Vantagem crescente enfrenta contestação sobre a amostra
Uma sondagem a 1.073 residentes de Nova Taipé, divulgada a 13 de outubro de 2026, atribuiu à candidata do Partido Democrático Progressista, Su Chiao Hui, 43,1% das intenções de voto e ao candidato do Kuomintang, Li Sichuan, 30,0%. A diferença de 13,1 pontos percentuais representa um afastamento acentuado das margens estreitas registadas em sondagens anteriores, mas a campanha de Li afirma que a amostra não reflecte o equilíbrio político da cidade.
Índice
- Vantagem crescente enfrenta contestação sobre a amostra
- O que mediu a sondagem de outubro
- Como evoluiu a corrida entre março e outubro
- Por que razão a campanha de Li contesta o resultado
- Outras sondagens mostram uma disputa diferente
- Intenção de votar dá a Su uma vantagem maior
- Lealdades partidárias e eleitores indecisos
- Aptidão para o cargo e apoio à mudança de partido no poder
- Projecção do voto é mais equilibrada do que sugere o título
- Candidatos voltam a centrar-se nos planos de desenvolvimento
- Principais pontos
A controvérsia centra-se na proporção de inquiridos que se identificam com cada um dos principais partidos. A campanha de Li afirmou que, na sondagem, os apoiantes do Partido Democrático Progressista eram 1,6 vezes mais numerosos do que os apoiantes do Kuomintang, apesar de os dois partidos terem obtido percentagens quase iguais no voto para as listas partidárias em Nova Taipé nas eleições nacionais de 2024. Essa comparação é o argumento da campanha para questionar os resultados, não uma conclusão estabelecida de forma independente de que a sondagem é tendenciosa.
A sondagem foi encomendada pela Associação Taipei Trust and Cross Strait Research, tendo o desenho do questionário e a análise ficado a cargo do sondador Tai Li An. As entrevistas telefónicas foram realizadas pela Beacon Market Research. Decorreram de 6 a 8 de outubro, junto de residentes de Nova Taipé recenseados com 20 ou mais anos.
O resultado também contrasta com outra sondagem recente, encomendada pela bancada do Kuomintang no Conselho Municipal de Nova Taipé, que dava a Li uma vantagem de 6,7 pontos. Uma sondagem separada, encomendada pela bancada do Partido Democrático Progressista no Conselho, dava a Su uma vantagem de 4,6 pontos.
Estes resultados divergentes fazem com que a questão vá além de uma discussão sobre um único número em destaque. As sondagens apontam em direcções diferentes, enquanto a estimativa da própria associação para uma eleição realizada de imediato indica uma vantagem consideravelmente menor para Su do que os valores brutos de apoio sugerem.
O que mediu a sondagem de outubro
Além dos dois candidatos mais bem posicionados, a sondagem da associação registou 1,5% de apoio à candidata independente Su Hui Huang. Outros 9,5% disseram que não votariam ou que votariam em branco ou nulo, enquanto 15,8% não deram uma resposta clara. Em conjunto, estes dois últimos grupos representam 25,3% dos inquiridos, uma proporção considerável fora do apoio declarado a qualquer candidato.
A sondagem concluiu 750 entrevistas através de telefones fixos e 323 através de telemóveis. Estes valores correspondem, respectivamente, a cerca de 69,9% e 30,1% das entrevistas concluídas. A margem de erro máxima indicada foi de três pontos percentuais, para um nível de confiança de 95%.
A margem de erro descreve a incerteza associada à selecção de uma amostra, em vez de entrevistar toda a população. Por si só, não tem em conta todas as possíveis fontes de erro, como a maior dificuldade em contactar alguns grupos, uma maior frequência de recusas ou diferenças na forma como responderam às perguntas.
O relato publicado não especifica o método detalhado de ponderação, a taxa de resposta nem a distribuição completa da identificação partidária. Estes dados são importantes para avaliar a queixa da campanha. O número total de entrevistas e a proporção de chamadas para telefones fixos e móveis, por si só, não permitem determinar se a composição política da amostra foi representativa.
Como evoluiu a corrida entre março e outubro
A série da associação tinha anteriormente revelado uma disputa renhida. Li liderava por 1,1 pontos percentuais em março e por um ponto em abril. No final de agosto, Su tinha uma vantagem de 0,5 pontos, sem que nenhum dos candidatos estivesse muito destacado.
A sequência dos resultados e das divulgações das sondagens mostra como o cenário mudou abruptamente:
- Março: Li obteve 39,1% de apoio e Su 38,0%, uma vantagem de 1,1 pontos para Li.
