Bangladesh propõe investir 66 090 milhões de takas em 5 830 veículos policiais, com frota envelhecida a dificultar patrulhas

12 min de leitura
Bangladesh Proposes Tk 6,609 Crore for 5,830 Police Vehicles as Ageing Fleet Strains Patrols

639 esquadras de polícia partilham apenas 1 237 veículos

O Bangladesh propõe investir cerca de 66 090 milhões de takas em 5 830 veículos para a polícia, numa altura em que as suas 639 esquadras de polícia administrativas dispõem de apenas 1 237 veículos, quase dois terços dos quais têm mais de 10 anos. As aquisições abrangeriam veículos para patrulhas diárias, embarcações, ambulâncias e viaturas equipadas para controlo de multidões, investigação e operações de emergência.

Índice
  1. 639 esquadras de polícia partilham apenas 1 237 veículos
  2. Porque é que a frota atual é insuficiente
  3. As carrinhas de caixa aberta representam a maior aquisição
  4. Veículos especializados para diferentes funções
  5. O custo de aquisição é apenas uma parte da despesa
  6. O plano inclui formação além dos veículos
  7. Uma margem reduzida na avaliação económica
  8. Agentes apontam falta de transporte e de descanso
  9. Pressões da criminalidade e calendário de aprovação
  10. Pontos principais

Os dois projetos do Ministério do Interior estão previstos para apreciação pelo Comité Executivo do Conselho Económico Nacional (Ecnec) a 25 de outubro de 2026. Nenhum recebeu ainda aprovação final. A Polícia do Bangladesh executaria os projetos entre outubro de 2026 e junho de 2029, com financiamento do Governo.

A proposta de maior dimensão prevê cerca de 43 289,2 milhões de takas para 4 829 veículos operacionais. Outros 22 801,4 milhões de takas seriam destinados à compra de 1 001 veículos especializados. Em conjunto, representam uma expansão substancial dos meios de transporte da polícia, que vai além da substituição dos veículos danificados durante a insurreição de julho e agosto de 2024.

Os registos da Direção-Geral da Polícia indicam que 1 074 veículos foram danificados durante a insurreição, incluindo 455 que foram incendiados. Os agentes afirmam que os veículos envelhecidos também avariam durante as operações, enquanto a força já enfrenta um desfasamento entre as necessidades de transporte e a dotação de veículos aprovada.

Para os residentes, a escassez pode significar que várias necessidades têm de ser atendidas pelo mesmo veículo de patrulha. Uma equipa enviada para efetuar uma detenção pode deixar a esquadra com poucos meios de transporte disponíveis para outra emergência. As propostas procuram resolver esse problema, enquanto responsáveis pelo planeamento e pelo ministério pretendem definir melhor a aquisição, manutenção e utilização da frota ampliada.

Porque é que a frota atual é insuficiente

As propostas da Comissão de Planeamento apontam para uma média de cerca de 1,94 veículos por esquadra de polícia administrativa, calculada com base nos 1 237 veículos distribuídos por 639 esquadras. Cerca de 64% da frota tem mais de uma década, o que acrescenta necessidades de reparação à escassez de veículos disponíveis.

Publicidade

De acordo com a proposta operacional, cada esquadra precisa geralmente de pelo menos quatro a cinco carrinhas de caixa aberta ou veículos de patrulha para cobrir simultaneamente diferentes sindicatos ou bairros. As zonas densamente povoadas e as áreas com maiores problemas de criminalidade podem precisar de mais. Nas 639 esquadras, mesmo quatro veículos por unidade exigiriam 2 556 veículos, mais 1 319 do que a frota atual das esquadras.

A Polícia do Bangladesh também opera 24 esquadras de polícia ferroviária e 73 esquadras de polícia rodoviária. As suas responsabilidades de transporte vão, por isso, além das esquadras administrativas usadas nessa comparação. As aquisições propostas incluem ainda veículos para unidades especializadas, transporte de pessoal e operações fluviais.

