Shen lidera Chiang por quatro pontos numa sondagem em Taipé, mas outra inverte a corrida

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Shen Leads Chiang by Four Points in Taipei Poll as Rival Survey Reverses the Race

Um cenário dividido antes do primeiro debate para a Câmara Municipal de Taipé

Shen Po-yang lidera o presidente da Câmara de Taipé, Chiang Wan-an, por 45% contra 41%, numa sondagem telefónica a 1.115 residentes recenseados da cidade, realizada entre 20 e 22 de outubro e em 25 de outubro. No entanto, 48% esperam que Chiang conquiste um novo mandato, contra 35% que esperam que Shen vença, o que revela uma diferença entre os candidatos que os eleitores apoiam e aqueles que acreditam que irão assumir o cargo.

Índice
  1. Um cenário dividido antes do primeiro debate para a Câmara Municipal de Taipé
  2. Porque apontam as duas sondagens em direcções diferentes
  3. Apoiar um candidato e esperar que vença
  4. Mulheres, eleitores mais jovens e indecisos
  5. Como está a mudar o eleitorado de 2022
  6. Chiang concilia as funções municipais com a pressão da campanha
  7. Shen dá prioridade às políticas e às visitas aos bairros
  8. O debate e o calendário de campanha que resta
  9. Os resultados anteriores mostram como Taipé mudou
  10. Pontos principais

Uma segunda sondagem, realizada online entre 21 e 25 de outubro, apresenta os candidatos pela ordem inversa: Chiang tem 48,6% e Shen 41,1%. Os resultados divergentes colocam a eleição na capital sob particular escrutínio antes do primeiro debate televisivo, a 31 de outubro, e da votação, a 28 de novembro de 2026.

Chiang, o presidente em funções pelo Kuomintang (KMT), reconheceu a pressão durante uma entrevista radiofónica a 28 de outubro, ao lado da mulher, Shih Fang-keng. Descreveu a disputa como a eleição mais intensa que já enfrentou e afirmou que recorreria à divulgação da campanha, a comícios e ao contacto directo com os residentes para incentivar os apoiantes a votar.

Shen, o candidato do Partido Democrático Progressista (DPP), também se concentrou na participação eleitoral. Perante a sua curta vantagem na sondagem telefónica, afirmou que as sondagens eram um ponto de referência e sublinhou que a sua posição mais fraca quanto às expectativas de vitória tornava especialmente importante levar os apoiantes às urnas.

A disputa imediata desenrola-se, assim, em duas frentes: convencer os residentes que continuam indecisos e garantir que os apoiantes actuais votam efectivamente. Os números relativos à fidelidade partidária, à idade e às escolhas de voto anteriores mostram por que razão ambas as campanhas encaram o último mês como competitivo.

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Porque apontam as duas sondagens em direcções diferentes

A sondagem telefónica dá a Shen uma vantagem de quatro pontos percentuais, enquanto a sondagem online dá a Chiang uma vantagem de 7,5 pontos. Ambas abrangem grande parte do mesmo período, no final de outubro, mas chegam aos inquiridos por métodos diferentes.

A sondagem telefónica recorreu a bases de amostragem de telefones fixos e móveis, tendo os números sido seleccionados através de alterações aleatórias aos seus últimos algarismos. Foram entrevistados 1.115 residentes de Taipé com 20 ou mais anos, e os resultados foram ajustados para reflectir a distribuição do eleitorado por sexo, idade e distrito administrativo. Outras 264 pessoas recusaram a entrevista.

A sondagem divulgou uma margem de erro amostral de mais ou menos três pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. Este valor descreve a incerteza associada à amostragem de uma população, em vez de entrevistar toda a gente. Para avaliar com precisão a incerteza em torno da diferença entre dois candidatos, é necessário ter em conta a forma como essa diferença é calculada.

A sondagem online recolheu 1.462 respostas válidas de membros de uma base de dados existente, identificados como residentes de Taipé com pelo menos 20 anos, distribuídos pelos 12 distritos da cidade. Os convites foram enviados por mensagem de texto e correio electrónico. A amostra foi seleccionada proporcionalmente entre grupos e ponderada por sexo, idade, distrito e escolaridade.

Os organizadores divulgaram uma margem de erro de mais ou menos 2,56 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%. O recrutamento a partir de uma base de dados de membros também torna a composição dessa base relevante para interpretar o resultado.

