no estrangeiro diz respeito aos trabalhadores enquanto estão fora do país; a plataforma de emprego acompanha o seu regresso; os acordos de pensões determinam o reconhecimento dos anos de trabalho na avaliação das prestações de reforma.
A partir de 2027, a responsabilidade pelo envio de cidadãos para trabalhar no estrangeiro será totalmente transferida para as agências privadas de recrutamento mais fiáveis. Segundo o regime anunciado, uma agência receberá um incentivo de 1,5 milhões de UZS por cada pessoa colocada com sucesso num emprego bem remunerado.
As alterações ao recrutamento terão impacto na forma como os futuros trabalhadores encontram emprego no estrangeiro, enquanto as negociações sobre pensões dizem respeito aos direitos associados às carreiras profissionais fora do país. O próximo prazo definido para a iniciativa relativa às pensões é o final de 2026, quando os responsáveis terão de apresentar os resultados das negociações.
Pontos principais
- Mirziyoyev ordenou novas negociações sobre o reconhecimento de pensões numa reunião realizada a 2 de novembro de 2026.
- Os cidadãos uzbeques trabalham legalmente em mais de 40 países e pagam impostos e contribuições para a pensão no estrangeiro.
- O Uzbequistão assinou acordos com o Quirguistão, o Azerbaijão e a Turquia em 2026.
- O acordo com o Azerbaijão permite contabilizar os períodos de trabalho nos dois países para determinar o direito à pensão, cabendo a cada Estado pagar a respetiva parte.
- A Rússia, a Alemanha, o Japão, a Coreia do Sul e os países das regiões do Báltico e dos Balcãs são prioridades para novas negociações.
- A legislação uzbeque já permite contabilizar o trabalho elegível no estrangeiro mediante o pagamento das contribuições de seguro ou do imposto social exigidos.
- Os responsáveis pretendem encontrar empregos adequados para 250 000 regressados até ao final de 2026, após o regresso de 1 116 000 cidadãos desde o início do ano.






