Índia leva a Suzuki à frente da Honda e da Nissan
A Suzuki vendeu um número recorde de 1 824 006 veículos em todo o mundo entre abril e setembro de 2026, mais 19,9% do que no ano anterior, passando do quarto para o segundo lugar entre os fabricantes automóveis japoneses. A empresa ultrapassou a Honda e a Nissan, à medida que novos modelos e a expansão da rede de vendas reforçaram a sua posição na Índia.
Índice
- Índia leva a Suzuki à frente da Honda e da Nissan
- Um recorde altera a classificação de vendas no Japão
- Novos modelos impulsionam as vendas da Maruti Suzuki
- Mais receitas, mas pressão sobre os lucros
- A China faz cair a Toyota, a Honda e a Nissan
- Os dados de produção da Honda revelam a disparidade regional
- Toyota mantém uma ampla vantagem apesar da fraqueza no exterior
- O crescimento das vendas na Índia acompanha uma mudança mais ampla no investimento
- Os seis meses em perspetiva
- Principais pontos
Os números divulgados a 29 de outubro colocam a Suzuki 162 437 veículos à frente da Honda, cujas vendas mundiais caíram 4%, para 1 661 569. A Toyota manteve-se confortavelmente no primeiro lugar, com 5 059 014 veículos Toyota e Lexus vendidos, embora o valor represente uma descida de 4% face ao mesmo semestre de 2025.
O avanço da Suzuki ocorreu num período mais fraco para os maiores fabricantes de veículos do Japão. As vendas mundiais combinadas de oito grandes fabricantes caíram 1,3%, para 11,83 milhões de veículos. Quatro registaram descidas, com a China a pesar fortemente sobre a Toyota, a Honda e a Nissan.
A Índia proporcionou à Suzuki uma fonte de crescimento diferente. A empresa detém cerca de 40% do mercado indiano de automóveis de passageiros, e a forte procura dos seus veículos utilitários desportivos ajudou a impulsionar as vendas. A Suzuki também alcançou recordes no primeiro semestre do exercício fiscal na América Latina e em África, alargando o crescimento para além do seu maior mercado externo.
Um recorde altera a classificação de vendas no Japão
O aumento de quase um quinto da Suzuki foi muito superior ao crescimento registado pelos restantes fabricantes japoneses cujas vendas subiram. A Mazda avançou 1,2%, a Daihatsu 0,5% e a Subaru 3,4%. O segundo lugar da Suzuki parece ser a sua melhor classificação de sempre num primeiro semestre fiscal.
A classificação compara os veículos vendidos em todo o mundo pelos fabricantes japoneses durante os seis meses, e não as vendas no Japão. A Toyota vendeu ainda cerca de 2,8 vezes mais veículos do que a Suzuki, tendo em conta os totais respetivos de 5 059 014 e 1 824 006.
A ordem completa das vendas das oito empresas mostra a divergência acentuada dos seus resultados:
- Toyota e Lexus: 5 059 014 veículos, menos 4%.
- Suzuki: 1 824 006 veículos, mais 19,9%.
- Honda: 1 661 569 veículos, menos 4%.
- Nissan: 1 355 233 veículos, menos 11,8%.
- Mazda: 616 776 veículos, mais 1,2%.
- Daihatsu: 494 759 veículos, mais 0,5%.
- Subaru: 470 379 veículos, mais 3,4%.
- Mitsubishi Motors: 356 887 veículos, menos 7%.
Um apuramento relativo a sete fabricantes fixou as vendas combinadas em 11,66 milhões, menos 1,4%, em comparação com o total de 11,83 milhões das oito empresas, menos 1,3%. Os resumos publicados não explicam como foi calculado o valor relativo às sete empresas.
Novos modelos impulsionam as vendas da Maruti Suzuki
A Maruti Suzuki India, filial indiana da Suzuki, vendeu um número recorde de 696 654 veículos no trimestre de julho a setembro, mais 26,5% do que no ano anterior. O lançamento sucessivo de modelos ajudou a empresa a atrair compradores num mercado onde já tem uma presença extensa.
A procura de SUV foi um dos principais motores do crescimento da Suzuki na Índia. As vendas de veículos utilitários da Maruti Suzuki aumentaram 52%, enquanto as vendas no mercado interno subiram 33,6%. A redução do imposto indiano sobre bens e serviços baixou os preços efetivos dos veículos, e a procura associada às festividades deu aos compradores mais um motivo para visitar os concessionários.
A quota da Maruti Suzuki no mercado interno subiu 2,2 pontos percentuais, para 40,8%. Isto significa que a empresa representou cerca de quatro em cada dez veículos de passageiros vendidos no seu mercado de origem durante o período em análise.
