Japão começa a disponibilizar agentes de IA a 180 000 funcionários públicos e prevê lançar o software em acesso aberto

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Japan Begins AI Agent Rollout for 180,000 Officials, With Public Software Release Planned

Ferramentas de IA passam de responder a perguntas a executar tarefas

O Japão começou a disponibilizar agentes de IA a cerca de 180 000 funcionários públicos a 20 de outubro de 2026, alargando um programa-piloto nacional: em vez de apenas responder a perguntas, o software pode agora executar várias tarefas a partir de uma única instrução. A Agência Digital planeia acrescentar um ambiente de desenvolvimento mais avançado por volta de dezembro e lançar ambos os recursos como software de código aberto por volta de fevereiro de 2027.

Índice
  1. Ferramentas de IA passam de responder a perguntas a executar tarefas
  2. O que podem fazer o Agent Chat e o Gennai Workshop
  3. Como se chegou a esta fase
  4. Qual é a dimensão da expansão?
  5. Projetos anteriores mostram onde se pode poupar tempo
  6. Regras de segurança atribuem responsabilidades a três grupos
  7. O que acontece aos dados do Governo?
  8. O lançamento do software vai além do Governo central
  9. Também estão a ser testados modelos nacionais e a adesão dos funcionários
  10. Principais pontos

O ministro da Transformação Digital, Toshiharu Furukawa, anunciou a disponibilização numa conferência de imprensa a 20 de outubro. A primeira ferramenta, Agent Chat, está a ser introduzida gradualmente nos ministérios e organismos através da plataforma de IA do Governo, Gennai. A segunda, Gennai Workshop, designada GENAI Workbench no anúncio em inglês da agência, permitirá aos funcionários criar e executar agentes mais avançados.

Entre os utilizadores previstos contam-se funcionários da administração em geral, bem como especialistas técnicos. A pesquisa de políticas de outros países e o apoio à análise de pedidos de licenças estão entre as tarefas previstas. Os funcionários poderão dar instruções em linguagem corrente, sem terem de escrever cada passo como código informático.

A Agência Digital descreve esta implementação como a primeira do género a nível mundial, com base na sua própria investigação. A afirmação diz respeito à combinação de capacidades avançadas de agentes, uma plataforma comum para o Governo, acesso quotidiano para funcionários em geral e uma escala prevista de cerca de 180 000 utilizadores.

A expansão decorre no âmbito de um programa-piloto mais amplo do Gennai, que decorre de maio de 2026 a março de 2027. A utilização plena está prevista para o ano fiscal de 2027, com base nos resultados do programa-piloto. O anúncio de outubro define a população-alvo para a disponibilização dos agentes, mas não indica quantas pessoas já os receberam. A par das novas ferramentas, a agência publicou regras que atribuem responsabilidades aos utilizadores, administradores e programadores.

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O que podem fazer o Agent Chat e o Gennai Workshop

O Agent Chat alarga o formato familiar dos chatbots. Um funcionário dá uma instrução e o agente pode executar várias etapas, pesquisar na Internet, criar materiais, executar código e devolver resultados em ficheiros ou documentos. Os funcionários também podem criar e executar competências reutilizáveis, ou seja, conjuntos de instruções para tarefas recorrentes.

Um chatbot comum responde, regra geral, no decurso de uma conversa. Um agente pode ir além dessa resposta, usando ferramentas para alcançar o resultado pedido. No Gennai, isso significa passar por atividades como obter informações, processar materiais e produzir um resultado.

O Gennai Workshop foi concebido para tarefas mais exigentes. Entre as capacidades previstas contam-se o acesso direto a sítios Web, a pesquisa em vários sítios, operações com ficheiros, execução de comandos e desenvolvimento de protótipos. A antevisão técnica de agosto descreveu um ambiente de IA para programação executado num servidor pessoal dedicado, com competências que os utilizadores poderiam personalizar.

A agência compara as capacidades do Agent Chat às do Claude Cowork e as do Workshop às do Claude Code. No seu anúncio sobre a disponibilização dos agentes, descreve os agentes avançados de programação como sistemas capazes de gerar e alterar código, operar sobre ficheiros, executar comandos e realizar testes a partir de instruções em linguagem corrente.

Como se chegou a esta fase

A primeira-ministra Sanae Takaichi instruiu o Governo, a 19 de dezembro de 2025, a disponibilizar o Gennai a mais de 100 000 funcionários até maio de 2026. Quatro dias depois, o Conselho de Ministros aprovou o Plano Básico do Japão para a Inteligência Artificial, que prevê que o Governo assuma um papel de liderança através da utilização da IA nos seus próprios serviços.