O ministro do Interior, Salahuddin Ahmed, afirmou no parlamento, a 30 de março, que os veículos incendiados ou inutilizados durante a insurreição tinham perturbado as patrulhas e a aplicação da lei. Kamarum Munira, inspetora-geral adjunta para os meios de comunicação na Direção-Geral da Polícia, afirmou que a força avaliaria as suas necessidades e poderia apresentar novos pedidos.

As carrinhas de caixa aberta representam a maior aquisição

O projeto operacional prevê a compra de 2 909 carrinhas de caixa aberta de cabine dupla, a 8,6 milhões de takas cada, num total de 25 017,4 milhões de takas. Um crore equivale a 10 milhões de takas, enquanto um lakh equivale a 100 000 takas. Só estas carrinhas representariam quase 58% do orçamento proposto para o projeto operacional.

Os oficiais superiores receberiam 400 jipes com motores de 2 700 centímetros cúbicos, ao preço de 16,9 milhões de takas cada, ou 6 760 milhões de takas no total. Outros 345 jipes com motores de 2 000 centímetros cúbicos custariam cerca de 2 587,5 milhões de takas. A cilindrada descreve o volume no interior dos cilindros de um motor e é uma das especificações usadas para definir a compra de um veículo.

O plano inclui também 214 miniautocarros de 5,2 milhões de takas cada, 148 autocarros de grande dimensão sem ar condicionado ao mesmo preço unitário e 148 miniautocarros com ar condicionado a 12 milhões de takas cada. Estes autocarros e miniautocarros destinam-se ao transporte de agentes da polícia.

Entre as outras aquisições propostas contam-se 115 viaturas celulares, 100 carros de patrulha, 50 ambulâncias, 100 lanchas rápidas e cerca de 300 veículos adicionais. O projeto identifica as patrulhas de rotina, as investigações criminais e de narcóticos, as detenções e a resposta a emergências como utilizações essenciais. As eleições e os grandes eventos geram necessidades adicionais, uma vez que os agentes têm de ser destacados simultaneamente para muitos locais.

Publicidade

Veículos especializados para diferentes funções

O segundo projeto prevê a compra de 1 001 veículos especializados, incluindo 11 viaturas blindadas de transporte de pessoal para operações em zonas industriais, 20 canhões de água, 20 veículos de controlo de multidões e 15 carrinhas SWAT para unidades especializadas e equipas de desativação de bombas.

A frota proposta inclui também 200 motociclos de alta velocidade, 50 veículos utilitários todo-o-terreno para transportar cães-polícia e seis veículos móveis de vigilância. Outras categorias incluem veículos especializados de patrulha e transporte de detidos, carrinhas frigoríficas, veículos para transporte de cavalos e veículos adequados a terrenos difíceis.

Os centros móveis de comando funcionariam como salas de controlo temporárias, permitindo aos agentes coordenar operações e comunicações perto do local de uma ocorrência. As carrinhas de investigação criminal apoiariam a recolha de provas pouco depois de um crime. Os veículos concebidos para terrenos difíceis ajudariam as equipas a chegar a locais onde os veículos de patrulha convencionais têm dificuldade em circular.

As embarcações são outra componente do programa. Lanchas rápidas, embarcações de resposta rápida e barcos de salvamento apoiariam as patrulhas e as operações de emergência nos rios do Bangladesh. Entre as funções previstas contam-se operações de salvamento, proteção de instalações importantes e operações contra o terrorismo.

O secretário do Interior, Monjur Morshed Chowdhury, afirmou que as Nações Unidas reembolsariam posteriormente o custo de alguns veículos especializados adquiridos para a polícia que presta serviço em missões de manutenção da paz da ONU. Ainda assim, as propostas atribuem ao Governo do Bangladesh a responsabilidade pelo financiamento inicial.

O custo de aquisição é apenas uma parte da despesa

Responsáveis da Comissão de Planeamento e do Ministério do Interior pediram planos mais claros para combustível, reparações, peças sobresselentes, pneus, seguros e outras despesas de funcionamento. Estes custos mantêm-se durante toda a vida útil de um veículo, depois de pago o preço de aquisição.

