Rupia do Sri Lanka desvaloriza-se 6,8% com custos das importações a ultrapassarem exportações recorde

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Sri Lankan Rupee Falls 6.8% as Import Costs Outpace Record Exports

Exportações recorde não conseguem travar o agravamento do défice de divisas

A rupia do Sri Lanka terminou outubro de 2026 nos 332,61 rupias por dólar dos EUA, tendo o Banco Central do Sri Lanka reportado uma desvalorização de 6,8% desde o início do ano. A queda ocorreu apesar de as exportações de mercadorias terem atingido um recorde em setembro e de as remessas dos cingaleses que trabalham no estrangeiro estarem a aumentar.

Índice
  1. Exportações recorde não conseguem travar o agravamento do défice de divisas
  2. O que a taxa de câmbio significa para as famílias
  3. Por que razão o recorde de exportações de setembro não foi suficiente
  4. Despesa com petróleo pesa na acumulação de reservas
  5. As remessas aumentam, enquanto os serviços dão menos apoio
  6. A conta corrente volta ao défice
  7. Investidores estrangeiros retiram-se de obrigações e acções
  8. Banco Central equilibra reservas e evolução cambial
  9. Cotações de mercado e próxima data de financiamento
  10. Pontos-chave

A pressão é visível na factura das importações do país. Entre janeiro e setembro, as importações de mercadorias atingiram 18,666 mil milhões de dólares, enquanto as exportações renderam 10,754 mil milhões de dólares. O défice comercial resultante, de 7,912 mil milhões de dólares, foi cerca de 53% superior ao défice de 5,174 mil milhões registado no mesmo período de 2025.

O relatório do Banco Central sobre o desempenho do sector externo em setembro registou também reservas oficiais brutas de 6,9 mil milhões de dólares, incluindo uma linha de swap cambial com o Banco Popular da China. Esse stock de reservas cobria o equivalente a 3,3 meses de importações.

O governador Nandalal Weerasinghe afirmou que o banco estava a comprar divisas com prudência, enquanto procurava atingir reservas na ordem dos 8 mil milhões de dólares até ao final de 2026, no âmbito do compromisso do Sri Lanka com o Fundo Monetário Internacional. O aumento da despesa com petróleo, a redução das receitas de alguns serviços e os levantamentos de investimento estrangeiro dificultaram essa tarefa.

Os números mostram por que motivo o crescimento das exportações e das remessas não foi suficiente para impedir a desvalorização da moeda. O Sri Lanka está a obter mais divisas por alguns canais, mas a despesa com importações cresceu muito mais depressa nos primeiros nove meses do ano.

O que a taxa de câmbio significa para as famílias

A rupia passou de 309,99 por dólar no final de 2025 para 330,83 no final de setembro e 332,61 no final de outubro. O Banco Central situou a desvalorização em 6,3% até setembro e em 6,8% até outubro.

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Assim, no final de outubro, um dólar custava mais 22,62 rupias do que no final de 2025. Um pagamento de 100 dólares exigiria 33 261 rupias, em vez de 30 999, um aumento de 2 262 rupias antes de comissões bancárias.

O preço do dólar em rupias subiu cerca de 7,3%, enquanto o valor da rupia medido em dólares caiu cerca de 6,8%. Estas percentagens descrevem o mesmo movimento da taxa de câmbio em sentidos opostos.

Os importadores que pagam combustível, medicamentos ou maquinaria precisam de mais rupias para comprar a mesma quantidade de dólares. Os exportadores e as famílias que recebem dólares podem obter mais rupias ao trocar o mesmo montante em moeda estrangeira. O efeito final nos orçamentos familiares também depende dos preços, dos impostos e de as empresas repercutirem ou não os custos mais elevados nos clientes.

