Indonésia prevê necessidade de 20 GW para centros de dados, com Batam na liderança da criação de um novo polo

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Indonesia Sets Out 20 GW Data Center Power Need as Batam Leads New Hub Push

Uma expansão digital com uma fatura nacional de eletricidade

A expansão da indústria de centros de dados da Indonésia exigirá mais 20 gigawatts de eletricidade, afirmou Bahlil Lahadalia, ministro da Energia e dos Recursos Minerais, a 19 de outubro de 2026, estimando que a necessidade corresponde a cerca de um quinto da capacidade elétrica atual do país. Em Batam, a expansão já inclui um contrato de fornecimento de 450 megawatts entre a PLN Batam e a empresa de centros de dados DayOne.

Índice
  1. Uma expansão digital com uma fatura nacional de eletricidade
  2. Porque é que a inteligência artificial precisa de tanta energia
  3. Batam tem uma ampla carteira de projetos e um contrato de fornecimento
  4. O fornecimento nacional de eletricidade e os estrangulamentos locais
  5. O que o plano de eletricidade prevê realmente
  6. A água e as licenças já estão a condicionar os projetos
  7. Novas regras ligariam cabos, locais e energia
  8. Como se compara a Indonésia com os países vizinhos
  9. As datas que definem a expansão
  10. Pontos-chave

Bahlil, que também é ministro coordenador do Desenvolvimento a Jusante e da Transição Energética, apresentou a estimativa na Bali Tech Week 2026, em Denpasar. Atribuiu-a a conversações com o presidente-diretor da empresa estatal de eletricidade PLN, segundo a declaração de 19 de outubro do Ministério da Energia e dos Recursos Minerais.

O Governo pretende que Batam, Karimun e Bintan, nas ilhas Riau, se tornem um novo polo indonésio, a par dos centros estabelecidos em Singapura e na Malásia. A proposta combina terrenos disponíveis, recursos hídricos e oportunidades para desenvolver eletricidade renovável. Os investidores terão também de trabalhar com empresas nacionais e locais, ao abrigo de regras que estão a ser preparadas.

A dimensão das necessidades de eletricidade faz com que este seja mais do que um tema de investimento tecnológico. Os servidores precisam de energia fiável, os sistemas de refrigeração precisam de água ou de outros meios para dissipar o calor, e os serviços digitais precisam de ligações aos clientes. Estas necessidades têm de ser planeadas em conjunto com o consumo de eletricidade e água das famílias.

O desafio da Indonésia é, por isso, nacional e local: criar capacidade de produção de eletricidade suficiente para uma indústria em crescimento e, depois, fazê-la chegar aos locais concretos onde as empresas querem instalar-se. Estudos do setor estimam que a espera por uma ligação elétrica na Grande Jacarta e em Batam pode chegar aos dois anos.

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Porque é que a inteligência artificial precisa de tanta energia

Os centros de dados contêm os computadores que processam a atividade em linha, armazenam informação e executam serviços digitais. Os seus servidores funcionam continuamente, enquanto os equipamentos de apoio os mantêm refrigerados e ligados.

O ministério estima que um centro de dados típico de computação na nuvem necessite de cerca de 10 a 30 megawatts. Uma instalação de apoio à inteligência artificial pode exigir entre 100 megawatts e 1 gigawatt. Um gigawatt equivale a 1.000 megawatts, pelo que o limite superior deste intervalo é dezenas de vezes superior ao de uma instalação convencional de computação na nuvem.

A estimativa de Bahlil de 20 GW corresponde, portanto, a mais 20.000 MW de capacidade elétrica. O ministério não indicou um prazo para atingir esse nível, uma lista dos projetos que sustentam a estimativa ou um calendário para os ligar à rede.

A estimativa surge também a par de uma previsão distinta do setor. Um estudo publicado pela MNC Sekuritas a 4 de setembro de 2026 estimou a capacidade instalada dos centros de dados indonésios em cerca de 650 MW e projetou 11,7 GW até 2030. Com base nestes valores, a capacidade aumentaria dezoito vezes. A previsão mede a expansão dos centros de dados até 2030, enquanto Bahlil descreveu necessidades de eletricidade mais amplas, sem indicar um ano para a sua concretização.

