As exportações do Japão aumentam 16,7% com a procura por IA e a subida da fatura do petróleo

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Japan's Exports Rise 16.7% as AI Demand Meets a Rising Oil Bill

Vendas fortes de chips deixam o Japão com novo défice comercial

As exportações do Japão aumentaram 16,7% em setembro de 2026 face ao mesmo mês do ano anterior, prolongando para 13 meses a sequência de crescimento, impulsionadas pela subida das vendas de semicondutores. Ainda assim, o país registou o quinto défice comercial mensal consecutivo, porque as importações cresceram mais depressa, com o petróleo bruto caro a continuar a pressionar as empresas e as famílias.

Índice
  1. Vendas fortes de chips deixam o Japão com novo défice comercial
  2. A procura por IA impulsiona chips e equipamento fabril
  3. EUA lideram crescimento anual, mas a procura mensal abranda
  4. Preços do petróleo sobem muito mais do que as entregas
  5. Perturbações no transporte marítimo complicam os dados mensais
  6. Um primeiro semestre recorde revela o desequilíbrio mais amplo
  7. O iene e as taxas de juro aumentam a pressão
  8. O que os próximos dados poderão esclarecer
  9. Principais pontos

Os dados preliminares do Ministério das Finanças, divulgados a 21 de outubro, apontam para um défice de 536,6 mil milhões de ienes em setembro. Foi menos de metade do défice de cerca de 1,1 biliões de ienes registado em agosto, mas bastante acima da estimativa do mercado, de 181 mil milhões de ienes. As importações aumentaram 18,9% face ao mesmo mês do ano anterior.

As exportações japonesas de chips subiram 49,4% em valor, enquanto os envios de maquinaria utilizada no fabrico de semicondutores aumentaram 43,9%. As exportações de automóveis cresceram 15,1%, mostrando que o impulso se estendeu para além do equipamento que alimenta a inteligência artificial.

Uma análise mais atenta dos dados revela uma tendência recente mais fraca. Anna Billing e Koki Akimoto, economistas do Daiwa Institute of Research, afirmaram na sua análise do comércio de setembro, publicada a 21 de outubro, que o valor das exportações caiu 1,1% face a agosto, após ajustamento sazonal, a primeira descida mensal em sete meses. O volume das exportações também diminuiu, recuando 0,7% pelo segundo mês consecutivo.

O ajustamento sazonal elimina padrões recorrentes, como encerramentos durante feriados, para facilitar a comparação entre meses consecutivos. As exportações de setembro valeram muito mais do que um ano antes, mas a sua evolução mensal mais recente foi descendente. Esta combinação é relevante para uma economia que contou com o apoio das exportações nos dois primeiros trimestres de 2026.

A procura por IA impulsiona chips e equipamento fabril

Os fornecedores japoneses estão a beneficiar de duas vertentes interligadas do boom de investimento em IA: a procura pelos próprios semicondutores e a procura pela maquinaria necessária para os fabricar. O investimento dos fabricantes de chips sul-coreanos tem sustentado as encomendas de equipamento japonês.

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Os semicondutores são componentes eletrónicos que processam e armazenam informação. A criação de maior capacidade computacional para a IA exige mais chips e fábricas capazes de os produzir. O Japão fornece ambas as etapas, distribuindo os benefícios pelos fabricantes de componentes e de equipamento.

Takeshi Minami, economista-chefe do Norinchukin Research Institute, afirmou esperar que esta procura se mantenha:

A procura de produtos relacionados com a IA continua forte, com as exportações de semicondutores a aumentar, e espero que esta tendência prossiga sem que haja excesso de oferta num futuro previsível

As exportações de maquinaria para produção de energia também subiram 22,6%. Em conjunto com o aumento dos envios de automóveis, ajudaram o Japão a manter um crescimento anual substancial das exportações, embora o ritmo tenha abrandado face à subida de 19,3% registada em agosto. Setembro foi o segundo mês consecutivo de desaceleração, após o desempenho excecionalmente forte de julho.