O secretário do Interior afirmou que a polícia dispõe de mecanismos próprios de manutenção. Os veículos especializados também exigem operadores com formação, apoio técnico e um fornecimento fiável de peças. Um canhão de água, um veículo de vigilância ou um centro móvel de comando implica necessidades de equipamento que vão além das de uma carrinha de caixa aberta comum.

A verba proposta para equipamento de reparação do projeto operacional surge indicada tanto como 150 milhões de takas como 15 milhões de takas, pelo que o montante exato não é claro. Resolver esta discrepância é importante, uma vez que as ferramentas e o equipamento de reparação fazem parte do plano para manter a frota ampliada disponível para o serviço.

Publicidade

O comité de avaliação de projetos da Comissão de Planeamento analisou as propostas a 15 de outubro. Pediu estimativas de custos rigorosas, o cumprimento das regras de contratação pública, medidas de manutenção adequadas e informações sobre quais os veículos existentes que estão operacionais, podem ser reparados ou já não têm utilização. Esse inventário ajudaria a determinar quanto transporte pode ser recuperado e quanto tem de ser substituído.

O plano inclui formação além dos veículos

O projeto operacional prevê formação em condução e mecânica para 650 pessoas que irão operar veículos ligeiros e para 300 que irão operar veículos pesados. Outras 50 pessoas receberiam formação de mecânico. O projeto especializado inclui formação em condução e mecânica para 910 pessoas e formação específica de mecânico para mais 50.

No conjunto, os dois projetos preveem 1 960 vagas de formação nestas categorias. Esta combinação responde a duas necessidades: os agentes têm de saber operar os veículos e o pessoal de manutenção tem de conseguir mantê-los em funcionamento.

A proposta operacional foi revista após a reunião de avaliação de 15 de outubro, incluindo a eliminação da formação no estrangeiro. As revisões procuraram também alinhar a proposta com os requisitos de formação aplicáveis e da Divisão de Finanças.

A Polícia do Bangladesh teria até junho de 2029 para concluir os projetos, segundo o calendário proposto. A aquisição, entrega, formação e criação de apoio à reparação teriam de decorrer dentro desse prazo. As esquadras que enfrentam carências imediatas dependeriam, por isso, do calendário de entrega dos veículos e da sua distribuição.

Uma margem reduzida na avaliação económica

A Hawks Bay realizou os estudos de viabilidade dos dois projetos. Cada estudo apresenta um rácio benefício-custo de 1,05. Em termos simples, as avaliações estimam benefícios económicos de 1,05 takas por cada taka de custos, de acordo com os pressupostos dos estudos.

Isso deixa uma margem projetada de 5% acima dos custos estimados. Uma despesa superior ou benefícios inferiores reduziriam essa margem. Preços rigorosos, custos de funcionamento realistas e disponibilidade fiável dos veículos são, por isso, importantes para a justificação económica dos projetos.

Os estudos estimam um valor atual líquido de 192,2 milhões de takas para o projeto operacional e de 1 760,96 milhões de takas para o projeto especializado. O valor atual líquido converte os custos e benefícios futuros previstos num valor equivalente atual. A avaliação do projeto especializado utiliza uma taxa de desconto de 12%, aplicada nessa conversão.

Publicidade

O calendário de despesa anual proposto prevê 20 809,4 milhões de takas no exercício financeiro de 2026–27, 28 675,5 milhões de takas em 2027–28 e 16 605,8 milhões de takas em 2028–29. A maior necessidade de financiamento ocorreria no ano intermédio, em que os procedimentos de aquisição e entrega teriam de permitir um nível de despesa mais elevado.

Agentes apontam falta de transporte e de descanso

Md Jahangir Alam, subinspetor da esquadra de polícia de Demra, descreveu a dificuldade prática de chegar aos locais de serviço quando não há veículos oficiais disponíveis. Afirmou que, por vezes, os agentes recorrem a uma leguna, um pequeno veículo de passageiros habitualmente usado em transporte partilhado.