- Abril: Li obteve 35,5% e Su 34,5%, uma vantagem de um ponto para Li.
- Final de agosto, divulgado a 1 de setembro: Su obteve 35,2% e Li 34,7%, uma vantagem de 0,5 pontos para Su.
- 2 de outubro: Uma sondagem encomendada pela bancada do Partido Democrático Progressista no Conselho atribuiu 39,1% a Su e 34,5% a Li.
- 7 de outubro: Uma sondagem encomendada pela bancada do Kuomintang no Conselho atribuiu 42,6% a Li e 35,9% a Su.
- De 6 a 8 de outubro, divulgada a 13 de outubro: A sondagem mais recente da associação atribuiu 43,1% a Su e 30,0% a Li.
Na série da associação, Su ganhou 7,9 pontos desde agosto, enquanto Li perdeu 4,7 pontos. A variação conjunta alargou a vantagem de Su em 12,6 pontos. Esta aritmética explica a alteração da diferença divulgada, mas não esclarece por que razão os inquiridos mudaram as suas preferências nem se as diferenças entre as amostras contribuíram para o resultado.
Por que razão a campanha de Li contesta o resultado
A campanha de Li argumenta que a composição partidária da sondagem está demasiado inclinada a favor do Partido Democrático Progressista. Apontou para a alegada proporção de 1,6 para um entre apoiantes do Partido Democrático Progressista e do Kuomintang, comparando-a com a divisão quase equilibrada do voto para as listas partidárias dos dois partidos em Nova Taipé, em 2024.
É importante distinguir estas duas medidas. O voto para uma lista partidária regista uma escolha efectivamente feita numa eleição específica. A identificação partidária numa sondagem posterior regista a forma como os inquiridos descrevem a sua filiação política quando são entrevistados. Os eleitores podem mudar de preferência, não se identificar com qualquer partido ou apoiar um candidato de outro partido. Por isso, as duas medidas não têm necessariamente de coincidir.
Isso não invalida a preocupação da campanha. Se os apoiantes de um partido tiverem maior probabilidade de responder à sondagem, ou não tiverem sido devidamente considerados na ponderação, o resultado final pode ser afectado. Para o determinar, seriam necessários mais dados do que a proporção citada pela campanha.
A campanha afirmou que respeitava sondagens que resistissem ao escrutínio e que continuaria a procurar apoio através de propostas políticas e visitas aos 29 distritos de Nova Taipé. Citou também a sondagem encomendada pela bancada do Kuomintang no Conselho como prova de que o cenário eleitoral era diferente.
Outras sondagens mostram uma disputa diferente
As três sondagens de outubro não divergem apenas quanto à dimensão da vantagem. Também discordam sobre quem está na frente. A bancada do Partido Democrático Progressista no Conselho encomendou uma sondagem realizada pela Shanshui, que dava a Su uma vantagem de 4,6 pontos. A bancada do Kuomintang no Conselho encomendou outra sondagem telefónica, que dava a Li uma vantagem de 6,7 pontos. A sondagem da associação dava a Su uma vantagem de 13,1 pontos.
Expressos de forma consistente como a diferença de Su sobre Li, os resultados variam entre menos 6,7 pontos e mais 13,1 pontos, um intervalo de 19,8 pontos. O apoio a Su varia entre 35,9% e 43,1%, enquanto o apoio a Li varia entre 30,0% e 42,6%.
Importa identificar as entidades que encomendaram as sondagens, uma vez que duas foram pedidas por bancadas políticas que concorrem às eleições. O facto de uma sondagem ser patrocinada por uma entidade, por si só, não prova que seja imprecisa. Para uma comparação significativa, são também necessários dados sobre a formulação das perguntas, as datas das entrevistas, a amostragem, a ponderação e o tratamento dos inquiridos indecisos.
As datas de divulgação não devem ser confundidas com as datas das entrevistas. O trabalho de campo da associação decorreu de 6 a 8 de outubro, coincidindo com a divulgação, a 7 de outubro, da sondagem da bancada do Kuomintang. Sem dados comparáveis sobre o trabalho de campo das três sondagens, a ordem de publicação não pode ser interpretada de forma fiável como uma tendência diária.
Intenção de votar dá a Su uma vantagem maior
A sondagem da associação concluiu que 82,4% dos inquiridos afirmaram que iriam definitivamente ou provavelmente votar. Este grupo inclui 65,1% que disseram que votariam de certeza e 17,3% que disseram que provavelmente votariam. Outros 12,2% disseram que de certeza ou provavelmente não votariam, e 5,4% não deram uma resposta clara.
