Choi Ga-on consegue o primeiro backside 1080 feminino em halfpipe, após ouro olímpico e regresso de lesão

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Choi Ga-on Lands First Women's Backside 1080 in Halfpipe After Olympic Gold and Injury Comeback

Três rotações completas colocam Choi nos livros dos recordes

Choi Ga-on tornou-se a primeira mulher a executar um backside 1080 num halfpipe de snowboard, acrescentando um novo marco técnico a uma época em que conquistou a primeira medalha de ouro olímpica da Coreia do Sul numa modalidade de neve. A Snow League anunciou o feito no Instagram a 16 de outubro, hora da Coreia, depois de a atleta de 17 anos completar o truque no Stomping Grounds Park, em Saas-Fee, na Suíça.

Índice
  1. Três rotações completas colocam Choi nos livros dos recordes
  2. O que distingue um backside 1080?
  3. A final olímpica que quase terminou cedo
  4. Cinco manobras encadeadas valeram o ouro
  5. Uma mentora tornou-se a sua rival mais próxima
  6. Três operações e um ano afastada do snowboard
  7. A sua época incluiu muito mais do que o ouro olímpico
  8. De uma prova por equipas a uma nova estreia em Aspen
  9. As datas de um regresso rápido
  10. Pontos-chave

Um 1080 corresponde a três rotações completas no ar: 360 graus multiplicados por três. «Backside» descreve o sentido da rotação. Em conjunto, a rotação, a impulsão e a aterragem tornam este truque diferente de outros que perfazem o mesmo número de graus.

Choi, aluna do liceu feminino Sehwa, em Seul, celebrou o feito no Instagram:

Primeiro backside 1080 do mundo

A conta oficial da Snow League respondeu:

Icónico.

O anúncio não indicou a data exata da tentativa bem-sucedida nem uma pontuação de competição. A importância está no truque concluído, uma nova adição ao leque de manobras que as mulheres já executaram no halfpipe.

Para Choi, o feito surge depois de uma recuperação muito mais longa. Aos 15 anos, sofreu uma lesão na coluna que exigiu três operações e um ano de reabilitação. Em fevereiro de 2026, recuperou de duas quedas na final olímpica para conquistar o ouro. Mais tarde, garantiu o título da época da Taça do Mundo de halfpipe feminino e prepara-se agora para mais uma campanha na Snow League.

O que distingue um backside 1080?

Os praticantes de halfpipe deslocam-se entre as paredes de uma estrutura com a forma de um U gigante, lançando-se acima dos rebordos para executar rotações e agarrar a prancha. Cada aterragem dá velocidade para a impulsão seguinte, pelo que um pequeno erro pode afetar várias manobras, e não apenas uma.

Um 720 corresponde a duas rotações completas, um 900 a duas rotações e meia e um 1080 a três. Os praticantes também mudam o sentido de rotação e a posição dos pés. Andar em «switch» significa avançar com o pé oposto à frente em relação à posição habitual do praticante.

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O novo backside 1080 de Choi amplia um repertório técnico já patente na sua prestação olímpica. O perfil oficial da atleta da Snow League descreve a sua descida que lhe valeu o ouro como uma combinação de grandes saltos com rotações nos quatro sentidos.

Os juízes avaliam mais do que o número de rotações. Contam a dificuldade, a altura e a execução. Um truque complexo exige uma aterragem controlada, e uma descida bem-sucedida numa competição requer várias manobras encadeadas. A vitória olímpica de Choi mostrou como uma descida completa e limpa pode valer mais do que uma tentativa ambiciosa interrompida por uma queda.

A final olímpica que quase terminou cedo

Choi conquistou o ouro olímpico no Livigno Snow Park a 12 de fevereiro de 2026. O relato oficial dos Jogos Olímpicos regista a sua pontuação vencedora: 90,25, à frente da norte-americana Chloe Kim, com 88,00, e da japonesa Mitsuki Ono, com 85,00.

A primeira tentativa terminou numa queda aparatosa. Depois de iniciar com um switch backside 900, Choi tocou na borda do halfpipe ao tentar a manobra seguinte e caiu no fundo. A equipa médica assistiu-a antes de ela sair dali pelos próprios meios. A descida valeu 10,00 pontos.

Antes da segunda tentativa, apareceu inicialmente junto ao seu nome a indicação DNS, que significa «não iniciou». Ainda assim, Choi regressou ao ponto de partida. Voltou a cair na manobra inicial, ficando-lhe uma única oportunidade para conseguir uma pontuação competitiva.

A final deu a cada uma das 12 participantes três tentativas, contando apenas a melhor pontuação. Choi continuava, por isso, com hipótese de conquistar o ouro, apesar das duas primeiras quedas. A última descida tinha de ser suficientemente forte para superar os 88,00 pontos de Kim.