Batam tem uma ampla carteira de projetos e um contrato de fornecimento

A capacidade dos centros de dados de Batam disponível, contratada ou em desenvolvimento totaliza 1,47 GW, segundo o ministério. O valor abrange instalações em diferentes fases, desde a capacidade existente até projetos ainda em desenvolvimento.

A PLN Batam e a DayOne assinaram também um contrato de fornecimento de eletricidade de 450 MW, que o ministério descreve como o maior da Indonésia para um centro de dados. O contrato dá uma indicação concreta da dimensão dos investimentos individuais que estão a entrar no mercado.

Bahlil afirmou que Batam, Karimun e Bintan têm menor densidade populacional do que Jacarta, Java Ocidental e Bali, além de disponibilidade de água e oportunidades para desenvolver energias renováveis. O Governo tenciona pedir aos potenciais investidores que indiquem os locais propostos, para que o fornecimento de eletricidade possa ser preparado em conjunto com a PLN.

A escolha do local será tão importante como a capacidade anunciada. Um projeto precisa de terreno, refrigeração, ligações de fibra ótica e eletricidade que chegue de forma fiável às instalações. Concentrar o investimento numa região promissora continua a exigir o planeamento de cada um destes serviços em função dos locais escolhidos pelas empresas.

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O fornecimento nacional de eletricidade e os estrangulamentos locais

A capacidade nacional de produção de eletricidade da Indonésia situa-se entre cerca de 108 e 120 GW, segundo o estudo da MNC Sekuritas. Bahlil descreveu as necessidades adicionais de 20 GW como cerca de 20% da capacidade atual; face ao intervalo indicado no estudo, representariam aproximadamente 17% a 19%.

As condições locais da rede explicam como um país pode dispor de uma capacidade de eletricidade substancial enquanto projetos individuais aguardam ligações. A eletricidade tem de percorrer redes de transporte e distribuição adequadas para chegar a um centro de dados. A capacidade de produção excedentária numa região pouco beneficia um projeto noutra região até existir a rede necessária.

Budi Satria Dharma Purba, diretor de redes da PT Telkom Indonesia, afirmou numa discussão a 20 de outubro, na Bali Tech Week, que algumas regiões fora de Java têm excedentes de eletricidade. Defendeu a construção de centros de dados mais perto das fontes de energia e água e, posteriormente, o prolongamento das ligações de telecomunicações até esses locais.

Budi afirmou também que a maioria das infraestruturas de centros de dados existentes estava totalmente ocupada e que a procura se acumulava. Descreveu um forte aumento dos pedidos de desenvolvimento nos seis meses anteriores, impulsionado em parte pelos preços da eletricidade, que estimou serem cerca de um terço dos praticados em Singapura.

Budi explicou a abordagem que prefere para a localização de novas instalações:

Se os fornecedores de centros de dados decidirem construir as suas instalações perto de fontes de energia e água, as ligações de telecomunicações serão reforçadas. Na minha opinião, este método é mais eficiente do que ter de transportar energia de outros locais.

O que o plano de eletricidade prevê realmente

O Plano de Negócios de Fornecimento de Eletricidade da PLN para 2025 a 2034, conhecido como RUPTL, prevê 69,5 GW de capacidade adicional. O ministério discrimina 42,6 GW provenientes de energias novas e renováveis, 10,3 GW de armazenamento de energia e 16,6 GW de produção a partir de combustíveis fósseis, com um investimento potencial de 2.967,4 biliões de rupias.

Bahlil referiu também uma quota de cerca de 70% de energias renováveis, nas declarações que fez no evento. Os valores detalhados do ministério atribuem às energias novas e renováveis cerca de 61% dos acréscimos planeados, proporção que sobe para cerca de 76% quando se inclui o armazenamento. O armazenamento conserva eletricidade para utilização posterior e tem de ser carregado a partir de uma fonte de produção.

