A escassez de combustível põe mais bairros de Carachi em risco
Carachi enfrenta novos cortes de eletricidade, depois de a K-Electric ter alertado que atrasos na chegada de carregamentos de gás poderão obrigá-la a restringir o fornecimento durante as horas de ponta da tarde e da noite. O aviso surge em paralelo com uma intervenção regulatória distinta: a Autoridade Reguladora Nacional da Energia Elétrica (NEPRA) ordenou à concessionária que ponha termo aos cortes não anunciados e excessivos, após analisar 620 alimentadores que servem cerca de 2,37 milhões de consumidores.
Índice
- A escassez de combustível põe mais bairros de Carachi em risco
- Quando a K-Electric diz que poderão ocorrer cortes
- Até onde se estenderam os cortes?
- O que revelam os números da produção
- Por que razão a NEPRA rejeitou cortes baseados nas perdas
- O que revelou a investigação aos alimentadores
- Serviços e empresas enfrentam perturbações mais amplas
- Incerteza quanto aos carregamentos e problemas anteriores no fornecimento
- O que tem de acontecer a seguir?
- Pontos principais
Os dois desenvolvimentos envolvem motivos diferentes para os cortes de eletricidade. A K-Electric afirma que as limitações nacionais no fornecimento de gás natural liquefeito regaseificado (RLNG) estão a afetar a produção. A NEPRA rejeitou a prática de desligar alimentadores inteiros devido a furto de eletricidade, faturas por pagar ou perdas comerciais elevadas, incluindo quando os clientes desses alimentadores pagam regularmente.
As notícias descrevem cortes faseados de uma hora em Carachi, com alguns bairros anteriormente isentos a sofrer interrupções até duas horas durante as horas de ponta da tarde e a altas horas da noite. Estas perturbações agravam uma situação já muito mais difícil noutras zonas, onde os cortes diários terão chegado às 14 horas.
Esta distinção é importante para os consumidores: uma verdadeira escassez de produção pode justificar o corte do fornecimento de eletricidade ao abrigo do quadro regulamentar, mas as perdas financeiras num alimentador não conferem à concessionária a mesma autoridade legal. A escassez de gás não elimina a obrigação da K-Electric de cumprir as regras que regem as interrupções do fornecimento.
Quando a K-Electric diz que poderão ocorrer cortes
Imran Rana, porta-voz da K-Electric, associou as limitações de combustível a perturbações no fornecimento internacional e a atrasos na chegada de carregamentos, afirmando que estavam a afetar a produção de eletricidade em todo o Paquistão, incluindo na área de serviço da concessionária. Descreveu as possíveis restrições ao fim da tarde e à noite como condicionais, em vez de anunciar um horário fixo de cortes em toda a cidade.
Rana descreveu a medida nestes termos:
uma medida extrema, de último recurso, durante as horas de ponta da tarde/noite, caso seja necessária
Deu também garantias quanto ao fornecimento fora desses períodos:
O fornecimento diurno manter-se-á, em grande medida, estável
As horas de ponta indicadas pela K-Electric são das 18h30 às 22h30, entre abril e outubro, e das 18h00 às 22h00, entre novembro e março. São os períodos em que poderá haver uma gestão adicional da carga, isto é, interrupções controladas destinadas a ajustar a procura de eletricidade à oferta disponível.
Rana afirmou que a empresa estava a coordenar-se com a Pakistan LNG Limited e com as autoridades competentes para restabelecer o abastecimento normal, e pediu desculpa pelos incómodos. Nas declarações referidas, não foi anunciada uma data confirmada para a chegada dos carregamentos nem um prazo para pôr fim às restrições mais recentes.
Até onde se estenderam os cortes?
As notícias sobre as perturbações mais recentes abrangem Saddar, Clifton, Defence Housing Authority (DHA), Korangi, Orangi, Liaquatabad, North Karachi e North Nazimabad. Também foram comunicadas interrupções em Malir, Landhi, SITE, Baldia e Maripur, o que indica que a pressão se estende a zonas residenciais, comerciais e industriais da cidade.
Gulshan-e-Iqbal, Gulistan-e-Jauhar, Gulshan-e-Hadeed e Scheme 33 estão entre as outras zonas afetadas. Partes da Cidade Velha e de Razzaqabad terão sofrido cortes graves. Segundo as informações, foram desligados alimentadores ligados a várias subestações, enquanto a concessionária geria a pressão na sua rede.
