Famílias enfrentam contas mais elevadas tanto com a alimentação como com o combustível para cozinhar
A escassez de combustível para cozinhar no Paquistão está a pesar também nos orçamentos alimentares: o gás de petróleo liquefeito (GPL) chega a custar 750 rupias por quilograma nas zonas do norte, o roti atingiu as 17 a 20 rupias em várias localidades e os distribuidores de GPL encerraram lojas em grande parte do Punjab durante uma greve noticiada a 24 de outubro de 2026.
Índice
- Famílias enfrentam contas mais elevadas tanto com a alimentação como com o combustível para cozinhar
- Quanto ultrapassaram os preços de mercado o valor oficial?
- Encerramento de lojas no Punjab agrava o diferendo
- Os preços do roti mostram como o custo do combustível chega à mesa
- A escassez de farinha acrescenta outra fonte de pressão
- O frango e outros alimentos pressionam as compras das famílias
- O que mostram os dados semanais da inflação
- Porque a mudança de combustível oferece pouco alívio
- Como a pressão se intensificou durante outubro
- Principais pontos
A Autoridade Reguladora do Petróleo e do Gás (OGRA) fixou o preço do GPL para outubro em 279,34 rupias por quilograma. Os consumidores das zonas do norte que pagam 750 rupias estão a gastar cerca de 2,7 vezes esse valor. Em Islamabad, os preços acima das 600 rupias fizeram subir o custo de uma botija doméstica para mais de 7.000 rupias, enquanto as famílias de outras cidades enfrentam grandes diferenças de preço entre bairros.
A pressão não se fica pela recarga da botija. A farinha, o frango, as cebolas e outros bens essenciais encareceram em muitos mercados. As famílias têm de encontrar dinheiro tanto para os ingredientes da refeição como para o combustível necessário para a confecionar, enquanto alguns proprietários de fornos tandoor dizem que o GPL caro os obrigou a aumentar o preço do pão.
Os dados do Instituto de Estatística do Paquistão (PBS) relativos à semana terminada a 22 de outubro mostram a rapidez com que duas despesas importantes aumentaram: o GPL subiu 22,44% e o frango, 12,20% numa única semana. O Índice de Preços Sensíveis do instituto, que mede um cabaz de bens e serviços essenciais, estava 11,85% acima do valor registado um ano antes.
Os consumidores exigem que os preços oficiais sejam aplicados. Os comerciantes dizem que os custos de aquisição são demasiado elevados para vender ao preço regulado. No Punjab, o diferendo levou ao encerramento de lojas, tornando o acesso ao combustível para cozinhar mais uma preocupação, além do seu preço.
Quanto ultrapassaram os preços de mercado o valor oficial?
Os preços do GPL variam muito no Paquistão. As cotações em Carachi oscilam entre 500 e 550 rupias por quilograma, enquanto em Peshawar foram indicados valores entre 450 e 500 rupias. Outros relatos locais referem que ambas as cidades chegaram às 550 rupias após aumentos de 100 rupias por quilograma. Em Hyderabad, os preços atingiram as 550 rupias e, em Islamabad, ultrapassaram as 600.
Os consumidores de Lahore enfrentam variações particularmente acentuadas. Foram indicados preços de 550 rupias por quilograma, com outras cotações por bairro entre 500 e 700 rupias. Em várias cidades, o intervalo mais frequentemente referido é de 550 a 650 rupias, embora nas zonas do norte se tenham registado valores entre 700 e 750.
A 550 rupias por quilograma, o comprador paga mais 270,66 rupias do que o preço de outubro fixado pela OGRA por cada quilograma adquirido. A 650 rupias, a diferença chega às 370,66 rupias. Assim, mesmo uma pequena recarga representa um custo adicional considerável para uma família que compra combustível em quantidades limitadas.
Um ministro federal propôs um preço de 425 rupias por quilograma, abaixo de muitas cotações de mercado, mas acima do preço anunciado pela OGRA. Os proprietários de fornos tandoor também disseram considerar que o GPL deveria custar 300 rupias. Para os consumidores que comparam as contas com o valor de referência de outubro do regulador, o preço oficial exato é de 279,34 rupias.