«Na prática, quase não há veículos; temos de ir para o serviço num veículo de transporte de passageiros (leguna)», afirmou.

Jahangir afirmou que os agentes trabalham habitualmente entre 12 e 16 horas por dia, sem remuneração adicional pelas horas de serviço prolongadas e com poucas oportunidades para comer e dormir. O seu testemunho coloca a escassez de veículos no contexto de condições de trabalho exigentes.

A força policial cresceu de cerca de 117 000 efetivos em 2010 para quase 250 000, mais do dobro. Quase 90% dos agentes não têm alojamento em instalações residenciais da polícia. As responsabilidades da força também se alargaram, com unidades dedicadas à investigação, ao turismo, à polícia fluvial, ao terrorismo e à rede ferroviária urbana.

Niaz Mehedi, comissário adjunto adicional na Divisão de Meios de Comunicação e Relações Públicas da Polícia Metropolitana de Daca, associou a existência de alojamento adequado e de condições de descanso à saúde mental dos agentes.

«As habitações da polícia têm necessariamente de ter boa qualidade para que os agentes possam descansar bem», afirmou.

O antigo inspetor-geral da polícia Abdul Kaiyum e Touhidul Haque, docente da Universidade de Daca e analista criminal, também defenderam que se dê atenção à falta de alojamento e de transporte. As suas preocupações vão além das aquisições e abrangem as condições em que os agentes desempenham as tarefas diárias.

Pressões da criminalidade e calendário de aprovação

Uma nota de investigação de setembro de 2026 da Global Development Network registou um aumento dos casos de homicídio relacionados com a polícia, de 3 023 em 2023 para 3 786 em 2025. São mais 763 casos, um aumento de cerca de 25%. A nota, que analisou a criminalidade e a segurança pública entre setembro de 2024 e junho de 2026, documentou também preocupações com a violência de multidões, a violência sexual e a extorsão organizada.

Publicidade

O programa de transportes proposto daria à polícia mais meios para patrulhar, chegar aos locais de ocorrência, recolher provas e transportar pessoal. O seu impacto no serviço diário dependeria tanto das decisões de afetação como das aquisições: que esquadras recebem veículos, que unidades recebem equipamento especializado e com que regularidade a frota se mantém disponível.

As principais datas que antecedem a decisão pendente são:

  • Julho e agosto de 2024: os registos da polícia indicam que 1 074 veículos foram danificados durante a insurreição, incluindo 455 incendiados.
  • 30 de março de 2026: o ministro do Interior, Salahuddin Ahmed, afirmou no parlamento que os danos nos veículos tinham perturbado o trabalho da polícia.
  • 15 de outubro de 2026: o comité de avaliação de projetos da Comissão de Planeamento analisou as propostas.
  • 25 de outubro de 2026: está prevista a apreciação dos dois projetos pelo Ecnec.
  • Outubro de 2026 a junho de 2029: período de execução proposto, sujeito a aprovação.

A decisão do Ecnec determinará se as aquisições avançam. A análise do comité já identificou as questões práticas que exigem atenção: custos rigorosos, um inventário fiável dos veículos existentes, regras de contratação pública e manutenção após o fim dos projetos.

Pontos principais

  • O Bangladesh propõe comprar 5 830 veículos para a polícia por cerca de 66 090 milhões de takas.
  • As 639 esquadras de polícia administrativas do país dispõem de 1 237 veículos, 64% dos quais têm mais de 10 anos.
  • Os planos abrangem 4 829 veículos operacionais e 1 001 veículos especializados.
  • A apreciação pelo Ecnec está prevista para 25 de outubro de 2026; a aprovação final está pendente.
  • O Governo financiaria a execução até junho de 2029, esperando-se que a ONU reembolse alguns veículos destinados a missões de manutenção da paz.
  • Os responsáveis pelo planeamento pediram maior clareza sobre os custos, as medidas de manutenção e as informações relativas à frota existente.
Partilhar este artigo

Também pode gostar