Um alimentador é um circuito de distribuição que transporta eletricidade de uma subestação para um grupo de clientes. Cortar a eletricidade nesse nível afeta todas as pessoas ligadas ao circuito, o que explica as consequências diretas para agregados familiares e empresas que mantêm as faturas em dia da oposição do regulador às restrições coletivas.
As durações referidas variam. Uma notícia descreve cortes programados de uma hora, por fases; outra refere interrupções até duas horas em zonas anteriormente isentas, incluindo Defence, Clifton, PECHS, Muhammad Ali Society, Gulshan-e-Iqbal, Nazimabad e North Nazimabad. Estes números correspondem a experiências diferentes que foram noticiadas e não devem ser considerados um único horário garantido.
A notícia sobre os cortes de sexta-feira à noite tem data de publicação de 10 de outubro de 2026. As restantes notícias não estabelecem uma data de publicação coincidente, pelo que a cronologia não deve ser interpretada como confirmação de que todos os cortes referidos ocorreram na mesma noite.
O que revelam os números da produção
O GNL é gás natural arrefecido até ao estado líquido para ser transportado por navio. Depois de chegar, é reconvertido em gás, passando a RLNG, antes de ser fornecido a centrais elétricas e a outros utilizadores. Por isso, atrasos nas entregas podem limitar a produção de eletricidade mesmo quando há equipamento de produção disponível.
Números atribuídos à K-Electric apontam para uma produção própria de cerca de 1 600 megawatts (MW), a que se somam 1 000 a 1 100 MW provenientes da rede nacional. Em conjunto, estes valores correspondem a cerca de 2 600 a 2 700 MW, face a uma procura máxima comunicada de até 3 400 MW.
Numa comparação simples, a diferença é de cerca de 700 a 800 MW, ou aproximadamente 21 a 24 por cento da procura máxima indicada. Trata-se de uma comparação indicativa, não de uma medição verificada da escassez durante os cortes mais recentes: os números não permitem determinar quanta produção, fornecimento da rede ou procura existia numa hora específica.
Dados anteriormente divulgados pela K-Electric apontavam para uma produção a partir de GNL de 252 MW em dezembro de 2024, descrita como correspondendo a 19 por cento da eletricidade produzida pela própria empresa. Este retrato mostra uma dependência significativa do gás importado, mas não permite determinar a dimensão da atual escassez de combustível. Refere-se também a um período diferente dos números mais abrangentes da produção.
A K-Electric não indicou quantos megawatts se perderam especificamente devido aos atrasos nos carregamentos. Sem esse dado, não é possível distinguir a mais recente limitação de combustível de outras pressões referidas, incluindo a sobrecarga da rede e as restrições já existentes.
Por que razão a NEPRA rejeitou cortes baseados nas perdas
A intervenção da NEPRA incide na utilização, pela K-Electric, das perdas técnicas e comerciais agregadas, habitualmente designadas por perdas AT&C, para determinar os cortes. Estas perdas combinam a eletricidade perdida na rede com problemas comerciais, como o furto e as faturas por pagar.
O regulador concluiu que esta política não tinha fundamento na Lei da NEPRA, nas regras aplicáveis ou na licença da K-Electric. Afirmou que incumprimentos comerciais, furtos e índices de perdas elevados não podiam justificar a suspensão do fornecimento a clientes que pagam as faturas apenas por partilharem um alimentador com outros consumidores responsáveis por essas perdas.
Entre as disposições legais citadas estão a Secção 21 da Lei da NEPRA e a Regra 4(f) das Regras de Desempenho da NEPRA (Distribuição), de 2005. A NEPRA afirmou que as concessionárias de distribuição têm de prestar serviços fiáveis e exercer a sua atividade no quadro legal, em vez de adotarem políticas comerciais incompatíveis com essas obrigações.
O regulador reconheceu que limitações técnicas, emergências no sistema, escassez absoluta de produção e limitações na transmissão podem justificar cortes no fornecimento. A sua posição não equivale, portanto, a uma proibição generalizada de todos os cortes de eletricidade. Rejeita as perdas comerciais como justificação e exige que quaisquer restrições permitidas cumpram a lei e as condições da licença.
A NEPRA ordenou também à K-Electric que ponha fim aos cortes não anunciados, não programados e excessivos. Esta exigência continua a ser relevante mesmo quando a concessionária invoca uma verdadeira escassez de combustível: um motivo permitido para gerir o fornecimento não valida automaticamente o horário, a duração ou a distribuição de todas as interrupções.