As necessidades de 20 GW dos centros de dados equivalem a cerca de 29% dos 69,5 GW de acréscimos previstos no plano. Outros setores e as famílias também precisarão de eletricidade durante esse período, tornando o calendário e a localização da nova oferta essenciais para satisfazer a procura.

Bahlil delineou separadamente uma ambição de desenvolvimento de energia solar de cerca de 100 gigawatts-pico, abrangendo grandes instalações, projetos flutuantes, telhados e zonas industriais. Os gigawatts-pico medem a potência máxima nominal dos painéis solares em condições padrão. A produção efetiva varia consoante a luz solar, as condições meteorológicas e a hora do dia, pelo que o funcionamento contínuo dos centros de dados também exige um fornecimento fiável quando a produção solar diminui.

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A água e as licenças já estão a condicionar os projetos

O crescimento de Batam tem sido acompanhado por preocupações públicas quanto ao abastecimento de água e à expansão dos centros de dados. A refrigeração é uma necessidade prática: os computadores libertam calor durante o funcionamento, e esse calor tem de ser dissipado para manter os equipamentos a funcionar em segurança.

A ministra da Comunicação e Digital, Meutya Hafid, afirmou que a Indonésia deve definir o ritmo do desenvolvimento da inteligência artificial de acordo com os seus próprios recursos e capacidades, protegendo simultaneamente as necessidades básicas da população. Propôs uma coordenação mais estreita entre ministérios para as fábricas de IA e os centros de dados, em vez de um desenvolvimento separado por instituições individuais.

Java Ocidental já assistiu à interrupção de um projeto devido a questões de licenciamento. O Governo provincial suspendeu temporariamente a construção do BDx Data Center AI Campus 2, conhecido como CGK4, em Jatiluhur, Purwakarta, perante preocupações de que os documentos de avaliação ambiental e a licença de construção ainda não estivessem concluídos.

O debate sobre a água em Batam e a suspensão em Jatiluhur traduzem o desafio do investimento em decisões concretas do dia a dia: quanta água pode ser utilizada num local, se os requisitos ambientais foram cumpridos e se a construção dispõe das autorizações necessárias. Os contratos de eletricidade, por si só, não resolvem estas questões.

Novas regras ligariam cabos, locais e energia

Wayan Toni Supriyanto, diretor-geral das Infraestruturas Digitais do Ministério da Comunicação e Digital, afirmou que um projeto de regulamento presidencial sobre cabos submarinos e centros de dados tinha entrado em consulta pública. O seu âmbito reúne decisões sobre infraestruturas que muitas vezes envolvem autoridades diferentes.

O projeto abrange a localização e a disponibilidade de eletricidade com baixas emissões, a dimensão dos centros de dados, a capacidade de telecomunicações, os terrenos, os sistemas de refrigeração e a simplificação do licenciamento entre setores. Aborda também as ligações aos polos digitais nacionais e internacionais.

Wayan afirmou que as políticas estão a incentivar gradualmente o desenvolvimento para além da Grande Jacarta e de Batam. A escolha dos locais teria em conta a procura do mercado, o acesso a energias renováveis, os riscos de catástrofes e as ligações de telecomunicações. As diferentes condições regionais exigiriam coordenação com os operadores de rede e outras partes.

Mehdi Paryavi, presidente da International Data Center Authority, apelou à criação de um plano diretor nacional que abranja a segurança do fornecimento de eletricidade, o planeamento dos locais, a governação digital e os trabalhadores qualificados. Defendeu que a Indonésia deve construir uma indústria capaz de se desenvolver de forma sustentada, em vez de depender sobretudo da captação da procura que outros locais do Sudeste Asiático não conseguem absorver.

As regras de parceria propostas por Bahlil acrescentam outra exigência para os investidores. O Governo quer que empresários nacionais e regionais participem nos projetos, associando a instalação de grandes infraestruturas digitais a oportunidades para as empresas indonésias.

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Como se compara a Indonésia com os países vizinhos

A Indonésia tinha 204 centros de dados em 32 cidades em setembro de 2026, segundo os registos da DataCenterMap. A base de dados colocava o país em quarto lugar na Ásia pelo número de instalações, atrás da China, com 376, da Índia, com 305, e do Japão, com 261.