Alguns consumidores receiam que as botijas domésticas possam custar mais de 10.000 rupias durante o inverno. Não foi anunciado qualquer preço futuro confirmado para as botijas nem um calendário para reduzir os preços de mercado.
Encerramento de lojas no Punjab agrava o diferendo
Os distribuidores de GPL de Lahore iniciaram uma greve de dois dias devido a alegados casos de assédio e aplicação de multas. A 24 de outubro, foi noticiado que a maioria das lojas estava encerrada em todo o Punjab, incluindo na capital da província. Os encerramentos acrescentaram um problema de abastecimento às dificuldades de preço já enfrentadas pelas famílias.
Os comerciantes alegam que a força de fiscalização do Punjab, conhecida como PERA, multa os retalhistas por venderem GPL caro, apesar de receberem o abastecimento a preços elevados. Dizem também que lhes foram retiradas bombas no valor de 50.000 rupias cada e aplicadas multas adicionais.
Os distribuidores acusam a OGRA de não agir contra os proprietários das instalações, enquanto a polícia detém os comerciantes. Estas acusações correspondem à versão dos distribuidores sobre o diferendo. A sua queixa coloca o custo de aquisição do GPL no centro da discussão sobre a fiscalização dos preços a retalho.
Entretanto, os residentes querem preços mais baixos e abastecimento disponível. Uma família que encontre a loja local fechada poderá ter de procurar uma recarga noutro local, ao mesmo tempo que os preços variam muito entre vendedores.
Os preços do roti mostram como o custo do combustível chega à mesa
Os proprietários de fornos tandoor de várias zonas aumentaram o preço do roti para 17 a 20 rupias. Dizem que o GPL, que chega a custar 600 rupias por quilograma, tornou inevitável o aumento do preço do pão.
Num forno tandoor, o combustível faz parte do custo de cada fornada de pão, a par da farinha e de outras despesas de funcionamento. Quando a farinha e o GPL encarecem ao mesmo tempo, o negócio sofre a pressão de dois fatores essenciais. Os clientes acabam por pagar mais por um alimento básico que muitos compram todos os dias.
Os residentes apelaram aos magistrados responsáveis pelo controlo de preços e aos comissários adjuntos para que apliquem os preços oficiais do GPL e do roti. Queixam-se de que os vendedores fixam os preços por iniciativa própria, deixando os clientes sem saber ao certo quanto vão pagar.
A escassez de gás canalizado torna a situação mais difícil. Em Lahore, os residentes referem baixa pressão e interrupções que se prolongam desde as horas do pequeno-almoço até à noite, obrigando algumas famílias a comprar refeições em fornos tandoor e estabelecimentos de rua. A alternativa a cozinhar em casa está a encarecer ao mesmo tempo.
A escassez de farinha acrescenta outra fonte de pressão
Os preços da farinha estão a subir devido a problemas no abastecimento de trigo e ao aumento dos custos da energia. As cotações em Carachi e Lahore chegaram às 190 rupias por quilograma. Outros valores de mercado apontam para sacos de 20 quilogramas a 3.540 rupias em Carachi e 3.133 em Lahore, o equivalente a 177 e cerca de 156,65 rupias por quilograma, respetivamente. Estas cotações dizem respeito a compras diferentes e mostram a amplitude dos preços com que os compradores se deparam.
Em Quetta, um saco de 20 quilogramas chegou às 3.330 rupias, ou 166,50 rupias por quilograma. Os sacos de 50 quilogramas ultrapassaram as 8.000 rupias em Khuzdar, Chagai, Washuk, Kech e outros distritos do Baluchistão.
As dificuldades de aquisição do Baluchistão aumentam a preocupação com o abastecimento. A província planeava comprar 575.000 sacos de trigo, mas tinha adquirido menos de 100.000. Isso corresponde a menos de 17,4% da compra prevista, deixando por adquirir mais de 475.000 sacos.