O Japão está também a tentar desenvolver a produção nacional de chips mais avançados. Em abril, o processador de IA planeado pela Fujitsu chamou a atenção para a intenção da empresa de recorrer à Rapidus para fabricar um chip de 1,4 nanómetros por volta do final da década. A Rapidus tem como objetivo iniciar a produção em massa de chips de 2 nanómetros no segundo semestre do ano fiscal de 2027. Estes planos dizem respeito à futura capacidade nacional, enquanto os dados de setembro mostram que as exportações já estão a apoiar os fornecedores japoneses.

EUA lideram crescimento anual, mas a procura mensal abranda

As exportações para os Estados Unidos aumentaram 22,9% face a setembro do ano anterior. Os envios para a China cresceram 8,6%, enquanto os destinados à União Europeia subiram 10,5%. As vendas de automóveis à Europa ajudaram a sustentar o aumento anual.

O Japão registou um excedente comercial de 393 mil milhões de ienes com os Estados Unidos, o que significa que vendeu mais bens ao país do que aqueles que comprou. O acordo comercial bilateral alcançado no ano anterior limitou a 15% as tarifas aplicadas à maioria dos produtos japoneses, em troca do compromisso de Tóquio de aumentar o investimento nos Estados Unidos. As tarifas são impostos cobrados sobre bens importados, que aumentam os custos suportados pelos compradores.

A análise do Daiwa concluiu que os volumes das exportações para os Estados Unidos e a União Europeia caíram face a agosto, depois dos aumentos do mês anterior. Os envios para a Ásia aumentaram, sobretudo os destinados à China. As descidas das exportações de metais não ferrosos, aço, autocarros e camiões pesaram no volume total das exportações.

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Este padrão geográfico liga as perspetivas do Japão às decisões de investimento tomadas noutros países. Um abrandamento da despesa norte-americana em IA poderá reduzir as encomendas de chips fabricados nas economias asiáticas e, por sua vez, enfraquecer a procura de maquinaria japonesa utilizada na sua produção. O Daiwa prevê que os volumes de exportação se mantenham globalmente estáveis, com a procura por IA a dar apoio, enquanto as taxas de juro elevadas pesam sobre os clientes na Europa e nos Estados Unidos.

Preços do petróleo sobem muito mais do que as entregas

O valor das importações de petróleo bruto aumentou 51,1% em setembro, face a uma subida de 3,1% no volume. O Japão estava a pagar substancialmente mais por um aumento modesto da quantidade de petróleo recebida.

O Daiwa afirmou que a procura de fornecedores alternativos tinha feito com que o volume de petróleo bruto recebido em setembro ficasse ligeiramente acima do registado um ano antes, apesar das restrições de abastecimento associadas ao conflito no Médio Oriente. Ainda assim, os preços das importações continuaram elevados, agravando o défice comercial.

O Japão importa praticamente todo o petróleo que consome, o que deixa os custos dos transportes, da indústria transformadora e das famílias expostos a perturbações no estrangeiro. A guerra no Irão e o acesso severamente limitado ao estreito de Ormuz levaram o país a procurar outros fornecedores. O petróleo Brent subiu de cerca de 70 dólares por barril em fevereiro para mais de 110 dólares nos últimos meses, antes de ser negociado em torno dos 100 dólares.

A mudança nas origens do abastecimento foi marcante. O valor das importações de petróleo bruto dos Estados Unidos disparou cerca de 820% face ao ano anterior. As importações provenientes do Médio Oriente aumentaram apenas 1,5% em valor, apesar de o volume recebido dessa região ter caído 30%. O Japão estava a pagar ligeiramente mais por uma quantidade muito menor de petróleo do Médio Oriente.

