A produção do G1 atinge cinco dígitos enquanto a Unitree aposta nos serviços
Wang Xingxing, fundador e presidente da Unitree, afirma que a empresa produziu cerca de 10 000 a 20 000 robôs humanoides G1 desde a estreia do modelo, em maio de 2024, dando um número concreto à sua aposta em transformar máquinas que caminham em trabalhadores comerciais úteis.
Índice
- A produção do G1 atinge cinco dígitos enquanto a Unitree aposta nos serviços
- O que revelam os números de produção e expedição
- O que oferece o G1 aos compradores
- As previsões de Wang para a IA centram-se na ligação entre pensamento e movimento
- Porque podem os serviços chegar antes da ajuda doméstica
- O contributo dos espetáculos de artes marciais
- O H2-X aumenta a força e levanta novas questões de segurança
- Mais robôs exigem mais do que uma linha de montagem
- Uma cronologia da expansão e do interesse dos investidores
- Pontos principais
Na Conferência Mundial de IA Física de 2026 e na Conferência do Ecossistema de Parceiros da Unitree, Wang descreveu o G1 como o robô humanoide mais vendido do mundo. A estimativa de produção abrange as máquinas que saíram da fábrica desde o lançamento. Os números de expedições da Unitree, que contabilizam os robôs enviados aos clientes, são uma medida distinta da atividade da empresa.
O anúncio surge enquanto a Unitree promove o seu novo H2-X Kung Fu Legend Guardian, um humanoide de maiores dimensões apresentado a golpear veículos e a simular cenários de proteção e salvamento. Por detrás destas demonstrações está um desafio mais prático: fazer com que a inteligência artificial controle um robô de forma fiável num ambiente físico em mudança.
Wang espera que os serviços comerciais atinjam uma implementação útil antes das aplicações domésticas e industriais. Considera possível um avanço na inteligência incorporada nos próximos um a três anos e espera conseguir uma integração mais plena entre modelos de IA e tecnologia robótica em 2027 ou 2028.
Inteligência incorporada significa IA a operar através de uma máquina física. Um chatbot pode descrever como pegar numa chávena. Um robô também tem de a localizar, posicionar os dedos, aplicar pressão suficiente e movê-la sem derramar o conteúdo. A próxima fase da Unitree depende de ligar essas decisões a movimentos fiáveis.
A conferência reuniu mais de 3 000 convidados e contou com mais de 40 zonas de exposição, refletindo o crescimento da rede de fabricantes, programadores de software e fornecedores de componentes em torno da empresa.
O que revelam os números de produção e expedição
A Unitree anunciou, a 12 de agosto de 2026, que a produção acumulada dos seus robôs humanoides tinha atingido aproximadamente 18 000 unidades. A contagem abrangia a sua gama de robôs que caminham sobre duas pernas e excluía os humanoides com bases com rodas.
Anteriormente, a empresa tinha indicado que a produção acumulada do G1 era de cerca de 11 000 unidades até maio de 2026. Por isso, o número de agosto abrangia uma gama de produtos mais ampla do que o valor relativo ao G1 divulgado em maio. A estimativa mais recente de Wang, de 10 000 a 20 000, diz respeito apenas ao G1.
Segundo números do setor, as expedições de humanoides da Unitree ultrapassaram as 5 500 unidades em 2025 e rondaram as 5 900 no primeiro semestre de 2026. Ou seja, as expedições em seis meses já tinham superado o total do ano anterior.
Segundo esses números do setor, a Unitree representou cerca de 31% das expedições mundiais de humanoides no primeiro semestre de 2026. Os dois maiores fornecedores detinham, em conjunto, perto de 75%, mostrando o grau de concentração de um mercado ainda jovem num pequeno número de produtores.
No início de 2026, Wang previu que as expedições anuais de humanoides da Unitree ficariam entre 10 000 e 20 000 unidades. Tratava-se de uma previsão de entregas ao longo de um ano; o anúncio mais recente sobre o G1 refere-se à produção acumulada desde 2024.
O que oferece o G1 aos compradores
As especificações oficiais do G1 indicam um preço inicial de 85 000 yuans, com impostos incluídos, face ao preço inicial de 99 000 yuans anunciado aquando do lançamento. A redução é de 14 000 yuans, ou cerca de 14% do preço de lançamento.
As especificações atuais indicam que o G1 tem 1,32 metros de altura quando está de pé e pesa aproximadamente 35 quilogramas com a bateria. Na cobertura do lançamento, foi descrito como tendo cerca de 1,27 metros de altura. As dimensões quando dobrado são 690 por 450 por 300 milímetros, o que torna o armazenamento e o transporte parte integrante do seu design.
O G1 básico tem 23 articulações motorizadas. O G1 EDU, destinado à educação e ao desenvolvimento, pode ter até 43 graus de liberdade, ou seja, movimentos controlados de forma independente. Entre os equipamentos opcionais contam-se movimento adicional dos pulsos e mãos Dex3-1 com três dedos e controlo de força.