Depois da final, Choi descreveu a tensão da competição:

Durante a final, foi muito difícil a nível psicológico.

Explicou também como abordou a última tentativa:

Continuei simplesmente a pensar na técnica que estava a executar inicialmente.

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Cinco manobras encadeadas valeram o ouro

Choi iniciou a última descida com um switch backside 900, seguido de um cab 720, um frontside 900, um backside 900 e um frontside 720. Reduziu a dificuldade em relação ao plano inicial e completou as cinco manobras.

O relato da final olímpica da Federação Internacional de Esqui e Snowboard regista também os agarres da prancha que acompanharam essas rotações. Entre eles contam-se um mute grab no salto inicial, um melon grab no frontside 900 e um stalefish grab no backside 900. Os agarres obrigam os praticantes a segurar numa parte da prancha enquanto estão no ar, acrescentando controlo e estilo à rotação.

Os seus 90,25 pontos colocaram-na em primeiro lugar, quando ainda faltavam competir cinco atletas. Kim, que procurava o terceiro título olímpico consecutivo após as vitórias de 2018 e 2022, caiu na última tentativa. Choi terminou 2,25 pontos à frente de Kim e 5,25 à frente de Ono.

Aos 17 anos e três meses, Choi tornou-se a mais jovem campeã olímpica feminina de halfpipe, batendo por cerca de sete meses o anterior recorde etário de Kim. A vitória deu também à Coreia do Sul a primeira medalha de ouro dos Jogos de Milão-Cortina.

Uma mentora tornou-se a sua rival mais próxima

Chloe Kim fazia parte do percurso de Choi muito antes de as duas disputarem o ouro olímpico. Choi treinou com a equipa de snowboard de Mammoth Mountain, e a Snow League identifica Kim como sua mentora.

Choi afirmou que a campeã norte-americana a apoiou na final depois da queda. Ao falar de Kim após a conquista do ouro, disse:

A minha irmã Chloe sempre foi o meu modelo desde que era pequena e confortou-me na final, quando caí. Estou contente por ter vencido, mas fico ainda mais feliz por ter competido ao lado dela.

Kim também competia depois de uma lesão. Tinha deslocado o ombro durante um treino em janeiro e disse que não tinha feito qualquer treino na neve antes dos Jogos. Ainda assim, a pontuação de 88,00 na primeira tentativa manteve-a na liderança até à última descida de Choi.

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Kim, bicampeã olímpica à entrada da prova, descreveu o que sentiu ao ver a sua rival mais jovem triunfar:

Foi tão inspirador. É engraçado, porque ela conquistou o primeiro ouro olímpico com a mesma idade que eu tinha. É um momento que fecha um ciclo. Conheço a Ga-on desde pequena e significa muito ver que inspirei a próxima geração e que agora estão aqui a brilhar.

Três operações e um ano afastada do snowboard

O regresso de Choi à competição de elite seguiu-se a uma lesão grave em Laax, na Suíça, quando tinha 15 anos. Num relato posterior da recuperação, descreveu uma fratura por compressão da coluna, uma lesão em que um osso da coluna é esmagado ou colapsa.

Seguiu-se uma cirurgia de urgência para fusão vertebral. A fusão une ossos da coluna para lhes dar estabilidade. Choi disse que ela e as pessoas à sua volta recearam que pudesse nunca mais praticar snowboard.

Dez dias depois, uma infeção bacteriana obrigou a novo internamento de urgência. Foi submetida a uma segunda operação para remover a infeção e a uma terceira intervenção de urgência, que incluiu um enxerto ósseo retirado da pélvis.

Choi passou um mês no hospital a receber tratamento intensivo com antibióticos. A recuperação implicou também enfrentar o medo e a depressão. Disse que a reabilitação demorou um ano, antes de poder voltar a praticar snowboard.

No seu relato, ligou diretamente essa experiência ao significado do título que conquistou na época seguinte. Disse sentir-se orgulhosa por não ter desistido e explicou que, a princípio, hesitava em revisitar a lesão, mas decidiu falar sobre ela depois de receber vários pedidos.

Uma fratura no pulso, diagnosticada pouco depois dos Jogos Olímpicos, obrigou-a a passar por mais um período de tratamento. Em setembro, já participava novamente numa prova internacional, com mais competições pela frente.

A sua época incluiu muito mais do que o ouro olímpico

Choi chegou aos Jogos Olímpicos com três vitórias em três participações na Taça do Mundo na época de 2025–26, um registo perfeito nas provas em que competiu. A FIS registava-a como líder da classificação à data dos Jogos.

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Mais tarde, garantiu o título da época de halfpipe feminino e tornou-se a primeira sul-coreana a receber um Globo de Cristal FIS de Snowboard Park & Pipe. O troféu reconhece o sucesso ao longo da época da Taça do Mundo, dando-lhe uma segunda grande conquista, a par do título olímpico.

