Mobilidade dos rendimentos na Coreia do Sul atinge mínimo histórico, enquanto os mais ricos mantêm a sua posição

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South Korea's Income Mobility Hits Record Low as Top Earners Stay Put

Apenas um terço mudou de grupo de rendimento em 2024

A subida na escala de rendimentos da Coreia do Sul tornou-se mais difícil em 2024: apenas 16,9% das pessoas passaram para um grupo de rendimento superior, o primeiro valor abaixo dos 17%. Entre as pessoas que já pertenciam ao quinto mais rico, 86,5% mantiveram-se nesse grupo, enquanto 70,7% das que pertenciam ao quinto mais pobre continuaram na base.

Índice
  1. Apenas um terço mudou de grupo de rendimento em 2024
  2. O que significa mudar de grupo de rendimento
  3. Tornou-se mais difícil sair da base
  4. Oito anos revelam posições duradouras
  5. Os jovens adultos continuam a mudar mais, mas sobem menos vezes
  6. Uma população mais envelhecida altera a taxa nacional
  7. Mais pessoas perderam rendimentos e os grandes aumentos tornaram-se menos frequentes
  8. O que os números significam para o trabalho e a despesa
  9. Principais conclusões

As Estatísticas de Mobilidade dos Rendimentos de 2024 do Serviço Nacional de Dados, divulgadas a 29 de outubro, indicam que a mobilidade total entre grupos de rendimento foi de 33,0% no período de 2023 a 2024. Isto significa que cerca de uma em cada três pessoas mudou de grupo, enquanto duas em cada três permaneceram na mesma posição.

Os valores principais mostram uma descida de 1,1 pontos percentuais face ao ano anterior; outra tabela publicada indica uma descida de 1,2 pontos. A conclusão central é a mesma: a mobilidade atingiu o nível mais baixo da série, que acompanha os rendimentos desde 2017 e começou a ser publicada em 2018.

A mobilidade ascendente abrangeu 16,9% das pessoas, enquanto a mobilidade descendente se situou nos 16,1%. Ambas se tornaram menos frequentes. O resultado foi uma hierarquia de rendimentos mais estável, a par de uma deterioração distinta na proporção de pessoas cujos rendimentos aumentaram.

O que significa mudar de grupo de rendimento

As estatísticas dividem as pessoas em cinco grupos de rendimento, designados por quintis. Cada um abrange 20% da população incluída na comparação, ordenada do rendimento mais baixo para o mais elevado. Subir significa passar para um grupo superior; descer significa entrar num grupo inferior.

O rendimento de uma pessoa pode aumentar sem que esta mude de grupo. Alguém cujos ganhos aumentem ligeiramente pode continuar entre o quinto com rendimentos mais baixos se o aumento não for suficiente para ultrapassar o limiar seguinte. A posição também depende da evolução dos rendimentos das outras pessoas.

O estudo abrange residentes na Coreia do Sul com 15 ou mais anos que tiveram rendimentos do trabalho por conta de outrem ou rendimentos empresariais em ambos os anos comparados. Exclui rendimentos de bens e transferências públicas e privadas, como prestações sociais ou dinheiro recebido de outras pessoas. Centra-se, por isso, nos rendimentos do trabalho e da atividade empresarial, e não em todos os recursos de que uma pessoa pode dispor.

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Tornou-se mais difícil sair da base

Entre as pessoas que pertenciam ao quintil de rendimento mais baixo em 2023, 29,3% saíram desse grupo em 2024. No período anual de comparação anterior, a proporção tinha sido de 29,9%. Por outras palavras, menos de três em cada 10 pessoas na base passaram para um grupo superior.

A taxa correspondente de permanência subiu para 70,7%, um aumento de 0,6 pontos percentuais. Para as pessoas nesta faixa da distribuição, os valores anuais mostram que era muito mais comum permanecer no grupo inferior do que sair dele.

No extremo oposto, 86,5% das pessoas no quintil mais elevado mantiveram-se nesse grupo, também um aumento de 0,6 pontos percentuais. A diferença entre a permanência no topo e na base foi de 15,8 pontos percentuais, calculada a partir de 86,5% e 70,7%. O grupo de rendimentos mais elevados foi, portanto, o mais estável dos dois.