Uma câmara de profundidade e um lidar 3D ajudam o robô a detetar distâncias e objetos à sua volta. Quatro microfones captam som. A Unitree indica uma bateria amovível de 9 000 miliamperes-hora e uma autonomia de cerca de duas horas, que varia consoante a configuração e a utilização.
As previsões de Wang para a IA centram-se na ligação entre pensamento e movimento
O argumento central de Wang é que os avanços no software de IA estão a aproximar os robôs de um grande salto em termos de utilidade. Na conferência, afirmou que os principais programadores de IA tinham conseguido, em certa medida, processos internos em que os modelos escrevem programas e recolhem dados com pouca orientação humana.
Apresentou também um vídeo que, segundo a descrição, mostrava o treino de robôs com recurso ao GPT-6. De acordo com a sua apresentação, o robô executou tarefas de desenho e planeamento de navegação sem treino adicional para essas tarefas. A configuração exata do treino e o significado de «treino zero» não foram detalhados.
O desafio técnico identificado por Wang consiste em alinhar as entradas e saídas de um modelo de IA com um robô real. As imagens das câmaras, os sons e as leituras dos sensores têm de se transformar em informação útil para o modelo; as decisões deste têm, depois, de se traduzir em movimentos que os motores consigam executar com segurança e precisão.
A meta de Wang para 2027 ou 2028 dá continuidade a uma previsão que fez na Conferência Mundial de Robótica de 2025, quando apontou para a possibilidade de um momento ChatGPT da robótica dentro de dois a três anos. A expressão descreve um avanço que torna a utilidade de uma tecnologia evidente para um público muito mais vasto.
Nessa conferência, Wang afirmou que a Unitree esperava duplicar anualmente as expedições de humanoides, e que os avanços poderiam elevar os volumes anuais a centenas de milhares ou milhões dentro de dois a três anos. Estes números traduzem as suas expectativas de crescimento futuro.
Porque podem os serviços chegar antes da ajuda doméstica
A Unitree planeia expandir a sua atividade para além da investigação, da educação, da experimentação por consumidores e dos espetáculos comerciais, entrando nos serviços comerciais e no trabalho industrial. Wang apontou as visitas guiadas e os ambientes industriais relativamente fixos como aplicações que poderão produzir resultados úteis em 2026 ou 2027.
Uma visita guiada oferece ao robô um percurso relativamente previsível e uma tarefa definida. O trabalho doméstico exige que consiga lidar com divisões diferentes, objetos desconhecidos e instruções que mudam de momento a momento. Wang descreveu a inteligência incorporada de uso geral como o principal fator limitativo para a utilização doméstica.
As fábricas colocam outro desafio: a produtividade. Wang afirmou que, em todo o mundo, os robôs continuam aquém da eficiência humana no trabalho fabril. Para se tornar uma alternativa ou um auxiliar atrativo, uma máquina que execute um movimento com êxito também tem de o repetir a uma velocidade e a um custo úteis.
Wang, fundador e presidente da Unitree, explicou a relação entre o progresso técnico e a procura numa entrevista realizada por ocasião da Gala do Festival da Primavera de 2026:
«O maior crescimento do mercado dos robôs humanoides resulta da maturidade da tecnologia. À medida que a tecnologia se torna cada vez mais valiosa, a dimensão total do mercado irá crescer gradualmente», afirmou Wang Xingxing.
O contributo dos espetáculos de artes marciais
Na atuação da Unitree na Gala do Festival da Primavera de 2026 participaram 24 robôs G1, face aos 16 da atuação do ano anterior. Isso representou um aumento de 50% no número de máquinas a atuar em conjunto.
Os robôs executaram movimentos de artes marciais, mortais e coreografias sincronizadas. Wang afirmou que a preparação também permitiu acelerar os movimentos entre ações, com uma velocidade máxima de corrida de quatro metros por segundo, equivalente a 14,4 quilómetros por hora.
A Unitree desenvolveu tecnologia de controlo de grupo e posicionamento para que os robôs pudessem detetar o ambiente e regressar às posições previstas após movimentos amplos. Coordenar 24 máquinas em movimento exige que cada robô acompanhe a posição que deve ocupar, enquanto o grupo se mantém sincronizado.
Wang afirmou que estas capacidades poderão ser aplicadas nas fábricas. O reposicionamento rápido e o movimento coordenado poderão ajudar grupos de robôs a trabalhar na mesma área. A ambição comercial da Unitree é transferir as técnicas de controlo desenvolvidas para os espetáculos para ambientes onde as máquinas executem tarefas práticas.
O H2-X aumenta a força e levanta novas questões de segurança
A promoção do H2-X pela Unitree adota uma abordagem diferente para demonstrar capacidades físicas. O vídeo mostra o humanoide a amolgar a carroçaria de um veículo, a responder a cenários encenados de assalto e a levantar um automóvel para ajudar alguém que se encontra por baixo.
Foi descrito como tendo 1,82 metros de altura, pesando 70 quilogramas e dispondo de 31 graus de liberdade. Estas especificações fazem com que pese aproximadamente o dobro do G1, segundo o peso indicado. As demonstrações mostram também o robô a saltar de plataformas com até quatro metros de altura.