O anúncio do programa-piloto de março da Agência Digital definiu um teste que abrange cerca de 180 000 funcionários, incluindo pessoal para além dos serviços dos ministérios centrais. As principais etapas são:

  • Maio de 2025: O Gennai iniciou um teste interno na Agência Digital.
  • Dezembro de 2025: Takaichi deu a sua instrução e o Conselho de Ministros aprovou o Plano Básico para a Inteligência Artificial.
  • Maio de 2026: O Governo iniciou o programa-piloto alargado do Gennai nos ministérios e organismos.
  • 25 de agosto de 2026: A agência realizou uma sessão informativa nacional em linha sobre o lançamento de software previsto.
  • 20 de outubro de 2026: Teve início a disponibilização gradual do Agent Chat.
  • Por volta de dezembro de 2026: Prevê-se introduzir o Gennai Workshop.
  • Por volta de fevereiro de 2027: Está previsto lançar ambos os ambientes de agentes no Gennai OSS Versão 2.0.
  • Março de 2027: O programa-piloto alargado deverá terminar, antes da utilização plena prevista para o ano fiscal de 2027.
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Qual é a dimensão da expansão?

A meta atual de cerca de 180 000 funcionários abrange 39 organismos governamentais. Uma apresentação anterior da Agência Digital, de fevereiro de 2026, previa um programa-piloto para cerca de 130 000 funcionários; o anúncio do programa-piloto de março e o anúncio de outubro sobre os agentes fixaram a meta em cerca de 180 000.

A apresentação de fevereiro também previa a utilização regular por até cerca de 280 000 funcionários públicos a partir do ano fiscal de 2027. Essa ambição de longo prazo iria além da população abrangida pelo programa-piloto atual e dependeria de os ministérios participantes assegurarem os respetivos orçamentos.

O acesso tem sido alargado por etapas. Cerca de 100 000 funcionários podiam utilizar o Gennai até 29 de maio de 2026. O desafio agora é alargar o acesso aos agentes à população prevista e ajudar os funcionários a integrar estas ferramentas no seu trabalho.

O Governo associa o programa ao declínio da população do Japão e ao envelhecimento da força de trabalho. O objetivo declarado é manter os serviços públicos, reduzindo os encargos administrativos e melhorando a qualidade do trabalho. O orçamento suplementar do ano fiscal de 2025 atribuiu 4,40 mil milhões de ienes ao programa mais amplo de desenvolvimento de IA do Governo, que inclui infraestruturas, formação, aplicações e conjuntos de dados.

Projetos anteriores mostram onde se pode poupar tempo

A apresentação do programa de fevereiro da Agência Digital dá exemplos concretos de apoio da IA antes da nova disponibilização dos agentes. Um deles envolveu 8 095 respostas a um inquérito do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pescas sobre as intenções futuras de produção de arroz, realizado entre junho e agosto de 2025.

O ministério formulou mais de 20 hipóteses sobre as respostas, e a Agência Digital utilizou IA para ajudar a testá-las. Para uma análise que abrangia cerca de 8 000 respostas e 30 itens do inquérito, a agência estimou que um trabalho que normalmente exigiria cerca de dois meses a um funcionário poderia ser concluído em cerca de três dias.

Um projeto policial incidiu sobre anúncios no X suspeitos de recrutar pessoas para trabalho ilegal. A agência desenvolveu um protótipo para selecionar anúncios a investigar mais de perto, reduzindo para cerca de um terço do volume original o número de anúncios que os funcionários da polícia tinham de verificar visualmente, uma redução de aproximadamente dois terços.

A agência também ajudou ministérios a classificar grandes volumes de comentários públicos e planeia disponibilizar através do Gennai uma ferramenta de IA de apoio à análise desses comentários. Estes exemplos explicam o foco em tarefas com muitos documentos ou etapas repetidas: os funcionários precisam de ajuda para organizar os materiais antes de os poderem avaliar e tomar medidas.

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Regras de segurança atribuem responsabilidades a três grupos

As novas Normas de governação, segurança e proteção da IA do Governo para o Gennai distribuem responsabilidades pelos utilizadores, administradores e programadores. A Agência Digital elaborou-as com a colaboração do Instituto de Segurança da IA do Japão, conhecido como AISI, que trabalha em métodos e normas para avaliar a segurança da IA.

No seu anúncio das normas do Gennai, a agência explica que os agentes têm funções mais complexas e um leque mais vasto de ações possíveis do que as aplicações de IA convencionais. O anúncio em inglês afirma:

São, por isso, necessárias regras claras para que os funcionários públicos possam utilizar estas ferramentas de forma proativa, garantindo simultaneamente a segurança e a governação.

As regras de utilização recomendam aos funcionários que não dependam excessivamente da IA, verifiquem o seu trabalho nas etapas adequadas e confirmem as informações importantes em fontes primárias. Para um funcionário que pesquise a política de outro país, isso significa confirmar os detalhes relevantes no documento original do Governo.

Os ministérios também têm de estabelecer mecanismos de governação ao abrigo das Orientações para a aquisição e utilização de IA generativa, incluindo uma gestão abrangente por parte dos responsáveis máximos pela IA. Furukawa afirmou que o Governo deve primeiro criar um ambiente seguro e de confiança e, depois, alargar os benefícios, reconhecendo, ao mesmo tempo, que a utilização de agentes acarreta maiores riscos.

O que acontece aos dados do Governo?

A Agência Digital exige que os fornecedores de serviços de IA não utilizem os comandos dos funcionários nem as respostas da IA para treinar modelos e que evitem armazená-los nos seus serviços de IA. Em princípio, os dados devem permanecer armazenados no Japão.