As existências nos concessionários, incluindo os veículos em transporte para estes, correspondiam a 17 dias de vendas. Esta medida compara o número de veículos na rede de distribuição com o ritmo a que os clientes os compram. Dá uma perspetiva mais prática sobre os níveis de stock do que a simples contagem de veículos.
Mais receitas, mas pressão sobre os lucros
As receitas trimestrais da Maruti Suzuki aumentaram 26%, para 533,4 mil milhões de rupias, em linha com a subida de 26,5% das vendas de veículos. Assim, o maior número de veículos vendidos nos concessionários traduziu-se num aumento substancial das receitas da empresa.
O aumento dos custos das matérias-primas reduziu esse benefício. A margem EBITDA da empresa caiu 3,08 pontos percentuais, para 8,9%, uma vez que não conseguiu absorver totalmente os custos mais elevados dos fatores de produção. EBITDA significa resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, um indicador usado para comparar os resultados operacionais antes de várias despesas financeiras e contabilísticas.
Os valores da margem significam que a Maruti Suzuki reteve cerca de 8,9 rupias em EBITDA por cada 100 rupias de receitas, face a cerca de 11,98 rupias um ano antes. O recorde de vendas foi, portanto, acompanhado por um contexto de custos mais difícil.
Para a Suzuki, manter o ritmo implica duas tarefas em simultâneo: fornecer os veículos que os compradores indianos procuram e gerir os custos de produção. O trimestre mostra por que razão uma melhor classificação de vendas e receitas mais elevadas podem coexistir com uma margem de resultados operacionais mais baixa.
A China faz cair a Toyota, a Honda e a Nissan
As vendas da Toyota na China caíram 25,1% durante os seis meses. As vendas da Honda no país caíram para metade, enquanto a descida da Nissan ultrapassou os 40% e foi também descrita como próxima de metade. Estas perdas contribuíram para os resultados mundiais mais fracos das três empresas.
Os fabricantes chineses ofereceram forte concorrência nos veículos elétricos. Os preços mais elevados da gasolina, associados à instabilidade no Médio Oriente, também favoreceram a transição para os veículos elétricos, aumentando a pressão sobre as marcas japonesas com vendas significativas de veículos a gasolina e híbridos.
A Toyota descreveu um enfraquecimento generalizado do mercado chinês, com os veículos a gasolina e os híbridos particularmente afetados. Um híbrido combina um motor de combustão com propulsão elétrica, reduzindo o consumo de combustível, mas mantendo a necessidade de gasolina.
Assim, a China e a Índia fizeram a classificação de vendas japonesas evoluir em sentidos opostos. A grande operação da Suzuki na Índia cresceu o suficiente para ultrapassar duas concorrentes cujas atividades na China estavam em contração. Os recordes de vendas na América Latina e em África deram apoio adicional.
Os dados de produção da Honda revelam a disparidade regional
O comunicado da Honda sobre a produção em setembro indica que a produção mundial de automóveis foi de 1 597 121 veículos entre abril e setembro de 2026, menos 6,6% do que os 1 709 292 registados um ano antes. A produção fora do Japão caiu 8,3%, para 1 259 762 veículos.
As fábricas da empresa na China produziram 131 716 veículos, face a 325 742 no mesmo período de 2025. Foi uma descida de 59,6%, ou 194 026 veículos. Em toda a Ásia, a produção da Honda caiu 38%, para 319 288.
A América do Norte registou a tendência oposta. A produção da Honda na região subiu 7,6%, para 871 841 veículos, incluindo 543 534 nos Estados Unidos, onde aumentou 10,3%. O crescimento na América do Norte compensou parte da contração na Ásia.
A produção da Honda no Japão avançou ligeiramente, 0,4%, para 337 359 veículos. As vendas no país subiram 3,6%, para 303 539, com as vendas de veículos matriculados a aumentarem 9,2%, enquanto as vendas de miniveículos caíram 2,8%. Os miniveículos são a categoria japonesa de veículos de pequenas dimensões, habitualmente conhecida como kei cars.
Setembro foi o oitavo mês consecutivo de descida da produção mundial da Honda e o nono mês consecutivo de queda da produção fora do Japão. Os números dos seis meses assinalaram também o terceiro primeiro semestre fiscal consecutivo com uma redução da produção mundial.
Toyota mantém uma ampla vantagem apesar da fraqueza no exterior
As vendas e a produção mundiais da Toyota caíram pela primeira vez em dois anos num primeiro semestre fiscal. A produção mundial diminuiu 1,9%, para 4 895 406 veículos, a par da descida de 4% nas vendas de veículos Toyota e Lexus.