O que revelou a investigação aos alimentadores
A NEPRA analisou dados de 620 alimentadores que servem cerca de 2,37 milhões de consumidores. As suas conclusões mostram que as interrupções efetivas excederam frequentemente os horários declarados pela própria K-Electric, em vez de refletirem apenas as restrições já anunciadas aos consumidores.
Nos alimentadores da categoria com maiores perdas, que servem cerca de 1,18 milhões de consumidores, os cortes diários atingiram, em média, 12 horas e 14 minutos, face a um horário anunciado de 10 horas. São mais duas horas e 14 minutos por dia. Cerca de 91,1 por cento desses alimentadores ultrapassaram o limite de 10 horas.
Os alimentadores da categoria seguinte, com mais perdas, registaram uma média diária de cortes de 10 horas e 39 minutos, com 81,9 por cento a ultrapassarem as 10 horas. Nos alimentadores com perdas médias, 68,4 por cento registaram interrupções de seis horas ou mais, face ao limite anunciado de seis horas. Este último valor inclui alimentadores que atingiram o limite, pelo que, por si só, não demonstra que todos os alimentadores desse grupo tenham ultrapassado as seis horas.
Os 1,18 milhões de consumidores da categoria com maiores perdas representam cerca de metade dos 2,37 milhões de consumidores abrangidos pela investigação. Esta conclusão mostra que parte da população analisada esteve exposta às interrupções médias mais longas, embora não corresponda a uma contagem de todos os clientes afetados em Carachi.
A NEPRA concluiu que as restrições comerciais programadas estavam a ser usadas como referência, sobre a qual eram impostos cortes adicionais não anunciados. Referiu também uma multa anterior de 50 milhões de rupias paquistanesas (Rs), aplicada por uma decisão datada de 4 de abril de 2024, e afirmou que a K-Electric não tinha introduzido alterações operacionais concretas para corrigir práticas semelhantes.
Serviços e empresas enfrentam perturbações mais amplas
O regulador identificou consequências para além dos incómodos causados aos agregados familiares. Afirmou que as interrupções prolongadas de eletricidade estavam a afetar as redes de distribuição de água, as unidades de saúde e a operação de autocarros elétricos, sobretudo em condições climáticas extremas. Referiu o artigo 38.º da Constituição e a responsabilidade do Estado de proteger o bem-estar dos cidadãos.
A NEPRA citou também preocupações da Autoridade de Telecomunicações do Paquistão relativas a instalações de telecomunicações ligadas a alimentadores com perdas elevadas. Os cortes prolongados obrigaram os operadores a depender fortemente de geradores a gasóleo, aumentando os custos operacionais e contrariando os objetivos de eficiência energética.
As queixas da Câmara de Comércio e Indústria de Carachi diziam respeito a restrições comerciais excessivas que afetavam empresas e consumidores industriais. A NEPRA ordenou uma investigação formal e emitiu uma notificação para apresentação de defesa, exigindo que a concessionária explique a sua conduta antes de ser ponderada qualquer ação regulatória adicional. O processo continua em curso.
Estas consequências mostram que a disputa vai além da duração de um corte individual numa casa. Uma interrupção num alimentador também pode perturbar o equipamento e os serviços de que depende todo um bairro, mesmo que a organização ou o consumidor afetado não tenha faturas de eletricidade por pagar.
Incerteza quanto aos carregamentos e problemas anteriores no fornecimento
A preocupação com o combustível não se limita a Carachi. Notícias associam as perturbações no fornecimento internacional às hostilidades no Médio Oriente e a perturbações no estreito de Ormuz e no estreito de Bab el-Mandeb, ambos importantes corredores marítimos. A explicação da própria K-Electric é mais restrita: perturbações internacionais e atrasos nos carregamentos limitaram o fornecimento nacional de RLNG.
Para o período de inverno entre dezembro e fevereiro referido nas notícias, as empresas de gás e a Divisão do Petróleo solicitaram pelo menos 22 carregamentos de GNL. Uma força-tarefa para a energia liderada pelo tenente-general Zafar Iqbal terá prometido entre 10 e 12, na medida do possível, enquanto uma estimativa separada apontava para importações efetivas de apenas sete ou oito carregamentos.