Entre os inquiridos que disseram que votariam de certeza, Su obteve 55,1% de apoio e Li 35,9%, uma diferença de 19,2 pontos. Esta medida é diferente do apoio entre todos os inquiridos e não deve ser tratada como se fosse o mesmo resultado.
Também havia uma diferença entre os apoiantes dos candidatos: 83,3% dos apoiantes de Su disseram que votariam de certeza, contra 78,0% dos apoiantes de Li. A diferença era de 5,3 pontos. Entre as pessoas que esperavam que Su vencesse, 81,1% manifestaram uma intenção firme de votar, contra 74,0% entre as que esperavam que Li vencesse.
Estas respostas medem intenções declaradas, não a participação efectiva. Sugerem um maior compromisso declarado com o voto entre os apoiantes de Su nesta sondagem, mas não permitem determinar quantas pessoas irão realmente votar.
Lealdades partidárias e eleitores indecisos
A distribuição da sondagem revelou que cerca de nove em cada dez inquiridos dos campos mais amplos do Kuomintang e do Partido Democrático Progressista apoiavam os respectivos candidatos. Entre os apoiantes do Partido Popular de Taiwan, 64,9% apoiavam Li e 13,4% apoiavam Su. Um dos relatos arredondou o valor de Li para 65%; trata-se de uma diferença de arredondamento, não de resultados contraditórios.
Entre os inquiridos classificados como politicamente neutros, Su obteve 23,7% de apoio e Li 15,8%, uma vantagem de 7,9 pontos para Su. Ainda assim, 35,9% não deram uma resposta clara e 21,3% disseram que não votariam ou que votariam em branco ou nulo. Em conjunto, estas duas categorias representavam 57,2% do grupo neutro.
Tai, que concebeu e analisou a sondagem, sugeriu que a maior disponibilidade dos apoiantes do Partido Democrático Progressista para expressarem as suas opiniões poderia ser acompanhada por uma espiral do silêncio entre apoiantes do Kuomintang ou do Partido Popular de Taiwan. A expressão descreve uma situação em que as pessoas se mostram menos dispostas a manifestar uma opinião que julgam impopular.
Essa explicação é uma interpretação, não uma prova do comportamento dos inquiridos. Também aborda o cerne da controvérsia: uma diferença na identificação partidária declarada pode reflectir mudanças políticas, disponibilidade para responder ou características da amostra. Os dados publicados não permitem distinguir estas possibilidades.
Aptidão para o cargo e apoio à mudança de partido no poder
A associação perguntou também se os candidatos tinham perfil para exercer o cargo de presidente da câmara. Para 48,6% dos inquiridos, Su tinha perfil adequado, enquanto 22,3% a consideravam inadequada. Li era considerado adequado por 35,9% e inadequado por 33,5%. A vantagem de Su quanto à aptidão para o cargo era de 12,7 pontos, próxima da vantagem de 13,1 pontos nas intenções de voto.
Em comparação com agosto, a avaliação de Su como adequada subiu 4,8 pontos e a percentagem que a considerava inadequada desceu 3,1 pontos. A avaliação de Li como adequado caiu 4,7 pontos, enquanto a percentagem que o considerava inadequado subiu 6,5 pontos. Estas são avaliações distintas da intenção de voto: uma pessoa pode considerar um candidato apto para o cargo sem o escolher.
Questionados sobre qual partido deveria controlar a presidência da câmara, 44,2% preferiam dar uma oportunidade ao Partido Democrático Progressista, enquanto 27,9% preferiam manter um presidente da câmara do Kuomintang. Entre os eleitores que afirmaram que votariam de certeza, os valores eram, respectivamente, 52,9% e 32,3%.
Os dados apresentados pela associação referiam também uma satisfação superior a 70% com o actual presidente da câmara, Hou You Yi. Em conjunto, os resultados sugerem que a aprovação do desempenho de um presidente da câmara em funções e a preferência pelo sucessor do seu partido não são necessariamente a mesma coisa.
O fundador da associação, Huang Ching Lung, e Tai relacionaram a evolução com acontecimentos políticos na vizinha Taipé, descrevendo um efeito de contágio e sugerindo que o presidente da câmara de Taipé, Chiang Wan An, tinha pesado no apoio a Li. A sondagem, por si só, não comprova essa explicação. Os relatos divergem quanto a qual dos dois apresentou algumas das descrições mais pormenorizadas, embora ambos tenham sido associados a essa interpretação.