A taxa publicada de entrada no quintil superior desceu para 3,4%, menos 0,1 pontos percentuais. Choi Baul, responsável pela divisão de investigação de estatísticas de políticas do Instituto Nacional de Investigação de Dados, descreveu em conjunto as alterações nos grupos da base e do topo:

Menos pessoas saíram do primeiro quintil, enquanto também se pode considerar que a entrada no quinto quintil se tornou mais difícil do que no ano anterior.

Oito anos revelam posições duradouras

A comparação de mais longo prazo acompanha as pessoas entre 2017 e 2024. Entre as que começaram no quintil inferior em 2017, 24,9% permaneceram nesse grupo durante os oito anos. Isso corresponde a cerca de uma em cada quatro pessoas do grupo inicial.

Entre as pessoas que começaram no quintil superior, 56,0% mantiveram-se nesse grupo durante o mesmo período. A permanência contínua no topo foi mais do dobro da registada na base, com uma diferença de 31,1 pontos percentuais.

Estes valores acompanham se as pessoas permaneceram no mesmo grupo todos os anos. Alguém que tenha saído temporariamente do grupo inferior e regressado mais tarde teve uma trajetória diferente da de alguém que aí permaneceu durante todo o período. A análise da sequência completa permite perceber melhor durante quanto tempo uma posição de rendimento pode durar.

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A série apresenta também uma cronologia do enfraquecimento da mobilidade entre grupos:

  • 2017: Ano inicial dos rendimentos na comparação que acompanha as pessoas até 2024.
  • 2018: Início da publicação, com um valor inicial de mobilidade de 35,8%.
  • Desde 2020: A mobilidade dos rendimentos diminuiu em cada ano.
  • De 2023 a 2024: A mobilidade desceu para 33,0%, com uma mobilidade ascendente de 16,9% e descendente de 16,1%.
  • 29 de outubro: O Serviço Nacional de Dados divulgou os resultados de 2024.

Os jovens adultos continuam a mudar mais, mas sobem menos vezes

As pessoas dos 15 aos 39 anos continuaram a ser o grupo etário com maior mobilidade. A sua taxa de mobilidade total foi de 39,3%, face a 30,4% entre as pessoas dos 40 aos 64 anos e a 24,4% entre as pessoas com 65 ou mais anos.

A mobilidade dos jovens excedeu a do grupo mais velho em 14,9 pontos percentuais. O início da vida profissional inclui frequentemente a entrada no mercado de trabalho, mudanças de emprego e a progressão dos rendimentos, pelo que as pessoas nesta fase têm mais oportunidades de mudar de grupo de rendimento.

Mesmo neste grupo, com maior mobilidade, a mobilidade ascendente enfraqueceu. A proporção de pessoas dos 15 aos 39 anos que passaram para um quintil superior foi de 22,4%, o valor mais baixo desde o início da publicação, em 2018. A sua mobilidade total também diminuiu face ao ano anterior.

A direção da mobilidade variou consoante a idade. Entre as pessoas dos 15 aos 39 anos, as subidas foram mais numerosas do que as descidas. Entre as pessoas dos 40 aos 64 anos e as com 65 ou mais anos, a mobilidade descendente foi mais frequente.

Os jovens adultos continuaram, por isso, a ter melhores hipóteses de subir do que a média da população, mas essa possibilidade diminuiu. O valor mínimo histórico da sua mobilidade ascendente mostra também por que motivo a tendência nacional deve ser analisada por grupos etários, além de ser considerada para o conjunto da população.

Uma população mais envelhecida altera a taxa nacional

A composição etária da população abrangida pelas estatísticas mudou. A proporção de pessoas dos 15 aos 39 anos diminuiu 0,9 pontos percentuais, enquanto a proporção das pessoas com 65 ou mais anos aumentou 0,9 pontos.

Choi Baul, responsável do Instituto Nacional de Investigação de Dados, apontou o aumento da proporção de pessoas mais velhas como uma das razões para a descida da taxa nacional de mobilidade:

Com o envelhecimento, aumentou a presença de pessoas mais velhas, com menor mobilidade de rendimentos, na população analisada, o que fez diminuir a mobilidade global.

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A conta é simples. Quando um grupo com uma taxa de mobilidade de 24,4% passa a representar uma proporção maior do total, e um grupo com uma taxa de 39,3% passa a representar uma proporção menor, a taxa conjunta tende a baixar.