Minami alertou também que os custos do petróleo deverão manter-se elevados:

A situação no Médio Oriente está a descontrolar-se, pelo que é provável que os preços elevados do petróleo persistam durante algum tempo

Os custos do petróleo vão além do preço nos postos de abastecimento. O combustível afeta os custos de transporte marítimo, enquanto o petróleo também é utilizado no fabrico de plásticos e de outros materiais industriais. Por isso, faturas de importação mais elevadas podem encarecer o transporte e a produção de bens do dia a dia.

Perturbações no transporte marítimo complicam os dados mensais

As importações cresceram mais lentamente em setembro do que em agosto, quando o seu valor tinha subido 28% face ao mesmo mês do ano anterior. Os atrasos nas entregas de petróleo bruto contribuíram para o abrandamento, pois os petroleiros alteraram as suas rotas para evitar o estreito de Bab el-Mandeb, a entrada sul do mar Vermelho.

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O calendário das entregas ajuda a explicar como um crescimento mais lento das importações pode coexistir com um aumento anual do volume de petróleo bruto. A chegada tardia de navios pode deslocar as compras entre meses, enquanto a comparação com o ano anterior abrange um período diferente. O Daiwa registou uma queda mensal de 1,9% no valor total das importações após ajustamento sazonal.

O Governo esperava que, em outubro, as aquisições de petróleo bruto recuperassem para um nível próximo do registado um ano antes, com a chegada de petroleiros que atravessaram o canal de Suez. Assim, o calendário das entregas será relevante para a próxima divulgação dos dados comerciais, além do preço pago pelo Japão por cada carregamento.

Os estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb afetam diferentes partes do percurso. Ormuz liga o golfo Pérsico ao oceano aberto, enquanto Bab el-Mandeb dá acesso ao mar Vermelho e à rota para Suez. As perturbações podem alterar tanto a origem das compras de petróleo do Japão como o tempo que os carregamentos demoram a chegar.

Assim, o menor défice do Japão em setembro refletiu tanto o abrandamento do crescimento das importações como a manutenção da força das exportações. Com os preços do petróleo ainda elevados, uma recuperação das chegadas poderá voltar a aumentar a fatura das importações, mesmo que os exportadores mantenham os ganhos anuais.

Um primeiro semestre recorde revela o desequilíbrio mais amplo

O Japão exportou bens no valor de 63,5 biliões de ienes entre abril e setembro, o primeiro semestre do ano fiscal de 2026, mais 18,4% do que no mesmo período do ano anterior. As importações cresceram mais depressa, aumentando 20,4% para 66,3 biliões de ienes. Ambos os valores foram recorde.

O défice resultante foi de 2,81 biliões de ienes, quase o dobro do registado um ano antes. As importações excederam as exportações em cerca de 4,4% do valor total das exportações. O cálculo baseia-se no défice divulgado e em exportações no valor de 63,5 biliões de ienes; os valores publicados para as importações e as exportações estão arredondados.

A melhoria de setembro foi substancial no contexto daqueles seis meses mais fracos. O défice mensal diminuiu cerca de 563 mil milhões de ienes face aos cerca de 1,1 biliões de agosto, uma redução de aproximadamente 51%. Ainda assim, cinco meses consecutivos de défice mostram que o aumento das vendas ao estrangeiro não acompanhou o custo das compras ao exterior.

As principais datas e variações foram:

  • Fevereiro de 2026: o petróleo Brent rondava os 70 dólares por barril antes da subida subsequente.
  • Abril a setembro: o Japão registou 63,5 biliões de ienes em exportações, 66,3 biliões de ienes em importações e um défice de 2,81 biliões de ienes.
  • Agosto: as exportações cresceram 19,3% e as importações 28% face ao ano anterior.
  • Setembro: o crescimento das exportações abrandou para 16,7%, as importações subiram 18,9% e o défice diminuiu para 536,6 mil milhões de ienes.
  • 21 de outubro: foram divulgados os dados comerciais de setembro e a análise do Daiwa, antes da reunião de política monetária do Banco do Japão, ainda nesse mês.
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O iene e as taxas de juro aumentam a pressão

Em setembro, o iene teve uma cotação média de 157,43 por dólar, 6,7% abaixo do valor registado um ano antes, segundo os dados do ministério. A desvalorização do iene aumenta o custo, em moeda japonesa, dos bens denominados em dólares, incluindo o petróleo. Os exportadores podem beneficiar quando as receitas obtidas no estrangeiro são convertidas em ienes.