As principais alterações decorreram da seguinte forma:

  • Final de 2025: a taxa de câmbio situava-se em 309,99 rupias por dólar.
  • Maio de 2026: o governador afirmou que a maior desvalorização da moeda nesse ano ocorreu quando os preços do petróleo subiram, em contexto de incerteza quanto ao abastecimento.
  • Final de setembro: a rupia situava-se em 330,83 por dólar e as reservas oficiais eram de 6,9 mil milhões de dólares.
  • Final de outubro: a taxa de câmbio atingiu 332,61 rupias por dólar, com uma desvalorização de 6,8% no ano.
  • 4 de novembro: estava previsto um leilão de títulos do Tesouro no valor de 90 mil milhões de rupias.

Por que razão o recorde de exportações de setembro não foi suficiente

As exportações de mercadorias atingiram um recorde mensal de 1,377 mil milhões de dólares em setembro, mais 21% do que um ano antes. O valor superou em 75 milhões de dólares o recorde anterior, de 1,302 mil milhões, registado em julho de 2025.

As importações de setembro aumentaram muito mais lentamente, subindo 2,9% para 2,109 mil milhões de dólares. O défice comercial mensal diminuiu para 731,3 milhões de dólares, face a 910,1 milhões em setembro de 2025, uma melhoria de 178,8 milhões.

Os números de janeiro a setembro explicam a pressão persistente. As exportações aumentaram 5,3%, mas as importações cresceram 21,3%. Assim, a despesa com importações aumentou a um ritmo aproximadamente quatro vezes superior ao das receitas de exportação.

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O défice comercial dos primeiros nove meses aumentou 2,738 mil milhões de dólares face a 2025. O melhor desempenho de setembro reduziu o défice desse mês, mas o défice acumulado continuou muito superior ao registado um ano antes.

O Banco Central registou também uma deterioração dos termos de troca, uma vez que os preços das importações subiram mais do que os preços das exportações. Em termos simples, os preços pagos pelo Sri Lanka pelos bens importados aumentaram mais depressa do que os preços recebidos pelos bens vendidos no estrangeiro.

Despesa com petróleo pesa na acumulação de reservas

As importações de combustível custaram cerca de 4,5 mil milhões de dólares entre janeiro e setembro, mais 51,5% do que um ano antes. O petróleo representou aproximadamente 24% da factura de 18,666 mil milhões de dólares das importações de mercadorias.

A despesa mensal com combustível caiu pelo quinto mês consecutivo em setembro. Ainda assim, o custo acumulado permaneceu muito acima do nível do ano anterior, mostrando como os aumentos anteriores continuaram a afectar as necessidades de divisas do país.

Weerasinghe associou o abrandamento da acumulação de reservas, em parte, à procura de petróleo na sequência do conflito no Médio Oriente. Afirmou que o Banco Central poderia ter acumulado mais 2 mil milhões de dólares sem essa despesa adicional.

As importações de veículos foram outra despesa significativa. A despesa com veículos pessoais e comerciais caiu 34,4% face ao ano anterior, para 188 milhões de dólares em setembro, enquanto o total de janeiro a setembro atingiu 1,871 mil milhões de dólares.

Em conjunto, combustível e veículos representaram cerca de 6,37 mil milhões de dólares, ou aproximadamente 34% das importações de mercadorias nos primeiros nove meses. O custo combinado ajuda a explicar por que motivo o melhor resultado das exportações em setembro não eliminou a pressão sobre a oferta de divisas.

As remessas aumentam, enquanto os serviços dão menos apoio

Os trabalhadores no estrangeiro enviaram para o país 734,4 milhões de dólares em setembro, mais 5,6% do que um ano antes. As remessas atingiram 6,865 mil milhões de dólares entre janeiro e setembro, um aumento de 18,1%.

Estas transferências fornecem divisas e apoiam as despesas das famílias. O seu crescimento ajudou a compensar parte do défice comercial, embora a conta corrente também inclua serviços e pagamentos de rendimentos.