Os aumentos atuais surgem na sequência de avisos anteriores sobre o abastecimento de farinha, a 17 de outubro, quando Yaser Malik, representante do setor, estimou que Sindh dispunha de 4,84 milhões de toneladas de trigo, face a uma procura de 6,53 milhões de toneladas. O défice resultante, de 1,69 milhões de toneladas, correspondia a cerca de 26% das necessidades da província. Malik, presidente da Subcomissão de Moinhos de Farinha da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria do Paquistão, pediu autorização para a importação privada de trigo.
Esse aviso anterior identificava também um défice de 22% na água para irrigação como ameaça à próxima colheita, prevista para março e abril de 2027. As famílias enfrentam, por isso, uma conta imediata de farinha, enquanto os moleiros pedem medidas para garantir o abastecimento antes da próxima colheita.
O frango e outros alimentos pressionam as compras das famílias
O preço do frango chegou às 750 rupias por quilograma em Carachi. As cotações noutras cidades situam a carne de frango entre 600 e 700 rupias, enquanto em Hyderabad a carne de frango de aviário atingiu as 720 rupias por quilograma e a carne do peito chegou às 750.
Os consumidores de Hyderabad disseram que, uma semana antes, a carne de frango de aviário custava cerca de 520 rupias por quilograma. A subida para 720 acrescenta 200 rupias à compra de um quilograma, um aumento de cerca de 38%. Os relatos sobre os preços a retalho indicam também uma subida até 180 rupias em vários dias, com base num período de comparação diferente.
Os residentes de Hyderabad dizem estar a comprar quantidades menores. Os comerciantes atribuem os preços a retalho ao custo elevado do abastecimento das explorações avícolas, acrescido das despesas de funcionamento que suportam antes de vender a carne. Na cidade, os ovos de produção local custam entre 240 e 260 rupias a dúzia.
Em alguns mercados, as cebolas chegaram às 200 a 250 rupias por quilograma. Em Quetta, os preços dos legumes, da carne e do leite subiram até 20%. Relatos locais referem também aumentos de 50 rupias nos preços da farinha e das leguminosas e de 100 rupias por quilograma na carne de frango em várias cidades.
Os dados sobre o abastecimento de aves e trigo apontam para várias pressões simultâneas. O combustível caro aumenta os custos de cozinhar e de manter os negócios em funcionamento, enquanto o preço pago às explorações ou pelos cereais também influencia o valor que chega ao balcão da loja.
O que mostram os dados semanais da inflação
O PBS mede as variações de preços a curto prazo através do Índice de Preços Sensíveis, que acompanha 51 bens essenciais em 50 mercados de 17 cidades. Na semana terminada a 22 de outubro, o índice subiu 0,65% face à semana anterior. Também foi referido um aumento semanal de 6,5%; os dados detalhados do PBS apontam para 0,65%.
O aumento anual foi de 11,85%, acima dos 11,38% registados na semana anterior. Este valor mede a variação do cabaz de bens essenciais face ao mesmo período do ano anterior. Dá uma perspetiva específica das despesas do dia a dia, em vez de medir a inflação mensal mais abrangente dos preços no consumidor.
O GPL estava 107,12% mais caro do que um ano antes, o que significa que o preço medido mais do que duplicou. As cebolas subiram 72,81%, a eletricidade 58,59%, a gasolina 44,17%, o frango 38,99% e a farinha de trigo 36,49% ao longo do ano.
Na semana mais recente, os preços aumentaram em 19 dos artigos acompanhados, desceram em 12 e mantiveram-se inalterados em 20. Além das fortes subidas do GPL e do frango, as cebolas subiram 4,19%, o pão simples 1,66% e a farinha de trigo 1%.
Vários alimentos ficaram mais baratos durante a semana: o preço do tomate caiu 21,99%, o das batatas 1,38%, o das leguminosas 0,93% e o dos ovos 0,58%. A gasolina desceu 3,63% e o gasóleo 1,68%. As famílias sentem variações diferentes nas suas próprias despesas, consoante o que compram e a parte do orçamento que destinam ao combustível, à farinha ou à carne.