Wu Ching-yi, comentadora política, comparou cinco sondagens de outubro e contabilizou três em que Shen liderava e duas em que Chiang estava à frente. O comentador Huang Wei-han chegou à mesma divisão de três para duas na sua comparação. As suas análises descrevem uma corrida disputada, não um consenso em torno de um único líder.

Apoiar um candidato e esperar que vença

Chiang lidera nas expectativas de vitória em ambas as sondagens detalhadas. Além do resultado de 48% contra 35% na sondagem telefónica, a sondagem online revela que 51,3% esperam que Chiang vença e 40,9% esperam que Shen vença. Wu afirmou que Chiang liderava neste indicador em todas as cinco sondagens que analisou.

Uma pergunta sobre apoio procura saber em quem os inquiridos tencionam votar. Uma pergunta sobre expectativas de vitória pede-lhes que prevejam a decisão colectiva dos outros eleitores. Uma pessoa pode apoiar Shen e, ainda assim, acreditar que Chiang dispõe de uma organização mais forte ou de uma base eleitoral mais ampla.

A sondagem telefónica ilustra essa divisão no próprio DPP: 24% dos seus apoiantes esperam que Chiang consiga um novo mandato. No conjunto dos inquiridos, 16% não souberam dizer quem venceria.

Shen afirmou que a sensação de que a vitória era improvável poderia desmotivar os apoiantes e levá-los a não votar. Em resposta, apelou às pessoas para que votassem a 28 de novembro, continuassem a visitar os bairros e ouvissem os residentes, em vez de definirem a estratégia simplesmente com base nos resultados das sondagens.

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Mulheres, eleitores mais jovens e indecisos

Os resultados demográficos mais fortes de Shen na sondagem telefónica surgem entre as mulheres e as pessoas com menos de 40 anos. Entre as mulheres, conta com 47% de apoio, contra 38% para Chiang, uma vantagem de nove pontos percentuais. Entre os homens, Chiang lidera por 45% contra 43%.

Os inquiridos com menos de 40 anos preferem Shen por 58% contra 33%, uma diferença de 25 pontos. Chiang regista 44% de apoio tanto no grupo dos 40 aos 59 anos como no grupo com 60 ou mais anos, liderando Shen em ambos.

A comparação de Wu também encontrou uma faixa etária mais jovem favorável a Shen noutra sondagem, com 52% de apoio entre as pessoas dos 20 aos 29 anos, contra 44% para Chiang. Nessa sondagem, Chiang estava à frente entre as pessoas dos 50 aos 59 anos, com 47% contra 41%. Wu observou que uma outra sondagem apresentou um resultado diferente entre os inquiridos mais jovens, pelo que é mais útil considerar a tendência geral do que presumir que todas as sondagens mostraram a mesma divisão etária.

Entre os eleitores sem preferência partidária na sondagem telefónica, Shen lidera por 40% contra 33%, enquanto 26% continuam indecisos. No conjunto da amostra, 13% ainda não escolheram um candidato. Na sondagem online, a percentagem conjunta de respostas «indeciso», «não sabe» ou «sem opinião» é de 8,7%.

Estes números dão a ambas as equipas uma razão concreta para continuarem a fazer campanha para além das respectivas bases partidárias. Shen tem vantagem entre os eleitores sem preferência na sondagem telefónica, mas cerca de um quarto desse grupo continua a acompanhar a disputa sem tomar uma decisão.

Como está a mudar o eleitorado de 2022

A fidelidade partidária favorece mais Shen na sondagem telefónica: 91% dos apoiantes do DPP apoiam-no, contra 86% dos apoiantes do KMT que apoiam Chiang. Entre as pessoas que dizem ter votado no candidato do DPP, Chen Shih-chung, em 2022, 95% apoiam agora Shen.

Chiang conserva o apoio de 75% dos inquiridos que recordam ter votado nele há quatro anos, enquanto 18% apoiam agora Shen. Além de atrair eleitores sem preferência, a campanha de Chiang tem, por isso, uma tarefa mais próxima: reconquistar alguns dos seus antigos apoiantes.

Os antigos apoiantes de Huang Shan-shan são outro grupo importante. Huang concorreu como independente nas eleições de 2022 e obteve 25,14% dos votos. Na sondagem telefónica, 55% dos seus antigos eleitores preferem Shen e 38% preferem Chiang.

