Campus de Astana aproxima-se da primeira abertura
O Banco Euroasiático de Desenvolvimento e a AKASHI Data Center PLC assinaram um acordo de financiamento até 31,2 milhões de dólares para apoiar um campus de centros de dados em Astana, no Cazaquistão, cuja primeira entrada em funcionamento está prevista para maio de 2027. O anúncio oficial do EDB, datado de 26 de junho de 2026, apresenta um valor de financiamento diferente: 90 milhões de dólares em termos fundamentais acordados para a primeira fase. A relação entre os dois montantes não foi explicada.
Índice
- Campus de Astana aproxima-se da primeira abertura
- O que o banco acordou financiar
- Porque é preciso interpretar os números da capacidade com cautela
- O que significa Tier IV para os clientes
- As datas de construção a acompanhar
- Energia e conectividade são centrais no projeto
- Um módulo separado para computação de IA
- Quem está interessado no espaço?
- Uma aposta na exportação de serviços digitais
- Principais pontos
A AKASHI planeia construir um campus com quatro módulos independentes de centros de dados e uma capacidade final anunciada de 100 megawatts. O calendário de construção prevê uma carga inicial de equipamento informático de 5,28 MW e a entrega das primeiras salas de servidores aos clientes âncora em maio de 2027. Entre os clientes visados estão bancos, fornecedores de serviços em nuvem, empresas tecnológicas e criadores de sistemas de inteligência artificial.
O projeto permitiria a esses clientes instalar sistemas informáticos críticos sem terem de construir e operar um centro de dados completo. Para o Cazaquistão, a ambição comercial vai além do apoio às empresas locais: a AKASHI pretende que empresas internacionais adquiram serviços de infraestrutura informática fornecidos a partir de Astana.
A construção está em curso num terreno com cerca de 11 hectares. O projeto do AKASHI Data Center 1, Fase 1, recebeu a Certificação de Documentos de Projeto Tier IV do Uptime Institute, a categoria mais elevada de fiabilidade de projeto da instituição. Está prevista para abril de 2027 uma auditoria às instalações concluídas, antes da primeira entrada em funcionamento planeada.
O que o banco acordou financiar
O anúncio de financiamento de junho do EDB indica que o banco e a AKASHI acordaram os termos fundamentais de um financiamento de 90 milhões de dólares durante a Reunião Anual e o Fórum Empresarial do EDB, em Almaty. Sergey Ignatov, diretor-geral sénior do banco responsável pelos projetos, e o presidente da AKASHI, Vladislav Minkevich, assinaram o acordo.
O banco descreveu a primeira fase financiada como uma instalação com capacidade de 10 MW e espaço para 520 bastidores de servidores. Os bastidores são estruturas que acomodam servidores e equipamento relacionado, permitindo que um centro de dados sirva muitos clientes num ambiente organizado e controlado.
O acordo de financiamento até 31,2 milhões de dólares é descrito como o primeiro projeto do portefólio de investimentos do EDB que envolve a construção de um centro de dados. Esse anúncio estima em cerca de 354 milhões de dólares o investimento no campus completo, enquanto a declaração de junho do banco aponta para um investimento previsto de 230 milhões de dólares. Nenhum dos anúncios explica a relação entre as duas estimativas.
O financiamento de uma primeira fase permite ao promotor pôr parte do campus em funcionamento antes de concluir o empreendimento mais amplo. Os clientes podem começar a instalar equipamento nas salas iniciais enquanto os edifícios seguintes acrescentam capacidade. Esta distinção é importante, porque a primeira abertura e o campus final de 100 MW são etapas diferentes.
Porque é preciso interpretar os números da capacidade com cautela
A declaração de junho do EDB descreve uma instalação planeada em Astana com 41 MW de capacidade informática e 3520 bastidores. A página de construção da AKASHI indica uma expansão para 100 MW e uma capacidade total de 4224 bastidores. A primeira fase está indicada como tendo uma carga informática de 5,28 MW, enquanto os anúncios de financiamento referem cerca de 10 MW para essa fase.
A carga informática corresponde à eletricidade destinada ao equipamento de computação. Uma instalação também necessita de eletricidade para arrefecimento, conversão de energia e outros sistemas de apoio. Por isso, os leitores precisam de saber se um valor em megawatts se refere apenas aos computadores ou a uma medida mais abrangente da capacidade. Os anúncios não apresentam uma definição comum que permita conciliar todos os valores.
Os totais de bastidores também correspondem a planos publicados diferentes: 3520 no anúncio do EDB e 4224 na página de construção da AKASHI. Em ambas as descrições, a orientação prática é a mesma: uma abertura inicial de menor dimensão, seguida de um empreendimento muito maior. Será necessário clarificar o âmbito exato associado a cada valor de orçamento e capacidade à medida que a construção avança.