Porque a mudança de combustível oferece pouco alívio
As interrupções no abastecimento de gás e a baixa pressão na rede estão a levar as famílias a recorrer ao GPL e à lenha. O aumento sazonal da procura agrava a pressão com a aproximação do tempo frio, sobretudo nas zonas do norte, onde as cotações do GPL já estão entre as mais elevadas.
Os vendedores de lenha aumentaram os preços entre 200 e 300 rupias por maund, uma unidade tradicional utilizada nos mercados locais. Os preços anteriormente indicados, entre 1.400 e 1.600 rupias por maund, chegaram às 1.800 rupias. As famílias que procuram uma alternativa mais barata ao GPL também enfrentam aumentos neste combustível.
Os condutores de riquexós e de Suzuki dizem também que os custos do GPL estão a reduzir os seus rendimentos. A queixa mostra que a pressão sobre o combustível não se limita às cozinhas: afeta também os trabalhadores que dependem dos veículos para obter rendimentos diários.
Os distribuidores responsabilizam os elevados custos de aquisição e as dificuldades de abastecimento. Os importadores querem que os preços sejam revistos semanalmente ou diariamente, em vez de mensalmente, para que os valores oficiais acompanhem mais rapidamente as variações dos custos de abastecimento. Os consumidores exigem abastecimento a preços comportáveis e fiscalização, enquanto a greve mostra a distância que ainda separa os retalhistas e as autoridades quanto à responsabilidade pelos preços elevados.
Como a pressão se intensificou durante outubro
Vários acontecimentos ocorridos no espaço de pouco mais de uma semana ligam a escassez de trigo, o aumento das despesas das famílias e o diferendo sobre a fiscalização do GPL.
- 17 de outubro: Yaser Malik, representante do setor da farinha, pediu a importação privada de trigo e identificou um défice de abastecimento de 1,69 milhões de toneladas em Sindh.
- 21 de outubro: Relatos do mercado apontaram para GPL a 600 rupias por quilograma em várias cidades, botijas domésticas a 7.000 rupias e farinha a 190 rupias por quilograma em Carachi e Lahore.
- 22 de outubro: Os preços do roti foram indicados entre 17 e 20 rupias em várias zonas. A semana de referência do PBS, terminada nessa data, registou subidas de 22,44% no GPL e de 12,20% no frango.
- 24 de outubro: Foi noticiada em Lahore uma greve de dois dias dos distribuidores de GPL, com a maioria das lojas encerradas em todo o Punjab.
As exigências imediatas dizem respeito à fiabilidade do abastecimento de combustível, à aplicação dos preços anunciados e a medidas sobre o custo de aquisição do GPL antes de este chegar aos retalhistas. A aquisição de trigo e a aproximação do inverno acrescentam pressões distintas, que as famílias continuarão a sentir nas compras de farinha, nos custos de cozinhar e nas necessidades de aquecimento.
Principais pontos
- O preço do GPL fixado pela OGRA para outubro é de 279,34 rupias por quilograma, enquanto as cotações de mercado variam entre 450 e 750 rupias.
- As botijas domésticas custam mais de 7.000 rupias em Islamabad, e algumas das zonas com os preços mais altos do GPL ficam no norte do país.
- Os distribuidores do Punjab fizeram greve devido às multas e a alegados casos de assédio. A 24 de outubro, foram noticiados encerramentos generalizados de lojas.
- O roti chegou às 17 a 20 rupias em várias zonas, enquanto os preços da farinha e do frango agravam as contas alimentares.
- O PBS registou aumentos semanais de 22,44% no GPL e de 12,20% no frango na semana terminada a 22 de outubro.
- O índice de bens essenciais subiu 0,65% durante a semana e 11,85% face ao ano anterior.
- O Baluchistão adquiriu menos de 100.000 sacos de trigo, face a uma meta de 575.000, agravando as preocupações com o abastecimento de farinha.