Os actuais apoiantes do Partido Popular de Taiwan inclinam-se noutra direcção: 75% apoiam Chiang e 16% apoiam Shen. Os dois resultados mostram que o eleitorado anterior de Huang e os actuais apoiantes do partido têm preferências políticas diferentes. A cooperação eleitoral entre o KMT e o Partido Popular de Taiwan implica, por isso, chegar a pessoas com percursos eleitorais variados.

Wu afirmou que as comparações entre três sondagens revelavam que mais de 53% dos antigos eleitores de Huang apoiavam Shen. Identificou também cerca de um quinto do eleitorado anterior de Chiang como indeciso ou a afastar-se dele. Estas respostas retrospectivas colocam os blocos eleitorais de 2022 no centro das atenções durante o último mês.

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Chiang concilia as funções municipais com a pressão da campanha

Chiang afirmou estar a ajustar o seu ritmo enquanto trata dos assuntos municipais e faz campanha. Lo Chih-chiang, director da campanha, descreveu quatro prioridades para o último mês: manter os apoiantes mobilizados, contestar a apresentação da campanha rival, tranquilizar Taipé e promover planos para o futuro.

A campanha tenciona comparar o historial e as propostas de Chiang com as posições de Shen, aumentar o número de entrevistas aos meios de comunicação e trabalhar com o Partido Popular de Taiwan. Lo também avisou que o perigo eleitoral ainda não passou e apelou aos apoiantes para votarem, mesmo quando uma sondagem lhes fosse favorável.

A sondagem telefónica fornece uma medida útil do desafio de Chiang. Embora 79% afirmem que a vida em Taipé decorre sem problemas e 50% aprovem o seu desempenho como presidente da Câmara, 41% dizem que votariam nele. A sua taxa de aprovação é, portanto, nove pontos percentuais superior ao seu apoio nas intenções de voto. A campanha procura transformar a satisfação com a gestão da cidade numa decisão de o manter no cargo.

A sondagem online atribui a Chiang uma avaliação favorável de 44,3% e desfavorável de 32,9%. Os valores correspondentes para Shen são 41,3% e 41,9%. Estas perguntas medem a opinião pessoal e acrescentam outra dimensão aos dados sobre intenções de voto e expectativas de vitória.

Shih deverá começar a visitar ruas e mercados a 29 de outubro. Durante a entrevista conjunta, recordou que Chiang se manteve calmo depois de perder o emprego nos Estados Unidos, perante a possibilidade de ter de sair do país e procurar novamente trabalho. Descreveu-o como alguém que enfrenta os grandes desafios fazendo um plano e executando-o passo a passo.

Niu Hsu-ting, responsável pela comunicação da campanha, afirmou que um comício a 26 de outubro melhorou a moral dos apoiantes. Huang Wei-han defendeu que uma sondagem que mostrasse Chiang atrás poderia, por si só, levar os eleitores do KMT a reagrupar-se. Chou Hsuan, dirigente político, interpretou igualmente a curta desvantagem como uma possível mensagem para mobilizar a equipa de Chiang.

Shen dá prioridade às políticas e às visitas aos bairros

Wu Szu-yao, directora da campanha de Shen, afirmou que a elaboração de políticas continuaria a ser o foco principal, quer uma sondagem o colocasse à frente, quer atrás. Algumas propostas foram apresentadas em julho e agosto, e a equipa tenciona aperfeiçoá-las com base nos comentários dos residentes recolhidos em eventos públicos e através de iniciativas de recolha de opiniões durante a campanha.

Wu afirmou que a campanha visitara parques, mercados nocturnos e zonas comerciais e que iria alargar as deslocações de campanha a todos os distritos administrativos de Taipé. As visitas seriam acompanhadas de propostas adaptadas a cada distrito, mantendo as políticas municipais no centro das aparições públicas de Shen.

Shen também respondeu a perguntas sobre pessoas que recusavam participar nas sondagens. Afirmou que a questão principal era saber a que grupos demográficos pertenciam os que recusavam, e não simplesmente qual era a dimensão dessa percentagem. Segundo disse, as diferentes campanhas poderiam enfrentar padrões distintos, e a composição dos que recusaram era uma informação que a sua equipa não conseguia conhecer por completo.

O académico japonês Ogasawara Yoshiyuki avaliou que Shen consolidara cerca de 46% de apoio, com margem para crescer. Essa era a sua avaliação da corrida. A comparação de Wu Ching-yi entre sondagens repetidas de três organizações concluiu que Shen ganhara entre 9,8 e 15,3 pontos percentuais desde meados do ano, enquanto Chiang perdera entre 8,4 e 16,2 pontos.