O que significa Tier IV para os clientes
A categoria Tier IV do Uptime Institute diz respeito à capacidade de um centro de dados continuar em funcionamento quando o equipamento falha. O projeto visa garantir tolerância a falhas, ou seja, sistemas de reserva e percursos de infraestrutura separados que permitem manter serviços críticos durante uma avaria.
O marco assinalado pela AKASHI em janeiro de 2026 é a Certificação Tier IV de Documentos de Projeto, conhecida como TCDD. Esta avaliação incide sobre o projeto previsto. A certificação das instalações concluídas, conhecida como TCCF, implica uma avaliação separada do que foi efetivamente construído. A AKASHI prevê realizar essa auditoria no local em abril de 2027.
O EDB descreve o projeto como o primeiro centro de dados do Cazaquistão concebido para cumprir as normas Tier IV. A AKASHI apresenta-o como o primeiro empreendimento deste tipo na Ásia Central. O marco de certificação alcançado até agora diz respeito ao projeto aprovado; a auditoria às instalações concluídas ainda está por realizar.
Para um banco ou fornecedor de serviços em nuvem, a fiabilidade tem um objetivo comercial direto. Uma falha no fornecimento de energia ou no arrefecimento pode interromper o acesso a aplicações e informações. Integrar capacidade de reserva na instalação permite aos clientes reduzir esse risco sem construírem as suas próprias instalações dedicadas.
As datas de construção a acompanhar
A página de progresso da construção da AKASHI indica uma área total de construção de 60 000 metros quadrados. O calendário vai da preparação do terreno, no final de 2025, aos trabalhos de engenharia, testes e certificação no início de 2027.
Os marcos publicados pelo promotor são:
- Outubro de 2025: conclusão da preparação do terreno, incluindo nivelamento, vias de acesso e ligações às redes de serviços.
- Novembro de 2025: betonagem das fundações do primeiro edifício do centro de dados.
- Dezembro de 2025: início da montagem da estrutura de aço e da envolvente do edifício.
- Janeiro de 2026: certificação do projeto Tier IV indicada para o Data Center 1, Fase 1.
- Fevereiro de 2027: instalação prevista dos coletores de arrefecimento, da distribuição de energia e dos sistemas de combate a incêndios.
- Março de 2027: comissionamento e testes previstos dos sistemas de engenharia.
- Abril de 2027: auditoria prevista às instalações concluídas.
- Maio de 2027: entrega prevista das primeiras salas de servidores aos clientes âncora.
- A partir de 2027: estão previstos edifícios adicionais à medida que o campus se expande rumo aos 100 MW.
Maio integra o segundo trimestre de 2027 e constitui uma meta mais precisa do que a abertura comercial prevista para 2027, anunciada juntamente com o acordo de financiamento. O calendário de construção descreve esse marco como uma abertura inicial, com a entrega das primeiras salas aos primeiros clientes.
Energia e conectividade são centrais no projeto
O plano do campus inclui infraestruturas próprias de eletricidade e telecomunicações, além de quatro módulos independentes de centros de dados. A separação dos módulos permite operar e expandir o empreendimento por partes distintas, enquanto o projeto elétrico assegura energia de reserva para equipamento crítico.
Yan Pryanichnikov, diretor-adjunto de construção, descreveu a redundância na subestação Central City Step-Down e na subestação Akashi. Uma subestação transforma a eletricidade para a tensão necessária nas etapas seguintes da rede de abastecimento. A proteção por relés deteta falhas elétricas e pode isolar o equipamento afetado.
Pryanichnikov explicou como se pretende que funcionem os sistemas de reserva:
Se um dos componentes da subestação falhar, existe sempre um sistema de reserva para garantir o fornecimento ininterrupto de energia ao equipamento informático.
Acrescentou que os sistemas de proteção e automatização das duas subestações foram concebidos para impedir que as falhas se propaguem pela rede elétrica. Assim, parte do esforço para assegurar a fiabilidade ocorre fora das salas de servidores, ao longo do percurso de fornecimento de eletricidade de que os computadores dependem.
A AKASHI indica quatro pontos de entrada independentes para fibra ótica e prevê um campus neutro em relação aos operadores. A neutralidade em relação aos operadores significa que os clientes podem escolher entre vários fornecedores de telecomunicações. As ligações a operadores cazaques e internacionais permitirão às empresas escolher serviços adequados às necessidades das suas redes.
Um módulo separado para computação de IA
A AKASHI está a projetar um módulo separado para inteligência artificial e computação de alto desempenho, com arrefecimento líquido destinado a equipamento que gera muito calor num espaço reduzido. O arrefecimento líquido retira o calor através de um fluido, ajudando as instalações a gerir equipamento informático densamente concentrado.