A autonomia anunciada merece especial atenção: a descrição mais específica indica cerca de oito horas de pé entre carregamentos. Para avaliar durante quanto tempo poderia trabalhar no contexto pretendido, os compradores precisariam de dados de funcionamento relativos a tarefas como caminhar e levantar objetos.
O preço do H2-X e um calendário detalhado para o seu lançamento comercial ainda não foram anunciados. O H2, modelo relacionado, é descrito como um robô com cerca de 1,8 metros de altura, um preço de 29 900 dólares e um módulo de computação Nvidia Jetson AGX Thor opcional.
A página do produto G1 da Unitree adverte os utilizadores para manterem uma distância segura, uma vez que os robôs humanoides têm estruturas complexas e motores potentes. Refere também que algumas funções de exemplo ainda estão em desenvolvimento e aconselha os compradores individuais a compreenderem as limitações da tecnologia antes de a adquirirem.
Mais robôs exigem mais do que uma linha de montagem
A ambição de longo prazo de Wang para a produção aponta para uma capacidade anual de 10 milhões de robôs. Associa essa meta ao desenvolvimento de modelos de IA física, à sua implementação comercial, a grandes servidores de computação e ao fabrico de chips de processamento e memória.
O argumento relaciona o crescimento da robótica com os dados, a capacidade de computação, a produção de chips, a energia e os minerais. Um robô precisa de componentes físicos, enquanto a IA que o controla também exige desenvolvimento de software e recursos de computação. A expansão de qualquer uma destas vertentes coloca exigências aos fornecedores, para além do próprio fabricante de robôs.
A Unitree, a Nvidia e a Sharpa anunciaram uma colaboração em robótica H2 na Computex 2026. O projeto inclui um plano para robôs que utilizem recursos de treino da Nvidia e o seu chip Jetson AGX Thor T5000. Esta iniciativa complementa a aposta do H2-X em demonstrações físicas.
O setor da robótica na China já crescia rapidamente no primeiro semestre de 2025. Xin Guobin, vice-ministro da Indústria e das Tecnologias da Informação, afirmou que as receitas de exploração aumentaram 27,8% face ao ano anterior, enquanto a produção de robôs industriais cresceu 35,6% e a de robôs de serviço aumentou 25,5%. Estas categorias abrangem um setor mais vasto do que o dos humanoides.
Uma cronologia da expansão e do interesse dos investidores
Os anúncios de produção da Unitree coincidiram com a entrada da empresa nos mercados bolsistas. A empresa foi cotada no STAR Market de Xangai a 19 de agosto de 2026, com o código de ações 688836.
A 19 de outubro, as ações subiram mais de 17% durante a sessão e ultrapassaram brevemente os 500 yuans. Fecharam nos 495,92 yuans, elevando novamente o valor de mercado da empresa para cerca de 200 mil milhões de yuans. A cobertura posterior do mercado também referiu uma queda de 55% face a um máximo anterior.
Os principais marcos mostram a rapidez com que a Unitree passou de apresentar o G1 a discutir a produção numa escala muito maior:
- 13 de maio de 2024: a Unitree lança o G1 com um preço inicial de 99 000 yuans.
- Conferência Mundial de Robótica de 2025: Wang prevê a possibilidade de um momento ChatGPT da robótica dentro de dois a três anos.
- Maio de 2026: a produção acumulada do G1 atinge aproximadamente 11 000 unidades.
- 12 de agosto de 2026: a Unitree anuncia a produção de cerca de 18 000 robôs humanoides de toda a sua gama de máquinas que caminham sobre duas pernas.
- 19 de agosto de 2026: a Unitree é cotada no STAR Market de Xangai.
- Outubro de 2026: Wang situa a produção acumulada do G1 entre cerca de 10 000 e 20 000 unidades, enquanto a Unitree promove o H2-X.
- 2027 ou 2028: Wang espera alcançar uma integração mais plena entre os modelos de IA e a tecnologia robótica.
Para os clientes, os próximos marcos relevantes serão práticos: os robôs concluírem tarefas definidas de forma fiável, funcionarem durante tempo suficiente entre carregamentos e oferecerem valor bastante para justificar a compra. Na previsão de Wang, os serviços comerciais estão entre as primeiras áreas a avançar.
Pontos principais
- Wang Xingxing afirma que a Unitree produziu aproximadamente 10 000 a 20 000 robôs G1 desde maio de 2024.
- O preço inicial oficial do G1 da Unitree é de 85 000 yuans, com impostos incluídos, e a autonomia indicada é de cerca de duas horas.
- Segundo números do setor, a Unitree expediu cerca de 5 900 humanoides no primeiro semestre de 2026, representando aproximadamente 31% do mercado mundial.
- Wang espera que os serviços comerciais se desenvolvam antes das aplicações domésticas e industriais.
- A demonstração do H2-X inclui movimentos potentes; as cerca de oito horas de autonomia anunciadas referem-se ao tempo de pé.
- Wang espera conseguir uma integração mais plena entre os modelos de IA e o controlo físico dos robôs em 2027 ou 2028.