Estas avaliações ajudam a explicar a urgência de ambos os lados. Shen procura manter os ganhos identificados nessas comparações, enquanto Chiang tenta reconquistar os residentes que anteriormente o apoiaram.

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O debate e o calendário de campanha que resta

Chiang afirmou que o debate de 31 de outubro decorreria a um ritmo rápido e incluiria várias rondas de perguntas cruzadas, em que os candidatos se interrogariam directamente. Elogiou a capacidade de Shen para discursar e apresentar argumentos detalhados sobre muitos temas.

O presidente da Câmara reconheceu estar nervoso e afirmou que as reuniões municipais e outros compromissos lhe tinham deixado menos tempo para se preparar do que há quatro anos. Tencionava dedicar os dois últimos dias à preparação.

Os próximos passos previstos levarão ambas as campanhas do palco do debate a grandes concentrações públicas antes do dia da votação:

  • 29 de outubro: Shih Fang-keng deverá iniciar a campanha de rua e nos mercados em apoio a Chiang.
  • 31 de outubro: Chiang e Shen deverão participar no primeiro debate televisivo para a Câmara Municipal.
  • 27 de novembro: A equipa de Chiang obteve autorização para utilizar a avenida Ketagalan e a Zhongshan South Road no comício da última noite. A equipa de Shen planeia um evento junto à sua sede, na Beiping East Road.
  • 28 de novembro: Os eleitores deverão votar nas eleições locais.

A campanha de Shen descreveu os eventos finais previstos como tendo um ambiente de festa. A equipa de Chiang está a combinar locais de grande visibilidade para os comícios com visitas aos bairros e alertas repetidos contra o excesso de confiança.

Os resultados anteriores mostram como Taipé mudou

Chiang venceu as eleições de 2022 com 42,29% dos votos, à frente de Chen Shih-chung, com 31,93%, e de Huang Shan-shan, com 25,14%. Desta vez, o apoio nas sondagens concentra-se em Chiang e Shen. Os outros quatro candidatos obtêm, em conjunto, menos de 1% na sondagem telefónica.

Os resultados anteriores explicam por que razão é tão importante saber para onde irão os antigos eleitores de Huang. A sua percentagem em 2022 representou cerca de um quarto do total de votos, e a sondagem telefónica mais recente coloca uma maioria dos inquiridos que a apoiaram atrás de Shen.

A história recente de Taipé inclui também vitórias confortáveis e resultados extremamente renhidos. O presidente da Câmara pelo KMT, Ma Ying-jeou, venceu em 2002 com 64,11%, contra 35,89% do candidato do DPP, Lee Ying-yuan. Hau Lung-bin venceu com 53,81% em 2006 e 55,65% em 2010.

Ko Wen-je alterou essa tendência em 2014, vencendo com 57,16% contra 40,82% do candidato do KMT, Sean Lien, depois de o DPP não apresentar candidato. Em 2018, Ko venceu com 41,07%, pouco à frente dos 40,82% de Ting Shou-chung, enquanto Yao Wen-chih, candidato do DPP, obteve 17,28%. A margem de vitória de Ko foi de apenas 3.567 votos.

Para os candidatos actuais, o desafio prático é visível nos dados mais recentes: Chiang precisa que mais dos seus antigos eleitores e dos residentes satisfeitos votem nele, enquanto Shen precisa de manter até ao dia da votação o apoio de que beneficia entre as mulheres, os residentes mais jovens e os antigos apoiantes de Huang.

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Pontos principais

  • Uma sondagem telefónica coloca Shen Po-yang à frente de Chiang Wan-an por 45% contra 41%; uma sondagem online dá a liderança a Chiang, por 48,6% contra 41,1%.
  • Ambas as sondagens revelam que mais inquiridos esperam que Chiang vença do que Shen.
  • Na sondagem telefónica, Shen lidera entre as mulheres, as pessoas com menos de 40 anos e os eleitores sem preferência partidária; Chiang lidera nas faixas etárias mais velhas.
  • Os antigos eleitores de Huang Shan-shan preferem Shen por 55% contra 38% na sondagem telefónica.
  • O primeiro debate televisivo está marcado para 31 de outubro, seguindo-se comícios finais na noite de 27 de novembro e a votação a 28 de novembro.
  • Ambas as campanhas dão prioridade à mobilização dos eleitores e procuram apoio para além das suas bases partidárias estabelecidas.
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