Os primeiros resultados já deixavam antever esse potencial. Aos 14 anos, Choi venceu o ouro nos X Games e a sua primeira prova da Taça do Mundo, na época de estreia. A Snow League atribui-lhe também a pontuação mais alta na prova inaugural da liga, em Aspen: 93,75, seguida de outra pontuação mais alta numa prova na China.

O perfil da liga indica que o seu melhor resultado numa prova foi o terceiro lugar em Aspen, com a oitava posição no ranking mundial e 124 pontos. A pontuação individual mais alta e a classificação final numa prova medem coisas diferentes: a pontuação descreve uma prestação, enquanto a classificação reflete o resultado do formato competitivo da prova.

De uma prova por equipas a uma nova estreia em Aspen

O calendário de Choi em setembro incluiu o World Challenge da Snow League, em Cardrona, na Nova Zelândia, um evento especial por convite realizado antes da época regular. Foi a única sul-coreana convidada e foi integrada na equipa da Ásia-Pacífico.

A prova estava marcada para 19 de setembro e estreou um formato por equipas, com as regiões da América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico, além da equipa The Challengers. O formato anunciado juntava homens e mulheres a competir em snowboard e esqui de estilo livre, afastando-se da competição individual a que os seguidores da Taça do Mundo estão habituados.

Antes da prova, Choi explicou, através da sua agência de gestão, a All That Sports, por que razão aceitou o convite:

Depois dos Jogos Olímpicos, houve momentos em que quis descansar, mas dava sempre por mim a pensar em voltar à neve. Quando recebi o convite, fiquei curiosa por se tratar de uma prova por equipas e decidi participar com grande entusiasmo.

Disse também que aguardava com expectativa a oportunidade de os vencedores praticarem snowboard em zonas acessíveis de helicóptero. A sua próxima participação prevista na Snow League é a prova inaugural da segunda época, em Aspen Snowmass, nos Estados Unidos, a 7 de janeiro de 2027.

Nascida a 3 de novembro de 2008, Choi tinha ainda 17 anos quando foi feito o anúncio de outubro e completaria 18 antes da prova de Aspen. A sua crescente notoriedade pública também se estende para lá da competição: uma publicação de um clube de fãs chamou a atenção para imagens em que dança com membros do grupo de K-pop CORTIS.

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As datas de um regresso rápido

O mais recente feito de Choi reúne várias etapas de um regresso, desde uma longa reabilitação a vitórias consistentes e a um novo truque. Os principais marcos mostram como a sua posição competitiva mudou rapidamente depois de regressar ao snowboard.

  • Aos 14 anos: Choi venceu o ouro nos X Games e a sua primeira prova da Taça do Mundo, na época de estreia.
  • Aos 15 anos: Uma lesão na coluna em Laax levou a três operações, um mês no hospital e um ano de reabilitação.
  • Antes dos Jogos Olímpicos de fevereiro de 2026: Venceu as três provas da Taça do Mundo em que participou nessa época.
  • 12 de fevereiro de 2026: Conquistou o ouro olímpico no halfpipe, em Livigno, com 90,25 pontos.
  • Durante a época de 2025–26: Garantiu o título da Taça do Mundo de halfpipe feminino e um Globo de Cristal.
  • 19 de setembro de 2026: O World Challenge estava marcado para Cardrona, com Choi selecionada para a equipa da Ásia-Pacífico.
  • 16 de outubro de 2026: A Snow League anunciou o backside 1080 bem-sucedido em Saas-Fee.
  • 7 de janeiro de 2027: Tem prevista a participação na prova inaugural da segunda época da Snow League, em Aspen Snowmass.

Choi também falou sobre o que um título olímpico poderia representar para o snowboard na Coreia do Sul. Depois dos Jogos, disse esperar que a vitória levasse mais pessoas a interessarem-se por uma modalidade que, na sua opinião, recebe pouca atenção no seu país.

Pontos-chave

  • Choi Ga-on tornou-se a primeira mulher a executar um backside 1080 num halfpipe de snowboard, segundo a Snow League.
  • O truque consiste em três rotações completas e foi executado no Stomping Grounds Park, em Saas-Fee, na Suíça.
  • Conquistou o ouro olímpico a 12 de fevereiro de 2026, com 90,25 pontos, depois de cair nas duas primeiras tentativas.
  • O seu regresso seguiu-se a uma lesão na coluna, três operações e um ano de reabilitação.
  • Também venceu o título da época de 2025–26 da Taça do Mundo de halfpipe feminino e o primeiro Globo de Cristal FIS de Snowboard Park & Pipe da Coreia do Sul.
  • A próxima prova da Snow League em que tem prevista a participação começa a 7 de janeiro de 2027, em Aspen Snowmass.
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