A base de clientes prevista inclui também serviços digitais mais familiares: instituições financeiras, operadores de telecomunicações, fornecedores de serviços em nuvem e empresas que executam aplicações empresariais. Uma instalação comercial partilhada permite a estas organizações arrendar espaço e infraestrutura de apoio, em vez de financiarem os seus próprios edifícios, sistemas elétricos e equipamento de arrefecimento.
Na declaração de junho do banco, Sergey Ignatov, diretor-geral sénior do EDB responsável pelos projetos, associou o financiamento à procura de computação em nuvem, plataformas digitais e IA:
A procura de capacidade de armazenamento e processamento de dados na região está a crescer rapidamente, impulsionada pelo desenvolvimento dos serviços em nuvem, das plataformas digitais e das soluções baseadas em inteligência artificial.
O presidente Kassym-Jomart Tokayev designou 2026 como o Ano da Digitalização e da Inteligência Artificial no Cazaquistão. O empreendimento de Astana dá a essa prioridade política um calendário de construção: é necessário construir, alimentar com energia, ligar e testar a capacidade física antes de os clientes a poderem utilizar.
Quem está interessado no espaço?
Mais de 40 empresas de 12 países manifestaram interesse na capacidade futura do campus. A página de construção da AKASHI indica que estão reservados 2576 dos 4224 bastidores previstos. Com base nos valores do promotor, isso corresponde a cerca de 61% da capacidade total anunciada em bastidores.
A mesma página indica que a carteira de oportunidades comerciais está preenchida a 107%. Uma carteira de vendas inclui, em geral, potenciais negócios em diferentes fases de negociação, enquanto os bastidores reservados são uma medida distinta. A AKASHI não define como calcula a percentagem da carteira nem apresenta uma discriminação dos contratos assinados com clientes.
Yerassyl Ayubekov, diretor comercial da AKASHI, afirmou que os primeiros clientes serão fornecedores de serviços em nuvem, seguidos pelos operadores de hiperescala, dando a Google Cloud e a Amazon como exemplos. Os operadores de hiperescala são empresas que prestam serviços informáticos a uma escala muito elevada. Estes nomes ilustram o tipo de cliente que a AKASHI pretende atrair; o interesse anunciado não é acompanhado de uma lista de clientes identificados.
A distinção entre os clientes iniciais e a procura posterior é importante para o calendário de construção. Os primeiros clientes ocupariam as salas iniciais em 2027, enquanto a procura adicional sustentaria a expansão planeada para a capacidade restante do campus.
Uma aposta na exportação de serviços digitais
Vladislav Minkevich, presidente da AKASHI, defende que o Cazaquistão pode gerar receitas alojando cargas de trabalho informáticas de empresas sediadas no estrangeiro. Essas empresas pagariam por serviços prestados no Cazaquistão, criando um negócio de exportação de infraestruturas, em vez de uma exportação física de mercadorias.
Minkevich descreveu a atividade económica local esperada:
Quando empresas internacionais alojam as suas cargas de trabalho informáticas no Cazaquistão, geram-se aqui receitas de exportação, que estimulam a procura de competências locais em engenharia, telecomunicações e serviços.
A proposta liga clientes internacionais a trabalho realizado localmente: operar sistemas elétricos e de arrefecimento, manter equipamento e fornecer conectividade de rede. A AKASHI apresenta este projeto como uma nova área de exportação para além dos recursos naturais, com a fiabilidade como fator essencial para conquistar clientes no estrangeiro.
O primeiro teste é a fase inicial. Concluir a instalação de engenharia, testar os sistemas em condições reais de funcionamento e passar a auditoria prevista às instalações permitiria ao projeto evoluir de um projeto certificado para um serviço operacional. A entrega prevista para maio de 2027 é a próxima meta concreta para os clientes que aguardam para instalar o seu equipamento.
Principais pontos
- O EDB e a AKASHI anunciaram financiamento para um centro de dados em Astana; os valores de 31,2 milhões e 90 milhões de dólares constam de anúncios diferentes e a relação entre eles não foi explicada.
- A AKASHI prevê uma abertura inicial em maio de 2027 e a expansão final do campus até aos 100 MW.
- Foi obtida a certificação Tier IV do projeto; a auditoria às instalações concluídas está prevista para abril de 2027.
- Os planos publicados para o projeto apresentam valores diferentes de investimento total, capacidade informática e número de bastidores.
- O campus inclui infraestruturas elétricas próprias, quatro pontos de entrada para fibra ótica e um módulo planeado com arrefecimento líquido para computação de IA.
- A AKASHI indica 2576 bastidores reservados, de um total previsto de 4224, ou cerca de 61%.
- O objetivo comercial é servir clientes cazaques e gerar receitas de exportação com cargas de trabalho informáticas internacionais.