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O excedente de serviços do Sri Lanka caiu 34,3%, para 118,7 milhões de dólares em setembro, porque os pagamentos de serviços, em particular de viagens e transporte aéreo, cresceram mais do que as receitas. O excedente de janeiro a setembro diminuiu 22,3%, para 2,213 mil milhões de dólares.

O turismo apresentou resultados mistos. As receitas de setembro aumentaram 1,5%, para 185,6 milhões de dólares, apesar de as chegadas terem diminuído 0,3%. Entre janeiro e setembro, as chegadas caíram 1,8% e as receitas estimadas recuaram 9,2%, para 2,245 mil milhões de dólares.

As estimativas das receitas do turismo recorrem a um método revisto, introduzido pela Autoridade de Desenvolvimento do Turismo do Sri Lanka em 2026. O mesmo método foi aplicado às estimativas mensais anteriores desse ano, permitindo uma base consistente para os valores actualizados de 2026.

A conta corrente volta ao défice

O Sri Lanka registou um défice da conta corrente de 128,4 milhões de dólares em setembro, depois de um excedente em agosto. O défice de setembro foi inferior aos 193,8 milhões de dólares registados um ano antes.

A conta corrente reúne o comércio de bens e serviços, os rendimentos pagos além-fronteiras e as transferências, como as remessas dos trabalhadores. Um défice significa que, durante o período, os pagamentos excederam as receitas nestas categorias.

O défice acumulado da conta corrente atingiu 420,4 milhões de dólares entre janeiro e setembro. As remessas e o excedente de serviços cobriram grande parte do défice comercial de mercadorias, enquanto outros pagamentos agravaram o saldo negativo.

O défice de rendimentos primários aumentou para 240,6 milhões de dólares em setembro, face a 152,4 milhões um ano antes. O Banco Central atribuiu grande parte do aumento aos pagamentos mais elevados de dividendos relativos a investimento directo. Estes pagamentos ocorrem quando as empresas enviam parte dos lucros aos proprietários estrangeiros.

Setembro trouxe, por isso, melhorias e pressão persistente: o défice comercial diminuiu face ao mesmo mês do ano anterior, mas o menor contributo dos serviços e o aumento dos pagamentos de rendimentos mantiveram a conta corrente em défice.

Investidores estrangeiros retiram-se de obrigações e acções

O investimento estrangeiro em títulos do Estado registou uma saída líquida de 39,9 milhões de dólares em setembro. A Bolsa de Valores de Colombo registou ainda saídas líquidas de 4,7 milhões de dólares, entre novas emissões de acções e transacções de acções já existentes.

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Os títulos do Estado continuaram, ainda assim, a atrair um fluxo líquido de entrada de 168 milhões de dólares entre janeiro e setembro, face a 178 milhões no mesmo período de 2025. As saídas de capitais estrangeiros da bolsa atingiram 170 milhões de dólares, o dobro dos 85 milhões registados um ano antes.

Os dados mais recentes sobre obrigações revelaram vendas líquidas de 2,818 mil milhões de rupias, cerca de 8,5 milhões de dólares, na semana terminada a 23 de outubro. Foi a primeira semana de vendas líquidas em quatro semanas e elevou as saídas líquidas acumuladas em seis semanas para 13,8 mil milhões de rupias.

Nas três semanas anteriores, os investidores estrangeiros tinham comprado um montante líquido de 5,5 mil milhões de rupias. Foram vendedores líquidos em três das 19 semanas anteriores, enquanto as entradas líquidas em obrigações do Estado denominadas em rupias se mantinham em cerca de 58,3 mil milhões de rupias no acumulado do ano até essa data.

As variações cambiais são importantes para estes investidores porque recebem juros e reembolsos em rupias. Quando convertem esses montantes em dólares, a desvalorização da rupia reduz o valor em dólares do dinheiro recebido.

Banco Central equilibra reservas e evolução cambial

As reservas oficiais brutas situavam-se em 6,9 mil milhões de dólares no final de setembro, incluindo a linha de swap com o banco central da China. Um swap cambial é um acordo entre bancos centrais para trocar moedas segundo condições previamente acordadas. O montante disponível fora dessa linha não foi especificado.