A divulgação não quantifica que parte da descida total se deveu a esta alteração da composição etária. A mobilidade dos jovens também diminuiu, o que significa que os resultados refletem tanto alterações dentro de cada grupo etário como mudanças no peso relativo dos grupos.

Mais pessoas perderam rendimentos e os grandes aumentos tornaram-se menos frequentes

As alterações efetivas dos rendimentos oferecem outra perspetiva sobre o abrandamento. Em 2024, 61,4% das pessoas tiveram rendimentos do trabalho por conta de outrem ou rendimentos empresariais superiores aos de um ano antes, menos 2,6 pontos percentuais. Entretanto, 36,0% tiveram rendimentos inferiores, mais 2,1 pontos.

Os valores correspondentes do ano anterior eram 64,0% para os aumentos de rendimento e 33,9% para as descidas. A diferença entre a proporção de pessoas cujos rendimentos aumentaram e a daquelas cujos rendimentos diminuíram estreitou-se de 30,1 para 25,4 pontos percentuais.

Os aumentos pequenos tornaram-se mais frequentes. A proporção de pessoas cujos rendimentos subiram menos de 10% chegou aos 24,6%, mais 2,3 pontos percentuais. Este grupo representou cerca de dois quintos de todas as pessoas cujos rendimentos aumentaram, um valor calculado dividindo 24,6% por 61,4%.

Os aumentos maiores tornaram-se menos frequentes. A proporção de pessoas com aumentos de pelo menos 10%, mas inferiores a 50%, diminuiu 3,1 pontos percentuais, enquanto a proporção com aumentos de 50% ou mais desceu 1,8 pontos. Todas as categorias de descida dos rendimentos divulgadas aumentaram.

A descida da mobilidade descendente e o aumento das perdas de rendimento podem ocorrer em simultâneo porque medem coisas diferentes. Os rendimentos de uma pessoa podem diminuir sem que esta saia do mesmo quintil. Os resultados de 2024 mostram tanto uma hierarquia mais estável entre grupos como uma proporção maior de pessoas a receber menos rendimentos.

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O que os números significam para o trabalho e a despesa

Para os trabalhadores e empresários próximos da base, a conclusão mais imediata é a redução da possibilidade de passar para um grupo de rendimento superior. A descida da taxa de saída de 29,9% para 29,3% é modesta num só ano, mas surge a par de oito anos de permanência contínua no quintil inferior para quase um quarto das pessoas que aí começaram em 2017.

Para os jovens adultos, a taxa de mobilidade ascendente de 22,4% coloca no centro das atenções o acesso a melhores rendimentos. A entrada no mercado de trabalho, as mudanças de emprego e os rendimentos empresariais são vias que podem melhorar a sua posição. As estatísticas mostram o resultado dessas alterações de rendimento, mas não medem o contributo de cada uma dessas vias.

Para a despesa, a evolução dos rendimentos tem um impacto direto. O aumento do número de pessoas com perdas de rendimento, a par da redução das que recebem grandes aumentos, pode limitar a margem disponível para compras adicionais. A dimensão dessa pressão depende de outros recursos do agregado familiar, incluindo rendimentos que não são abrangidos pelo estudo.

Os resultados da Coreia do Sul reúnem três tendências: uma população mais envelhecida, com menor mobilidade de rendimentos; uma mobilidade ascendente mais fraca entre os jovens adultos; e a persistência das posições nos dois extremos da distribuição dos rendimentos. Cada uma afeta a forma como as oportunidades de ganhar mais são partilhadas.

Principais conclusões

  • A mobilidade dos rendimentos caiu para um mínimo histórico de 33,0% entre 2023 e 2024.
  • A mobilidade ascendente foi de 16,9%, o primeiro valor abaixo dos 17%; a mobilidade descendente foi de 16,1%.
  • Entre as pessoas no quintil inferior, 70,7% permaneceram nesse grupo durante mais um ano. No topo, mantiveram-se 86,5%.
  • Entre 2017 e 2024, 24,9% do grupo inicialmente na base e 56,0% do grupo inicialmente no topo permaneceram nessas posições durante todo o período.
  • A mobilidade ascendente entre as pessoas dos 15 aos 39 anos desceu para 22,4%, o valor mais baixo desde o início da publicação.
  • A proporção de pessoas com rendimentos do trabalho por conta de outrem ou rendimentos empresariais mais elevados desceu para 61,4%, enquanto 36,0% registaram uma diminuição.
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