Face ao pedido de 22 carregamentos, o intervalo previsto pela força-tarefa corresponderia a cerca de 45 a 55 por cento. Sete ou oito carregamentos corresponderiam a cerca de 32 a 36 por cento. Nenhum dos intervalos representa entregas confirmadas, e as estimativas não devem ser consideradas um calendário de importações aprovado.
O custo comunicado de cerca de 100 milhões de dólares por cada carregamento adquirido no mercado à vista ajuda a explicar o processo de aprovação financeira. Esperava-se que o plano fosse submetido ao primeiro-ministro, sendo também necessária a aprovação do Ministério das Finanças e do Banco do Estado do Paquistão. As compras no mercado à vista consistem em carregamentos adquiridos para entrega a curto prazo, em vez de serem abrangidos por um contrato de fornecimento contínuo.
As notícias referem também interrupções anteriores atribuídas à disponibilidade limitada de RLNG em agosto, altura em que o Governo afirmou que as restrições seriam atenuadas após a chegada dos carregamentos atrasados. Em abril, o Governo pediu desculpa por cortes que ultrapassaram as 2,25 horas prometidas, atribuindo essa situação à menor disponibilidade de água para a produção. Estas referências não indicam datas exatas nem confirmam que ocorreram no mesmo ano.
O que tem de acontecer a seguir?
A NEPRA ordenou à K-Electric que substitua as restrições coletivas nos alimentadores por medidas específicas contra os devedores e os responsáveis por furtos de eletricidade, em conformidade com as leis e os procedimentos aplicáveis. Pediu também um reforço da aplicação da lei contra os furtos, em coordenação com as autoridades policiais.
A concessionária tem de preparar um plano faseado para instalar cabos aéreos agrupados nas zonas com perdas elevadas. Estes cabos agrupam condutores isolados e podem dificultar ligações ilegais. O regulador exige a apresentação do plano e de um relatório abrangente de cumprimento no prazo de 30 dias a contar da emissão da decisão. Não é possível determinar a data-limite exata sem conhecer a data de emissão.
A K-Electric afirmou que estava a analisar a decisão e que responderia dentro do prazo estipulado. Separadamente, a sua coordenação com a Pakistan LNG Limited ainda não resultou numa data publicamente confirmada para a normalização do abastecimento de combustível, segundo as declarações referidas.
Os principais desenvolvimentos e prazos podem resumir-se da seguinte forma:
- 4 de abril de 2024: a NEPRA aplicou uma multa de 50 milhões de rupias paquistanesas (Rs) por infrações anteriores.
- Dezembro de 2024: o valor de produção a partir de GNL divulgado pela K-Electric foi de 252 MW, descrito como correspondendo a 19 por cento da eletricidade produzida pela própria empresa.
- 10 de outubro de 2026: uma notícia datada descreveu interrupções na noite de sexta-feira em zonas anteriormente isentas de cortes regulares.
- No prazo de 30 dias a contar da emissão da decisão mais recente: a K-Electric tem de apresentar o plano de instalação dos cabos e o relatório de cumprimento.
- De dezembro a fevereiro: a proposta de carregamentos para o inverno referida nas notícias continua a ser distinta de quaisquer remessas confirmadas.
As incertezas imediatas dizem respeito à quantidade e às datas de chegada do gás atrasado, à consequente redução da produção e ao horário exato dos cortes em cada localidade. A questão regulatória é mais clara: a NEPRA rejeitou as restrições coletivas baseadas em perdas comerciais, permitindo a gestão do fornecimento apenas em circunstâncias previstas na lei.
Pontos principais
- A K-Electric alerta que as limitações de RLNG poderão obrigar a cortes adicionais durante as horas de ponta da tarde e da noite, enquanto o fornecimento diurno deverá manter-se, em grande medida, estável.
- As interrupções referidas incluem cortes faseados de uma hora e cortes até duas horas em bairros anteriormente isentos.
- A NEPRA analisou 620 alimentadores que servem cerca de 2,37 milhões de consumidores e detetou desvios generalizados em relação aos horários declarados.
- O regulador afirma que os consumidores que pagam as faturas não podem ficar sem eletricidade por outros clientes do mesmo alimentador incumprirem os pagamentos ou furtarem eletricidade.
- A K-Electric dispõe de 30 dias a contar da emissão da decisão para apresentar um plano de instalação de cabos e um relatório de cumprimento.
- Não foi anunciada uma data confirmada para a reposição do abastecimento normal de gás nem para o fim das restrições mais recentes.