As variações cambiais ajudam a explicar por que razão o valor do comércio e a quantidade física expedida podem evoluir de forma diferente. Uma empresa pode receber mais ienes pelas vendas ao estrangeiro mesmo que o volume expedido pouco se altere. Para as empresas que compram matérias-primas importadas, a mesma variação cambial aumenta os custos.

O Banco do Japão deveria divulgar previsões trimestrais de crescimento e inflação na sua reunião de política monetária, ainda em outubro. A informação disponível sobre as taxas de juro é contraditória: um relato de uma decisão de setembro aponta para uma taxa de referência de 1,25%, acima dos 1%, enquanto as sondagens antes da reunião de outubro antecipam que a taxa se mantenha nos 1%. A taxa em vigor tem de ser confirmada pela própria decisão do banco central.

Para as famílias, a questão imediata é o poder de compra. O Governo da primeira-ministra Sanae Takaichi propôs reduzir o imposto sobre os alimentos de 8% para 1%, estando a legislação em debate no Parlamento. A proposta visa os custos dos produtos alimentares, numa altura em que as despesas mais elevadas com energia e importações pressionam os orçamentos familiares.

O que os próximos dados poderão esclarecer

A previsão do Daiwa de que os volumes das exportações se manterão globalmente estáveis centra as atenções na capacidade das encomendas relacionadas com a IA para compensar a procura mais fraca noutros setores. Os bons resultados dos semicondutores em setembro coexistiram com descidas nos materiais e em algumas categorias de veículos, pelo que o equilíbrio entre setores será importante.

As expectativas do mercado também mostram a dimensão do resultado que os investidores antecipavam. O crescimento das exportações, de 16,7%, ficou abaixo da previsão mediana de 20,1%; outra sondagem apontava para uma mediana de 21,3%. O crescimento das importações, de 18,9%, ficou abaixo das previsões de 19,6% e 20,4%. Ambas as estimativas apontavam para um crescimento do comércio mais rápido do que o registado pelo Japão.

Ainda assim, as ações japonesas subiram após a divulgação dos dados, com o Nikkei 225 a avançar 1,8% e o Topix a ganhar 1,14%. Os próximos marcos concretos são as previsões de outubro do Banco do Japão e a chegada dos carregamentos de petróleo atrasados. Para os exportadores, a continuidade das encomendas de chips constitui um apoio. Para os importadores e as famílias, os preços da energia e o iene continuam a ser determinantes para os custos.

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Principais pontos

  • As exportações do Japão aumentaram 16,7% em setembro face ao ano anterior, completando 13 meses consecutivos de crescimento.
  • As exportações de semicondutores cresceram 49,4%, as de equipamento para fabrico de chips 43,9% e os envios de automóveis 15,1%.
  • O valor das exportações após ajustamento sazonal caiu 1,1% face a agosto, enquanto o volume das exportações recuou 0,7%.
  • As importações subiram 18,9%, deixando um défice mensal de 536,6 mil milhões de ienes pelo quinto mês consecutivo.
  • O valor das importações de petróleo bruto aumentou 51,1%, face a uma subida de 3,1% no volume.
  • O défice comercial entre abril e setembro atingiu 2,81 biliões de ienes, apesar das receitas de exportação recorde.
  • As entregas de petróleo previstas para outubro e as próximas previsões do Banco do Japão são os próximos acontecimentos calendarizados.
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