Projecção do voto é mais equilibrada do que sugere o título
A associação estimou que, se as eleições se realizassem de imediato, Su obteria entre 50,1% e 53,1% dos votos, enquanto Li obteria entre 46,0% e 48,9%. Descreveu a vantagem projectada de Su como sendo de cerca de 4,1 pontos percentuais, com uma margem de mais ou menos três pontos.
Esta projecção é distinta do resultado bruto de apoio, de 43,1% contra 30,0%, e do resultado de 55,1% contra 35,9% entre os eleitores que disseram que votariam de certeza. Cada valor assenta numa base diferente. Tratá-los como se fossem equivalentes daria aos leitores uma ideia errada do que a sondagem prevê.
O relato publicado não explica o cálculo completo das percentagens de voto projectadas, incluindo a forma como foram tratados os indecisos e os pressupostos sobre a participação eleitoral. Sem conhecer esse método, não é possível reconstruir a projecção a partir dos valores em destaque. Ainda assim, a margem mais estreita mostra por que razão uma vantagem de 13,1 pontos numa sondagem não deve ser apresentada como previsão da margem final da vitória.
Candidatos voltam a centrar-se nos planos de desenvolvimento
Su respondeu à controvérsia em torno da sondagem durante uma acção de campanha no mercado de Minzhi, em Yonghe, a 13 de outubro. Disse que levava a sério as várias sondagens e reconheceu que a sondagem do Kuomintang ainda indicava margem para melhorar. Segundo uma tradução para inglês das suas declarações, a candidata do Partido Democrático Progressista afirmou:
Vou trabalhar até ficar à frente até nas sondagens do Kuomintang.
Li, que nesse dia fez campanha em Shulin, disse que continuava confiante e que teria em conta as sondagens. Afirmou que as visitas aos 29 distritos de Nova Taipé lhe tinham dado uma percepção do apoio de que dispunha. Segundo uma tradução para inglês das suas declarações, o candidato do Kuomintang afirmou:
A opinião pública é definitivamente mais importante do que as sondagens.
Os candidatos apresentaram também prioridades de desenvolvimento concorrentes. Su afirmou que a proposta de Danhai Science City teve origem numa proposta política de Lai Ching Te, em 2023, que já tinha sido objecto de duas exposições públicas e que continuava em fase de planeamento. Disse querer manter em Nova Taipé o investimento, os talentos, as empresas de inteligência artificial e as respectivas cadeias de abastecimento.
Em resposta às críticas sobre as soluções de transporte, Su contrapôs a esse plano a transferência do aeroporto de Songshan. Argumentou que a mudança afectaria 5,6 milhões de viagens de passageiros e complicaria as deslocações para receber cuidados médicos e as ligações para os residentes das ilhas periféricas. O número de passageiros fazia parte do seu argumento, sem indicação do período a que se referia.
Li afirmou que iria reformular a segunda e a terceira fases da Nova Cidade de Danhai para atrair indústrias tecnológicas e criar emprego local, em vez de deixar a zona sobretudo residencial e comercial. Em Shulin, prometeu concluir um pavilhão desportivo de Nova Taipé no prazo de oito anos e avançar com a passagem da linha ferroviária para subterrâneo, associando o recinto ao basebol, a concertos e à actividade económica local.
Não foi identificado nenhum documento completo sobre a sondagem que resolvesse a controvérsia relativa à amostra, nem foi anunciada uma data para a próxima divulgação. As propostas de desenvolvimento também não comprovam a existência de aprovações definitivas ou de acordos de financiamento. Por agora, a disputa combina sinais contraditórios das sondagens com promessas políticas que os eleitores terão de avaliar separadamente.
Principais pontos
- A sondagem da associação, divulgada a 13 de outubro, atribuiu 43,1% a Su e 30,0% a Li, uma diferença de 13,1 pontos.
- A campanha de Li contestou a composição partidária indicada, citando uma proporção de 1,6 para um a favor dos apoiantes do Partido Democrático Progressista.
- Outras sondagens de outubro davam uma vantagem de 4,6 pontos a Su ou de 6,7 pontos a Li.
- A associação entrevistou 1.073 residentes entre 6 e 8 de outubro e indicou uma margem de erro máxima de três pontos percentuais.
- O resultado eleitoral projectado pela associação dava a Su uma vantagem mais estreita, de cerca de 4,1 pontos, com base num cálculo que o relato publicado não explica na íntegra.
- Ambos os candidatos continuaram a fazer campanha e apresentaram planos para o investimento tecnológico, os transportes e o desenvolvimento de Nova Taipé.