As regras de informação de cada ministério também determinam o que os funcionários podem introduzir. A Agência Digital permite a utilização de informação classificada no nível de confidencialidade 2 no âmbito das suas próprias regras, enquanto os outros ministérios definem as respetivas condições ao abrigo das suas normas. Os funcionários têm, por isso, de cumprir os requisitos da organização que trata a informação.

A jurisdição estrangeira é outro elemento das medidas de segurança. A lei norte-americana CLOUD Act permite às autoridades dos Estados Unidos solicitar determinados dados detidos por empresas sob jurisdição dos EUA, mesmo quando estão armazenados no estrangeiro. As salvaguardas do Governo incluem disposições sobre a lei aplicável, a jurisdição dos tribunais e os procedimentos de notificação em caso de pedidos estrangeiros de divulgação.

Esta distinção ganha importância à medida que os agentes passam a aceder a mais ficheiros, sítios Web e comandos. As normas atribuem responsabilidades às pessoas que utilizam o sistema, às que o administram e às que desenvolvem as suas funções, em vez de deixarem todas as decisões a cargo do funcionário que escreve uma instrução.

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O lançamento do software vai além do Governo central

A Agência Digital planeia publicar o Agent Chat e o Gennai Workshop no Gennai OSS Versão 2.0 por volta de fevereiro de 2027. O software de código aberto disponibiliza a outras organizações código que podem utilizar, modificar e redistribuir, permitindo-lhes criar ambientes adequados às suas próprias necessidades.

O resumo da sessão informativa de agosto da agência, publicado a 18 de setembro, descreve possíveis utilizações por governos locais, empresas privadas, universidades e instituições de investigação. O lançamento previsto inclui também materiais para instalar um modelo-base na SAKURA Cloud e ferramentas para agregar, analisar e apresentar dados de utilização.

Uma proposta de Gennai Marketplace permitiria às organizações partilhar competências dos agentes. Na sessão informativa, o Marketplace ainda se encontrava em fase de planeamento e conceção, e a agência afirmou que os conteúdos do lançamento estavam em desenvolvimento e poderiam ser alterados.

Já estavam em funcionamento mais de 20 aplicações que utilizam geração aumentada por recuperação, ou RAG, para tarefas administrativas. A RAG pesquisa documentos relevantes e fornece-os a um modelo de IA para o ajudar a responder a uma pergunta. Os materiais destas aplicações foram lançados no OSS Versão 1.0, não estando prevista nenhuma atualização importante para a Versão 2.0.

Também estão a ser testados modelos nacionais e a adesão dos funcionários

O Gennai é um ambiente de software partilhado, desenvolvido pela Agência Digital, que utiliza modelos linguísticos fornecidos por empresas externas. Além dos modelos da AWS e da Anthropic, a sua aplicação de tradução entre japonês e inglês utiliza a tecnologia de tradução PLaMo da Preferred Networks.

O Governo selecionou sete propostas entre 15 candidaturas para testes de modelos linguísticos nacionais e celebrou contratos com cinco empresas: NTT Data, SoftBank, NEC, Fujitsu e Preferred Networks. As comparações com os modelos existentes estavam previstas para decorrer entre setembro e novembro de 2026, com uma nova chamada para modelos planeada para novembro. O programa visa apoiar o desenvolvimento de IA no país e a capacidade do Japão para escolher a sua própria tecnologia.

A participação dos funcionários coloca um desafio diferente. Durante a fase inicial de funcionamento da Agência Digital, entre maio e julho de 2025, cerca de 950 dos aproximadamente 1 200 funcionários utilizaram o Gennai, enquanto metade dos funcionários com cargos de chefe de divisão ou equivalentes não registou qualquer utilização. Num inquérito com 110 respostas, 79,1% afirmaram que a ferramenta contribuiu para a eficiência do trabalho; os inquiridos também apontaram respostas imprecisas e limitações nas capacidades dos modelos.

O Governo está a acompanhar a disponibilização com formação, medição da utilização e trabalho em matéria de acessibilidade. A sessão informativa de agosto descreveu verificações contínuas por especialistas em acessibilidade, incluindo pessoas com deficiência visual. Para o programa-piloto, o sucesso implica estabelecer práticas de trabalho úteis nos ministérios, além de disponibilizar a tecnologia.

Principais pontos

  • O Japão começou a disponibilizar gradualmente o Agent Chat a 20 de outubro de 2026, tendo como alvo cerca de 180 000 funcionários públicos.
  • A introdução do Gennai Workshop, destinado a agentes mais avançados, está prevista para por volta de dezembro de 2026.
  • As ferramentas podem executar várias tarefas, trabalhar com ficheiros, realizar pesquisas e criar competências reutilizáveis.
  • As novas normas atribuem responsabilidades aos utilizadores, administradores e programadores, e espera-se que os funcionários verifiquem os resultados importantes da IA.
  • O Governo planeia lançar ambos os ambientes como software de código aberto por volta de fevereiro de 2027.
  • O programa-piloto alargado decorre até março de 2027, estando a utilização plena prevista para o ano fiscal de 2027 com base nos seus resultados.
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