A pressão veio das operações no estrangeiro. As vendas da Toyota fora do Japão caíram 6,5%, para 4 256 216 veículos, enquanto a produção no estrangeiro recuou 5,6%, para 3 215 352. As vendas na China foram bastante mais fracas do que nos seus outros grandes mercados.
As vendas na América do Norte subiram 1,8%, apoiadas pela procura de híbridos, enquanto as vendas na Europa aumentaram 1,4%. Os dados regionais mostram que os híbridos continuaram a atrair compradores nestes mercados, apesar do difícil contexto enfrentado pela Toyota na China.
A vantagem da Toyota sobre a Suzuki manteve-se nos 3 235 008 veículos ao longo dos seis meses. A principal mudança na classificação ocorreu logo abaixo da Toyota, onde a expansão da Suzuki coincidiu com a queda das vendas da Honda e da Nissan.
O crescimento das vendas na Índia acompanha uma mudança mais ampla no investimento
Os fabricantes japoneses já estavam a aumentar o investimento na Índia antes de a Suzuki chegar ao segundo lugar. Os planos apresentados em novembro de 2025 incluíam cerca de 11 mil milhões de dólares de investimento da Toyota e da Suzuki, enquanto a Honda se preparava para fabricar e exportar um modelo elétrico a partir da Índia.
Os planos de expansão das fábricas na Índia apontavam para um papel maior do país no abastecimento dos mercados externos, além dos compradores indianos. O investimento direto japonês no setor dos transportes da Índia chegou a cerca de 294 mil milhões de ienes em 2024, mais de sete vezes o nível de 2021. O investimento no setor dos transportes da China foi de cerca de 46 mil milhões de ienes em 2024.
Assim, nesse ano, o setor dos transportes da Índia atraiu mais de seis vezes o investimento direto japonês recebido pelo da China. Os dados anteriores mostravam também que as exportações indianas de veículos de passageiros tinham crescido cerca de 15%, face a um aumento das vendas internas de aproximadamente 2%.
Os resultados mais recentes da Suzuki enquadram-se nesta mudança em direção à Índia, embora o desempenho atual das vendas e os planos de investimento de mais longo prazo dos fabricantes abranjam períodos diferentes. Para os concessionários indianos, a mudança imediata traduz-se numa maior atividade de vendas. Para os fabricantes, os planos de investimento implicam aumentar a capacidade para servir tanto os clientes locais como os estrangeiros.
Os seis meses em perspetiva
Os oito maiores fabricantes automóveis do Japão produziram 11,83 milhões de veículos em todo o mundo entre abril e setembro, menos 0,9%. A produção no Japão subiu 2,4%, para 3,97 milhões, representando cerca de um terço da produção mundial combinada.
As vendas combinadas no estrangeiro caíram 2,6%. O avanço da Suzuki destacou-se, assim, num contexto de descida das vendas internacionais do grupo, e não de uma expansão generalizada que tenha impulsionado todos os fabricantes japoneses.
As datas principais mostram como se desenvolveu a classificação:
- 5 de novembro de 2025: os planos de investimento dos fabricantes japoneses destacaram o papel crescente da Índia como base de produção e exportação.
- Entre abril e setembro de 2026: as vendas mundiais da Suzuki subiram 19,9%, atingindo um recorde para um primeiro semestre fiscal.
- Entre julho e setembro de 2026: a Maruti Suzuki vendeu um número recorde de 696 654 veículos no trimestre, enquanto o aumento dos custos reduziu a sua margem EBITDA.
- 29 de outubro de 2026: os fabricantes divulgaram resultados que colocaram a Suzuki em segundo lugar entre os fabricantes japoneses, em vendas mundiais de veículos.
Principais pontos
- A Suzuki vendeu 1 824 006 veículos em todo o mundo, ultrapassando a Honda e a Nissan e ficando em segundo lugar entre os fabricantes automóveis japoneses.
- A Toyota manteve o primeiro lugar, com 5 059 014 vendas de veículos Toyota e Lexus, menos 4%.
- A Índia impulsionou o crescimento da Suzuki, que também registou vendas recorde no primeiro semestre fiscal na América Latina e em África.
- As vendas trimestrais da Maruti Suzuki subiram 26,5%, mas a margem EBITDA caiu para 8,9% com o aumento dos custos das matérias-primas.
- A produção mundial da Honda caiu 6,6%; a forte descida na China foi parcialmente compensada pelo crescimento na América do Norte.
- As vendas mundiais combinadas dos oito maiores fabricantes japoneses caíram 1,3%, para 11,83 milhões de veículos.