Jacarta concentrava 107 instalações registadas, pouco mais de metade do total indonésio. Batam tinha 20 e Surabaia nove. Esta distribuição mostra o elevado grau de concentração do investimento, apesar da presença de instalações em todo o país.

Os valores da capacidade oferecem outra perspetiva sobre a concorrência regional. Um estudo da MNC Sekuritas, que cita dados da Cushman & Wakefield, identificava 62 instalações operacionais na Grande Jacarta, com uma capacidade de 356 MW. Indicava ainda 395 MW em construção e 1.304 MW planeados. Estes valores referem-se a uma área geográfica e a uma forma de medição diferentes das do diretório de instalações.

Segundo o mesmo estudo, Singapura tinha 1.068 MW de capacidade operacional e Johor, na Malásia, 1.110 MW. Os 356 MW da Grande Jacarta correspondiam, assim, a cerca de um terço da capacidade operacional de qualquer um dos polos. A carteira de projetos em construção e planeados revela ambições consideráveis, cuja concretização depende das ligações elétricas, das licenças e da procura dos clientes.

Os planos de expansão das empresas também aumentam a procura de energia. A DCI Indonesia tinha 132 MW de capacidade de instalações e potencial de desenvolvimento superior a 2 GW; a BDx Indonesia tinha cerca de 102 MW em funcionamento. A NeutraDC, da Telkom, tinha aproximadamente 90 MW e tinha como objetivo atingir 300 MW até 2030.

As datas que definem a expansão

Os planos da Indonésia combinam uma carteira de investimentos em curso com previsões e obras de eletricidade que se prolongam pela próxima década. As principais datas mostram como estes calendários distintos se articulam:

  • 4 de setembro de 2026: a MNC Sekuritas publicou um estudo que estimava em cerca de 650 MW a capacidade instalada dos centros de dados indonésios e projetava 11,7 GW até 2030.
  • 19 de outubro de 2026: Bahlil apresentou na Bali Tech Week as necessidades adicionais de 20 GW de eletricidade e a proposta de criação de um polo em Batam, Karimun e Bintan.
  • 20 de outubro de 2026: representantes do setor e do Governo debateram a escolha dos locais, as ligações elétricas e o projeto de regulamento sobre cabos submarinos e centros de dados.
  • 23 de outubro de 2026: estava previsto que a Bali Tech Week terminasse, após cinco dias de eventos.
  • 2030: a NeutraDC pretende atingir 300 MW de capacidade operacional, a par da previsão de crescimento mais ampla para o setor.
  • 2025 a 2034: o plano de fornecimento de eletricidade da PLN prevê 69,5 GW de capacidade adicional, entre produção e armazenamento.

A PLN e os investidores enfrentam agora uma tarefa prática de coordenação: compatibilizar os locais propostos para os centros de dados com os projetos de eletricidade, as ligações à rede, as soluções de abastecimento de água e as autorizações. O Governo procura investimentos de escala suficiente para apoiar um polo digital regional, enquanto as comunidades precisam de acesso fiável aos mesmos recursos básicos.

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Pontos-chave

  • Bahlil estimou em 20 GW as necessidades adicionais de eletricidade dos centros de dados da Indonésia, com base em conversações com a PLN.
  • Batam, Karimun e Bintan estão a ser promovidas como um novo polo indonésio de centros de dados.
  • Batam dispõe de 1,47 GW de capacidade disponível, contratada ou em desenvolvimento, e a PLN Batam assinou com a DayOne um contrato de fornecimento de 450 MW.
  • Segundo estudos do setor, a espera por uma ligação elétrica na Grande Jacarta e em Batam pode chegar aos dois anos.
  • O plano da PLN para 2025 a 2034 prevê 42,6 GW de energias novas e renováveis, 10,3 GW de armazenamento e 16,6 GW de produção a partir de combustíveis fósseis.
  • O abastecimento de água, as autorizações ambientais, as ligações de telecomunicações e a participação das empresas locais são essenciais para concretizar a expansão.
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