Weerasinghe afirmou que o Banco Central estava a gerir as compras de divisas tendo em conta as condições do mercado. Num fórum em Colombo organizado pela Bolsa de Valores de Colombo e pela Comissão de Valores Mobiliários do Sri Lanka, o governador descreveu a abordagem do banco:

«Acumulamos reservas sem criar volatilidade no mercado»,

O governador afirmou que a procura de petróleo tinha abrandado a acumulação de reservas e que o banco estava a permitir uma evolução gradual da moeda em resposta à oferta e à procura. Comprar dólares aumenta as reservas, mas também gera procura de dólares no mercado local.

O objectivo anunciado, de cerca de 8 mil milhões de dólares até ao final de 2026, era aproximadamente 1,1 mil milhões acima do stock de reservas de setembro. Isso tornou o último trimestre importante para a acumulação de reservas, enquanto os importadores continuavam a precisar de divisas.

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Cotações de mercado e próxima data de financiamento

A cotação mais recente situava a rupia entre 332,55 e 332,65 por dólar, face a 332,50 e 332,62 na cotação da sexta-feira anterior. Estes valores mantiveram a moeda perto do nível de fecho de outubro.

As taxas cotadas para transferências telegráficas, utilizadas em transferências bancárias, eram de 328,10 rupias na compra de dólares e de 337,10 na venda. As taxas do euro eram de 363,8243 na compra e 377,6051 na venda, enquanto as da libra esterlina eram de 438,1944 na compra e 452,3028 na venda. Assim, os clientes que comprassem divisas enfrentavam uma taxa diferente da aplicada a quem as vendia.

As rendibilidades das obrigações do Estado mantiveram-se, em geral, estáveis. Uma obrigação com vencimento em 15 de maio de 2030 estava cotada entre 11,45% e 11,55%, enquanto outra, com vencimento em 15 de agosto de 2036, estava cotada entre 12,85% e 12,93%. A rendibilidade de uma obrigação traduz o retorno disponível ao preço de mercado.

O Índice de Preços de Todas as Acções subiu 0,09%, para 20 161, enquanto o S&P SL20 avançou 0,23%, para 5 759. O próximo evento de financiamento do Estado anunciado era o leilão de 4 de novembro, no valor de 90 mil milhões de rupias em bilhetes do Tesouro.

As taxas de juro também fazem parte do quadro de política económica. Em maio, o Banco Central aumentou a sua taxa directora em 100 pontos base, o equivalente a um ponto percentual, após cortes acumulados de 825 pontos base nos dois anos anteriores. Taxas mais elevadas podem apoiar as rendibilidades dos investimentos em rupias, ao mesmo tempo que aumentam os custos de financiamento das famílias e das empresas.

Pontos-chave

  • A rupia terminou outubro nos 332,61 por dólar, com uma desvalorização de 6,8% desde o início de 2026.
  • As exportações de setembro atingiram o valor recorde de 1,377 mil milhões de dólares, mas o défice comercial de janeiro a setembro aumentou para 7,912 mil milhões.
  • As importações de combustível custaram cerca de 4,5 mil milhões de dólares nos primeiros nove meses, mais 51,5% do que um ano antes.
  • As remessas dos trabalhadores aumentaram 18,1%, para 6,865 mil milhões de dólares, enquanto o excedente de serviços diminuiu.
  • A conta corrente registou um défice de 128,4 milhões de dólares em setembro e um défice acumulado de 420,4 milhões.
  • As reservas oficiais situavam-se em 6,9 mil milhões de dólares, incluindo a linha de swap com a China, face ao objectivo anunciado de cerca de 8 mil milhões até ao final do ano.
  • Estava previsto para 4 de novembro um leilão de bilhetes do Tesouro no valor de 90 mil milhões de rupias.
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